Mês: dezembro 2014



Quando diante de angustias

chuva

Há angustias que são tão profundas e dolorosas que senti-las sem reagir parece impossível. Mas ao expor, em geral, muitas confusões surgem. Como não é uma emoção compreendida nem por si mesmo, não há como ser acolhida e a ação serve como tiros no escuro, acerta o que não deve.
Se exposta a alguém há grandes chances de acabar em discussão. Se atuada, no sentido de fazer coisas, acaba em outro problema – culpa por ter comido demais, bebido demais ou gastado demais. Assim, seja qual for a ação o resultado será mais um problema.
A angustia, tal como o bom vinho, precisa ser depurada. Precisa ser sentida, pensada, tolerada, para só então chegar a boca. É o pensar sobre a emoção que pode acalmá-la. Pensar no que houve, onde iniciou, o que desencadeou, como machucou. As perguntas expandem o pensamento, constroem um caminho de compreensão e entendimento de si mesmo. Uma vida sem angustias é tão impossível como seria um mundo sem chuvas. Mais do que não senti-las podemos enfrenta-las, existem guarda-chuva, galochas, capas e por vezes o melhor é não sair de casa. O problema não é sentir angustia e sim como agimos quando diante delas.

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