Mês: março 2014

 

Tempo é ternura

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Tempo é ternura

 Carpinejar (livro de crônicas – Ai meu Deus, Ai meu Jesus)

Viver tem sido adiantar o serviço do dia seguinte. No domingo, já estamos na segunda, na terça já estamos na quarta e sempre um dia a mais do dia que deveríamos viver. Pelo excesso de antecedência, vamos morrer um mês antes.

Está na hora de encarar a folha branca da agenda e não escrever. O costume é marcar o compromisso e depois adiar, que não deixa de ser uma maneira de ainda cumpri-lo.

Tempo é ternura.

Perder tempo é a maior demonstração de afeto. A maior gentileza. Sair daquele aproveitamento máximo de tarefas. Ler um livro para o filho pequeno dormir. Arrumar as gavetas da escrivaninha de sua mulher quando poderia estar fazendo suas coisas. Consertar os aparelhos da cozinha, trocar as pilhas do controle remoto. Preparar um assado de 40 minutos. Usar pratos desnecessários, não economizar esforço, não simplificar, não poupar trabalho, desperdiçar simpatia.

Levar uma manhã para alinhar os quadros, uma tarde para passar um paninho nas capas dos livros e lembrar as obras que você ainda não leu. Experimentar roupas antigas e não colocar nenhuma fora. Produzir sentido da absoluta falta de lógica.

Tempo é ternura.

O tempo sempre foi algoz dos relacionamentos. Convencionou-se explicar que a paixão é biológica, dura apenas dois anos e o resto da convivência é comodismo.

Não é verdade, amor não é intensidade que se extravia na duração.

Somente descobriremos a intensidade se permitirmos durar. Se existe disponibilidade para errar e repetir. Quem repete o erro logo se apaixonará pelo defeito mais do que pelo acerto e buscará acertar o erro mais do que confirmar o acerto. Pois errar duas vezes é talento, acertar uma vez é sorte.

Acima da obsessão de controlar a rotina e os próximos passos, improvisar para permanecer ao lado da esposa. Interromper o que precisamos para despertar novas necessidades.

Intensidade é paciência, é capricho, é não abandonar algo porque não funcionou. É começar a cuidar justamente porque não funcionou.

Casais há mais de três décadas juntos perderam tempo. Criaram mais chances do que os demais. Superaram preconceitos. Perdoaram medos. Dobraram o orgulho ao longo das brigas. Dormiram antes de tomar uma decisão.

Cederam o que tinham de mais precioso: a chance de outras vidas. Dar uma vida a alguém será sempre maior do que qualquer vida imaginada.

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O ciúmes de Laerte – Novela em família

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Nos primeiros capítulos da novela Em família ficou fortemente retratado o amor ciumento que o protagonista sente por Helena. O casal tem um namoro longo, que dura desde a infância, são primos e convivem o tempo todo juntos. Ela é uma moça alegre, simpática com todos ao que ele entende como sinal de que ela dá espaço para os outros se aproximarem. Ele é apaixonado e possessivo, vê a namorada como propriedade dele. Imagina que casando com ela o ciumes diminuiria, como se o casamento fosse a prova de posse.

Ela não facilita a relação. Ate se diverte com o ciúmes, provoca, brinca, não percebe o quanto este sentimento pode ser perigoso para ambos.

Ele se descontrola, não raciocina, age somente por impulso.

Bem, a arte imita a vida e relações tumultuadas assim ocorrem aos milhares. Crimes de amor existem desde sempre, e a arte adora falar deles. Na mitologia grega, Medeia mata os filhos por medo de Jasão amá-los mais do que a ela. Shakespeare descreve em Otelo do quanto suspeitas podem se basear em inverdades e acabar em tragédia e dor. Em Dom Casmurro, de Machado de Assis, há outro relato de como o ciúmes afasta e impede um relacionamento de sobreviver.

E no dia a dia, quantos casais não são assim? Vivem em trancos e barrancos, ofensas e gritarias, cada um se achando o certo.

Mas o que é o ciúmes? É entre outras coisas, a dificuldade de lidar com a individualidade. Com o outro ser separado, diferente e capaz de escolhas que não lhe incluem. O individuo ciumento não aguenta a separação, precisa estar junto para crer que é amado, porem não basta, porque a mente é separada. Então momentos de silêncio são interpretados como sinal de falta de amor.

Claro que alguns comportamentos são sinais de que a relação não vai bem, mas algumas pessoas enxergam chifre em cabeça de cavalo. E interpretam pequenos sinais como indício de problemas e assim a briga começa e, na maior parte das vezes, a relação vai de mal a pior.

Há pessoas que gostam de provocar ciumes, que se relacionam provocando o outro, são pessoas que precisam de demonstrações fortes de amor e provocam isto o tempo todo. E o ciumes é um excelente auxiliador neste caso. Pessoas assim precisam de ajuda, pois terão dificuldade de manter uma relação saudável com qualquer um, mesmo que seja seu grande amor. Uma hora este outro cansa, se dá conta do quanto a relação é precária e vai embora.

O indivíduo ciumento é uma pessoa que precisa olhar para si, se conhecer melhor e perceber o que lhe deixa assim. Que angustias existem em sua mente que não o permitem acreditar no amor do outro e no seu próprio. Entender que medos esta projetando neste indivíduo, que inseguranças, desejos e preocupações que fazem parte de sua mente que não tem podido ser analisadas e resolvidas dentro de si. Enquanto isto não for feito os relacionamentos estarão em risco. E, tal qual na novela, mesmo depois de 20 anos ainda incomodarão, fora as marcas, prejuízos e consequências que são deixadas.

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O que te define?

Ser ou não ser, eis a questão.

Uma das perguntas mais difíceis de responder é quem somos. Muitas coisas nos define: nosso jeito de ser, de reagir, de pensar, de enfrentar a vida, as coisas que gostamos e as que não gostamos, as pessoas com as quais convivemos, aquelas que admiramos e as que não gostamos, nossa história de vida, enfim, tudo isto e um pouco mais, nos ajuda a formar um conceito sobre nós mesmos. Em muitos momentos este conceito vem de encontro com o que a sociedade vê em nós e em outros momentos não. Mas ter clareza sobre si mesmo não é algo simples de alcançar, depende de grande maturidade emocional.

Lizzie Velasques é uma mulher que aprendeu com muita dor a definir quem ela é por ela mesma e não pelo seu entorno. Esta mulher, considerada a mulher mais feia do mundo, passou por situações dolorosas no processo de se conhecer e valorizar. Abaixo há um vídeo que conta sua história e superação. Vale muito a pena assistir.

Enquanto eu assistia pensei no quanto cada um enfrenta os dilemas da vida de maneira tão única. E como a vida depende muito mais deste enfrentamento do que dos acontecimentos. E que bom! Afinal de contas, não temos forças para impedir fatos, mas todos podemos desenvolver capacidade de enfrentamento. Quando entendemos que o que nos define é o que esta dentro de nós e não no externo tudo pode ficar muito diferente. 

Pois dificuldades na vida todos passam. Alguns em intensidade maior e outros menor, mas estar vivo é estar exposto e cada um tem seu quinhão de sofrimento. Há pessoas que passam por sofrimentos tão intensos que é difícil entender como sobreviveu a tudo aquilo, enquanto outros por questões (aparentemente) muito menores se abalam terrivelmente. A força de enfrentamento não depende dos fatos, depende de uma capacidade emocional que pode ser desenvolvida em todos nós.

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Tempo, tempo, tempo

O tempo é um bem preciso, mas raramente nos damos conta disto. Ou vivemos intensamente demais ou de menos. Ou vivemos correndo contra o tempo, nos desesperando diante dele ou acreditamos que sempre haverá mais tempo. Salomão, no livro de Eclesiastes, nos alerta para a ideia de que há tempo para tudo. Tempo de chorar e de alegrar. Tempo de agir e tempo de recuar. Tempo de amar e tempo para odiar. Serve como um alerta para nos acalmar diante da vida, para nos ajudar a pensar que a vida ocorre em perspectiva, onde nada dura para sempre, por isso não adianta nos apegarmos a fatos. A vida é um contínuo e é dentro disto que podemos aprender a viver. A dor e a felicidade podem ser intensas, mas nunca eternas.

https://www.youtube.com/watch?v=SXU3WIQE4cY

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Enquanto a morte não vem

A morte chega para todos. Para alguns ela avisa que virá – caso de doenças graves ou idade avançada. E quando diante disto surge a possiblidade de uma avaliação da vida. De um repensar o que poderia ter feito diferente.
Algumas pesquisas tem mostrado que há 5 arrependimentos maiores e comuns a todos que vivem tal situação. O vídeo abaixo feito pelo Hospital Albert Einsten mostra quais são eles.
Alem do vídeo deixo tambem a música Epitáfio do Titãs, que é uma bela reflexão sobre a vida. Que não precisemos deixar a morte chegar tão perto para rever nossas prioridades.

Epitáfio
Devia ter amado mais
Ter chorado mais
Ter visto o sol nascer
Devia ter arriscado mais e até errado mais
Ter feito o que eu queria fazer
Queria ter aceitado as pessoas como elas são
Cada um sabe a alegria e a dor que traz no coração

O acaso vai me proteger
Enquanto eu andar distraído
O acaso vai me proteger
Enquanto eu andar…

Devia ter complicado menos, trabalhado menos
Ter visto o sol se pôr
Devia ter me importado menos com problemas pequenos
Ter morrido de amor
Queria ter aceitado a vida como ela é
A cada um cabe alegrias e a tristeza que vier

O acaso vai me proteger
Enquanto eu andar distraído
O acaso vai me proteger
Enquanto eu andar…

Devia ter complicado menos, trabalhado menos
Ter visto o sol se pôr.

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