Mês: novembro 2013



É de estarrecer

Algumas músicas são tão bacanas que nem é preciso dizer nada sobre ela, basta refletir.

Onde você está é o que você é?

 

É de estarrecer

(Zélia Duncan – Compositor: Itamar Assumpção)

É de estarrecer
Estar e ser em inglês
É a mesma coisa
Assim como você
Pode ser e não estar
Você pode estar e não ser
Estar e ser
Parece a mesma coisa
Mas não é
De estarrecer
To be or not to be
Here and now
Eis a grande questão
Ser passado, ser futuro, ser presente
Ser humano, estar sendo,
Ser amado, ser seguro, ser ausente
Ser cigano, estar vivendo
To be happy, to be free
Estar em você, ser em mim
To be or not to be
Para shakespeare and me
É de estarrecer
Estar e ser em inglês é a mesma coisa
Estar e ser
Parece a mesma coisa
Mas não é
De estarrecer?

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Nem tanto ao céu, nem tanto ao mar

Cazuza fez grande sucesso com a música Exagerado, na qual exalta a intensidade de seus sentimentos, mostrando-os como impossíveis de controlar. Auto-controle não é um botão com o qual nascemos, ao contrário, nascemos com a tendência ao exagero – seja para mais ou para menos. Por isto amor e ódio andam juntos – o outro me agrada: amo de paixão; me desagradou – odeio totalmente. A infância é a fase onde se tem a chance de aprender a cuidar destes sentimentos, é nesta etapa da vida que estas emoções aparecem de maneira mais nua e crua, a criança não sabe disfarçar, por isso as vezes chega a assustar um adulto com as demonstrações de braveza. Ou chega a emocionar o adulto quando demonstra tanto amor. O processo de desenvolvimento da capacidade de tolerância é demorado e depende de muitos fatores. O  mito de Dédalo e Ícaro é um bom exemplo da importância do meio termo, ainda que difícil de aplicar.

Dédalo e Ícaro

Dédalo era um construtor e escultor muito competente de Atenas que caiu em desgraça por ter assassinado Talo. Acolhido com amizade pelo rei Minos de Creta, Dédalo refugiou-se ali com o filho Ícaro. Foi incumbido de construir um labirinto para guardar o terrível Minotauro, filho da Rainha Pasifae – mulher de Minos – e de um touro. Minotauro era portanto um monstro, metade homem e metade touro, que se alimentava de carne humana. O labirinto era tão perfeito que até Dédalo teve dificuldade em sair dele.

O rei Minos, como castigo pelo fato dos Atenienses lhe terem matado o filho Androgeu, tomou a cidade de Atenas e impôs um tributo anual em que sete rapazes e sete moças entrariam no labirinto e se não saíssem de lá seriam devorados pelo Minotauro. Ao fim do terceiro tributo, Teseu, filho do rei de Atenas, ofereceu-se como uma das vítimas, a fim de salvar sua Pátria do flagelo que os atingia. Ao chegar em Creta, Ariadne, filha do rei Minos, apaixonou-se pelo jovem Teseu e, com a ajuda de Dédalo deu ao jovem um novelo de fio que guiou o herói para fora do labirinto. Furioso com a traição de Dédalo, o rei Minos mandou prendê-lo junto com seu filho Ícaro, numa ilha de onde não poderiam sair sem autorização do rei. Dédalo começou então a imaginar uma fuga. Recolheu penas de aves e, unindo-as com cera, construiu asas para si e para o filho. Porem, antes de saírem da ilha Dédalo avisa ao filho para que não voe tão alto perto do sol, pois ali a cera derreteria e as asas queimariam. E nem tão baixo perto do mar, para que as asas não molhassem e assim impedisse o voo.

Conseguiram assim voar até uma ilha vizinha e ficar a salvo. Contudo, Ícaro, entusiasmado com o sucesso da experiência, continuou a voar cada vez mais alto, não dando ouvidos a Dédalo.

Como se aproximou demasiadamente do sol, este derreteu a cera das asas e Ícaro caiu no mar Egeu, afogando-se para grande tristeza de Dédalo, que mais não pôde fazer do que observar e chorar a morte do filho.

icaro

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Felix e a inversão de valores

felix e paloma

Assistindo o capítulo de segunda da novela Amor à vida me chamou muito a atenção a atuação do Felix, não apenas porque Mateus Solano atuou muito bem, mas principalmente porque ele demonstrou o que muitas pessoas pensam: que são vítimas e por isso tem justificado seus atos.

Félix não foi um filho amado pelo pai e como compensação foi muito mimado pela mãe. Esta é uma história bastante conhecida na sociedade. Faz do personagem uma vítima sim, mas as escolhas dele não são as de muitas pessoas.

Ser vítima muitos são – das escolhas e dos sentimentos dos outros. Contudo, ser vítima não significa ter liberdade para agir de maneira arbitrária com os outros. Mesmo que assim o tenham feito contigo. Na mesma novela há Paloma, que perdeu filha, e apesar do sofrimento que esta situação lhe trouxe não se tornou uma pessoa má.

Ou seja, justificar que atos ruins são resultado de vivências tristes do passado podem até emocionar, mas não são uma resposta verdadeira. Ao contrario, pessoas que passaram por situações traumáticas nem sempre tornam-se más, assim como pessoas que receberam muito amor nem sempre ficam super boas. A vida não é tão linear assim. Contudo, é incrível como quem é pego no flagra tem a tendência a justificar seus atos invertendo valores, tentando responsabilizar outros pelos seus atos. Incrível e triste.

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Em tempos de perfeição

Em tempos em que somos exigidos a ser sempre belos, dispostos para tudo, cheios de vitórias, eternamente jovens e felizes, refletir sobre o mito da perfeição pode ser um grande e necessário alívio para a mente. Pois existe uma linha muito tênue entre buscar ser melhor a cada dia e tentar ser perfeito. O primeiro é parte natural do amadurecimento que com o tempo a vida traz, se baseia em reflexões diante das adversidades e aprendizado com as circunstâncias duras da vida. É algo saudável.

Já a busca por perfeição parte da premissa de que é possível não falhar na vida, de que é se é capaz de viver de maneira sempre correta e acima do bem e do mau. E isto é uma utopia, que traz infelicidade e aprisionamento. Somos humanos e por isto falhos. Alguns defeitos são passíveis de mudança, outros de controle e outros necessitam de aceitação e perdão. Somos seres contraditórios, com emoções incontroladas mesmo que não expostas, porem não sentir emoções negativas é algo impossível. Como humanos envelhecemos, entristecemos, reagimos, erramos e fracassamos.

Aceitar isto não é se nivelar por baixo, ao contrário, é a possibilidade de poder abarcar dentro de si tais verdades acolhendo-as como parte de si mesmo, ao mesmo tempo em que enxerga suas qualidades e potencias. Ao viver nesta dimensão se torna mais fácil tanto o auto-perdão quanto o perdoar aos outros – ficamos como iguais e não como superiores. Ao mesmo tempo em que mudar também fica possível, visto que o que é perfeito não precisa mudar, só o que é humano. É entender que a matéria da qual somos feitos é carne e osso, ou seja, frágeis e falíveis. E nem por isso desmerecedores de amor seja do outro ou próprio.

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O mal de amar demais

A experiência mostra que pessoas que são muito amadas tendem a serem as mais ingratas. Filhos que foram muito amados são os que mais dão trabalho quando crescem. Namorados (as) que foram muito amados tendem a ser bastante sacanas no fim do relacionamento. Quem não conhece casos assim?

Amar demais em geral é sinônimo de fazer tudo pelo outro. Deixam de dar para si mesmo por amor ao outro. Privam-se, deixam de lado, se doam, se entregam totalmente e sem reservas, deixam de dizer coisas para não magoar, passam a mão na cabeça para amenizar sofrimentos que a vida traz, diminuem as verdades na tentativa de suavizar dores, engolem sapos e lagartos e tudo isto é entendido como sinal de amor, ou pior de amar demais. E por fim, esta pessoa que você tanto amou, se entregou e fez de tudo vai te deixar e ainda te dizer coisas absurdas.

Bem, vamos repensar isto. Amar não é nada disto. Amar é cuidar do outro sim, é estar junto, é apoiar, acompanhar e valorizar o outro, mas em nenhum momento é se auto abandonar. Amar alguém não é obscurecer as verdades e nem passar por cima de seus princípios, pois isto é falta de amor próprio. E de uma grande inversão de valores. Em nome do amor pelo outro se desvaloriza e desconsidera. E espera, magicamente, que o outro te valorize e considere. Seria isto possível?

Quem se valoriza é valorizado.

Quem se impõe é respeitado.

E o contrário é verdadeiro na mesma intensidade.

Os pais tendem a serem as maiores “vítimas” neste sentido, pois já viveram mais e sabem que a vida é feita de dores e que algumas são bastante intensas. Um desejo imenso que os pais têm é de impedir que seus filhos passem por tais emoções. Contudo, ao tentar privá-los disto, os impedem de amadurecer. Pois só se aprende a enfrentar a vida com a verdade, ou seja, encarando a realidade. A cada momento em que os pais tentam amenizar o sofrimento estão impedindo o filho de desenvolver capacidades de enfrentamento. Não é abrandar a dor e sim estar ao lado para enfrentar junto, não é enfrentar por ele, é ajuda-lo a pensar em alternativas ou quando não houver é chorar e viver a dor em companhia, aliás, que grande aprendizado saber que nas horas difíceis temos com quem contar. Pais esquecem muito facilmente que venceram seus próprios sofrimentos, isto não um indicio de que os filhos também são capazes?

Temos medo do sofrimento e por isso tentamos aplacá-lo para não alcançar quem amamos, contudo isto não ajuda em nada. Ao contrário, só prejudica. Acaba-se por criar um mundo fantasioso e irreal. Depois quando os filhos crescem e já não se pode mais protegê-los a dor os alcança e, neste momento, os filhos percebem o quanto são incapazes de se defender. E o que eles fazem? Voltam-se contra os pais acusando-os como se fossem culpados por suas mazelas, pois todo o ódio que estão do mundo se volta contra quem mais os ama. Injusto não é? Sim, muito!!!  Mas uma hora eles vão precisar amadurecer, não há como impedir, só adiar.

No relacionamento amoroso o amar demais aparece na forma de fazer tudo pelo outro, aceitar tudo, perdoar tudo, estar sempre disponível e, aqui também, há a expectativa de que o outro o valorize. Quem fica muito a disposição deixa de ser gente para ser visto como objeto. Pode ser um lindo objeto e ate bastante necessário, mas não será entendido como alguém com valores e necessidades próprias. Afinal, objetos não falam. Quem quer ser valorizado, precisa antes se valorizar. Quem quer ser amado, precisa antes se amar. E isto não se conquista com brigas ou pedidos e sim com novas condutas.

Talvez por isso Jesus tenha deixado apenas dois mandamentos como sendo os mais importantes: Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a ti mesmo.

Não é possível amar ao outro sem se amar antes. E aqui cabe uma reflexão muito importante: como você se ama? Você se valoriza, percebe coisas boas em si mesmo, tem clareza de seus princípios, valoriza seus desejos, lida bem com seus erros e defeitos? Como você cuida de si mesmo, se responsabilizando por suas necessidades ou esperando que os outros façam isto por você? Como você se vê em relação aos outros, igual ou menor? Como você demonstra suas vontades, entendendo-as como dignas de serem valorizadas ou sem importância? Enfim, como você se vê?

É como você se ama que determinará como se colocará diante dos outros. Amar demais a alguém na verdade pode ser um grande sinal de se amar pouco.

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Dias tristes

oceano

Tem dias que uma tristeza tão intensa arde no peito. Olhando ao redor tudo esta bem. Na superfície a água esta calma, mas este oceano é fundo e em suas profundezas ha mistérios, ha placas se movendo, animais nadando, brigando, copulando, nascendo e morrendo. Ali ha vida e morte. O resultado desta movimentação pode nunca vir a tona, ou talvez alguns venham e se façam conhecidas, mas não é isto que importa, a movimentação esta acontecendo.

Nem todo sofrimento tem uma explicação lógica ou uma resposta óbvia.  Todo passado, apesar de enfrentado e ate os que foram superados, deixaram marcas.  As cicatrizes servem pra lembrar que aquilo passou, mas também para lembrar o incidente. Na maior parte das vezes somente apos passar a turbulência é que se faz possível sentir o que no momento precisou ser contido, negado, adiado, porque durante as provas o necessário é sobreviver.

Somente quando a água esta calma é que se pode enxergar o fundo. Num mar agitado é perigoso entrar, mas quando ele esta calmo se pode mergulhar em suas profundezas, descobrir seus mistérios e entender seus segredos. Dias de tristeza talvez sirvam para isto. Não são resultados de problemas, nem sinal de que as coisas vão mal, mas nos convidam a mergulhar em nossos sentimentos para poder pensar sobre a dor passada.

Que tal um mergulho?

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A árvore e a vida

arvore

A Árvore

Por Rejane Dias Melão

Plantar e cultivar uma árvore exige muito trabalho e constante cuidado.

Precisamos escolher bem a terra, para depois plantar e regar.

Também é necessário longa espera, até que a árvore produza flores, frutos ou sombra.

O desenvolvimento requer grande responsabilidade… Como na vida.

Inúmeras situações surgem cotidianamente, e somos livres para fazer escolhas.

Mas como é difícil lidar com o peso da liberdade. Nem sempre estamos preparados.

Por isso é importante se por a pensar…

O que tenho decidido diante das escolhas que tenho?

Uma boa prática é consultar nossa consciência diante dos caminhos que se colocam.

Penso que toda semente é boa, desde que bem cultivada.

Logo, se não nos deixarmos influenciar pelo externo, escolheremos o mais acertado.

São essas escolhas que determinarão o crescimento de nossa árvore.

Ela poderá ser ressequida, sem folhas, com galhos tortos, podendo ser arrancada do chão a qualquer vento.

Ou forte, verde, com sombra ampla, e de raízes tão profundas que as tempestades serão incapazes de abalar.

Felizmente temos várias oportunidades ao longo do processo.

Se percebemos que a semente não cresce sozinha, é possível regar.

Se escolhemos terra imprópria, é possível adubar.

Se os galhos estão tortos, é possível aparar.

Os cuidados com nossa árvore precisam ser contínuos, pois ventos sempre virão. Alguns muito fortes…

Mas que sejam sempre bem vindos, pois os ventos que balançam a árvore fazem cair folhas velhas e frutos podres.

Muitos outonos chegam alheios a nossa vontade, mas todos tem fim.

E depois de um gélido inverno, sempre chega a primavera.

Apesar de não termos controle sobre as estações, muito depende de nosso posicionamento.

A qualquer tempo é possível se valer de bons sentimentos, que aquecem nossa árvore como sol.

Mas para que resultado sejam flores, frutos ou sombra, precisamos estar em constante aprendizado.

E conforme evoluímos, nos preocupamos também com as árvores ao nosso redor.

Quanto mais forte se torna nossa árvore, maior é o desejo que a floresta inteira se fortaleça também.

Ter uma árvore frutífera, e ser causa do florescimento de outras árvores é o que fará a vida valer a pena.

Portanto, cuidemos de nossa semente, optando sempre por terra produtiva e água limpa!

Diante das escolhas na vida, decidamos pelo bem!

Para que assim nossas flores despertem admiração!

Para que nossos frutos sejam doces!

E para que nossa sombra traga paz a quem nela repousar!

 

Como está o desenvolvimento de sua árvore?

 

 

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