De menino ou de menina?

armandinho genero

Ontem a tarde fui buscar minha sobrinha na escola e ao entrar no carro ela me conta que um amiguinho não deixou ela brincar com o carrinho dele “mas tudo bem, eu não queria mesmo, carrinho é coisa de menino” me diz ela em tom de deboche.

Fiquei pensando no quanto desde tão cedo – ela tem apenas 5 anos – se aprende o que é de menino e o que é de menina, como se desejo tivesse gênero. Como se o fato dela ter ficado invejosa com o brinquedo do amiguinho (que sim ela queria muito experimentar) se justificasse porque aquilo não era para o sexo dela. Contudo, não justifica, o deboche é a prova do quanto ficou chateada sim, que ela queria sim brincar e que precisa aprender que tudo bem querer – isso é um direito.

Encontro o tempo todo seja em rodas sociais ou na clinica (nesta principalmente), individuos que se sentem inadequados por não se encaixarem nestes tabus. São homens que gostam de coisas ditas como femininas: são ótimos com trabalhos manuais, ou são muito reflexivos, outros muito sensíveis, outros amam moda, vaidade e etc. O mesmo vejo com mulheres que tem aptidões ditas como masculinas: algumas são muito praticas, outras com muita libido, outras ainda se destacam na área de exatas. Parece besteira, mas o quanto tais comportamentos são julgados como sendo de homem ou de mulher, passando por cima da possibilidade de ter dons, habilidades e desejos. Questões estas que não se limitam ao gênero sexual.

A luta pela quebra das questões de gênero é antiga. Vem desde de que a mulher começou a lutar por um espaço de igualdade dentro da sociedade. Ainda se esta longe de alcançar – os salários são diferentes (ate mesmo em Hollywood), os deveres (lavar louça ainda é coisa de mulher), os direitos (homem é garanhão, mulher é galinha) e principalmente os tabus. E precisamos estar muito atentos para não reverberar tal comportamento. Com criança isto é muito visível – a cor da roupa, o estilo, os brinquedos são muito selecionados pelos tabus. Ja vi muitos pais não deixarem um filho comprar um brinquedo X por não ser o “adequado” ao seu sexo. Sempre com o medo de que aquilo seja um sinal de homossexualidade.

Pais: homossexuais não são fruto dos brinquedos, roupas ou qualquer outro ato deste estilo ditos como errado. A opção sexual é individual e dependente de questões psíquicas que não tem nada a ver com a roupagem ou as brincadeiras.

Ao se ensinar uma criança que independente do sexo ela tem o direito de ser respeitada em seus desejos e aptidões se dá a ela a possibilidade de ser autêntica, e de no futuro ter muito mais facilidade para escolher desde bons amigos até mesmo uma boa profissão. Pelo simples fato de que ela não precisará tentar se adequar a algo que não tem nada haver com quem ela é.

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