Mês: janeiro 2014



Pais, escola e alunos: qual o papel de cada um?

Todo ensino depende de princípios. E para que um professor possa ensinar princípios é necessário que ele tenha discernimento de quais princípios regem sua profissão, desta forma poderá vivenciar em seu dia a dia de trabalho valores e virtudes que venham de encontro com tais alicerces.

Mas o que é ser professor? Há muitos livros que tentam responder a esta pergunta, já foi dito que é um dom, como se fosse uma capacidade além da pessoa. Mas tal como qualquer outra profissão ela requer habilidade, mas não é um dom e sim uma decisão. Decisão esta que engloba: trabalho, treinamento, disposição para lidar com pessoas, o que exige amor ao próximo, tolerância e respeito às diferenças.

Estes são os princípios da profissão de educador: é ensinar com amor. Pois conteúdos só podem ser aprendidos numa relação afetiva, caso contrario, serão apenas assuntos decorados. Conhecidos mas desconectados de aplicação. Para um aluno desenvolver um conhecimento ele precisa gostar, se identificar com aquele conteúdo e estes sentimentos são produzidos no aluno através da figura do professor.

Da mesma forma há princípios que regem toda as escolas. O mais básico – e, ironicamente, o que estamos distantes na atualidade – é do entendimento de que a escola é uma instituição afetiva. Sim, a escola é uma empresa, mas se baseia num compromisso ético de ensinar e a ética do ensino esta totalmente ligada a ética do cuidado. Não se pode ensinar sem cuidar, um não ocorre sem o outro. A criança quando entra na escola precisa ser cuidada por este espaço, por isto a escola complementa a família. É um lugar de intimidade entre professor e aluno, e entre alunos, onde amizades são construídas e vivenciadas. As questões emocionais que a criança vive em casa repetirá na escola e será a postura dos educadores ali presentes determinantes para sua resolução.

A escola é um espaço de cuidado e não só de aprendizado. As escolas antigas, gregas principalmente, baseavam-se nesta premissa. As pessoas se reuniam para aprender a pensar, falavam de duvidas sobre a constituição do universo, da Terra, das estrelas e etc. não havia material didático, nem quadro negro e muito menos sala de aula, mesmo assim, as pessoas tinham sede de aprender. Os avanços para a formação do espaço escolar foram importantes e são necessários para que a educação avance. Porem, foi-se esquecendo de que crianças são incultas, não sabem das coisas e precisam aprender inclusive a ser cidadãos dentro da escola. O que só pode ensinado de forma afetiva.

Ainda mais quando a entrada na escola se dá cada vez mais cedo. Bebês tem ido para a escola, e se este não for um espaço amoroso que seres sairão dali? Não há desenvolvimento emocional sem convivência afetiva e isto requer pessoas que se dediquem a cuidar dos pequenos, antes dos 13-14 anos de idade uma criança não sabe se cuidar sozinha e por isso precisa tanto de pais presentes, como de professores influentes. Que gostem de sua profissão e gostem, principalmente, de crianças.

Tudo precisa ser aprendido – como brincar, como socializar, o que são limites, quais seus direitos e deveres. A criança não entra na escola sabendo tais coisas, ate mesmo porque o ambiente familiar atual não proporciona esta socialização. As famílias hoje são pequenas, com poucos filhos, sem quintal, então é dentro da escola que a criança aprenderá a dividir, compartilhar, esperar, se frustrar.

Os berçários e pré-escolas tem um papel, desta forma, fundante no desenvolvimento da criança. Que vai muito além da educação pura e simples.

Por esta razão os pais precisam buscar um ambiente que venha de encontro com seu jeito de ser, nem toda escola serve para toda criança. A escola é extensão do lar, tem que ter valores parecidos com os que os pais pregam em casa. Se a escola têm outra visão de mundo o espaço familiar e escolar não se completarão e com isto a criança sofre, a escola sofre e os pais sofrem.

A escola é um espaço lúdico que possibilita o brincar, interagir, expressar-se. Pincipalmente na primeira infância, que é brincando, socializando que a criança desenvolve afetos. O foco deve ser em desenvolver capacidades, mais do que transmitir conteúdos. Pois quando a criança entende as capacidades que têm e quais são suas habilidades, saberá usar o aprendizado a seu favor. Isto envolve professores atentos, dispostos e dedicados. Mas o resultado são crianças mais calmas, obedientes e satisfeitas.

Pois quando a escola é este espaço afetivo a criança cria vínculos com as pessoas e as coisas existentes ali. Desta maneira, a escola passa a ser vista como algo bom, desejável e agradável. Não é um espaço de depósito, onde os pais deixam as crianças para trabalhar, nem um meio para chegar ao vestibular, a escola tem como fim maior desenvolver a capacidade de pensar, de se relacionar socialmente, de despertar o desejo pelo conhecimento e por querer uma profissão. Nada disto pode ser desenvolvido num espaço sem afeto.

Há grande necessidade de pais e escolas manterem um dialogo próximo e profundo. Claro, que, infelizmente, esta não é a realidade da maior parte das escolas. O que é um pena e uma grande perda para todos. Pois há uma grande diferença entre família e escola: a escola tem início, meio e fim; enquanto que a família é eterna. A escola ficara na lembrança do adulto, podendo marca-la de forma positiva ou negativa. Mas os pais serão presentes na vida dos filhos enquanto eles viverem, mesmo depois que os pais falecem seus exemplos e ensinamentos se mantem atuantes na vida de um filho.

Então quando os pais conseguem demonstrar ao filho o quanto desejam e respeitam o espaço escolar, criam uma semente para que a criança também goste deste espaço. E posso tolerar as regras ali existentes.

Os pais precisam entender que a escola é um desejo deles para os filhos. A escola proporciona o que os pais não podem: a educação e a socialização. É onde a criança aprende  coisas, se socializa e organiza sua personalidade. Quando há afetividade neste processo o aprendizado pode ser aplicável. A educação não fica maçante, ao contrario torna-se desejável. Por isso os pais precisam escolher a escola, conhece-la, visita-la, serem presentes neste espaço. A escola realiza o desejo dos pais, mas o pais não podem realizar os desejos da escola:, por esta razão é necessário que pais e professores conversarem muito, que tenham um dialogo aberto e franco.

Quando a escola conhece o ambiente familiar, as vivencias e dificuldades da família pode orienta-los e os pais podem ser ajudados no processo da educação do filho. É desta maneira que o espaço escolar torna-se afetivo, completando a família. Um trabalho de união e não de separação.

professor aluno

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De que maneira os princípios afetam nossa vida?

principios

Para entender um conceito é preciso conhecê-lo, desta forma para entender o que significa princípios precisamos analisar a origem desta palavra. Princípio vem do latim principium que significa ponto de partida. Ou seja, o que inicia qualquer coisa. Segundo o dicionário princípio simboliza começo, origem, fonte. E tem uma raiz na física com o princípio de equivalência, o qual defende que a gravidade é uma força maior que reage igualmente para todos. Todos os seres e objetos que estão sobre o planeta Terra obedecem à lei da gravidade, nada nem ninguém tem como estar onde está sem tal força. E se submetem a seu poder. Se estivéssemos no espaço ou na lua, estaríamos soltos e sem solo. Da mesma forma funcionam os princípios, eles proporcionam base, alicerce para viver.

Princípios se confundem muito facilmente com outros termos tais como valores e virtudes. Porem há grande diferença entre eles.

Valores são normas e padrões sociais. São mutáveis, pessoais, subjetivos e contestáveis. Ou seja, mudam em cada ambiente, famílias diferentes tem valores diferentes, empresas do mesmo porte – tal como uma escola – também têm valores que diferem. Ser do mesmo ramo não significa valorizar as mesmas coisas. O que é valioso para um, difere do que é valioso para outro. Os valores dependem da cultura, do ambiente e do tempo histórico em que esta inserido. Tanto Hitler quanto Oscar Schindler eram alemães, criados numa mesma época e com idades bastante próximas. Contudo, o primeiro foi responsável pela morte de milhares de judeus, enquanto o outro salvou inúmeros judeus. Tanto Hitler quanto Schindler tinham como valor o poder, os dois desejam riqueza e dinheiro, entretanto ao ver um massacre de judeus Schindler priorizou os princípios em nome dos valores e por isso salvou a tantos.

Virtudes são uma disposição de espírito, tem a ver com força de vontade. Ela se divide em virtude intelectual, a qual é desenvolvida através de ensino, experiência e tempo. Por isso que pessoas mais velhas, são, em geral, mais sabias – comportam mais virtudes. E há as virtudes morais que dependem do hábito. Assim, virtudes precisam ser desenvolvidas. Para isso precisam ser ensinadas por pessoas mais experientes, que auxiliem no sentido da manutenção daquele comportamento, o que envolve disciplina e supervisão, pois é com a prática que ela se desenvolve. Virtudes estão intrinsecamente ligadas a escolhas. E o tempo todo podemos escolher como agir e reagir.

E os princípios então, o que são? São as leis que regem os comportamentos. É um pressuposto universal que se baseia em regras pela qual uma sociedade civilizada se orienta. A civilização foi e é um processo. Independente de que linha de desenvolvimento humano se siga – criacionista ou evolucionista – percebemos que a vida em sociedade foi se organizando lentamente e ainda não há uma ordem tão satisfatória. Mas os princípios regem a existência: dão orientação. Sua maior característica é ser comum a todos os povos. Tanto que existe a Declaração universal dos direitos humanos, onde são descritos em 30 tópicos explicando os direitos e deveres de todo cidadão, ou seja, os princípios sobre os quais ser um cidadão está envolvido. Assim são considerados como princípios termos como dignidade, igualdade, liberdade, educação, respeito ao próximo. Estes conceitos proporcionam uma vida civilizada que orienta os seres humanos em seus direitos e deveres. Sendo que quem age em discordância é punido.

É no convívio com o outro que os princípios são colocados em prática, é pelo exemplo do adulto que a criança aprende a como deve agir, quando os princípios que regem a sociedade são aplicados nos comportamentos do dia a dia torna-se possível serem aprendidos pelos mais jovens e mantidos em sua vida adulta o que resultará nestes ensinarem seus futuros filhos e assim a sociedade se manter dentro de uma civilização. Daqui vem a importância dos pais e da escola, dois espaços de grande poder sobre as crianças.

Quando os princípios não são seguidos numa sociedade os resultados podem ser bastante nefastos, caso de países em que guerras e massacres ocorrem o tempo todo. Ditadores são um excelente exemplo neste sentido. Ir contra os princípios gera angustia e quando este comportamento é mantido gera frieza. Os princípios funcionam como uma bússola que orienta a mente, mostrando o caminho em que se deve andar, desviar-se dele é andar sem rumo. Pois os valores mudam, os princípios não. Assim como as atuações mudam, os princípios não.

Na atualidade os princípios estão perdidos, confusos. Os últimos tempos têm sido de grandes mudanças sociais o que por si só gera uma crise de valores, e quando valores e virtudes são colocadas em cheque, os princípios deixam também de serem seguidos. Com isto as pessoas ficam sem base para entender o que é realmente importante. Atualmente, houve um crescimento exponencial de doenças como depressão e ansiedade, o que segundo estudiosos esta relacionado à perda de uma base social. As pressões sociais aumentam a cada dia, as necessidades parecem cada vez maiores e mais difíceis de serem alcançadas. Contudo, as pessoas permanecem com um sentimento de infelicidade e insatisfação, por mais que tenham coisas, conquistem coisas, este sentimento não muda.

O que isto demonstra? O quanto estar distante dos princípios resulta em fadiga, excesso de atividades e busca desenfreada por coisas ilusórias, as quais não satisfazem verdadeiramente. Pois se não sei o que busco, não sei como satisfazer. As redes sociais aumentam tais sentimentos negativos, pois dão uma falsa ilusão de intimidade e relacionamento, ao mesmo tempo em que induz a uma vida de futilidade e inveja.

Então, como resgatar os princípios?

O escritor Vitor Hugo no livro Os miseráveis relata a vida de um homem que tinha deixado de lado todo e qualquer principio em nome da sobrevivência. Ate que outro homem agiu com ele com bondade e perdão, isto o abalou tanto que o fez rever quem ele era e assim decidir seguir uma nova vida. Baseada em princípios, valores e virtudes.

Para se resgatar princípios é necessário uma reflexão do que é verdadeiramente importante na vida. Quais as leis que regem a vida humana? Quais coisas são verdadeiramente importantes? Há que se pôr a vida em perspectiva: descrever prioridades. O que significa sair das exigências sociais e buscar as reais. É um exercício difícil, que exige a quebra de comportamentos que estão arraigados na sociedade atual, tais como egoísmo, individualismo, priorização de si mesmo, busca desenfreada pelo prazer e etc. Quando esta reflexão ocorre torna-se possível alinhar os pensamentos entre os princípios que regem a sociedade, o que modifica os valores e as virtudes, ou seja, os comportamentos. Pois, ao ter discernimento de quais princípios regem sua vida, seu padrão de comportamento muda e sua disposição para buscar algo aumenta, o que também faz crescer a tolerância a frustração.

Leonardo Boff relata no livro A  águia e a galinha: uma metáfora sobre a condição humana uma historia sobre um fazendeiro e um naturalista. O fazendeiro criou uma águia desde filhote como se fosse uma galinha, pelo chão ela ciscava, andava e não voava, sua condição era como a de qualquer outra galinha. Certo dia, o fazendeiro recebeu a visita de um naturalista, este se agoniou diante da condição da ave e por ela intercedeu. Pediu que o fazendeiro a deixasse voar. Depois de certa oposição o homem permitiu sua libertação. Contudo, foram necessárias varias tentativas ate a ave se permitir voar, ate que conseguiu e voou alto em direção ao sol e dali não mais voltou.

Boff faz então uma correlação entre esta situação e a condição humana. Quantos de nos não estamos agindo como animais ao invés de seres humanos? Quantos nem percebem o quão distante estão de sua verdadeira missão? Quantos se satisfazem com os ciscos que há no chão enquanto há um céu imenso para ser conquistado? Somente, quando os princípios são devidamente seguidos na vida é que somos capazes de agir como humanos no sentido mais puro da palavra.

Porem, viver como águia é muito mais trabalhoso. Pois exige novos comportamentos e compromissos também diferentes. Mas resulta em verdadeiro prazer. A concepção de prazer se perdeu nas ultimas décadas. Prazer passou a ser relacionado à satisfação instantânea. Porem, isto não é prazer, é conquista, pode trazer satisfação, alegria, mas são sentimentos passageiros. Prazer tem a ver com foco, com desejo de conquistar algo mais especifico, que depende de planejamento, dedicação e esforço. Quando alcançado se obtém prazer e com isto felicidade. Prazer não é algo possível de sentir o tempo todo. Para se ter prazer e saber aproveita-lo é preciso saber tolerar frustrações. Algo que hoje parece pecaminoso.

Ter uma vida baseada em princípios sejam estes de civilização ou de princípios cristãos significa uma decisão, uma escolha. É trabalhoso, mas compensatório. Exige esforço e dedicação, mas resulta em um sentimento de pertença que tanto falta ao mundo de hoje. Onde cada um anda solto, sem rumo, sem gravidade.

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Enquanto durmo

Enquanto durmo – Zélia Duncan

enquanto durmo

“Muitas perguntas
Que afundas de respostas
Não afastam minhas dúvidas
Me afogo longe de mim
Não me salvo
Porque não me acho
Não me acalmo
Porque não me vejo
Percebo até
Mas desaconselho…

Espero a chuva cair
Na minha casa, no meu rosto
Nas minhas costas largas
Espero a chuva cair
Nas minhas costas largas
Que afagas enquanto durmo
Enquanto durmo

De longe parece mais fácil
Frágil é se aproximar
Mas eu chego, eu cobro
Eu dobro teus conselhos
Não me salvo
Porque não me acho
Não me acalmo
Porque não me vejo
Percebo até
Mas desaconselho…”

Enquanto dormimos nada pode ser resolvido. Muitas pessoas estão com olhos abertos, mas se comportam como se dormissem. Não tem conhecimento de quem são, do que precisam, assim não sabem o que querem, nem para onde vão. Vivem agitados, ansiosos, angustiados. Até percebem a angustia, mas não se escutam e com isto não alcançam nada. Sem acordar não ha como viver.

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Fase do cansei

Cansei de trabalhar, cansei de me esforçar, cansei de ler, cansei de escrever, cansei de pensar, cansei de ser…. Parece que estamos na fase da cansei. O tempo todo as pessoas se queixam do quão cansadas estão. Cansadas da vida, da rotina, de suas obrigações, necessidades. É um cansaço global. Parece até que pega, como praga. A vida anda pesada, as tarefas são muitas, as obrigações são inúmeras e o dar conta de tudo isto não se mostra possível. Junto com o cansaço vem o desânimo e diante da continuidade deste sentimento pode vir uma depressão.

E o pior é que cansaço não passa apenas com descanso. Fins de semana e, principalmente as férias, são ótimos tempos, porem quando acabam, a realidade volta e com ela todos os problemas.

Acho que não é a toa que os filmes de zumbi têm feito tanto sucesso, nos identificamos com eles, afinal de contas quantos de nós não andam por aí como mortos vivos, sem pensar, só agindo-repetindo a rotina do dia a dia? Acorda – trabalha – come – faz o que tem fazer – dorme – acorda… Mas não vive, não sente prazer, gosto na vida que tem. Ao contrario, foge do pensar para não sofrer: através da TV, das redes sociais, das bebidas, ou qualquer outra coisa que sirva como entorpecentes da mente, amortizando a angustia e mantendo o comportamento.

O descanso provem de um repensar os valores, prioridades e necessidades, pois as invertemos com muita facilidade. E muitas vezes sem nem perceber. Coisas que eram importantes, vão sendo deixadas de lado em nome das que são urgentes. E em geral, são as urgências que tanto cansam. As urgências são como roupas que são vestidas em cima de outras. Ficam camadas e mais camadas de roupas íntimas, calças, blusas e jaquetas até que impedem a pessoa de se locomover. Assim, são as obrigações elas gritam por resolução e na tentativa de solucioná-las ficamos a cada dia mais vestidos. Encarar a situação é refletir sobre ela: buscando entender qual é o seu papel diante das situações, perceber o que é ou não possível a você resolver, aprender a como delegar tarefas, a dizer nãos e fazer contratos mais realistas consigo mesmo. Tais reflexões possibilitam tirar as camadas e usar o que pertence a você, é uma quebra com a vida-zumbi. Pois o grande risco de manter as coisas como estão é se acomodar e aprender até mesmo a gostar desta situação.

O incomodo é sinal de que ainda não houve acomodação. O que é saudável, caso contrário passamos a viver como gado, como bem disse Zé Ramalho:

“O povo, foge da ignorância, apesar de viver tão perto dela. E sonham com melhores, tempos idos. Contemplam essa vida, numa cela, esperam nova possibilidade de verem esse mundo, se acabar.  A arca de Noé, o dirigível
Não voam, nem se pode flutuar. Eh, ôô, vida de gado, povo marcado e, povo feliz. Eh, ôô, vida de gado, povo marcado e, povo feliz.” (Admirável gado novo – Zé Ramalho)

vida de gado

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Entre o querer e o agir

mudar

Queremos mudar, queremos mais, queremos ser diferentes. Mas o querer não basta. O ânimo não provem disto. Agir depende muito mais de uma percepção interna do que esta verdadeiramente ruim do que de uma cobrança para um novo status. Mais do que exigir mudança é preciso entender o que te leva a estar onde e como está. Somente com uma visão realista, sincera e dolorosa de si mesmo é que mudanças se fazem possíveis. Sejam elas em que áreas forem da vida. 

 

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Grupo de estudo e supervisão em Psicanálise

Encontros semanais com duração de 1h30 com dia e horário a ser definido pelo grupo.
A primeira parte do encontro será de estudo teórico e na segunda parte um estudo de caso. Os materiais estudados serão com foco nas duvidas que o grupo trouxer e os casos também serão trazidos pelo grupo, desta forma o aprendizado fica mais profundo e específico para o desenvolvimento do pensamento clínico.
O numero de participantes será de ate 5 pessoas.
E o valor será de R$120,00 mensais por pessoa.
​Quem tiver interesse entre em contato por email ([email protected]) ou por telefone – 3031.2869.
Fernanda Rossi – CRP 08/09960

http://blogs.odiario.com/fernandarossi/curriculo/

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Famílias felizes X famílias infelizes

Ser pai e mãe é talvez a tarefa mais difícil que exista no mundo, pois é desenvolver a capacidade de ajudar um pequeno ser a se tornar alguém no mundo, e claro que o desejo é que este seja alguém bacana. Porem há duas coisas que dificultam muito a vida dos pais: primeiro que ser pai e mãe é uma tarefa que exige sacrificar a si mesmo, é um exercício de disposição e priorização dos filhos; segundo é ter que aprender a lidar com os filhos como eles são e não como gostaríamos que fossem.

Sobre o primeiro tópico o que se pode dizer é que não assumir o papel de pai e mãe é ser um procriador, porque ser pai e mãe é uma tarefa humana, que só pode ser desenvolvida por seres humanos, enquanto que ter filhos é condição para qualquer ser vivente, animais têm filhos, mas não se responsabilizam por eles (pelo menos não por muito tempo). E, infelizmente, estamos numa sociedade em que há um numero muito maior de filhos sendo reproduzidos do que criados. Criar é trabalhoso. Exige esforços, sacrifícios e dedicação. Quem esta disposto a fazer isto?

Sobre o segundo tópico é entender que crianças não nascem desprovidas, ao contrário, cada um de nós nasce com um quanto de temperamento – alguns são mais geniosos (choram sem parar), outros são mais vorazes (quase engolem o seio enquanto mamam), outros são calmos (dormem até durante uma festa), e assim vai. Estes e tantos outros elementos vão se demonstrando nos atos da criança, claro que o meio interfere em como estes atos serão acolhidos – com maior ou menor aprovação. Então imagine um liquidificador onde é colocado o temperamento com o qual nascemos, mais o meio onde vivemos (a condição psíquica dos pais, o momento de vida destes…), mais os acontecimentos ao longo da vida, mais a maneira como as relações vão se desenvolver desde o nascimento até a juventude, e ainda some com a forma como este indivíduo lidará com as situações que viver, agora ligue o liquidificador e deixe bater, o liquido que resultar disto é a personalidade de um indivíduo. Por esta razão filhos dão tanto trabalho, são únicos, com necessidades, vontades e jeitos peculiares.

Se levarmos em conta que o espaço familiar é a base do desenvolvimento de um ser humano, já que é dentro deste espaço que se aprender a conviver com emoções difíceis como amor e ódio, ciúmes, tolerância, perdão e tantos outros sentimentos que temos de enfrentar ao longo de toda a vida. A maneira como os pais administram tais emoções será determinante para a construção de relacionamentos e escolhas futuras. Nisto pai e mãe tem um grande e valioso papel. Uma vez que crianças e adolescentes precisam de modelos para se desenvolver, por isso imitam os pais desde tenra infância.

Desta forma, um dos maiores desafios que uma família têm é o de aprender a lidar com as diferenças, com o respeitar e amar o filho como ele é. Andrew Solomon no maravilhoso livro Longe da árvore faz uma bela reflexão sobre felicidade em família: “famílias infelizes que rejeitam seus filhos diferentes têm muito em comum, ao passo que as felizes que se esforçam para aceitá-los são felizes de uma infinidade de maneiras.”

E não será isto mesmo? Afinal, família feliz não é a família “Doriana” onde todos acordam sorrindo, brincando um com outro, como se o mundo fosse perfeito e sem dificuldades. Isso não existe. Família feliz, contradizendo a imagem acima, é a que briga, discute, convive com as manias, tolera os defeitos – ainda que de quando em quando gerem discussões -, que tem coragem de enfrentar as dificuldades, os sentimentos confusos e contraditórios e não desiste um do outro apesar dos problemas. Família feliz é a que cansa, fica com medo, sente raiva, mas que também ama, perdoa, pede perdão, e cuida. Uma família assim gera adultos fortes, que se sentem amados, valorizados, aceitos. É disto que precisamos tanto atualmente: pais e mães que assumam seus papeis, que não se escondam no trabalho, na academia, na busca de ser feliz individualmente, mas que entendam que ser pai e mãe dá trabalho mesmo, aliás muito trabalho, mas que não fujam desta luta.

Família feliz não é sinônima de paz e sim de sobrevivência. A busca desenfreada pela felicidade, como se isto fosse um ideal possível para todos os momentos, só nos aprisiona e mostra o quão utópico a vida tem sido, mais do que felicidade devíamos buscar força, pois viver não é coisa fácil e isto uma família tem o poder de ensinar aos filhos: a como sobreviver e enfrentar a vida. Sem romantismo, mas com verdade.

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Essa tal da inveja…

cao riacho

Muito se fala sobre a inveja, o quão perigosa ela é, seus efeitos deletérios e prejuízos que traz. Sua força é tanta que é considerada um dos 7 pecados capitais. Contudo, temos dificuldade de assumir tal emoção e esquecemos que todos nós, todos nós, somos invejosos. Todos admiramos o que os outros têm e desejamos tais coisas. Isto é um sentimento humano, tão natural quanto o amor. Tanto é assim, que uma criança pequena mesmo estando com um brinquedo na mão fica de olho no que outra criança esta segurando e quer aquilo, e por isso chora, faz birra, deixando os pais envergonhados e irritados.

Os sentimentos não vem com manuais de instrução, eles não são civilizados. Ao contrario, são intensos, profundos e indiscriminados. Basta olhar as ações e reações de bebês para perceber o quão forte os sentimentos vem a tona. É ao longo da vida, com a ajuda da família que se aprende a discriminar, administrar e demonstrar afetos de formas mais adequadas. São com as correções e ensinamentos sociais que aprendemos a “domar” nossos sentimentos. Alguns aprendem mais, outros menos. Alguns ficam mais civilizados, outros menos.

Sobre um velho tronco de árvore, uma cadela atravessava feliz, um riacho. Levava na boca um saboroso pedaço de carne. De repente, ela parou. Ao olhar para a água, viu… outra cadela!!! E o pior: com um pedaço de carne ainda mais suculento que o seu! Como que atingida por um raio, ela soltou imediatamente seu pedaço de carne, e, latindo, atirou-se na água, para tomar o da rival. No entanto, depois de brigar com a água, percebeu que a outra cadela havia desaparecido, estava ali apenas ela mesma. Em vão, procurou pelo seu pedaço de carne, que naquela confusão, a água já havia levado. Assim, a cadelinha boba, perdeu o que tinha na boca.

E assim, também funciona a inveja humana. Ao olhar o que o outro tem, nos esquecemos do que nós temos. Na comparação com o outro sempre saímos perdendo, pois o que enxergamos do outro esta sempre longe da verdade. Já que a realidade alheia nunca é conhecida, só conhece as lutas, angustias e vitórias quem a vive. O resto é reflexo do que imaginamos, ou seja é uma ilusão.

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