Calma, não se renda

Não te rendas
Mario Benede
Não te rendas, ainda é tempo
De se ter objetivos e começar de novo,
Aceitar tuas sombras,
Enterrar teus medos
Soltar o lastro,
Retomar o vôo.

Não te rendas que a vida é isso,
Continuar a viagem,
Perseguir teus sonhos,
Destravar o tempo,
Correr os escombros
E destapar o céu.

Não te rendas, por favor, não cedas,
Ainda que o frio queime,
Ainda que o medo morda,
Ainda que o sol se esconda,
E o vento se cale,
Ainda existe fogo na tua alma.
Ainda existe vida nos teus sonhos.

Porque a vida é tua e teu também o desejo
Porque o tens querido e porque eu te quero
Porque existe o vinho e o amor, é certo.
Porque não existem feridas que o tempo não cure.
Abrir as portas,
Tirar as trancas,
Abandonar as muralhas que te protegeram,

Viver a vida e aceitar o desafio,
Recuperar o sorriso,
Ensaiar um canto,
Baixar a guarda e estender as mãos
Abrir as asas
E tentar de novo
Celebrar a vida e se apossar dos céus.

Não te rendas, por favor, não cedas,
Ainda que o frio te queime,
Ainda que o medo te morda,
Ainda que o sol ponha e se cale o vento,
Ainda existe fogo na tua alma,
Ainda existe vida nos teus sonhos
Porque cada dia é um novo começo,
Porque esta é a hora e o melhor momento
Porque não estás sozinho, porque eu te amo

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Aprendendo com a chuva

uma viagem extraordinaria

 

Assisti esses dias um filme fofo chamado Uma viagem extraordinária. O filme conta a historia de um garoto super inteligente que ainda criança desenvolve um aparelho importante para a ciência e é convidado para apresentar esse material numa importante conferência. Mas quem o convida não sabe que ele é uma criança. E lá vai ele – sozinho – nesta aventura.

O filme é uma graça, gostoso de assistir, divertido, com boas atuações e com uma linda mensagem. Eu amei!

Mas o que mais me deixou pensativa, foi a frase que postei na imagem acima. Pensei no quanto realmente nós lutamos contra a maré. Como tentamos ir contra as situações difíceis da vida, tentamos não chorar quando precisamos, não entristecer quando necessitados, não encarar de frente as situações difíceis e depois ficamos tristes por não conseguir curtir as fases boas da vida.

Como estar apto a curtir o bom se as feridas de outra fase não estão tratadas?

Quando vamos contra a dor, a impedimos de sarar. O medo de se perder na dor é tanto que cria uma falsa imagem de fragilidade, pois enquanto me impeço de viver as frustrações, decepções, fraquezas, perdas ou seja lá o que for que me acontece estou me impedindo de descobrir capacidades que ainda não conheço. E somente ao viver os lutos do dia a dia é que posso me de-siludir. Escrevo assim propositalmente pois enquanto vivemos na negação da dor, vivemos iludidos. Sem a verdade não posso amadurecer, e assim também não poderei desfrutar do bom que vier em outra fase.

Há tempo para todas as coisas, diz o sábio. E atropelar fases nunca traz bons resultados. Claro, que entristecer é ruim, desolador as vezes, incomoda quem vive e quem esta ao lado. Mas não ha outra forma de se recuperar a não ser enfrentando essas circunstâncias. As vezes, o sofrimento é tão intenso que se faz necessário auxilios proffisionais – para isso existem médicos, psicólogos, pastores e etc. Para cada situaçao e individuo ha o adequado. O único perigo é fugir.

 

 

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A patologização da infância 

Tenho visto tantos artigos, livros e entrevistas sobre medicação para crianças que tenho ficado de cabelo em pé.

Pessoal, tenham cuidado! Atualmente tem ocorrido uma “patologização” da infância. Tristeza, agitação, bravezas e brigas tem sido caracterizadas como doenças e indicados para psiquiatras e psicólogos.

Claro, que há crianças que necessitam de ajuda e orientação aos pais. Contudo, as coisas estão num excesso perigoso.

Atitudes comuns tem sido diagnosticada como patológicas. Crianças ficam tristes sim, são agitados por natureza, questionadores e respondões, tiram sarro e são cruéis com amiguinhos. Tudo isso é parte do desenvolvimento, pois são comportamentos naturais para quem está aprendendo sobre o que é a vida e como ela deve ser encarada. Criança não sabe das coisas, tudo é novidade, e o novo é assustador, por isso tão rejeitado. Limites são incômodos e por isso brigam, respondem, ficam bravos. Rechaçam os diferentes, porque na infancia eles são narcisistas e estranham o que lhes é oposto. Como estão aprendendo sobre a vida se entristecem ao perceber que são excluídos, que nem todos os querem por perto, que a vida tem fim. São verdades que doem e a criança corresponde a dor ficando ora triste e outras agitados. Aliás agitação em criança é sinal de que alguma angústia os está assustando. Enfim, a infância é complexa.

Criança precisa de atenção, olhar apurado dos pais, limites e conversas. Ou seja, criança precisa ser cuidada! Os pais estão cansados e com pressa – é compreensível diante da correria e excesso de trabalho – contudo, nisto podem se perder e rotular como doença o que é indicativo de que a criança precisa do cuidado mais intenso dos adultos, o que ao invés de ajudar, a longo prazo pode piorar a situação. Pois algumas medicações tem efeitos negativos a longo prazo. Principalmente a ritalina e outros do tipo…

Procurem orientação, bons profissionais antes de rotular vão buscar conhecer a criança, a família e a dinâmica do lar. Somente assim o pequeno e os pais serão verdadeiramente ajudados.

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Orientação à pais

Atualmente muitos pais se sentem perdidos diante da criação de filhos. De um lado ficam as pressões sociais que se contradizem o tempo todo, de outro fica uma boa parte da literatura que versa sobre como ser pais “perfeitos”. Todas essas exigências confundem e angustiam ainda mais os futuros e já mamães e papais.

Diante disto, este grupo tem como objetivo ajudar os pais a entender as necessidades emocionais de cada fase. Como é o desenvolvimento emocional? Como o grupo familiar pode auxiliar neste desenvolvimento? Quais as necessidades dos primeiros meses? Como e em que momento tais necessidades mudam?

Tal compreensão serve como um guia para que os pais possam se posicionar com mais tranquilidade frente ao filho. Podendo exercer a maternidade / paternidade não com perfeição e sim com qualidade.

Este grupo terá como base dois fundamentos: aprendizado e contenção da angustia.

Tendo em vista que maternidade e paternidade são temas que provocam grandes duvidas, temores e expectativas se faz necessário que as angustias sejam ouvidas e pensadas pelos participantes e concomitantemente sejam orientados teórica e psicologicamente tendo em vista a ampliação dos conhecimentos o que possibilitará uma nova percepção sobre estes papeis.

Sendo assim, o grupo será composto por poucos participantes e com um numero mínimo de 12 encontros. O curso é indicado para gestantes e pais de crianças de 0 a 3 anos (pode ser o casal ou individual).

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Para maiores informações: (44) 3031-2869 ou [email protected]

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Em tempos de amores líquidos

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Num mundo de “amores líquidos”, perdeu-se a compreensão do que é amar verdadeiramente.

E o mais triste é que isto não ocorre somente nas relações amorosas, mas também nas relações de amizade e até nas relações familiares. Como se amar fosse somente receber o bom do outro. Compartilhar dores, tristezas, tolerar braveza, suportar o ódio, perdoar pelas respostas atravessadas ou pequenas outras falhas do dia a dia, nada disto é mais aceitável. Só o bom. Afinal de contas, acredita: “eu mereço mais”

Vou te contar uma novidade: nem você, nem eu, nem ninguém merece mais. Porque relacionamentos de longo prazo são cheios de altos e baixos, magoas e perdões, tanto você falha quanto o outro.

Claro que ha relacionamentos que não são saudáveis, em que ocorrem abusos (psíquicos e/ou físicos), maus tratos e tantas outras coisas que precisam sim de um basta. Mas não estou falando de relacionamentos patológicos. Aqui me refiro, a relacionamentos comuns do dia a dia, que são rompidos com tanta facilidade como se troca de roupa ou de canal. Não tolera nada (ou muito pouco) que não seja de sua vontade.

Tem como? Não!

O temo “Amor líquido” foi cunhado por Zygmunt Bauman (o livro é otimo!) que ele traduz como sendo um dos maus deste século, onde nada é feito para durar, tal como a tecnologia que propõe trocar ao invés de consertar o que estraga. Os relacionamentos estão exigindo esta mesma postura, nada precisa durar. Os efeitos colaterais são intensos: solidão, desamparo, individualismo, egoísmo e uma busca intensa de prazeres no agora.

Precisamos aprender que apesar de tantas coisas serem mais fáceis ser trocadas, pessoas precisam ser perdoadas, toleradas, amadas apesar de… Somente assim, podemos amar e ser amados. Ou você acredita mesmo que só acerta o tempo todo?

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Sobre opiniões

Na revista Veja desta semana tinha uma frase que me chamou muito atenção. A revista a utilizou para defender o valor das manifestaçoes populares contra Dilma.

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Não vou aqui me prender ao tema das manifestações políticas, mas quero pensar com você leitor sobre outras manifestações, a manifestação da opinião.

Estamos numa época em ter opiniões divergentes é quase que proibido, isso parece um contrassenso para o século em que estamos, mas esta é a verdade. Ainda há uma exigência do tudo ou nada: ou pensa como eu ou esta contra mim. Alguns exemplos:

1. A crise intensa que tem ocorrido sobre homofobia – ficamos entre o 8 ou 80, ou se é contra e com isso pode até machuca-los ou se é a favor e tem que apoiar leis que os coloquem num nível superior de defesa às leis ja existentes.

2. O islamismo – ou você confia no mesmo deus que eles ou você deve ser morto.

3. A crise na educação de filhos: ou filhos mandam ou só os pais tem autoridade.

4. Regime: ou começa na segunda ou não começa nunca

Bem, claro que nem todos agem assim ou defendem esses extremos, contudo, muitos de nós tem dificuldade de chegar no meio termo. Se começamos a pensar em todos as esferas da vida, nos damos conta do quanto somos extremistas.

Gostaria de ampliar esta ideia na relação com filhos. Muitas famílias tem caído neste extremo: ou o filho decide tudo ou ele não tem voz ativa. Encontrar este meio termo não é nada fácil, mas é uma busca muito saudável. A criança não pode ter voz ativa para decidir se quer ou não comer, tomar banho, ir pra escola, ir embora de um evento ou outras regras que cabem ao adulto decidir o limite. Mas sim, a criança pode ter direito de não gostar da ordem dada e ate de manifesta-la, o que não significa que os pais precisem se curvar a essa colocação. Os filhos tem sim direito de demonstrar seus desejos, mas cabe aos pais, e somente a eles, decidir se aquilo é ou não coerente.

A dificuldade fica em que os pais da atualidade se sentem pressionados frente ao desejo dos filhos, como se dizer não, fosse uma maldade, um erro. Lembro bem de quando eu era criança que minha artimanha para ganhar as coisas dos meus pais era pedir na frente dos amigos deles, eles sempre ficavam “mais bonzinhos” com amigos por perto. Contudo, não era sempre que eu conseguia o que queira, pois na maior parte do tempo estavamos só a família em casa… Hoje em dia, é como se os pais se sentissem sempre na presença de amigos, precisando provar para seus “amigos” internos o quanto é um pai / mãe legal.

Só que este sim não cobre as faltas que esses pais sentem ter frente aos filhos. Seja por trabalhar muito, seja por gritar demais, seja por outras culpas existentes nesta relação. Essas faltas precisam ser conscientizadas e enfrentadas, não ha sim que poderá amenizar os erros. Assim como se falta agua não adianta ter pão, um não cobre a falta do outro.

Opinões são um direito individual. Ser educado também. Crianças não educadas sofrem quando viram adultos. E sofrem muito! O não da infância é que determina o nível de satisfação do futuro, pois ele ajuda a desenvolver: o aprender a esperar para obter prazer, a entender que tem hora pra cada coisa, a tolerar os nãos tão comuns da vida adulta e a ser um adulto agradável de se conviver.

Conforme os filhos crescem, cresce também suas opinões divergentes dos pais e naturalmente eles vão ganhando mais possibilidades de ampliar a própria mente, definindo valores, argumentos e ate desejos que podem não vir de encontro com as ideias da familia. Mas para ele chegar neste estágio com capacidade, precisa primeiro saber com clareza quem são os pais, o que pensam e como se colocam na vida. Caso contrario, o que filho (mesmo adulto) faz é birra. Uma mente bem desenvolvida pode ter opiniões diferentes, mas as tem com embasamento, com clareza, e não para disputar poder, para provar para “papai e mamãe” que é ele quem manda. Algo, infelizmente, cada vez mais comuns nos jovens de hoje em dia.

 

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A diferença entre informação e conhecimento

Hoje em dia temos excesso de informação e pouco conhecimento. Esse excesso causa angústia por levar a aceleração do pensamento. 

O remédio? 

De início pode ser amargo, pois é necessário se desconectar, fazer escolhas, ter prioridades, tolerar o não saber. Somente assim, pode-se ter tempo para conhecer verdadeiramente seja um conteúdo ou uma pessoa.

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Acampamento para crianças indisciplinadas 

 

Assisti essa matéria agora no Fantástico e fiquei preocupada com essa ideia. Crianças irem pra acampamentos deste estilo podem mudar o comportamento? Não necessariamente. Pode até haver mudança, mas em razão do medo de voltar para aquele local.

Mas mudança real só pode ocorrer se a família como um todo mudar.

Para uma criança ser indisciplinada é porque dentro desta família a criança tem brechas para agir desta forma e enquanto os adultos não perceberem onde estão tais aberturas não haverá mudança.

Sim, há crianças mais ativas que outras, mas desobediência não tem haver com temperamento. É sim, uma disfunção do grupo familiar onde tanto os pais quanto a criança estão fora de seu papel. Enquanto esta disfunção não é percebida e enfrentada nenhuma mudança será consistente.

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Conceitos que se confundem

A ideia de certo ou errado são conceitos morais construídos ao longo do desenvolvimento da sociedade. Eles são importantes pois normatizam a vida em grupo. Contudo a mente psíquica não funciona desta mesma forma. Mas em geral estes conceitos são facilmente confundidos, o que leva a sentimentos profundos de culpa e sofrimento. No campo emocional não existe o certo e o errado, e sim como cada circunstância atinge lembranças e desejos nem sempre percebidos conscientemente. É esta percepção que traz amadurecimento e não se julgar por sentir aquilo.

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