Mês: maio 2014



O que vale

Se eu pudesse voltar no tempo não mudaria absolutamente nada.

Sou fruto dos meus erros também.

Sem retoques.

As cicatrizes que carrego no peito, na alma, na mente, me fizeram mais forte.

Se machuquei alguém, foi sem querer.

Talvez pudesse até evitar.

Mas às vezes a gente acaba ferindo também.

Na ânsia de viver, de sonhar.

Correr sem medo do relógio, sem tempo pra razão e tem coisas que a gente acaba fazendo que machucam o coração.

Quero viver sem amarguras, sem ressentimentos, sem rancores para que a alma possa estar mais leve pra fluir.

Quem carrega o passado nas costas como se fosse uma pedra, perde a chance de sorrir.

Não quero repetir os mesmos erros depois.

O que passou já foi, quero descobrir novos passos.

E que paire sobre mim a luz das coisas boas que ainda possa fazer, quero beijos e abraços.

E como viver, é viver e morrer.

Que seja sem prazo de validade.

Importa o que fiz por amor, o resto foi pura vaidade.

(Tico Santa Cruz)

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Pelo direito de sentir

Somos seres sentimentais: amamos, odiamos, nos alegramos e entristecemos. O tempo todo somos invadidos por emoções, as quais não temos controle, elas vem e vão, o que podemos cuidar é do que expressamos, mas não do que sentimos. O ódio é um sentimento intenso e exatamente por isso assustador. Ao longo do desenvolvimento da sociedade por questões religiosas e filosóficas se constituiu a moralidade, e precisamos dela. É ela que nos possibilita respeitar ao próximo e ter limites. Sem tais conceitos o mundo não chegaria onde esta, continuaríamos na idade da pedra, matando por instinto (apesar de que muitos hoje tem voltado a esta conduta). Sendo assim a moral tem grande importância no bom desenvolvimento da sociedade. É dela que provem a leis e as descrições de normas e condutas instituídas em nosso mundo, claro que conforme houve evoluções muitas mudaram e foram repensadas, algumas ainda serão.

Porém, algo ainda não mudou, o fato de que se apregoou que certas emoções são inadequadas, não é que devem ser controladas, mas sim que não devem ser sentidas. Como se isto fosse possível! Sentimentos positivos OK podem (e devem) ser experimentados. Contudo, sentimentos negativos (como foi nomeado) devem ser evitados. Desta forma, sentir ódio se tornou algo assim: evite sentir! (como se desse) e quem o sente (oh que absurdo!) esta errado. E quando nos sentimos errados surge o que? Culpa! Que as vezes pode ser muito intensa e dela provir reações nem sempre saudáveis.

Uma delas é a formação reativa, que é um mecanismo de defesa descrito pela psicanálise como o ato inconsciente (aprendido socialmente) no qual o indivíduo ao sentir uma emoção que vem contra os ensinamentos sociais se sente tão invadido de culpa que transforma tal emoção em um comportamento contrário. Um pequeno exemplo, uma mãe que esta cansada e irritada com seu bebe se sente tão errada por tais emoções lhe invadirem que reage beijando o bebe sem parar ou falando bem dele. Entendeu a idéia? Está com raiva, mas como isto é socialmente errado, reage demostrando e tentando se convencer do oposto.  Outro dia eu li no facebook uma mãe que publicou uma foto do filho de uns 2 anos brincando de madrugada, com a descrição: “ele quer brincar as 2 horas da manha, nossa como eu o amoooooo”!.

Vamos repensar: as 2 horas da manha você não sente amor por quem te acorda ou não deixa dormir, principalmente se no outro dia tem que se trabalhar cedo. No mínimo se sente cansado, talvez com raiva e até, sim, com ódio. E tudo bem, porque sentir raiva é normal. Claro que por ser uma pessoa civilizada você não vai gritar com o bebe ou deixar de atendê-lo. O sentimento, seja ele qual for, pode existir, porque ele é só isto: um sentimento, que pode ser assumido e enfrentado. Sentimentos mudam, se transformam o tempo todo.

Ter um sentimento negativo não exclui o bom. Podemos (e fazemos) amar e odiar ao mesmo tempo, aliás, é isto que nos torna tão humanos. E fortes. Amar a alguém não é estar feliz com ele o tempo todo e sim ser capaz de amar apesar das mágoas que ele lhe causa. E poder assumir que tal emoção existe é fundamental.  Ao assumir tem-se o direito de pensar e buscar alternativas para mudar a situação, ou até aprender a tolerá-la. Lembrando que nem toda expressão de raiva precisa ser violenta. Porem, é exatamente no mascarar a emoção que se pode chegar a um extremo e dai sim a um ato radical. Afinal, quem guarda demais uma hora explode seja para dentro ou para fora.

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O pior dos pecados

“É certo que a inveja é o pior pecado que existe, porque todos os outros são pecados apenas contra uma só virtude. Enquanto a inveja é contra toda virtude e contra tudo que seja bom” (O conto do páraco – Geofre Chaucer)

Lembrando que inveja não faz mal ao objeto invejado e sim ao invejoso. É ele que se impossibilita de receber o bom e de perceber em si mesmo o bem.

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O Brasil esta com odio de si mesmo

Diante de barbáries como as últimas que aconteceram no país – mulher linchada no Guarujá, uma criança assassinada pela madrasta com consentimento do pai, corpos cortados por peixeira no nordeste, ônibus sendo queimados com pessoas dentro – as pessoas de bem ficam se perguntado “o que esta acontecendo?” “onde chegaremos?”

É realmente assustador.
E alarmante.
E angustiante.

Arnaldo Jabor fez uma colocação bastante pertinente sobre este tema afirmando que o Brasil esta com ódio de si mesmo. Deixo abaixo o vídeo dele, mas gostaria de complementar sua ideia. Assista primeiro ao vídeo, vale a pena!

Concordo que estamos em época de ódio, mas penso que não é só isto. O Brasil não sabe mais pensar. Talvez o mundo, ou pelo menos uma boa parte das pessoas não se colocam mais a pensar. Em tempos de internet, jogos e tantos outros entretenimentos, fugir de pensar fica cada vez mais fácil e atrativo. Pois pensar dói. E não pensar é muito mais tranquilo. Gera complicações – insônia, gastrite nervosa, doenças de pele e tantas outras outras que estão relacionadas ao psicossomático. Contudo, os avanços medicamentosos amenizam tais dores. Vira um circulo vicioso: se angustia – não pensa – foge para um comportamento (que pode ir desde a internet ate as drogas, passando por compras ou alimentação exagerada) – surge o sentimento de vazio e descontentamento – se medica – o efeito passa e começa tudo de novo…

O que nos distingue dos animais é a capacidade de pensar. E quando não a utilizamos regredimos, ficando controlados por impulsos externos e internos. Os impulsos não são discriminados, o que os impede de vir a ação é o pensamento. Ou seja, a capacidade de reflexão.

Não digo que nos tornamos animas, mas sim que estamos adoecidos psiquicamente. Algo, infelizmente, muito fácil de acontecer. O psiquismo necessita de alimentos para se manter saudável – relacionamentos consigo mesmo e com outro significativos, enfrentamento de sentimentos, capacidade de tolerar frustrações e capacidade de reflexão são alguns deles. Sem estes vem o adoecimento e assim podemos ficar até mais perigosos do que os animais selvagens.

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