A vida é teima do tempo

É, minha amiga, pelo áspero caminho
Chegamos a este tempo
Porquanto, quantos ficaram
Desesperançados
E aqui não chegaram

Cansados, talvez
Sem consolo, talvez
Gastos, certamente
Pelo caminho ficaram

Dá-me teu braço, amiga
O adiante nos chama
Ignorando nossas gasturas
Em miragens nos oferecendo tolices
Enquanto nos doira a realidade

É teima do tempo, amiga
Esta doida vida

É teima minha, querida
Ter teus braços
Teus passos
Juntos aos meus.

A canga
Ajeita a canga
Dos pesos que ganhaste no lombo
Novo ano
Mas o caminho é o mesmo.

Criança
Amanhecer e renascer todos os dias.
Olhar este mundo com olhos de criança,
Com a curiosidade de criança
E, principalmente,
Com a alegria de uma criança.

Vento na janela
Há um vento que sopra em minha janela
Veio da madrugada e do teu coração em festa
Tem tua voz e sussurra a paz que pediste em prece.

O que importa é simples

Sou um caipira letrado que não se esqueceu da dureza da terra a qual capinou e que por isso ainda se encanta com a semente que se arrebenta e se faz flor e se faz alimento; com as cores dos ipês, com a imponência dos pinheiros, com o cantar dos passarinhos, com a beleza das borboletas e joaninhas. Meu viver é bruto, feito pelas asperezas das labutas de sol a sol. Mas, do lado do fogão à lenha, no peito trago o coração que se derrete como vela que brilha na escuridão, ao ouvir uma viola, ao amar o simples e verdadeiro que emana dos que comigo vão sem ver importância onde vai dar esse caminho, cada vez mais estreito e repleto de saudades.

 

 

Patientia, fratres!

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