Educação



Um dia no orfanato de Campo Comprido, 1976, em Curitiba

Capítulo III

Os louquinhos

Sentei-me
num claro de tempo.
Era um remanso
de silêncio,
de um branco silêncio,
anel formidável
onde os luzeiros
se chocavam com os doze
flutuantes números negros.
F. G. Lorca

Formamos pela manhã. Eu continuava mal. Tivera hemorragia, perdera muito sangue. Felizmente, numa rara demonstração de sensibilidade, o funcionário Fausto, talvez por ter sofrido tanto pelo mesmo motivo, já que era desdentado, retomou sua alma ao diabo e tirou-me da fila do trabalho. Esse ato de misericórdia, quase me fez esquecer daquela surra covarde do primeiro dia e o roubo de minhas moedas. Eis o encanto de satã ao conquistar o ignorante: guardá-lo no vazio do não se saber. E quem não sabe de si, não sabe do mundo, nada pensa; sem ser demente, faz as coisas e não se dá conta do bem ou mal que está realizando.

orf1Enquanto o restante dos internos trabalhava, os louquinhos e os inválidos ficavam soltos no pátio, a perambular de um lado para o outro, ou sentados, às vezes mudos, às vezes falando barbaridades desconexas. Sentei-me à sombra de um jasmineiro. De lá foi possível observar um por um dos penados esquecidos por Deus e seus prestimosos auxiliares.

Zé Coqueiro, um autista, corpo de faquir indiano, de cócoras justificava o seu apelido. Sorrindo o doce sorriso dos alienados, o Zé desenhava numa rapidez incrível coqueiros com as pontas dos dedos na terra fofa. Terminado o coqueiro, ele o apagava imediatamente e num ato contínuo, outro coqueiro desenhava; milhares de vezes, infinitas vezes.

O autista, abandonado pela família, deveria ter uns 15 anos e nunca recebera uma visita. Zé, porque não possuía registro civil. Coqueiro, sua assinatura para o mundo. Nem mesmo a assistente social desconfiava qual seria o seu nome verdadeiro. Um dia ele deve ter aparecido ali, transportado igual a um porco num carro de polícia ou ambulância, sem defesas e comunicação, como quase todos os louquinhos que estavam “estocados” naquele armazém de alienados.

orf2Albino e com feridas na pele, se chegou para perto de minha árvore o Treme-treme, menino da cabeça quadrada e olhos miúdos. Frank, como também era chamado, sofria de algo que eu nunca tinha visto. Involuntariamente, os seus músculos descontrolados o faziam tremer todo.

“A…me…a…meu…”, balbuciava o infeliz e não passava disso, porque os músculos de sua face repuxavam e seu corpo tremia. Depois sorria e voltava a tremer, molhando-se com a própria urina e lambuzando-se com a merda que escorriam pelas pernas.

Novo na escola, Pinguim era entrevado. Também próximo de mim. com os pés virados para dentro, ele andava passinho por passinho. Não falava, apenas ria (o riso é a única propriedade dos loucos), exibindo restos de comida nos seus dentes acavalados.

“Punheteiro”, gritava um interno que passava.

“Filho da puta”, respondia aos berros o Sorvete, demente solitário que se escondia por detrás das árvores. Ali estava a única expressão possível de se ouvir da boca do pobre diabo. De resto, creio que Sorvete não sabia falar mais nada.

Badu, negro, deficiente mental (agia como se tivesse 12 anos, embora fosse adulto), muito alto e forte, fazia-se defensor do Sorvete, assim como de todos os louquinhos. Bastava mexer com um deles e a resposta vinha na hora: um tijolo ou pedra sibilava por nossas orelhas, sem direção, pegasse em quem pegasse e a vingança estava feita. Por sorte, naquele dia, o tijolo não atingiu ninguém.

Mesmo entre os louquinhos tínhamos líderes. Os goiabas mais antigos e com, digamos, alguma “inteligência” mandavam nos mais novos. Badu e Joaquim Maia estavam nessa condição e recebiam tratamento diferenciado dos outros louquinhos e até mesmo dos funcionários. Para termos uma ideia do nível mental dos dois, basta saber que eles ficavam muito tempo no portão da escola num jogo absurdo. Joaquim Maia, de costas para a rua e para os carros que passavam, gritava o nome de uma cor:

“Verde!”.

“Vermelho!”, adivinhava o velho Badu.

O carro que passara não era verde nem vermelho, tinha outra cor qualquer. O interessante ainda é que este jogo de malucos não havia pontuação nem ganhadores. Depois de horas jogando, os dois simplesmente iam embora. Não sabiam contar.

Joaquim Maia tinha uns 30 anos, barrigudo e quase anão, sofria de epilepsia, com cardápio variado de ataques, que variava desde o convencional até uma grande corrida que terminava no alto de alguma árvore. Pensei que o louco exagerava e fingia, mas um dia ele teve dois ataques seguidos. Correu, trepou num pinheiro alto e lá em cima começou a se estrebuchar. Caiu, sangue para todo lado e fraturas expostas.

Esses eram os loucos permanentes, os da casa. Às vezes apareciam novos, surgidos sabe deus donde. Os marmanjos urinavam e cagavam na cama. Fediam por falta de banho.

Os aleijados, vítimas da paralisia infantil, viviam com os loucos. Os “motoqueiros”, assim chamados pelo uso das muletas, revelavam quase sempre a mesma história. No princípio, tratados pela família e parentes. Depois internados em hospitais e mais tarde abandonados no orfanato.

orf3Não obstante suas deficiências, os motoqueiros demonstravam-se muito unidos e procuravam desenvolver atividades e propunham a si mesmos desafios. Assim, muito antes do Poder Público esboçar qualquer projeto de esportes para deficientes, eles se reuniam e disputavam jogos de futebol. As muletas de madeira se chocavam com violência e os que tinham apenas uma perna, envolta pelo metal dos aparelhos, arriscavam chutes na bola de meia ou borracha. Jogávamos com eles e os tratávamos como iguais, inclusive no trabalho e até mesmo quando o assunto era porrada. Eles brigavam entre si e com os outros internos. Desse costume, só posso dizer que uma muletada no pé do ouvido dói bastante.

Em número reduzido, existiam também os totalmente inválidos, praticamente paraplégicos, vítimas da poliomielite. Braulino, um deles, mais velho do que os outros, usava óculos modelo fundo de garrafa. Como só tinha movimento nos braços, uma armação de ferro sustentava-o. Duro, andava de muletas e demorava horas para vencer alguns metros. Não tomava banho e cheirava mal. Também, como se livrar daquele esqueleto esquisito? Sem o que fazer, ele vivia sentado no jardim, e com o nariz encostado na Bíblia pregava absurdos apocalípticos, misturando apóstolos aos profetas e emendando textos para dar maior drama ao que falava.

Não faz muito tempo vi o Braulino, cabelos brancos, esmolando nas ruas de Curitiba. Vivia por certo seu próprio apocalipse e de mãos estendidas esperava o final do mundo que, segundo ele, terminaria numa infernal fogueira.

Tentei várias vezes fazer uma escala de intensidades para o abandono. Tenho muita prática nesta praga que nos sufoca o espírito. Qual deles seria o pior e qual deles seria o menos grave? Inútil qualquer resposta. O abandono é isso: abandono. E a escala se faz no coração do abandonado e na consciência atormentada de quem abandona. Ao analisar minha história e de centenas de meninos que viriam a conviver comigo, conclui que as famílias, os pais ou responsáveis legais, ao abandonarem seus filhos podem ser guiados a mais das vezes por três motivos básicos: o econômico, desajustes familiares e preconceitos sociais. Esses motivos não raro aparecem juntos. Veja bem, eu parto de observações puramente empíricas que me chegaram aos sentidos, sem a ciência dos números e estatística, desprezando as variáveis psicológicas, que por elas mesmas dariam um grande tratado para um pesquisador que esteja disposto a executá-lo.

Os mais comuns de serem encontrados num orfanato são os abandonados por motivo econômico combinado com o desajuste familiar. É o pai e a mãe que não têm como sustentar os seus, por falta de trabalho ou renda, além de uma grande dose de ignorância provocada pela baixa escolaridade. Na falta de recursos econômicos, os laços que unem o frágil núcleo familiar simplesmente são rompidos, seja pela fome, seja pela miséria, depressão ou loucura decorrentes. Imediatamente, os membros dessa família são empurrados para a marginalidade, delinquência, alcoolismo, drogas e agressões mútuas. O próximo passo é a desagregação familiar. Os adultos, quando não presos ou mortos, somem pelo mundo, deixando sua prole ao deus dará. Note, caro leitor, que aqui falo da família comum, com papéis bem definidos de pai e mãe. Mas o mesmo se repete, e de forma mais dramática, em proles sustentadas apenas por um desses atores.

Nos desajustes familiares também incluo as causas naturais como a morte ou doença dos provedores e ausência de parentes e amigos da família para a adoção. Mas esses são casos raros nos orfanatos, se comparados aos anteriores. Dos internos que conheci, poucos se diziam realmente órfãos.

Por último, temos o preconceito social. É a mãe solteira que por motivos “morais”, religiosos, ignorância — a própria, dos seus pais ou companheiro — insiste na gravidez e é obrigada a abandonar a coisa que se fez em seu útero. É a gravidez indesejada de mulheres adolescentes ou das que caíram na vida. É o patrão que dormiu com a funcionária, amante ou empregada e para amenizar o escândalo força a mãe a entregar seu bebê para instituições de caridade.

Assim, creio, que é muito difícil de se saber qual dos abandonos é o menos cruel. Todos têm um grande grau de crueldade que culmina numa culpa tremenda naquele que abandona e um enorme complexo de rejeição no abandonado.

Felizes eram aqueles alienados que não tinham consciência de suas condições. Pobres aleijados que se sabiam punidos duas vezes pelo terrível crime de terem nascido.

Naquele tempo brutal, sempre ao final do dia, como já era costume, ônibus despejavam levas de meninos na escola. Não eram fujões e sim órfãos vindos de outras instituições, geralmente religiosas, que haviam completado a idade de 10 ou 12 anos. Prudentes e pudicas, as freiras só cuidavam de seus órfãos masculinos até o início da adolescência. Por certo, evitavam assim o apego demasiado e outros pecados menores.

No internato, esses meninos tinham singular comportamento. Dóceis, raramente desobedeciam, acostumados que estavam com a orfandade. Eles se tratavam como irmãos, posto que se conheciam desde o berço. Dispensados do rito de iniciação, logo esses guris estavam o uniforme da 1ª Cia e brincavam descontraídos misturados aos outros no pátio.

Mais tarde fiz amizade com alguns deles que atendiam por apelidos numerais. Assim tínhamos o “Trinta” e o “Vinte Oito”, números pelos quais foram identificados nos antigos orfanatos. Os dois, um Manoel e o outro Manuel, sentaram praça na Marinha de Guerra ao deixarem o internato de Campo Comprido, isso muitos anos depois.

O Trinta contava que não conhecera a família. Desde nenê no orfanato das freiras, entrava seguidamente na fila de adoção. Negro, sempre preterido. Os casais que por lá costumavam procurar “filhos” davam preferência aos brancos e loirinhos. Dizem que o marinheiro morreu em serviço ao tentar salvar pessoas que se afogavam no rio Paraná. Não duvido, ingênuo, perverso às vezes, possuía grande alma.

Antes do jantar, os funcionários fizeram os arranjos para dar equilíbrio às companhias. A terceira e quarta contavam um número reduzido de alunos, com muitas camas vazias, ao passo que as outras duas companhias estavam lotadas com os novos que não paravam de chegar. Muitos foram promovidos.

orf4As vagas na terceira e quarta companhias apareciam porque os que completavam 18 anos deixavam a escola. Esse processo demonstrava-se tão doloroso e incerto quanto o de entrada no orfanato. Todos os anos formavam-se dezenas de sapateiros, alfaiates, gráficos e padeiros, com um nível de escolaridade muito baixo. As assistentes sociais arrumavam-lhes emprego. Ainda na condição de internos, esses rapazes ficavam por ali por mais três meses até juntarem algum dinheiro. Depois eram encaminhados para uma modesta pensão particular, com direito a simplório enxoval: lençóis, fronha, duas camisas e uma calça.

Desamparados, recebendo salários miseráveis, solitários, desajustados e extasiados com a repentina liberdade, os egressos do orfanato praticavam besteiras. Perdiam o emprego, roubavam e acabavam presos em menos de um ano. Poucos eram os que realmente encontravam um novo caminho na vida. Acompanhávamos as notícias que vinham lá de fora e ficávamos inseguros quanto ao nosso futuro, se é que assim poderia ser chamada aquela desgraça anunciada.

Não é à toa que alguns internos tentavam não deixar o internato, mentindo a idade e fingindo insanidade mental, caso do João Louco, que todo mundo desconfiava que não era louco porra nenhuma, mas vivia entre eles. Tínhamos vários alunos em condições semelhantes. Velhos, alguns com mais de 30 anos, que procuravam em si alguma utilidade para o sistema montado na escola. Os “peixes” da direção realmente eram úteis. Funcionavam como amortecedores entre o peso da ira dos funcionários e a nossa fragilidade, assumindo funções de monitores ou até mesmo de servidores contratados. Três deles eram muito antigos na escola, com direito a salários e moradias especiais.

Valtinho morava próximo à horta com a família, mulher e dois filhos. Magro e pequenino, contava uns 55 anos de idade e ainda jogava muito bem futebol, um craque. Ele dedicava-se aos serviços gerais, encanamentos, reformas, etc. Nas horas vagas, cuidava de pequena horta e de seu galo de briga, que um dia roubamos e cozinhamos com abóbora (ficou um horror, a carne dura dispersa numa gosma aguada doce e amarela; fome ignora os olhos, e comemos tudo). Ele nunca descobriu quem foi, mas garanto que caso isso ocorresse sua vingança seria medonha, dado o apego de Valtinho ao bicho.

Zelas, o zelador, contemporâneo de Valtinho quando esteve internado, sofria de epilepsia. Morava num cubículo imundo do lado da 4ª Cia. O material de limpeza que estava sob sua guarda se misturava a roupas e pertences embolados por sobre a cama repleta de manchinhas de sangue das pulgas esmagadas. Contrariando o nome e a função, Zelas não zelava por nada, já que os imundos banheiros teoricamente estavam por sua conta e pelo estoque de desinfetantes, pastas vassouras e sabões em seu quarto, via-se que o problema de higiene na escola não era a falta de produtos de limpeza, era preguiça mesmo. Vivia batendo papo, defendendo posições absurdas em discussões vazias com alunos e outros funcionários. Contava-se que fora noivo e que abandonou a ideia de casamento depois que descobriu que a noiva era fã do Tarcísio Meira. Numa noite ao visitar sua futura senhora, ele foi solenemente ignorado até o término do capítulo da novela. Nunca mais voltou. Sorte da moça.

Venâncio, o homem manco, com a boca meio torta, exercia a função de almoxarife. Quieto, realmente triste, morava num quartinho isolado. Escravo de doenças, logo após minha chegada morreu. Acompanhamos o enterro. Naquele dia de chuva, o caixão simples desceu à cova sem choros e lamentações. Parente algum deixou na tumba suas lágrimas. Viveu órfão, morreu órfão.

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O golpe do PT nas universidades

As universidades federais estão apinhadas de petistas nos cursos de humanas, sobremodo História e Filosofia. “Geniais”, useiros e vezeiros das sinecuras das bolsas para “pesquisa”, pagas pelo imposto do proletariado que rala nas fábricas, esses burgueses, doutrinadores, revoltados com a defenestração de seus deuses do governo, bolaram essa disciplina sobre o suposto golpe político na Dilma et caterva. Rá, juízo de valor já no próprio nome da cadeira, seus mamadores das tetas públicas! “Sine ira et studio”, é o lema de Tácito ao evocar a neutralidade dos historiadores perante os fatos históricos, mas esses enganadores nunca leram Tácito, para que gastar o latim com eles, não é verdade? Vamos rir diante de tal sandice, como recomendava nosso grande poeta Vergilius, ou Virgílio, para os íntimos da verdade e da lusitana língua.

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Meditações diante do Ovo de Páscoa

Eis a vida como a entendo e como a vejo, pequenas partículas de areia a se juntarem na soma de nossas horas. Vi meu mundo e do meu mundo apenas o pedaço que me coube, nada além disso.

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Dos deuses
Poucas são as coisas que, ainda, me causam espanto nesta vida. Uma delas é a coincidência, ou congruência, dos eventos aparentemente desconexos. Os deuses têm vocação para dramaturgos e por anos desencadeiam fatos que só tomam sentido quando se cruzam na linha do tempo.

Das paixões
A mais das vezes, o coração transtornado é um acelerador da sucessão dos eventos que determinam grandes tragédias. Junte-se a isso desejos secretos, ciúmes, paixões irracionais, segredos nunca revelados e teremos aí o material que é feito o caldeirão do inferno.

Da loucura
A loucura é outro grande mistério que nos fascina. Há os que nascem dementes. Mas, há outros que ficam insanos aos poucos. Nascem e vivem por um tempo aparentemente com bom juízo, mas são apanhados por algum infortúnio, uma faísca a incendiar o inferno, que os empurram para o abismo espiralado da alienação. Caem, caem e caem nele continuamente, até desaparecerem como seres humanos.

Da pobreza
A pobreza tem suas virtudes, uma delas é forjar corações endurecidos. A luta pela sobrevivência marca indelevelmente a infância das crianças que não compreendem muito bem a diferença entre os que têm e os que não têm recursos.

Da recompensa
Faz o bem para o bem do teu fado
E tua alma se sentirá recompensada
Mesmo que tu não escutes o obrigado.

Do coração
Joga fora o que tu pensas amar e não te ama
Teu coração é o templo das coisas puras e boas
E não quartinho de despejo para velhas tralhas.

Dos ingratos
Eu trago as mãos estendidas
Como quem oferece o pão
Feito de verdade e poesia
Para quem tem paz no coração
E aos ingratos em tormentos
Ofereço o silêncio do perdão.

Dos medíocres
Creio na evolução dos seres. O medíocre, por exemplo, inevitavelmente há de se tornar um tolo completo e, sem modéstia, alcançará a glória dos estúpidos.

Patientia, fratres mei! Felix Pascha!

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Filhinho mimado, adulto medíocre e fracassado

mimadoSou do tempo da velha escola, daquela em que se educava. Novo, em idade e magistério, por ser professor marista do Internato Paranaense, eu tinha que chamar alguns pais para explicar o mau desempenho de seus filhos, pequenos e inocentes estúpidos que se deleitavam na mediocridade. Minha tristeza era constatar o crime que se cometia contra aquelas crianças, ao ver que os pequenos apenas copiavam a própria mãe e o pai, geralmente separados, mergulhados na ignorância e na proteção inexplicável da suposta esperteza de seus filhos, que reprovavam e reprovavam, ano após ano, até desistirem do Colégio e procurarem o famoso esquema “pagou, passou” das “escolas” que se prestavam a isso. Desses, foram dezenas e dezenas, acredito, nenhum alcançou nada de bom na vida, porque se tornaram mentirosos, pois eram a própria mentira, fundamentada em suposto sucesso do fracasso. E olha, que formei gerações.

As mamães e seus filhinhos de vida estragada
No magistério superior, noto que pouca coisa mudou, com os filhinhos das arrogantes mamães; aqueles que passam em décima chamada, em faculdade cara e particular. Buscam um título e provavelmente nem ali conseguirão e se conseguirem, não servirá para nada, porque o mercado não aceita formados na mediocridade e mentira. Perdem tempo e dinheiro.

Jovens adolescentes e suas escolhas
Disse-me que não precisava de conselhos,
Mandava no próprio nariz e que fazia as próprias escolhas.
Pensei e vi que é muito difícil tirar feno da boca do burro;
Nada mais a fazer, pois a mediocridade também é uma escolha.

Inteligência é outra coisa
Dizia aos meus alunos de matemática, ainda nos seus primeiros anos de aprendizado: evitem companhias ruins, pois o mau caráter, a vulgaridade, a inépcia, a ausência de conteúdo e o mau gosto costumam ser contagiosos. A maior prova de inteligência não está somente em se saber usar bem uma fórmula matemática; prova-se inteligência ao não se tornar um medíocre que se abraça a medíocres.

A arrogância de se achar infalível
O Céu sempre azul seria medonha monotonia aos olhos dos homens. Por isso das nuvens ferozes em tempestades; ou algodões de formas diversas em tarde e manhãs de Sol, serenas e de bonitezas. O Céu modifica-se todos os dias, portanto não há razão para sermos, em arrogância, a monotonia que nada muda, em ideias e no próprio coração.

O estagiário “engenheiro”
Nascera com todos os defeitos do mundo
Vocacionado para derrotas rotundas
Mentia para todos que era engenheiro
Na realidade, um estagiário de fábrica
Que havia abandonado a faculdade
Na qual passara na décima chamada.

Mentirosos sempre são descobertos
O mentiroso só acredita naquilo que cabe na própria mentira. Por isso, seu mundo inventado e fantasioso vem abaixo quando a verdade prevalece. Ele mente, mas o mundo real nega-se a encaixar-se na sua mentira. Eis o fato. Eis o que aprendi no magistério.

***

Seja como uma borboleta
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Ser como uma borboleta
Visitar todas e somente as flores
Porque a vida é tão curtinha…
Que não temos tempo
Para nos ocuparmos com miudezas…
Com coisas de poucas belezas
Sem gosto, sem alma e sem perfume.

 

 

 

Dias de chuva
Os céus nos dão os dias de chuva
Para que nos guardemos ensimesmados
E a aproveitemos em grande faxina n’alma.

Os cinzas de Curitiba
E os céus de Curitiba experimentam seus 365 tons de cinza.
Mas, há esperança, teimoso é o Sol, teimosa é a vida.

 

Patientia, fratres mei!

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Colégio Sesi chega a Maringá, Londrina e Cascavel

sesiO Colégio Sesi Internacional conta atualmente com duas unidades: uma em Ponta Grossa e outra em Curitiba – a da capital, que começou em 2014 com 86 alunos, terá 200 alunos neste 2016, e foi reconhecida como uma Showcase School pela Microsoft, em destaque pela metodologia inovadora.

A direção do colégio diz que neste ano começam a funcionar as unidades de Cascavel, Maringá e Londrina, cada colégio com 60 vagas. “Escolhemos cidades polo para essa expansão, e caso a gente sinta a necessidade das empresas e da indústria, pensaremos em outras cidades. Mas a intenção é que ele não se transforme em uma rede normal, com vários colégios”, informa Lilian Luitz, gerente de educação do Sesi.

Educação
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Neste governo, só a ignorância prospera

E que a pobreza esteja somente nos espíritos dos que não se comovem com o sofrimento alheio. Ricos são os que têm a humildade e a vontade de aprender, apesar de tudo.

E que a pobreza esteja somente nos espíritos dos insensíveis ao sofrimento alheio. Ricos são os que têm a humildade e a vontade de aprender, apesar de tudo.

Leio que o Brasil é medalhista de bronze no índice da ignorância. A pesquisa realizada em 33 países pela global Ipsos, Perils of Perception (Perigos da Percepção), e que recomendo leitura, avalia os problemas e as características de cada um deles. No Brasil, o estudo revelou, entre outros pontos, que este colosso é o terceiro país mais ignorante do mundo. Sim, hoje há estatística para tudo, inclusive para aquilo que nos envergonha, provocado pelos pobres de espírito que dizem nos governar.

A ignorância como credo
Aqueles que fazem apologia à ignorância tecem para si uma defesa prévia. A ignorância é a pior das conselheiras, porque se cerca de aduladores que dizem suprimi-la ao ignorante. Ser governado por ignorantes, portanto, não nos parece algo inteligente e razão de orgulho; a ignorância geralmente produz fanáticos, homens de um livro só e pior, homens de livro nenhum.

A ignorância como método
O que realmente marca esse povo que diz nos governar é sua “inteligência” ímpar e capacidade de dizer com sinceridade grandes asneiras.

A ignorância como mérito
Chegamos ao cúmulo do fiofó da mula, em que pensar com a própria cabeça tornou-se crime; em que patrulheiros orelhudos, que nunca conseguiram ler a orelha de um livro, se sentem no direito de questionar os que pensam; em que a ignorância é mérito e não defeito.

A ignorância como regra

Um intelectual que tenta calar quem pensa diferente não é um intelectual, é um idiota sectário e presunçoso que aprendeu as letras sem entender seus significados. O pensamento se forma na multiplicidade das ideias e conceitos. Ideias antagônicas e díspares geram uma terceira ideia e outra e depois outra. Ideias iguais nada prosperam a não ser a ignorância que se encerra nelas próprias.

A ignorância militante
De uma elite de berço para uma elite proletária, esta escrava da ignorância e aquela escrava da soberba que promoveu a ignorância.

Livre
Um homem livre que se convence pela força se tornará um escravo. Um homem livre convencido pela razão será sempre um homem livre.

Meu mundo
Não quero um mundo cão
Quero sim, um mundo são.

A antagônica
Não, minha flor de jaca, antagônica não é uma anta agoniada.

Vamos, meus amigos!
Vai minha amiga, vai meu irmão, vivei. É tempo de viver e vós sois nele.

Patientia, fratres mei!

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Cadê as vagas em creches de Curitiba?

dagmarA conselheira tutelar Dagmar Nascimento (foto), que atua no bairro Boqueirão, em depoimento na Câmara de Curitiba, fez um alerta sobre a falta de vagas em creches. “As promessas são feitas há anos e nós conselheiros temos de explicar essa falta de vagas à população”, disse Dagmar Nascimento. A conselheira acrescentou: “o conselheiro tutelar não pode se esconder. O cidadão que nos procura vem cheio de esperança, muitas vezes pensando que podemos realizar milagres, mas não é assim”. No início de agosto deste ano, o vereador Valdemir Soares (PRB-PR) solicitou à Prefeitura de Curitiba informações sobre o déficit de vagas nos Centros Municipais de Educação Infantil (CMEIs). Segundo o republicano, mais de nove mil crianças estão na lista de espera. “Centenas de mães não podem trabalhar pois não têm onde deixar os filhos. Queremos saber quais são os entraves que estão inviabilizando a oferta de vagas em creches e pré-escolas de Curitiba”, justificou.

Leptospirose e ratos em Curitiba
Relembrando o vídeo postado nas redes sociais, em que ratos são vistos à luz do dia na Praça Tiradentes, centro de Curitiba, o vereador Chico do Uberaba usou o horário do PMN na Câmara Municipal para se dizer assustado com os relatos de mortes por leptospirose na cidade. “Um avô chegou ao meu escritório, no bairro, dizendo que o neto faleceu em decorrência da doença. Precisa vigilância urgente!”, pediu o parlamentar. “Curitiba é uma cidade de primeiro mundo. É uma vergonha andar tropeçando em ratos à noite”, criticou.

Tragédia de Mariana
marianaCaso eu acreditasse na bondade dos homens, na vocação para o bem dos homens, no espírito de humanidade dos homens, jamais daria crédito ao que parece estar acontecendo em Governador Valadares, cidade atingida pela tragédia de Mariana (MG). Maus comerciantes e espertalhões estariam vendendo água acima do preço do mercado. Deus tenha piedade das almas desses comerciantes da miséria alheia.

Jumentos para a China
A ministra Kátia Abreu relatou em encontro com empresários a piada que faltava para ilustrar esses tenebrosos dias proporcionado pelo desgoverno Dilma: a China quer importar 1 milhão de jumentos do Brasil, por ano! – É a nossa chance de nos livrarmos definitivamente desses políticos, não acham!? A começar pelos ministérios!

Dever de ofício
Canto a esperança por dever de ofício
A poesia nos exige isso
Do mundo, são os poetas os faxineiros do lixo.

Fundamentalismo besta
A cultura é a única arma para combater com eficácia esse obscurantismo fundamentalista que nos ameaça em pleno século XXI.

Professor sem livros
Por saber da importância da cultura, o governo brasileiro vetou nesta semana, a isenção de impostos dos livros comprados por professores. Pátria Enganadora!

Patientia, fratres mei!

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O vulgar para se obter atenção na web

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“Tragam o milho: a vulgaridade é coisa inata!”, nos pediu a professora de História, que sempre havia nos demonstrado muita classe, elegância discreta e cultura fabulosa. Na sua tese, pelo que me lembro, ela afirmava também que uma pessoa vulgar, certamente, jamais poderia ser considerada inteligente: “pois, a inteligência não admite a vulgaridade”.

Ao ouvir isso, as duras palavras da austera mestra e que tinham como alvo um grupo de mocinhas colegiais que se comportava realmente como um bando de galinhas, tentando chamar a atenção do nosso grupo de rapazes, perto do vestiário masculino do colégio, senti-me envergonhado, não por estar apenas de calção para a Educação Física, mas por aquelas respeitáveis senhoritas, as quais estudavam comigo e que, em sala de aula, se comportavam tão bem.

A cena ficou-me na cabeça e por várias vezes tentei entender a razão das pessoas se comportarem de forma diferente do que são para se destacarem num grupo, mesmo que para isso tenham que apelar para o vulgar, dando a si a fajuta desculpa de que fazem apenas o que todo mundo faz.

Hoje, as redes sociais fornecem todas as pistas para que eu elucide tão antigo mistério comportamental, sobremodo dos adolescentes. A internet praticamente obriga as pessoas a se destacarem de maneiras diversas no mundo virtual, algumas alcançam esse destaque pela inteligência, ou pela elegância e outras, na falta, apelam para vulgaridades, em palavras chulas e até mesmo em fotos indecentes.

As redes sociais, portanto, tornaram-se o pasto profícuo para o arremedo dos famosos por cinco minutos, para a imitação barata de costumes que, aparentemente, são “modernos”, “criativos” e “contestadores”.  Essas redes são o pasto em que nasce o farto capim vulgar do mau gosto, que deve ser ruminado pelo rebanho, porque ali está mais uma celebridade orelhuda ganhando seu espaço e distinção.

Infelizmente, temos que viver nesse pasto cibernético. Mas viver num pasto, não significa que se deva comer o capim da vulgaridade como os outros fazem. Há de se manter a classe, que também reputo inata. Pessoa sensata – rica ou pobre, culta ou não, porém inteligente – já nasce com uma grande capacidade para evitar o ridículo.  Elegância e respeito por si e a outros, não fazem mal a ninguém. Mas, quem liga hoje para elegância e respeito neste pasto repleto de insanidade das redes sociais, não é verdade?

 

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Justiça Eleitoral: Cartório ou Tribunal?

juridico-2(1)O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) tem poucos dias para resolver sua crise de identidade, sob pena de ser atropelado pelos acontecimentos graves que se anunciam pela omissão de alguns de seus membros. Ou se firma como Tribunal de fato, ao julgar as ações que o Brasil inteiro espera que julgue, ou se contenta em ser o que foi até o momento, um cartório de luxo em que se depositam contas de campanha, regulares ou irregulares. Sabemos que lá há ministros que têm noção do importante papel do Tribunal e essa é a nossa última esperança e a esperança da própria instituição também chamada de Justiça Eleitoral.

Pobre Petrobras
Desde que Dilma assumiu, valor de mercado da Petrobrás caiu 200 bilhões de dólares ou 800 bilhões de reais, a meta deve ser chegar logo a um trilhão e se bobear falir de vez a companhia, pois sempre é possível dobrar a meta.

“É nóis na fita”
Agência Cubana de Investimentos dá nota AAA+ para o Brasil.

Filme de nome errado
“Que horas ela sai?” é o filme brasileiro indicado para o Oscar.

Zumbis
Mesmo com toda a maquiagem, Dilma e Lula estão com uma cara de quem não dorme desde o último 1º de janeiro.

Lula vai se formar
Lula vai terminar os estudos: “Dilma sanciona lei que institui o Ensino Médio nas penitenciárias”.

Malucos!
Roubaram para pagar a reeleição da Dilma e um monte de pilantras e agora querem que paguemos o rombo do roubo com mais impostos? Estão malucos?

Conclusão filosófica
Falar mal do prefeito de Curitiba é falar mal do que não existe. Logo, usando da lógica pelo método confuso dos petistas, o mal é uma criação imaginativa, um esforço criativo metafísico e niilista.

Para viver bem
Cuidado com faca pelas costas, touro pelos lados e mulher contrariada pela frente!

Coveiro
O único trabalhador feliz é o coveiro: os usuários nunca reclamam da qualidade dos serviços e não proferem desaforos no SAC.

Bordados
Tatuagem é para os fracos, cabra macho manda bordar!

bordar

 

 

Patientia, fratres mei!

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Na pindaíba, UFPR entra em greve

ufprSem investimentos e com os impactos do ajuste fiscal do governo federal, os professores da UFPR entram em greve a partir desta quarta-feira, 12,  Segundo a própria UFPR, o impacto chega a 57,56% nos investimentos e 8,3% no custeio da instituição, ou 20,52% de corte de recursos no total.

De acordo com reportagem do jornal Metro, o Restaurante Universitário está sem carne desde o fim de maio e cortes na pós-graduação e nas bolsas em 50%. Em todo o país, já são mais de 40 instituições paralisadas.

Os servidores técnicos, por exemplo, já estão em greve há mais de 2 meses nas 67 instituições federais de ensino superior. Embora a adesão seja parcial no Paraná, o movimento deve ganhar força com a paralisação dos docentes. “Agora, com os professores, que têm impacto direto nas aulas, cresce a pressão ao governo”, comentou a diretora do Sinditest-PR, Carla Cobalchini.

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