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Itapoá: porto, turismo e praias 100% próprias para banho

Final de tarde em Itapoá, banhistas aproveitam as últimas luzes do dia nas águas mais limpas do Sul

Itapoá, no litoral Norte de Santa Catarina, trabalha com duas vocações econômicas naturais, a portuária e a de turismo. Normalmente, a cidade registra aproximadamente 20 mil habitantes, mas na alta temporada de Verão (dezembro a fevereiro), a população flutuante cresce dez vezes, chegando a 200 mil pessoas. Tudo isso faz com que a administração municipal se empenhe para resolver grandes demandas.

Claudio Lemonie, secretário de Turismo e Cultura de Itapoá

De acordo com Claudio Lemonie, secretário de Turismo e Cultura de Itapoá, há muito tempo prefeitura trabalha no sentido de harmonizar a atividade portuária com o turismo, mas sem esquecer o meio ambiente. “O nosso trabalho é em equipe, todas as secretarias se envolvem de certa forma para o sucesso de nossa economia. Assim, o primeiro passo foi planejar o fluxo de caminhões que seguem diretamente para o porto, deixando os acessos às praias livres para pedestres e automóveis de passeio. Ação que está dando muito certo”.

Cleber Wagner, funcionário da Renault, em São José dos Pinhas, Região Metropolitana de Curitiba, e que passa suas férias em Itapoá, disse ter notado a ausência de caminhões nos balneários. “Isso é muito importante para garantir a segurança das famílias e um trânsito que flui”. Outro aspecto é o costume dos motoristas darem a preferência aos pedestres. “Quem vem para cá tem que se acostumar, se o pedestre deseja atravessar alguma via, ele fica com a preferência e o carro tem que parar”.

Expectativa do Comércio

Porto de Itapoá integrado ao turismo da cidade

Com o porto funcionando bem, inclusive com a perspectiva de ampliação, resta o turismo que, em apenas dois meses, janeiro e fevereiro, chega a movimentar R$ 65 milhões no comércio formal. Antonia Anderlone, gerente de loja de calçados, reconhece a força do comércio de Itapoá. “A crise deixou o brasileiro sem dinheiro, mas em dezembro notamos uma reação”, atesta a gerente. “Esperamos janeiro e fevereiro, com as mudanças anunciadas na economia, torcemos para que nosso povo ganhe dinheiro para gastar; tenho esperança que o povo se anime mais”.

Ações ambientais

O secretário explica que tudo isso traz reflexos no meio ambiente. “Hoje temos laudos ambientais que nos alegram muito  e mostram que estamos no caminho certo. O principal deles  é o que atesta os 100% de balneabilidade de nossas praias, ou seja, os banhistas têm muito mais do que a beleza de nossas praias, a garantia de passar seus momentos de lazer com boa condições para a saúde.

Banhistas aproveitam o sol da manhã em Itapoá, cuidados com a manutenção da limpeza da praia

Ainda dentro da conciliação do binômio meio ambiente e turismo, Claudio Lemonie aponta o projeto de recuperação e manutenção da restinga, a vegetação que cobria originalmente as praias. “Nos trabalhos de limpeza e capina, preservamos as plantas nativas, que alguns interpretam como mato. Para uma melhor proteção ainda, fizemos passarelas para que os banhistas alcancem a praia com conforto e não danifiquem as plantas”. Somado a isso, o município também é responsável pela preservação de 3 km de praias desertas até a divisa do Paraná, numa importante iniciativa para a preservação da Mata Atlântica.

Eco Duchas nas praias de Itapoá

Outro esforço está sendo feito na manutenção da limpeza pública com instalações de lixeiras novas e a implantação de novas duchas nas praias. A novidade é que parte delas são ecológicas (Eco Duchas), sem desperdício de energia e aproveitando a própria água do sub-solo.

 

Perfil de Itapoá

• IDH: 0,793 (fonte PNUD/2000)
• PIB: 101.612 (em milhões) (fonte IBGE/2006)
• Coeficiente FPM: 0.8 (fonte STN/2009)
• Índice ICMS: 0.08663 (fonte SEF-SC/2009)

 

 

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O velório que era bailão e outras histórias do barbeiro Dirceu

Sou de um tempo em que cultivávamos fidelidade a prestadores de serviços, o barbeiro por exemplo. Mas como, em lugar que você não conhece muito bem, encontrar um substituto para o titular? Aquele profissional que você não precisa nem explicar como dar o desenho à veterana barba, ou aos cabelos que me sobraram. Em Curitiba, tenho meu barbeiro de anos, mas em Itapoá (SC), onde arranjar um de confiança? Bom, o melhor caminho é a velha indicação por meio de amigos e foi assim que cheguei a Dirceu Tfardoski.

Dirceu, o barbeiro que conta histórias e ajuda pessoas

Já na cadeira do seu Dirceu, pessoa de simpatia ímpar, expliquei a ele como desejava o corte. Não foi preciso falar duas vezes, afinal estava diante de quase 60 anos de prática. Homem de fala fácil, com o sotaque carregado e típico do Oeste paranaense, muito vivido, ele me contou que nasceu em Cascavel (PR), um ano depois do final da II Guerra, em 1946, ainda quando a cidade era distrito de Foz de Iguaçu. “Tive paralisia infantil quando criança” – disse-me – “por isso manco um pouquinho de uma das pernas – não me atrapalha, dói para trabalhar, mas não dói para dançar, sou pé de valsa”, confessou-me rindo.

De família pobre e trabalhadora, Dirceu arrumou seu primeiro emprego numa Serraria aos 11 anos de idade. Mas, aos 15, teve contato com a profissão de barbeiro. “Comecei a nova lida escondido do meu pai, que não achava futuro naquela coisa de fazer barba e cabelo; na verdade, de tanto frequentar hospitais  meu desejo era ser médico, entretanto não tinha condições de estudar para isso. Rapazinho, queria me vestir bem, arrumar namorada e comprar uma bicicleta…”

No início dos anos 1960, Cascavel era um território quase sem lei, com muitas disputas de terra. “Um dos meus primeiros trabalhos foi cortar o cabelo de oito jagunços baleados, no hospital, serviço que ninguém queria fazer”, recordou Dirceu, que depois se instalaria num salão na Avenida Brasil, em frente à Pernambucana. Foram 57 anos de trabalho na cidade. Em 2014, o barbeiro recebeu homenagem da Câmara de Vereadores por seus serviços voluntários, ao atender gratuitamente as pessoas em hospitais e asilos. “Comecei com os jagunços baleados e desde 1962 não parei mais de atender gente internada, que se sente melhor, com mais estima; ajudo e com muito gosto”.

Dirceu foi homenageado pela Câmara de Cascavel por seus serviços voluntários

Sem deixar a tesoura, Dirceu falou-me de sua outra paixão, a dança. “Minha primeira esposa não gostava muito de dançar, daí eu tinha que inventar jeito para sair de casa e ir aos bailões; muita moça bonita querendo dançar. Todo sábado eu combinava com os amigos para passarem em casa e dizer que tinha algum velório para a gente ir. Minha mulher dizia: já vi homem para gostar de morto, mas igual a esse daí não vi; o pior que os amigos dele morrem sempre no sábado!”.

“Essa desculpa dos velórios durou por mais de ano. Até que começaram a fazer mexerico e a mulher ficou desconfiada. Num sábado, como o combinado, passam os amigos em casa e avisam de um velório. Fui me arrumar e quando vejo a minha mulher está pronta para ir comigo também, coisa que ela nunca fazia. Coloquei ela no carro e saí procurando velório em Cascavel. Fui até na capela mortuária e estava fechada. Naquele dia, para meu azar, não havia morrido ninguém! Perdi o baile e a mulher… Depois casei de novo com uma companheira que gosta de baile. No final da história, tenho três filhos, 17 netos e quatro bisnetos”.

Agora, Dirceu mora em Itapoá. Aposentado, resolveu novamente encarar a profissão de barbeiro. Em pouco tempo, já tem uma boa freguesia. Ele diz que continua trabalhando porque gosta. “Trabalho até em casa e não deixei de fazer o que comecei em 1962, cortar o cabelo das pessoas internadas, em hospitais e asilos. Tudo que tenho consegui com essa profissão e vou continuar nela. Mas não vou deixar também os bailões; você precisa ver quando danço Vanerão! Tenho uma perna mais curta do que a outra e ela cai certinha na batida!”, comentou em meio a risos, o simpático barbeiro que tratou de meus cabelos e com sua história tratou-me o espírito.

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