Sobre opiniões

Na revista Veja desta semana tinha uma frase que me chamou muito atenção. A revista a utilizou para defender o valor das manifestaçoes populares contra Dilma.

IMG_0595

 

Não vou aqui me prender ao tema das manifestações políticas, mas quero pensar com você leitor sobre outras manifestações, a manifestação da opinião.

Estamos numa época em ter opiniões divergentes é quase que proibido, isso parece um contrassenso para o século em que estamos, mas esta é a verdade. Ainda há uma exigência do tudo ou nada: ou pensa como eu ou esta contra mim. Alguns exemplos:

1. A crise intensa que tem ocorrido sobre homofobia – ficamos entre o 8 ou 80, ou se é contra e com isso pode até machuca-los ou se é a favor e tem que apoiar leis que os coloquem num nível superior de defesa às leis ja existentes.

2. O islamismo – ou você confia no mesmo deus que eles ou você deve ser morto.

3. A crise na educação de filhos: ou filhos mandam ou só os pais tem autoridade.

4. Regime: ou começa na segunda ou não começa nunca

Bem, claro que nem todos agem assim ou defendem esses extremos, contudo, muitos de nós tem dificuldade de chegar no meio termo. Se começamos a pensar em todos as esferas da vida, nos damos conta do quanto somos extremistas.

Gostaria de ampliar esta ideia na relação com filhos. Muitas famílias tem caído neste extremo: ou o filho decide tudo ou ele não tem voz ativa. Encontrar este meio termo não é nada fácil, mas é uma busca muito saudável. A criança não pode ter voz ativa para decidir se quer ou não comer, tomar banho, ir pra escola, ir embora de um evento ou outras regras que cabem ao adulto decidir o limite. Mas sim, a criança pode ter direito de não gostar da ordem dada e ate de manifesta-la, o que não significa que os pais precisem se curvar a essa colocação. Os filhos tem sim direito de demonstrar seus desejos, mas cabe aos pais, e somente a eles, decidir se aquilo é ou não coerente.

A dificuldade fica em que os pais da atualidade se sentem pressionados frente ao desejo dos filhos, como se dizer não, fosse uma maldade, um erro. Lembro bem de quando eu era criança que minha artimanha para ganhar as coisas dos meus pais era pedir na frente dos amigos deles, eles sempre ficavam “mais bonzinhos” com amigos por perto. Contudo, não era sempre que eu conseguia o que queira, pois na maior parte do tempo estavamos só a família em casa… Hoje em dia, é como se os pais se sentissem sempre na presença de amigos, precisando provar para seus “amigos” internos o quanto é um pai / mãe legal.

Só que este sim não cobre as faltas que esses pais sentem ter frente aos filhos. Seja por trabalhar muito, seja por gritar demais, seja por outras culpas existentes nesta relação. Essas faltas precisam ser conscientizadas e enfrentadas, não ha sim que poderá amenizar os erros. Assim como se falta agua não adianta ter pão, um não cobre a falta do outro.

Opinões são um direito individual. Ser educado também. Crianças não educadas sofrem quando viram adultos. E sofrem muito! O não da infância é que determina o nível de satisfação do futuro, pois ele ajuda a desenvolver: o aprender a esperar para obter prazer, a entender que tem hora pra cada coisa, a tolerar os nãos tão comuns da vida adulta e a ser um adulto agradável de se conviver.

Conforme os filhos crescem, cresce também suas opinões divergentes dos pais e naturalmente eles vão ganhando mais possibilidades de ampliar a própria mente, definindo valores, argumentos e ate desejos que podem não vir de encontro com as ideias da familia. Mas para ele chegar neste estágio com capacidade, precisa primeiro saber com clareza quem são os pais, o que pensam e como se colocam na vida. Caso contrario, o que filho (mesmo adulto) faz é birra. Uma mente bem desenvolvida pode ter opiniões diferentes, mas as tem com embasamento, com clareza, e não para disputar poder, para provar para “papai e mamãe” que é ele quem manda. Algo, infelizmente, cada vez mais comuns nos jovens de hoje em dia.

 

Deixe um Comentário

Seu endereço de e-mail não será publicado.