Marketeiros com medo das redes sociais

São as redes sociais, estúpidos! Marketeiros estão com medo da internet e ainda apostam no horário eleitoral da TV. A eleição vai ser decidida aqui. Acabou a enganação. Ou aprendem a usar as novas mídias ou enterrarão seus candidatos fabricados na China!

 

Os néscios -O exército de militontos da “esquerda” de shopping, que atua aqui nas redes sociais, se enforcou sozinho. Ao defender o indefensável na lógica dos néscios, foi isolado em cercadinhos dos estúpidos e fala somente de si para si. Quando sai do cercadinho é facilmente identificado e imediatamente trolado. Ou seja, os militontos da “esquerda” caviar vão fazer campanha para eles mesmos, porquanto outros candidatos terão uma avenida para se apresentarem ao eleitor, isso se souberem utilizar as redes, é óbvio.

Bis-coito – Vice de Boulos, o Boulachas.

Pelegagem – Picolé de Chuchu, Alckmin, acerta com pelegos volta de imposto sindical. PQP!

 

Tem partido que não faz convenção, reúne a quadrilha.

 

Versos com amor e carinho:

A cara daquele nobre edil da cidade
Tem na prima sílaba de Curitiba
Belíssima homenagem.

 

O júnior – Alguns candidatos já trazem a verdade no nome: Rato.

Despreparado – Algum assessor de Tofolli resolveu enfeitar seus pareces com latim, mas se esqueceu de ensinar a pronúncia para o boca-mole, “légis” é o fiofó do Asterix!

Atrasado – O coronel do discurso do atraso Ciro Gomes é um bom candidato para 1918, ganha fácil de Rodrigues Alves.

O cúbico – Com o PT se aliando ao MDB nas eleições, é cretino cúbico o militonto que diz ter havido “gópi”. Foi briga de quadrilhas, ponto.

FIES – o maior programa de transferência de renda para tubarões do ensino. É tanta grana fácil que eles até viram candidatos.

Sem-vergonhas – Chegamos ao ponto em que filhos de políticos têm vergonha do próprio nome. Agora só falta vergonha na cara e não se candidatarem.

Credo em cruz – Gesuis, se for verdade o que anda vazando da delação do Palocci, nos acuda!

O pavão – O mérito do Marco Aurélio Mello para chegar ao STF foi ser primo de Collor. Não compreendemos, portanto, sua paquidérmica vaidade.

Violência:

Em Curitiba
A praça é do bandido
Como o céu é do urubu.

Fiofó assutado – Sepúlveda deixa defesa de Lula: passarinho que come pedra sabe o fiofó que tem!

Rá! – Cuba lança nova Constituição. Promete liberdade de mercado, mas a censura e a ditadura de partido único continuam.

 

Patientia, fratres mei!

 

 

 

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A Matemática julga e condena o STF

Muita gente jura que a Matemática e o Direito são apartados de nascença. Ou seja, são azeite e água, não se misturam. Mas o matemático Lawrence Sirovich, da Escola de Medicina de Mount Sinai, na cidade de Nova York, provou recentemente que é perfeitamente possível fazer uma análise matemática dos vereditos , totalmente imparcial e objetiva, mesmo para tribunais que vão além das interpretações legais e avançam para o nebuloso campo dos acertos políticos, de esquerda ou direita, conservador ou liberal. O trabalho que ele fez é modelar no que tange à matemática, ou seja, pode ser reproduzido na análise de qualquer tribunal, em qualquer país.
Em artigo publicado na revista Proceedings of the National Academy of Sciences, Lawrence mostra ter estudado detalhadamente 500 decisões (acórdãos) tomadas pela Suprema corte Norte-americana – com 9 membros – entre os anos de 2009 e 2012, quando presidida pelo juiz Willian Rehnquist. A pesquisa está firmemente sustentada nas teorias da Entropia, termo de origem na termodinâmica e que designa a extensão da desordem que existe num sistema – num cristal de gelo, em que as moléculas estão “congeladas” a entropia é pequena, no vapor, a entropia é grande, ou seja a “desordem” comanda o sistema.

Em 1940, outro matemático, Claude Shannon, aplicou os conceitos da entropia à teoria da informação, ponto de partida da pesquisa de Lawrence. As premissas hipotéticas usadas por Lawrence para a análise matemática da Suprema Corte foram duas:

  1.  Uma corte de juízes oniscientes, com o conhecimento da verdade absoluta. Logo, suas decisões seriam unânimes (no caso brasileiro, toda votação terminaria 11 a zero, pois ninguém – hipoteticamente – estaria sob a influência da política ou outro fator que causasse distorção nas decisões);
  2. No outro extremo, um tribunal em que cada um tivesse a sua verdade e votasse de forma diversa;

Na teoria da informação, entropia se refere à quantidade de informação que existe num sinal. A entropia no caso dos juízes seria pequena, em votações unânimes e grande em votações diversas, ou seja, em grande desordem. Com isso, num tribunal unânime, segundo a teoria da informação, a entropia (quantidade de informação) é bem pequena, pois basta os membros da corte seguirem o entendimento de um único juiz, o relator, por exemplo. No caso de cada juiz votando de sua forma, a quantidade de informação seria enorme e as discussões tenderiam a se estender até o esgotamento de todos os argumentos favoráveis ou não favoráveis a uma causa.

No caso norte-americano, o matemático constatou que 50% das sentenças analisadas pela Suprema Corte, no período considerado, foram unânimes. No restante, o trabalho de Lawrence demonstrou que 4,68 juízes, de um universo de 9 membros, tomaram suas decisões independentemente um do outro, e outros 4,32 votavam de forma uniforme. Certamente uma corte dividida em algumas causas, mas não em todas as causas e somente na interpretação da lei e não sob os efeito de pressões políticas, como aqui acontece.

Ora, no caso brasileiro, sem fazer contas, apenas com uma hipótese empírica, verificaremos facilmente que a entropia reinante é de desordem, sobremodo se fizermos uma análise comparativa entre o comportamento das turmas e do pleno de nossa Suprema Corte. Na realidade, caso algum matemático brasileiro tivesse tempo para perder com essa gente, veria que ali não se segue um comportamento que possa ser medido com segurança pela matemática. Necessariamente teríamos que desenvolver teorias sobre variáveis bizarras, como Gilmar Mendes, Toffoli e Ulandowski, que não seguem padrões somente legais, mas que tangenciam o insulto à inteligência, movidos, sabe-se lá, até mesmo por forças ocultas.  E a matemática ainda, pelo que se sabe, não se ocupa do oculto. Esperemos, pois, esse oculto ser revelado.

 

 

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Ex-diretor da UTFPR construía prédios com grana desviada. Vinte estão em cana

A Polícia Federal prendeu nesta terça-feira, 13, o ex-diretor-geral do Câmpus Cornélio Procópio da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR) Devanil Antônio Francisco (foto). Ele é um dos principais alvos da Operação 14 Bis, que investiga desvios da entidade. Sandro Rogério de Almeida, que ocupou o cargo de diretor de Planejamento e Administração do Câmpus Cornélio Procópio, também foi preso. Ao todo, foram 20 ordens de prisão.

Devanil Francisco é acusado de ter alcançado um grande patrimônio durante o período em que exerceu as funções no Câmpus. Ele montou uma empresa, a 14 Bis exclusivamente para administrar os bens, entre os quais dois edifícios em Cornélio Procópio (PR), um com 32 quitinetes e outro com 26, que eram alugados para os próprios alunos da Universidade.

Além dos bens imóveis, Devanil Francisco, segundo a PF, é sócio na construção de um terceiro prédio de luxo, em parceria com um empresário envolvido nas fraudes, na mesma cidade situada a 400 quilômetros da capital, Curitiba.

A Operação 14 Bis, deflagrada pela PF em parceria com a Procuradoria, a Controladoria-Geral da União e a Receita, prendeu ao todo 20 investigados, em regime temporário por cinco dias, e realizou buscas em 26 endereços – além de joias, carros de alto padrão e três lanchas, os federais apreenderam 27 mil dólares.

Outro ex-servidor da Universidade foi preso: Sandro Rogério de Almeida, que ocupou o cargo de diretor de Planejamento e Administração do Câmpus Cornélio Procópio.

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PF busca 20 envolvidos nos desvios da UTFPR de Cornélio Procópio

A PF começou a sacudir o abacateiro da UTFPR de Cornélio Procópio (Norte do Paraná), nesta primeira leva, 20 dos graúdos para a cadeia. Se a PF sacudir no restante das universidades federais do Paraná, as cadeias vão ficar forradas! Ou seja, tendo como cortina de fumaça a tal Pátria Educadora, essa turma do PT et caterva roubava como se não houvesse amanhã.

São 20 mandados de prisão temporária e 26 de busca e apreensão. As investigações da PF, na operação denominada 14 Bis, apontaram irregularidades em contratos celebrados entre a UTFPR-CP e empresas que prestaram serviços de manutenção predial, manutenção de ar-condicionado, manutenção de veículos, fornecimento de materiais de construção e serviços de reprografia. Há indícios de irregularidades de cerca de R$ 5,7 milhões.

A Operação acontece em parceria com o Ministério Público Federal (MPF), Controladoria Geral da União (CGU) e Receita Federal. As ações ocorrem nas cidades de Uraí, Cornélio Procópio, Nova América da Colina e Maringá, todas no Paraná.

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“Nóis é jeca mas temo zape, seu Facó!”

O argumento da pretensa autoridade é o pior argumento numa demonstração acadêmica ou pretensamente científica. Geralmente o sujeito chuta, mas como é formado em sorbonesca universidade, todo mundo diz amém a essa “autoridade especializada”. O diretor de Comunicação e Marketing da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Marcos Facó, especializado em marketing digital pela Universidade de Harvard, acaba de dar um chutão em entrevista ao Estadão. Diz ele e de cátedra: “As agências de marketing e consultorias querem criar um novo mercado e ficam alimentando um mito em torno do poder das redes sociais em uma eleição. Elas são só mais uma ferramenta. Não têm o poder de eleger ninguém”.

E o senhor Facó vai mais fundo na sua análise: “Quando a gente fala do poder de influência das redes sociais estamos falando dos eleitores dos centros urbanos, de universitários, de gente esclarecida e que consome notícias nessas plataformas. Os especialistas ignoram esse recorte e tratam como se todo o Brasil fosse igual. A TV e o rádio ainda são os melhores meios de penetração nos rincões do País. A comunicação é mais palatável e direta”.

Ora, se o caro Facó tivesse feito pelo menos uma campanha numa pequena cidade, saberia que sua afirmativa é uma enorme falácia, para não dizer besteira. Coordenei a comunicação de pelo menos quatro campanhas em cidades do interior aqui do Paraná e se não fossem as redes sociais, não teríamos como alcançar os eleitores de forma precisa, direta e econômica. Panfletos, jornais impressos e programas eleitorais  no rádio e TV não conseguem mais “motivar” o eleitorado, neste novo mundo tomado pela web, o próprio eleitor faz a integração, quando interessa, dessas velhas mídias nas redes sociais, daí sim, a opinião geral se consolida, a tal da opinião pública. O senhor Facó, tem que andar mais de ônibus e trem, pelos sítios e fazendas, enfim pelas ruas e estradas dos “rincões” do país, ver o comportamento de nosso povo, principalmente com seus celulares. Ninguém é mais tão bocó, coió, ou caipira que não tenha o mínimo acesso ou não sabe se utilizar das redes sociais: “Nóis é jeca mas temo zape, seu Facó!”

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Um dia no orfanato de Campo Comprido, 1976, em Curitiba

Capítulo III

Os louquinhos

Sentei-me
num claro de tempo.
Era um remanso
de silêncio,
de um branco silêncio,
anel formidável
onde os luzeiros
se chocavam com os doze
flutuantes números negros.
F. G. Lorca

Formamos pela manhã. Eu continuava mal. Tivera hemorragia, perdera muito sangue. Felizmente, numa rara demonstração de sensibilidade, o funcionário Fausto, talvez por ter sofrido tanto pelo mesmo motivo, já que era desdentado, retomou sua alma ao diabo e tirou-me da fila do trabalho. Esse ato de misericórdia, quase me fez esquecer daquela surra covarde do primeiro dia e o roubo de minhas moedas. Eis o encanto de satã ao conquistar o ignorante: guardá-lo no vazio do não se saber. E quem não sabe de si, não sabe do mundo, nada pensa; sem ser demente, faz as coisas e não se dá conta do bem ou mal que está realizando.

orf1Enquanto o restante dos internos trabalhava, os louquinhos e os inválidos ficavam soltos no pátio, a perambular de um lado para o outro, ou sentados, às vezes mudos, às vezes falando barbaridades desconexas. Sentei-me à sombra de um jasmineiro. De lá foi possível observar um por um dos penados esquecidos por Deus e seus prestimosos auxiliares.

Zé Coqueiro, um autista, corpo de faquir indiano, de cócoras justificava o seu apelido. Sorrindo o doce sorriso dos alienados, o Zé desenhava numa rapidez incrível coqueiros com as pontas dos dedos na terra fofa. Terminado o coqueiro, ele o apagava imediatamente e num ato contínuo, outro coqueiro desenhava; milhares de vezes, infinitas vezes.

O autista, abandonado pela família, deveria ter uns 15 anos e nunca recebera uma visita. Zé, porque não possuía registro civil. Coqueiro, sua assinatura para o mundo. Nem mesmo a assistente social desconfiava qual seria o seu nome verdadeiro. Um dia ele deve ter aparecido ali, transportado igual a um porco num carro de polícia ou ambulância, sem defesas e comunicação, como quase todos os louquinhos que estavam “estocados” naquele armazém de alienados.

orf2Albino e com feridas na pele, se chegou para perto de minha árvore o Treme-treme, menino da cabeça quadrada e olhos miúdos. Frank, como também era chamado, sofria de algo que eu nunca tinha visto. Involuntariamente, os seus músculos descontrolados o faziam tremer todo.

“A…me…a…meu…”, balbuciava o infeliz e não passava disso, porque os músculos de sua face repuxavam e seu corpo tremia. Depois sorria e voltava a tremer, molhando-se com a própria urina e lambuzando-se com a merda que escorriam pelas pernas.

Novo na escola, Pinguim era entrevado. Também próximo de mim. com os pés virados para dentro, ele andava passinho por passinho. Não falava, apenas ria (o riso é a única propriedade dos loucos), exibindo restos de comida nos seus dentes acavalados.

“Punheteiro”, gritava um interno que passava.

“Filho da puta”, respondia aos berros o Sorvete, demente solitário que se escondia por detrás das árvores. Ali estava a única expressão possível de se ouvir da boca do pobre diabo. De resto, creio que Sorvete não sabia falar mais nada.

Badu, negro, deficiente mental (agia como se tivesse 12 anos, embora fosse adulto), muito alto e forte, fazia-se defensor do Sorvete, assim como de todos os louquinhos. Bastava mexer com um deles e a resposta vinha na hora: um tijolo ou pedra sibilava por nossas orelhas, sem direção, pegasse em quem pegasse e a vingança estava feita. Por sorte, naquele dia, o tijolo não atingiu ninguém.

Mesmo entre os louquinhos tínhamos líderes. Os goiabas mais antigos e com, digamos, alguma “inteligência” mandavam nos mais novos. Badu e Joaquim Maia estavam nessa condição e recebiam tratamento diferenciado dos outros louquinhos e até mesmo dos funcionários. Para termos uma ideia do nível mental dos dois, basta saber que eles ficavam muito tempo no portão da escola num jogo absurdo. Joaquim Maia, de costas para a rua e para os carros que passavam, gritava o nome de uma cor:

“Verde!”.

“Vermelho!”, adivinhava o velho Badu.

O carro que passara não era verde nem vermelho, tinha outra cor qualquer. O interessante ainda é que este jogo de malucos não havia pontuação nem ganhadores. Depois de horas jogando, os dois simplesmente iam embora. Não sabiam contar.

Joaquim Maia tinha uns 30 anos, barrigudo e quase anão, sofria de epilepsia, com cardápio variado de ataques, que variava desde o convencional até uma grande corrida que terminava no alto de alguma árvore. Pensei que o louco exagerava e fingia, mas um dia ele teve dois ataques seguidos. Correu, trepou num pinheiro alto e lá em cima começou a se estrebuchar. Caiu, sangue para todo lado e fraturas expostas.

Esses eram os loucos permanentes, os da casa. Às vezes apareciam novos, surgidos sabe deus donde. Os marmanjos urinavam e cagavam na cama. Fediam por falta de banho.

Os aleijados, vítimas da paralisia infantil, viviam com os loucos. Os “motoqueiros”, assim chamados pelo uso das muletas, revelavam quase sempre a mesma história. No princípio, tratados pela família e parentes. Depois internados em hospitais e mais tarde abandonados no orfanato.

orf3Não obstante suas deficiências, os motoqueiros demonstravam-se muito unidos e procuravam desenvolver atividades e propunham a si mesmos desafios. Assim, muito antes do Poder Público esboçar qualquer projeto de esportes para deficientes, eles se reuniam e disputavam jogos de futebol. As muletas de madeira se chocavam com violência e os que tinham apenas uma perna, envolta pelo metal dos aparelhos, arriscavam chutes na bola de meia ou borracha. Jogávamos com eles e os tratávamos como iguais, inclusive no trabalho e até mesmo quando o assunto era porrada. Eles brigavam entre si e com os outros internos. Desse costume, só posso dizer que uma muletada no pé do ouvido dói bastante.

Em número reduzido, existiam também os totalmente inválidos, praticamente paraplégicos, vítimas da poliomielite. Braulino, um deles, mais velho do que os outros, usava óculos modelo fundo de garrafa. Como só tinha movimento nos braços, uma armação de ferro sustentava-o. Duro, andava de muletas e demorava horas para vencer alguns metros. Não tomava banho e cheirava mal. Também, como se livrar daquele esqueleto esquisito? Sem o que fazer, ele vivia sentado no jardim, e com o nariz encostado na Bíblia pregava absurdos apocalípticos, misturando apóstolos aos profetas e emendando textos para dar maior drama ao que falava.

Não faz muito tempo vi o Braulino, cabelos brancos, esmolando nas ruas de Curitiba. Vivia por certo seu próprio apocalipse e de mãos estendidas esperava o final do mundo que, segundo ele, terminaria numa infernal fogueira.

Tentei várias vezes fazer uma escala de intensidades para o abandono. Tenho muita prática nesta praga que nos sufoca o espírito. Qual deles seria o pior e qual deles seria o menos grave? Inútil qualquer resposta. O abandono é isso: abandono. E a escala se faz no coração do abandonado e na consciência atormentada de quem abandona. Ao analisar minha história e de centenas de meninos que viriam a conviver comigo, conclui que as famílias, os pais ou responsáveis legais, ao abandonarem seus filhos podem ser guiados a mais das vezes por três motivos básicos: o econômico, desajustes familiares e preconceitos sociais. Esses motivos não raro aparecem juntos. Veja bem, eu parto de observações puramente empíricas que me chegaram aos sentidos, sem a ciência dos números e estatística, desprezando as variáveis psicológicas, que por elas mesmas dariam um grande tratado para um pesquisador que esteja disposto a executá-lo.

Os mais comuns de serem encontrados num orfanato são os abandonados por motivo econômico combinado com o desajuste familiar. É o pai e a mãe que não têm como sustentar os seus, por falta de trabalho ou renda, além de uma grande dose de ignorância provocada pela baixa escolaridade. Na falta de recursos econômicos, os laços que unem o frágil núcleo familiar simplesmente são rompidos, seja pela fome, seja pela miséria, depressão ou loucura decorrentes. Imediatamente, os membros dessa família são empurrados para a marginalidade, delinquência, alcoolismo, drogas e agressões mútuas. O próximo passo é a desagregação familiar. Os adultos, quando não presos ou mortos, somem pelo mundo, deixando sua prole ao deus dará. Note, caro leitor, que aqui falo da família comum, com papéis bem definidos de pai e mãe. Mas o mesmo se repete, e de forma mais dramática, em proles sustentadas apenas por um desses atores.

Nos desajustes familiares também incluo as causas naturais como a morte ou doença dos provedores e ausência de parentes e amigos da família para a adoção. Mas esses são casos raros nos orfanatos, se comparados aos anteriores. Dos internos que conheci, poucos se diziam realmente órfãos.

Por último, temos o preconceito social. É a mãe solteira que por motivos “morais”, religiosos, ignorância — a própria, dos seus pais ou companheiro — insiste na gravidez e é obrigada a abandonar a coisa que se fez em seu útero. É a gravidez indesejada de mulheres adolescentes ou das que caíram na vida. É o patrão que dormiu com a funcionária, amante ou empregada e para amenizar o escândalo força a mãe a entregar seu bebê para instituições de caridade.

Assim, creio, que é muito difícil de se saber qual dos abandonos é o menos cruel. Todos têm um grande grau de crueldade que culmina numa culpa tremenda naquele que abandona e um enorme complexo de rejeição no abandonado.

Felizes eram aqueles alienados que não tinham consciência de suas condições. Pobres aleijados que se sabiam punidos duas vezes pelo terrível crime de terem nascido.

Naquele tempo brutal, sempre ao final do dia, como já era costume, ônibus despejavam levas de meninos na escola. Não eram fujões e sim órfãos vindos de outras instituições, geralmente religiosas, que haviam completado a idade de 10 ou 12 anos. Prudentes e pudicas, as freiras só cuidavam de seus órfãos masculinos até o início da adolescência. Por certo, evitavam assim o apego demasiado e outros pecados menores.

No internato, esses meninos tinham singular comportamento. Dóceis, raramente desobedeciam, acostumados que estavam com a orfandade. Eles se tratavam como irmãos, posto que se conheciam desde o berço. Dispensados do rito de iniciação, logo esses guris estavam o uniforme da 1ª Cia e brincavam descontraídos misturados aos outros no pátio.

Mais tarde fiz amizade com alguns deles que atendiam por apelidos numerais. Assim tínhamos o “Trinta” e o “Vinte Oito”, números pelos quais foram identificados nos antigos orfanatos. Os dois, um Manoel e o outro Manuel, sentaram praça na Marinha de Guerra ao deixarem o internato de Campo Comprido, isso muitos anos depois.

O Trinta contava que não conhecera a família. Desde nenê no orfanato das freiras, entrava seguidamente na fila de adoção. Negro, sempre preterido. Os casais que por lá costumavam procurar “filhos” davam preferência aos brancos e loirinhos. Dizem que o marinheiro morreu em serviço ao tentar salvar pessoas que se afogavam no rio Paraná. Não duvido, ingênuo, perverso às vezes, possuía grande alma.

Antes do jantar, os funcionários fizeram os arranjos para dar equilíbrio às companhias. A terceira e quarta contavam um número reduzido de alunos, com muitas camas vazias, ao passo que as outras duas companhias estavam lotadas com os novos que não paravam de chegar. Muitos foram promovidos.

orf4As vagas na terceira e quarta companhias apareciam porque os que completavam 18 anos deixavam a escola. Esse processo demonstrava-se tão doloroso e incerto quanto o de entrada no orfanato. Todos os anos formavam-se dezenas de sapateiros, alfaiates, gráficos e padeiros, com um nível de escolaridade muito baixo. As assistentes sociais arrumavam-lhes emprego. Ainda na condição de internos, esses rapazes ficavam por ali por mais três meses até juntarem algum dinheiro. Depois eram encaminhados para uma modesta pensão particular, com direito a simplório enxoval: lençóis, fronha, duas camisas e uma calça.

Desamparados, recebendo salários miseráveis, solitários, desajustados e extasiados com a repentina liberdade, os egressos do orfanato praticavam besteiras. Perdiam o emprego, roubavam e acabavam presos em menos de um ano. Poucos eram os que realmente encontravam um novo caminho na vida. Acompanhávamos as notícias que vinham lá de fora e ficávamos inseguros quanto ao nosso futuro, se é que assim poderia ser chamada aquela desgraça anunciada.

Não é à toa que alguns internos tentavam não deixar o internato, mentindo a idade e fingindo insanidade mental, caso do João Louco, que todo mundo desconfiava que não era louco porra nenhuma, mas vivia entre eles. Tínhamos vários alunos em condições semelhantes. Velhos, alguns com mais de 30 anos, que procuravam em si alguma utilidade para o sistema montado na escola. Os “peixes” da direção realmente eram úteis. Funcionavam como amortecedores entre o peso da ira dos funcionários e a nossa fragilidade, assumindo funções de monitores ou até mesmo de servidores contratados. Três deles eram muito antigos na escola, com direito a salários e moradias especiais.

Valtinho morava próximo à horta com a família, mulher e dois filhos. Magro e pequenino, contava uns 55 anos de idade e ainda jogava muito bem futebol, um craque. Ele dedicava-se aos serviços gerais, encanamentos, reformas, etc. Nas horas vagas, cuidava de pequena horta e de seu galo de briga, que um dia roubamos e cozinhamos com abóbora (ficou um horror, a carne dura dispersa numa gosma aguada doce e amarela; fome ignora os olhos, e comemos tudo). Ele nunca descobriu quem foi, mas garanto que caso isso ocorresse sua vingança seria medonha, dado o apego de Valtinho ao bicho.

Zelas, o zelador, contemporâneo de Valtinho quando esteve internado, sofria de epilepsia. Morava num cubículo imundo do lado da 4ª Cia. O material de limpeza que estava sob sua guarda se misturava a roupas e pertences embolados por sobre a cama repleta de manchinhas de sangue das pulgas esmagadas. Contrariando o nome e a função, Zelas não zelava por nada, já que os imundos banheiros teoricamente estavam por sua conta e pelo estoque de desinfetantes, pastas vassouras e sabões em seu quarto, via-se que o problema de higiene na escola não era a falta de produtos de limpeza, era preguiça mesmo. Vivia batendo papo, defendendo posições absurdas em discussões vazias com alunos e outros funcionários. Contava-se que fora noivo e que abandonou a ideia de casamento depois que descobriu que a noiva era fã do Tarcísio Meira. Numa noite ao visitar sua futura senhora, ele foi solenemente ignorado até o término do capítulo da novela. Nunca mais voltou. Sorte da moça.

Venâncio, o homem manco, com a boca meio torta, exercia a função de almoxarife. Quieto, realmente triste, morava num quartinho isolado. Escravo de doenças, logo após minha chegada morreu. Acompanhamos o enterro. Naquele dia de chuva, o caixão simples desceu à cova sem choros e lamentações. Parente algum deixou na tumba suas lágrimas. Viveu órfão, morreu órfão.

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PF tem mandados de prisão em Maringá e busca e apreensão

Na operação de hoje da Polícia Federal, desdobramento da Operação Carne Fraca, que tem por alvo os frigoríficos e fraudes na comercialização de carnes e seus derivados, há pelo menos uma mandado de prisão em Maringá.

Discriminação dos mandados judiciais:

* GOIÁS

– Mineiros

1 Mandado de busca e apreensão

– Rio Verde

2 Mandados de busca e apreensão

1 Mandado de condução coercitiva

* PARANÁ

– Araucária

2 Mandados de busca e apreensão

2 Mandados de condução coercitiva

– Carambeí

3 Mandados de busca e apreensão

1 Mandado de prisão temporária

– Castro

3 Mandados de busca e apreensão

3 Mandados de condução coercitiva

– Curitiba

6 Mandados de busca e apreensão

3 Mandados de prisão temporária

2 Mandados de condução coercitiva

– Dois Vizinhos

1 Mandado de busca e apreensão

1 Mandado de prisão temporária

– Maringá

2 Mandados de busca e apreensão

1 Mandado de prisão temporária

– Palmeira

1 Mandado de busca e apreensão

1 Mandado de condução coercitiva

– Ipiranga

1 Mandado de busca e apreensão

– Piraí do Sul

2 Mandados de busca e apreensão

1 Mandado de condução coercitiva

– Ponta Grossa

6 Mandados de busca e apreensão

5 Mandados de condução coercitiva

– Toledo

2 Mandados de busca e apreensão

1 Mandado de condução coercitiva

 

* RIO GRANDE DO SUL

– Arroio do Meio

1 Mandado de busca e apreensão

1 Mandado de condução coercitiva

 

* SANTA CATARINA

– Chapecó

4 Mandados de busca e apreensão

2 Mandados de condução coercitiva

1 Mandado de prisão temporária

– Treze Tílias

1 Mandado de busca e apreensão

1 Mandado de prisão temporária

 

* SÃO PAULO

– Piracicaba

1 Mandado de busca e apreensão

1 Mandado de condução coercitiva

– Santana do Paranaíba

1 Mandado de busca e apreensão

1 Mandado de prisão temporária

– Sorocaba

1 Mandado de busca e apreensão

1 Mandado de condução coercitiva

– Vinhedo

1 Mandado de busca e apreensão

1 Mandado de condução coercitiva

– Porto Feliz

1 Mandado de busca e apreensão

1 Mandado de prisão temporária

– São Paulo

10 Mandados de busca e apreensão

5 Mandados de condução coercitiva

1 Mandado de prisão temporária

 

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PF cumpre 91 mandados, alvos são frigoríficos nesta segunda-feira

A Polícia Federal saiu mais uma vez às ruas nesta manhã (5) para uma nova fase da Operação Carne Fraca que tem como alvo frigoríficos.

São executados 91 mandados decretados pela Justiça Federal: 11 pessoas estão com ordem de prisão temporária e 27 de condução coercitiva. Os policiais cumprem ainda 53 mandados de busca e apreensão em unidades da BRF (Sadia e Perdigão). Logo mais traremos o nome dos meliantes presos.

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O golpe do PT nas universidades

As universidades federais estão apinhadas de petistas nos cursos de humanas, sobremodo História e Filosofia. “Geniais”, useiros e vezeiros das sinecuras das bolsas para “pesquisa”, pagas pelo imposto do proletariado que rala nas fábricas, esses burgueses, doutrinadores, revoltados com a defenestração de seus deuses do governo, bolaram essa disciplina sobre o suposto golpe político na Dilma et caterva. Rá, juízo de valor já no próprio nome da cadeira, seus mamadores das tetas públicas! “Sine ira et studio”, é o lema de Tácito ao evocar a neutralidade dos historiadores perante os fatos históricos, mas esses enganadores nunca leram Tácito, para que gastar o latim com eles, não é verdade? Vamos rir diante de tal sandice, como recomendava nosso grande poeta Vergilius, ou Virgílio, para os íntimos da verdade e da lusitana língua.

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PT se infiltra nas secretarias de Foz do Iguaçu

Depois de ter políticos locais envolvidos em maracatuaias de toda espécie, passar por uma nova eleição, Foz do Iguaçu ainda anda capenga na política. Militantes de carteirinha do PT, por exemplo, entre outros suspeitos apeados de Itaipu, que não conseguiram cargos eletivos, estão infiltrado nas secretarias, aproveitando o vácuo do poder instalado naquele município de fronteira.

Foz de Iguaçu é último entreposto para quem sai do país legal e ilegalmente e por onde entram contrabando, armas e drogas. Não há de se esperar portanto, nada mais do que o velho discurso de sempre, em que os políticos fingem que trabalham nos mais alucinantes projetos de desenvolvimento do turismo e comércio, ineficazes, é lógico, enquanto a população é refém da violência e da falta de perspectivas de trabalho e renda.

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