Educação



Cida revela traições de Beto Richa

A candidata ao governo do Paraná Cida Borghetti (PP) continua se debatendo para livrar-se de vez do abraço de afogado de Beto Richa, que ainda se apresenta como candidato ao Senado por sua coligação partidária. Em entrevista ao Estadão, Cida diz que Beto faz voo solo em sua campanha e que se sente desconfortável em tê-lo ao seu lado. Na realidade, para Cida, o tucano pouco ou nada a estava ajudando, pois o coordenador de prefeitos da campanha de Beto Richa é o prefeito de Guarapuava, Cesar Filho (PPS), o mesmo de seu adversário Ratinho Junior. Isso explicaria em parte, a baixa capilaridade da candidatura de Cida em algumas cidades do interior, pois numa eleição para governador, o prefeito se faz um cabo eleitoral de primeira linha, fundamental para o sucesso de qualquer campanha.

Cida ainda aponta, até mesmo com certo alívio, que os principais secretários do governo Richa estão apoiando o Ratinho, o que, de fato ocorre, e lhe permite, em nossa opinião, apontar ao eleitor onde se encontra o joio dessa história de corrupção. Cida reforça o seu não envolvimento nos fatos apurados contra Beto Richa, pois na época em que eles ocorreram, o vice-governador era Flávio Arns, hoje também candidato ao Senado.  A candidata mostra ainda o “desprezo” de Beto Richa a suas opiniões quando exercia a vice-governadoria, ao dizer que Beto nunca a ouviu para indicar um só assessor: “nunca fui secretária, não tinha pasta ou local à mesa de decisão”.

Ontem, Cida pediu e sua coligação aceitou encaminhar ao TRE a retirada de Richa da chapa. Caso insista na sua candidatura, única tábua de salvação disponível no mar de denúncias em que se encontra, pois o cargo de Senador lhe dá imunidade parlamentar, Beto Richa pode arrastar de vez para o fundo não só a campanha de Cida Borghetti, mas também toda a chapa de deputados federais e estaduais.

A fortuna do PT
Oficialmente, PT declara que gastou até agora R$ 1,5 milhão com os advogados do Lula.

Leandre rouba a cena no PV
Militantes do PV do Paraná estão denunciando a candidata à reeleição Leandre de ter abocanhado sozinha R$ 1 milhão do Fundo Partidário e deixado os outros candidatos a ver navios. A campanha de Leandre é privilegiada pela direção do partido no rádio e TV, sobrando nada ou quase nada para os outros, isso sem contar o luxo da deputada ter cabos eleitorais pagos espalhados pelo interior do Paraná.

Leandre e a prestação de contas
Na última eleição o TRE bobeou e aprovou as contas da deputada Leandre sem maiores verificações, creio que nada custaria ao Tribunal usar uma boa lupa na prestação de contas da candidata este ano.

Candidatos sem espaço
Temos que começar a dar uma força para candidatos a deputado que nunca tiveram cargo e por isso não têm espaço nos partidos que privilegiam os medalhões, como no caso do PV.

Arns, o histórico
Fico pensando que moral tem o PT de criticar Flávio Arns, que já foi do PT!

Biotônico
Marina das Selvas diz que vai investir na geração de energia. É… para ela tá faltando mesmo!

Ciro, o previdente
Coroné Ciro Comes diz que vai investir em presídios. Previdente, vai que…

Gópi da Massa
O candidato a governador João Arruda (MDB-PR) protocolou nesta segunda-feira no Tribunal Regional Eleitoral um pedido de liminar contra a Rádio Massa FM. Arruda apresenta evidências de que a rede de rádios Massa FM está sabotando as inserções comerciais dele previstas na lei eleitoral.

Toffoli, o inconfiável
Não compraria um carro usado do Toffoli, por isso não confio quando ele diz que as urnas eletrônicas são “seguras”.

 

Não se esquece

 

 

Patientia, fratres!

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Marketeiros erram no uso da internet


Antes na do processo eleitoral ter se iniciado. afirmamos categoricamente que as eleições se definiriam nas redes sociais da inertnet. Marketeiros tradicionais (alguns ainda usam máquina de escrever) torceram o nariz e apostaram como de hábito no rádio e TV – se ferraram. Depois das últimas pesquisas, está claro que as redes sociais estão sendo o diferencial nesta eleição e serão muito mais nas próximas. A vetusta matriz de comunicação eleitoral rádio-TV – nem mais levo em consideração a impressa – trabalha a mensagem num único sentido, nela não há a possibilidade de se agregar conteúdos e, portanto, tornou-se enfadonha para uma geração que se acostumou a efetuar o feedbak não somente para o emissor, mas que também se transforma num emissor, gerando outros ruídos na mensagem e feedbaks ad infinitum, e isso num processo imediato, na hora em que recebe a primeira mensagem e de forma dinâmica – perdoe-me a linguagem matemática, na internet a coisa se dá de forma exponencial, assim (1 + 1 + 1…) elevado à enésima potência; no rádio e TV, será sempre o velho número absoluto obtido a partir de uma simples soma de audiências aleatórias, sem multiplicação alguma, a mensagem pode chegar ao sujeito (ainda não eleitor) e dificilmente vai além dele. Afora isso, temos que levar em consideração a baixa audiência desses programas, pois são chatos, e também a queda da audiência das TVs de sinal aberto.

Como disse, alguns marketeiros acordaram somente agora, faltando praticamente três semanas para as eleições, ao notarem que lutavam num campo de batalha com uma audiência no fastio e enjoo, falando ao vento. Reforçam a nossa tese, as falas recentes de boa parte das coordenações de campanha, que diz que há de se turbinar seus candidatos nas redes sociais, ao notar que o único candidato que praticamente não tem tempo de rádio-TV está disparado nas pesquisas e que o PT, que ainda tem alguma militância nas redes, consegue guindar seu candidato, mesmo que com muito atraso, ao posto de segundo colocado – a única diferença, e brutal, é que a campanha de Bolsonaro é mais sólida na internet e tem muito espaço para crescer em comparação com a do candidato do PT, pois os sucessivos escândalos de corrupção petista isolaram seus militantes, que alcançaram uma fadiga de discurso, o que os impede de falarem para mais gente, posto que foram isolados em seus próprios grupos, falando para eles mesmos, numa espécie de loop infinito.

Agora, vamos e venhamos, tentar montar uma rede eficiente nesta altura do campeonato para candidato morto e sem conteúdo, só para mágicos!

O carro usado de Toffoli
Não compraria um carro usado do Toffoli, por isso não confio quando ele diz que as urnas eletrônicas são “seguras”.

Mais parente de Richa
Marcos Traad (PSDB) é primo do Beto Richa, ele é candidato a deputado no PR.

Afogada
Cida Borghetti tenta de todas as formas livrar-se do abraço de afogado de Beto Richa, que não quer largar o osso e mantém candidatura ao Senado. Caso Richa não desista, Cida vai ter que assumir todo o desgaste decorrente das denúncias de corrupção.

Bandidos
Da cadeia, PCC comanda crime organizado no Brasil.
Da cadeia, Lula coordena campanha do poste.

Crime eleitoral
O TRE deveria verificar de quais cadastros estão saindo nossos telefones para certos políticos.

Iludidos
As ilusões que movem o ladrão:
Pensar que nunca será apanhado;
Que ele é o esperto e os honestos não.

Pronto, Merenda!
O Merenda se acha pronto. Pronto para roubar o povo brasileiro, é claro!

As barangas
“O grupo de barangas foi hackeado” – Clariço, o inspector, hacker de final de semana.

No hospício
Psiquiatra — Pode me contar tudo desde o princípio…
Paciente — Pois bem, doutor, no princípio eu criei o céu e a terra…

Artistas ou lambe-sacos
A arte é rebelde, não aceita governos, principalmente corruptos. O pretenso artista que empresta apoio a políticos só pode ser um lambe-saco conivente com a corrupção e pior, comprometido até o tutano com o status quo. Na realidade, falo dos “artistas do grande esquema”, os quais esperam em seus bolsos as migalhas que caem da grande mesa da sacanagem e imoralidade públicas por meio do mecenato do Estado, leis de incentivo à preguiça e renúncia fiscal. “Artista” que não vê que essa grana faz falta aos nossos hospitais, a nossa gente miserável, é um pilantra, não é um artista.

Progresso em Irati (PR)
Em Irati, as únicas coisas que prosperam são o restaurante e o posto de gasolina da deputada Leandre (PV) na beira da estrada.

Educação
É dever dos pais ensinarem aos filhos o repeito ao professor. E é dever do professor dá-se o respeito.

Sogro não é parente, mas atrapalha
Ao casar, escolha bem o seu sogro. Rá!

Niilismo
Dizem que nada falo dos candidatos do PT do PR. Meus irmãos, é foda falar sobre o nada! Nem filósofo consegue!

Rabo preso

Corrupto com o rabo preso
Procure o Gilmar
Para ter o rabo solto.

Fome na Venezuela

Ó homens, ó mulheres
Meus companheiros de infortúnio
Que atravessam esta estreita ponte
Estendida sobre o abismo profundo
Que liga o nascer ao morrer
Dizei-me vós, ó atordoados, explicai-me
Como é que essas podres e cínicas tábuas
Que nos sustentam
E essas finas cordas não arrebentam
Com o peso de nossos pecados?

Patientia, fratres!

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“Richa é líder de organização criminosa”, afirmam promotores do MP

Há leituras deveras muitíssimo chatas a se fazer nesta vida e jornalista é obrigado a ler tudo, até as letrinhas miúdas de bula de remédios para ratos. Entre essas leituras espinhosas, porém necessárias, estão as petições de advogados; a maior parte, hoje, escrava do “Control C e Control V” – raras em originalidade. Há ainda as sentenças e acórdãos que se fazem cópia de cópia. Ossos do ofício. Mas felizmente, de vez em quando aparece coisa boa neste garimpo diário. Informações claras, escritas no melhor português e, pasmem, objetivas, sem firulas para dizer que um bandido é um bandido, ou que um inocente é um inocente.Os promotores do caso Beto Richa foram diretos na acusação, que determinou seu martírio atrás das grades: “(ele) é líder da organização criminosa investigada e principal destinatário das propinas pagas pelos empresários”. Mais direto impossível, acusação dura e feita com toda convicção possível neste mundo permeado pelas meias-verdades e mentiras absolutas.

Baseado nisso e nas provas que se fazem incontáveis, o desembargador Laertes Ferreira Gomes, da 2ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça (TJ-PR),  negou o pedido liminar de habeas corpus ao preso Beto Richa, candidato ao Senado pelo PSDB, e da mulher e ex-secretária estadual Fernanda Richa. A defesa dele, no seu papel, vai recorrer ao Superior Tribunal de Justiça (STJ).

Caso não consiga sucesso em recursos, o casal continua preso em Curitiba pelo menos até sábado, mas há a possibilidade de que as autoridades peçam a prorrogação da prisão, o que acabaria de vez com qualquer sonho do grupo de Richa em sua eleição ao Senado, o que lhe garantiria o foro privilegiado e a oportunidade de enrolar a Justiça por mais um tempo.

Recurso à ONU
Tribunal de Justiça nega habeas corpus para Beto Richa. Só Zanin na causa recorrendo à ONU!

Rato protegido
TRE-PR não quer propaganda “negativa” contra Ratinho. Ora, o que há de positivo em quem babava ovo do preso Beto Richa?

O direito dos pais
Num país de escolas falidas e doutrinadoras, os pais não podem educar filhos em casa. Viva o STF!

Réu I
O candidato-réu Poste II do PT falando de combate a corrupção é a piada do ano!

Réu II
O réu Poste II promete federalizar o combate ao crime organizado. Rá! Joga contra a própria quadrilha!

Réu III
Gleisa lascou-se de vez. A amanta queria ser vice do Poste!

Monopólio da mentira
Proibiram as enquetes pessoais. “Justiça” reconhece que o monopólio da mentira é dos institutos de pesquisa oficiais.

Barangas
“Uma grupo com 1,2 milhão de feminazis. Mentem, o Brasil não tem tanta baranga assim” – Jandisclay, filósofo e sanfoneiro de zona.

Veganos terroristas
Não é piada. O governo francês prendeu “terroristas” veganos que invadiam açougues! Rá!

Sócios ocultos
Tem uns sócios do esquema Roldo-Richa do Palácio 29 de Março que já deveriam ir treinando comer na marmita.

Testemunhas

O espelho e a consciência
Despem qualquer maquiagem
E são testemunhas implacáveis
Do que tu és, do que te tornaste.

Patientia, fratres!

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Alvaro: “não se resolvem problemas à bala ou à faca”

Amargando cerca de 3% das intenções de votos, o senador Alvaro Dias (Podemos) e candidato a presidente da República, disse em sabatina  UOL que o Brasil não resolverá seus problemas à bala ou à faca. Temos que concordar com o candidato, pena que ele não tenha demonstrado isso quando foi governador do Paraná no final da década de 1980, ao repreender o movimento grevista dos professores estaduais com cavalos e bombas e polícia, deixando dezenas de feridos, em violência inexplicável.

Foi a primeira ação de Estado em que se apelou para a violência contra os professores e desde então, Alvaro é marcado no Paraná por este triste episódio. A data – 30 de agosto de 1988 – é guardada até hoje pelos professores paranaenses e desde então, nesse dia, não comparecem à sala de aula e realizam atos de desagravo.

Sabendo do efeito disso sobre sua imagem, Alvaro sempre tenta desqualificar o episódio – inclusive recentemente como fake news – mas sem sucesso. De minha parte posso garantir que aquela tarde de 30 de agosto aconteceu como uma prévia do inferno de Dante, pois eu estava lá, como professor e iniciando minha vida no jornalismo.

O aluno Richa
Recentemente, o ex-governador Beto Richa e candidato ao senado pelo PSDB do Paraná, seguiu os passos de Alvaro e mandou descer o cacete no professorado em situação semelhante.

Alckmin
Depois de começar a campanha com o pé no pescoço dos adversários, o Merenda diz que é da paz. Rá!

Boas almas
Advogados do esfaqueador receberam adiantado e não revelam quem pagou. Realmente, este mundo está cheio de boas almas.

Igreja não pagou
Pastora diz que o esfaqueador há seis anos não dá as caras na sua igreja e que ela não está pagando advogado algum para ele.

Atentado
O maior atentado que se pode cometer contra o PT e puxadinhos é atingi-los com uma carteira de trabalho.

Imortal 51
Meta para o detento 51, depois que ele aprender a escrever, disputar cadeira na Academia Brasileira de Letras, abriu vaga hoje.

Esfola
A Universidade Católica do PR deveria largar o ramo da educação e ficar só administrando estacionamento. Cobram que é uma beleza.

Perfume no estrume
Os candidatos do PT, PV e Rede são semelhantes a gambás que se perfumam e pensam que ninguém sentirá o podre cheiro.

Fogo no museu
Ministério Público, quando o relapso e criminoso reitor da UFRJ vai ser indiciado e preso?

Limpinho
Meirelles tem um bom currículo, serviçal de banqueiros e dos ladrões do PT.

Coitada
Marina das Selvas firme na campanha do coitadismo.

Minha família, minha teta.
Candidatos a deputado e parentes de políticos no PR, defendem a família, a própria, é lógico!

Não se engane
Essa candidata a reeleição Leandre do PV, não defende a Saúde, pelo contrário a explora em esquemas de convênios com as prefeituras.

Fumeiro e traficantes
O fumeiro do asfalto e o traficante do morro têm um inimigo comum: a lei. Entender isso, é entender as raízes da violência.

Maresia
Tem candidato a deputado estadual no Paraná que deveria usar pelo menos um colírio para disfarçar a maresia.

Pilantras
Não vote em político que esconde seu partido na propaganda. É pilantra dissimulado.

Nem aí!
A luz própria incomoda aos que vivem no escuro. Nem aí!

Meia-sola
Os maquiadores da candidata ao Senado Mirian pelo PT do Paraná fazem milagres, são muito bons, recomendo.

Itaipu
Nelton Friedrich, candidato ao Senado pelo Paraná, diz que se afastou da política – lógico, na mamata de Itaipu, qualquer um se afasta.

Tubarão do ensino
Esse professor Orovisto, também candidato ao Senado pelo Paraná, é tubarão do ensino e diz que vai defender a educação, rá, rá!

Martelo Paranaense

Este é um assunto para se falar,
Confessar pro padre e pedir conselho,
Por que na terra dos pinheiros
Não se canta cantiga de aboiar?
Não se canta cantiga pra igualar
Co’as cantigas do vaqueiro cearense,
Co’as cantigas do gaúcho riograndense?
Se já existe o martelo alagoano,
Por que não malhar poesia martelando
Pra ter o martelo paranaense? 

Gravura J. Borges

Patientia, fratres!

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Prisão imediata do reitor da UFRJ

Há discussões sobre tudo que pode ter causado o incêndio do Museu Nacional. A principal delas, a má gestão da Universidade dos seus recursos, os quais recebe do governo federal, já que tem autonomia para gastar as verbas. Uma bolada que o corpo diretivo da UFRJ gastava em tudo e deixava praticamente à míngua o museu que estava sob sua responsabilidade direta. E é isso que se está evitando discutir: a responsabilidade. O reitor e o corpo diretivo da UFRJ são os responsáveis pela destruição do museu e do patrimônio dos brasileiros, e portanto devem ser presos até que se apurem todos os crimes motivados pela notória, ululante, incompetência administrativa.

Para ilustrar conto aqui um episódio que testemunhei no Exército Brasileiro. Embora pertencentes à Arma de Artilharia, fizemos exercícios de Infantaria, num campo de treinamento próximo a Curitiba. Foi uma semana difícil, com nosso fardamento em lama. Voltamos para o quartel e verificou-se que um dos alunos, candidato a oficial, havia perdido uma baioneta. Como a baioneta era patrimônio da União, o aluno teve que voltar ao campo para revirar a lama até encontrá-la, caso contrário, abriria-se um Inquérito Militar que poderia ter graves consequências para ele, inclusive prisão e consequente expulsão da tropa. Por sorte, o aluno de Artilharia, depois de muito procurar, encontrou a baioneta. Tínhamos pouco mais de 18 anos e ali aprendíamos a grande lição de preservação daquilo que é patrimônio do povo, comprado com o dinheiro do povo.

No caso do Museu, não perdeu-se apenas uma baioneta, mas boa parte da história dos brasileiros, um patrimônio composto por milhares de peças, danos irreparáveis num prédio histórico, enfim, a maior tragédia que se poderia imaginar praticada por inaptos contra a pátria brasileira. Ora, esses sujeitos precisam ser punidos e exemplarmente, inclusive como exemplos para que isso nunca mais se repita. É isso que esperamos do Ministério Público e autoridades, ou consertamos este país, ou estaremos sempre nas mãos desses ineptos incapazes, semelhantes a esses encastelados na UFRJ.

Em cana
Como é que é? Reitor e seus asseclas decidem não repassar grana para museu que pega fogo e estão  soltos! Em país sério, esse reitor da UFRJ, incompetente e relapso, estaria em cana.

Pilantras
Quando vão se tocar que a Lei Rouanet só favoreceu vagabundo neste país? Fechem o Ministério da Cultura.

Patetas
Ministros da Cultura, Educação e reitor da UFRJ: troféu patetas pro’cêis.

Um caso de niilismo
Se o Nada fosse candidato ao governo do Paraná, seria eleito.

Um caso de família
O sobrinho e a rosa, a disputa pelo que sobra.

Traída
A máquina do governo e a prefeitada traem vergonhosamente Cida Borghetti.

A amanta
Se somar os votos do PT no Paranã, Gleisa não ganha nem para vereadora.

Rato
Viva o Paraná, candidato sincero não esconde que é Rato.

Mais pilantragem no dólar
Nada afasta a hipótese de que os institutos de pesquisas estão sendo usados por especuladores para faturarem com a alta do dólar.

Na carceragem de Curitiba
Até a candidatura do detento 51 está no nome de um amigo.

Rios mortos
Curitiba é uma cidade limpa; é que o lixo todo está nos seus rios mortos.

O meteorito vive
Tu que aqui arribaste, Bendegó
Depois de atravessar o sideral espaço
Eis teu propósito, em infame desastre
Ver nossa história em cinzas e pó.

Sem norte
Mas, se a soma das dores nos tira o norte
É preciso arrumar o bem na atrocidade
A fim de que se ria para se fingir forte.

A música
“O homem que não tem a música dentro de si e que não se emociona com um concerto de doces acordes é capaz de traições, de conjuras e de rapinas.” – William Shakespeare, in “O Mercador de Veneza”.

Patientia, fratres.

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A negligência ateou fogo no Museu Nacional

Depois desse lamentável episódio do incêndio no Museu Nacional, falar e em arte e cultura neste país, que foi governado por pelo menos uma década por apedeutas e ignorantes, mais preocupados com em buscar “verbas” para uma nova “cultura” imposta e política, duvidosa em sua conceituação e estética, é ter que apelar para certo niilismo. Como sempre, depois do leite derramado, procuram-se os responsáveis, inicia-se o velho jogo de empurra envolvendo os notórios e mesmos suspeitos: Governo, Ministério da Cultura, universidade e seus órgãos cabides de emprego.

A Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), a responsável direta, que recebe recursos federais e que não priorizava o museu, diz que a culpa é do governo de plantão. Ora, todos nós sabemos que as universidades federais viraram palco de disputas políticas, instrumentalizadas que foram pelo PT e outros partidecos esquerdoides que mamam em suas muxibas tetas, que consideram o início da história brasileira nas greves do ABC, no final dos anos 1970. Tudo que veio antes não vale nadinha, principalmente se for ligado à monarquia.

O bombeiro é o culpado! – O trágico mesmo, é ver o esforço desses negligentes em culpar os bombeiros pelo incêndio, a falta d’água seria a verdadeira culpada e não o descaso dos incompetentes. Como não rir e chorar diante de uma tragédia.

Pão e água – A UFRJ tratava o museu a pão e água, recebia verbas e repassava quase nada para a manutenção.

Crocodilos – Os militontos choram lágrimas de crocodilo e se esquecem que o PT “administrou” por pelo menos 12 anos o Museu e nada fez para melhorá-lo.

Lambanças – Como sempre, as tragédias brasileiras são feitas numa cadeia de lambanças de incompetentes no governo.

Cultura de merda – Enquanto o Ministério da Cultura cuidava da sofrível “arte” nacional, esquecia de nossa história.

Bendegó – Diretor do museu Nacional informa: meteoritos, o de Bendegó inclusive, resistiram ao fogo. Seria piada se não fosse trágico.

Ratazanas – Alguns prefeitos especuladores imobiliários da Região Metropolitana de Curitiba adoram ratos.

Carceragem

E agora, ladrão…
Sem candidatura
A vida lhe será dura
Mofando na prisão.

Como se vive – “Viva de tal maneira que tu possas olhar nos olhos de qualquer um e mandá-lo à merda!” – Mencken

Setembro I – Para uma vida equilibrada, talvez menos dura, há de se guardar no coração encantos e flores. Do contrário, seremos amargos!

 

Setembro II

Saudai este tempo em que viveis
Belo é Setembro
Soberbo é o jardim
As cores vivas dos roseirais
Olhai, com o coração amai
Pois, quantas vezes ainda
Vossos passageiros olhos
Poderão vê-los mais!?

Patientia, fratres!

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O filho do rato, a esposa e o sobrinho no Reino do Paraná

O povo do paranaense é vítima da maior armação eleitoral de toda sua história. Em conluio, os partidos locais  fizeram um grande acerto para manter os velhos clãs políticos dando as cartas neste reino distante, mas muito distante, dos pinheirais. Assim, sobra-nos escolher entre os piores, o menos ruim – sem sabermos se realmente vai ser escolhido quem vai governar de fato, posto que para tal acerto sabe-se lá o que foi compactuado nas frias madrugadas do Palácio Iguaçu: se é o marido da tia, ou o tio do sobrinho, ou o pai do júnior.

Os três são representantes da velha política no Paraná e sabiam que o povo não aceitaria esse vício de continuidade, principalmente em tempos de caça às bruxas, então, esse acerto prévio partidário se colocou como única opção de salvamento desses clãs que muito já abusaram da paciência dos paranaenses.

É um antigo teatro, uma fábula burlesca e troncha, que coloca esses clãs aparentemente em campos opostos, os quais encenam brigas que não existem, pois o objetivo não é lutar pelo povo, mas garantir para a família as sinecuras e tetas dos cargos. Assim, temos a certeza que graves problemas do Estado, por mais que prometam, não vão ser resolvidos nunca, porque todos estão acertados inclusive com os mesmos suspeitos apoiadores de sempre, notórios parceiros do tesouro estadual, cada vez mais vazio, ávido pelo suor dos paranaenses – elevados ao posto de bobos da corte – na majoração dos impostos, taxas, verdadeiras tachas no bolso do vulgo, e pedágios. Mas há de se perguntar sobre os outros candidatos. Ora, são os outros, como exige essa peça bufa, sem o devido sangue azul, possuindo densidade eleitoral de uma pena sobre o oceano.

Ontem, foi dado prosseguimento ao roteiro, com a divulgação da pesquisa do Ibope, que mostra para governador do Paraná Ratinho Junior (PSD) com 33% das intenções de voto. A atual governadora, Cida Borghetti (PP), 15%, João Arruda (MDB), com 5%, Dr. Rosinha (PT), com 3%; e Piva, do PSOL, com 2%. No senado, aparecem na frente o senador Roberto Requião (MDB) e o ex-governador Beto Richa (PSDB). Assim, vai caminhar essa comédia de final já conhecido e trágico, qualquer um que ganhe é a garantia da sobrevivência familiar, com os devidos arranjos pós-eleições, em que cada um ocupará seu lugar no reino até o próximo pleito no reinado.

A cara-de-pau do PT
O programa de governo do PT é de uma cara-de-pau sem tamanho. Promete tudo que deveria ter feito nos 12 anos em que roubou descaradamente os brasileiros.

Ataque de gás
Esse povo que come brócoli poderia nos poupar nos cafés da cidade. O Brasil é signatário do tratado internacional que veta bombas de gás. Zolivre!

Ladrões pedem respeito
A inversão de valores e princípios éticos chegou a tal ponto neste país, que ladrões, proxeneta, corruptos e indecentes se julgam no direito de exigir respeito do povo que roubam e esfolam.

Consideração
Considero meus amigos de verdade aqueles que não concordam sempre comigo e são capazes de discutir seus pontos de vista educadamente com argumentos sinceros e lógicos. O mundo das ideias precisa de discordâncias, caso contrário este planeta seria de uma chatice sem tamanho!

A falência da escola
Ao tratar indisciplinados com benevolência, ao esquecer que a disciplina é inerente ao processo educativo, ao imaginar crianças e adolescentes capazes de decisões sempre sensatas e justas, ao doutrinar em vez de ensinar, e ao chamar para si problemas que não são seus – logicamente, sem resolvê-los – a escola perde sua finalidade principal, que é a de educar para a vida. Por isso essa tragédia em nosso ensino, se é que podemos chamá-lo assim.

A falência de Calígula
Falido, o imperador romano Calígula mandou taxar as casas de tolerância e o imposto era pago por cópula. Chegou até transformar o palácio em inferninho e cobrava dos frequentadores. Não contente e ainda quebrado, resolveu cobrar imposto de todos que se aventuravam fazer amor, inclusive marido e mulher. Vamos taxar Brasília.

As lebres e o leão morto
Tão corruptos quanto Maluf, deputados jogam para o eleitorado em busca da reeleição, afinal, até uma lebre insulta um leão morto.

Pólio
Cientistas alemães alertaram, em 2013, que o vírus da pólio ressurgia na guerra da Síria e se alastraria. Não deu outra.

Jabuti cansada
Essa Marina das Selvas é um jabuti cansado. Ela não fala, se arrasta.

Farroupilha
Nada mudou: “O governo tem feito Tratados com potências estrangeiras contrários aos interesses e dignidade da Nação; faz pesar sobre o povo gravosos impostos; faz leis sem utilidade pública e deixa de fazer outras de vital interesse para o país” (Manifesto Farroupilha; 1835-1845)

Fumo de rolo

Dedilhado de viola
Cigarro de palha
Um céu apinhado de bunda-lumes
E corrupto na prisão
Eh, vida caipora
Eita, fumo bão!

Patientia, fratres meis.

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Um dia no orfanato de Campo Comprido, 1976, em Curitiba

Capítulo III

Os louquinhos

Sentei-me
num claro de tempo.
Era um remanso
de silêncio,
de um branco silêncio,
anel formidável
onde os luzeiros
se chocavam com os doze
flutuantes números negros.
F. G. Lorca

Formamos pela manhã. Eu continuava mal. Tivera hemorragia, perdera muito sangue. Felizmente, numa rara demonstração de sensibilidade, o funcionário Fausto, talvez por ter sofrido tanto pelo mesmo motivo, já que era desdentado, retomou sua alma ao diabo e tirou-me da fila do trabalho. Esse ato de misericórdia, quase me fez esquecer daquela surra covarde do primeiro dia e o roubo de minhas moedas. Eis o encanto de satã ao conquistar o ignorante: guardá-lo no vazio do não se saber. E quem não sabe de si, não sabe do mundo, nada pensa; sem ser demente, faz as coisas e não se dá conta do bem ou mal que está realizando.

orf1Enquanto o restante dos internos trabalhava, os louquinhos e os inválidos ficavam soltos no pátio, a perambular de um lado para o outro, ou sentados, às vezes mudos, às vezes falando barbaridades desconexas. Sentei-me à sombra de um jasmineiro. De lá foi possível observar um por um dos penados esquecidos por Deus e seus prestimosos auxiliares.

Zé Coqueiro, um autista, corpo de faquir indiano, de cócoras justificava o seu apelido. Sorrindo o doce sorriso dos alienados, o Zé desenhava numa rapidez incrível coqueiros com as pontas dos dedos na terra fofa. Terminado o coqueiro, ele o apagava imediatamente e num ato contínuo, outro coqueiro desenhava; milhares de vezes, infinitas vezes.

O autista, abandonado pela família, deveria ter uns 15 anos e nunca recebera uma visita. Zé, porque não possuía registro civil. Coqueiro, sua assinatura para o mundo. Nem mesmo a assistente social desconfiava qual seria o seu nome verdadeiro. Um dia ele deve ter aparecido ali, transportado igual a um porco num carro de polícia ou ambulância, sem defesas e comunicação, como quase todos os louquinhos que estavam “estocados” naquele armazém de alienados.

orf2Albino e com feridas na pele, se chegou para perto de minha árvore o Treme-treme, menino da cabeça quadrada e olhos miúdos. Frank, como também era chamado, sofria de algo que eu nunca tinha visto. Involuntariamente, os seus músculos descontrolados o faziam tremer todo.

“A…me…a…meu…”, balbuciava o infeliz e não passava disso, porque os músculos de sua face repuxavam e seu corpo tremia. Depois sorria e voltava a tremer, molhando-se com a própria urina e lambuzando-se com a merda que escorriam pelas pernas.

Novo na escola, Pinguim era entrevado. Também próximo de mim. com os pés virados para dentro, ele andava passinho por passinho. Não falava, apenas ria (o riso é a única propriedade dos loucos), exibindo restos de comida nos seus dentes acavalados.

“Punheteiro”, gritava um interno que passava.

“Filho da puta”, respondia aos berros o Sorvete, demente solitário que se escondia por detrás das árvores. Ali estava a única expressão possível de se ouvir da boca do pobre diabo. De resto, creio que Sorvete não sabia falar mais nada.

Badu, negro, deficiente mental (agia como se tivesse 12 anos, embora fosse adulto), muito alto e forte, fazia-se defensor do Sorvete, assim como de todos os louquinhos. Bastava mexer com um deles e a resposta vinha na hora: um tijolo ou pedra sibilava por nossas orelhas, sem direção, pegasse em quem pegasse e a vingança estava feita. Por sorte, naquele dia, o tijolo não atingiu ninguém.

Mesmo entre os louquinhos tínhamos líderes. Os goiabas mais antigos e com, digamos, alguma “inteligência” mandavam nos mais novos. Badu e Joaquim Maia estavam nessa condição e recebiam tratamento diferenciado dos outros louquinhos e até mesmo dos funcionários. Para termos uma ideia do nível mental dos dois, basta saber que eles ficavam muito tempo no portão da escola num jogo absurdo. Joaquim Maia, de costas para a rua e para os carros que passavam, gritava o nome de uma cor:

“Verde!”.

“Vermelho!”, adivinhava o velho Badu.

O carro que passara não era verde nem vermelho, tinha outra cor qualquer. O interessante ainda é que este jogo de malucos não havia pontuação nem ganhadores. Depois de horas jogando, os dois simplesmente iam embora. Não sabiam contar.

Joaquim Maia tinha uns 30 anos, barrigudo e quase anão, sofria de epilepsia, com cardápio variado de ataques, que variava desde o convencional até uma grande corrida que terminava no alto de alguma árvore. Pensei que o louco exagerava e fingia, mas um dia ele teve dois ataques seguidos. Correu, trepou num pinheiro alto e lá em cima começou a se estrebuchar. Caiu, sangue para todo lado e fraturas expostas.

Esses eram os loucos permanentes, os da casa. Às vezes apareciam novos, surgidos sabe deus donde. Os marmanjos urinavam e cagavam na cama. Fediam por falta de banho.

Os aleijados, vítimas da paralisia infantil, viviam com os loucos. Os “motoqueiros”, assim chamados pelo uso das muletas, revelavam quase sempre a mesma história. No princípio, tratados pela família e parentes. Depois internados em hospitais e mais tarde abandonados no orfanato.

orf3Não obstante suas deficiências, os motoqueiros demonstravam-se muito unidos e procuravam desenvolver atividades e propunham a si mesmos desafios. Assim, muito antes do Poder Público esboçar qualquer projeto de esportes para deficientes, eles se reuniam e disputavam jogos de futebol. As muletas de madeira se chocavam com violência e os que tinham apenas uma perna, envolta pelo metal dos aparelhos, arriscavam chutes na bola de meia ou borracha. Jogávamos com eles e os tratávamos como iguais, inclusive no trabalho e até mesmo quando o assunto era porrada. Eles brigavam entre si e com os outros internos. Desse costume, só posso dizer que uma muletada no pé do ouvido dói bastante.

Em número reduzido, existiam também os totalmente inválidos, praticamente paraplégicos, vítimas da poliomielite. Braulino, um deles, mais velho do que os outros, usava óculos modelo fundo de garrafa. Como só tinha movimento nos braços, uma armação de ferro sustentava-o. Duro, andava de muletas e demorava horas para vencer alguns metros. Não tomava banho e cheirava mal. Também, como se livrar daquele esqueleto esquisito? Sem o que fazer, ele vivia sentado no jardim, e com o nariz encostado na Bíblia pregava absurdos apocalípticos, misturando apóstolos aos profetas e emendando textos para dar maior drama ao que falava.

Não faz muito tempo vi o Braulino, cabelos brancos, esmolando nas ruas de Curitiba. Vivia por certo seu próprio apocalipse e de mãos estendidas esperava o final do mundo que, segundo ele, terminaria numa infernal fogueira.

Tentei várias vezes fazer uma escala de intensidades para o abandono. Tenho muita prática nesta praga que nos sufoca o espírito. Qual deles seria o pior e qual deles seria o menos grave? Inútil qualquer resposta. O abandono é isso: abandono. E a escala se faz no coração do abandonado e na consciência atormentada de quem abandona. Ao analisar minha história e de centenas de meninos que viriam a conviver comigo, conclui que as famílias, os pais ou responsáveis legais, ao abandonarem seus filhos podem ser guiados a mais das vezes por três motivos básicos: o econômico, desajustes familiares e preconceitos sociais. Esses motivos não raro aparecem juntos. Veja bem, eu parto de observações puramente empíricas que me chegaram aos sentidos, sem a ciência dos números e estatística, desprezando as variáveis psicológicas, que por elas mesmas dariam um grande tratado para um pesquisador que esteja disposto a executá-lo.

Os mais comuns de serem encontrados num orfanato são os abandonados por motivo econômico combinado com o desajuste familiar. É o pai e a mãe que não têm como sustentar os seus, por falta de trabalho ou renda, além de uma grande dose de ignorância provocada pela baixa escolaridade. Na falta de recursos econômicos, os laços que unem o frágil núcleo familiar simplesmente são rompidos, seja pela fome, seja pela miséria, depressão ou loucura decorrentes. Imediatamente, os membros dessa família são empurrados para a marginalidade, delinquência, alcoolismo, drogas e agressões mútuas. O próximo passo é a desagregação familiar. Os adultos, quando não presos ou mortos, somem pelo mundo, deixando sua prole ao deus dará. Note, caro leitor, que aqui falo da família comum, com papéis bem definidos de pai e mãe. Mas o mesmo se repete, e de forma mais dramática, em proles sustentadas apenas por um desses atores.

Nos desajustes familiares também incluo as causas naturais como a morte ou doença dos provedores e ausência de parentes e amigos da família para a adoção. Mas esses são casos raros nos orfanatos, se comparados aos anteriores. Dos internos que conheci, poucos se diziam realmente órfãos.

Por último, temos o preconceito social. É a mãe solteira que por motivos “morais”, religiosos, ignorância — a própria, dos seus pais ou companheiro — insiste na gravidez e é obrigada a abandonar a coisa que se fez em seu útero. É a gravidez indesejada de mulheres adolescentes ou das que caíram na vida. É o patrão que dormiu com a funcionária, amante ou empregada e para amenizar o escândalo força a mãe a entregar seu bebê para instituições de caridade.

Assim, creio, que é muito difícil de se saber qual dos abandonos é o menos cruel. Todos têm um grande grau de crueldade que culmina numa culpa tremenda naquele que abandona e um enorme complexo de rejeição no abandonado.

Felizes eram aqueles alienados que não tinham consciência de suas condições. Pobres aleijados que se sabiam punidos duas vezes pelo terrível crime de terem nascido.

Naquele tempo brutal, sempre ao final do dia, como já era costume, ônibus despejavam levas de meninos na escola. Não eram fujões e sim órfãos vindos de outras instituições, geralmente religiosas, que haviam completado a idade de 10 ou 12 anos. Prudentes e pudicas, as freiras só cuidavam de seus órfãos masculinos até o início da adolescência. Por certo, evitavam assim o apego demasiado e outros pecados menores.

No internato, esses meninos tinham singular comportamento. Dóceis, raramente desobedeciam, acostumados que estavam com a orfandade. Eles se tratavam como irmãos, posto que se conheciam desde o berço. Dispensados do rito de iniciação, logo esses guris estavam o uniforme da 1ª Cia e brincavam descontraídos misturados aos outros no pátio.

Mais tarde fiz amizade com alguns deles que atendiam por apelidos numerais. Assim tínhamos o “Trinta” e o “Vinte Oito”, números pelos quais foram identificados nos antigos orfanatos. Os dois, um Manoel e o outro Manuel, sentaram praça na Marinha de Guerra ao deixarem o internato de Campo Comprido, isso muitos anos depois.

O Trinta contava que não conhecera a família. Desde nenê no orfanato das freiras, entrava seguidamente na fila de adoção. Negro, sempre preterido. Os casais que por lá costumavam procurar “filhos” davam preferência aos brancos e loirinhos. Dizem que o marinheiro morreu em serviço ao tentar salvar pessoas que se afogavam no rio Paraná. Não duvido, ingênuo, perverso às vezes, possuía grande alma.

Antes do jantar, os funcionários fizeram os arranjos para dar equilíbrio às companhias. A terceira e quarta contavam um número reduzido de alunos, com muitas camas vazias, ao passo que as outras duas companhias estavam lotadas com os novos que não paravam de chegar. Muitos foram promovidos.

orf4As vagas na terceira e quarta companhias apareciam porque os que completavam 18 anos deixavam a escola. Esse processo demonstrava-se tão doloroso e incerto quanto o de entrada no orfanato. Todos os anos formavam-se dezenas de sapateiros, alfaiates, gráficos e padeiros, com um nível de escolaridade muito baixo. As assistentes sociais arrumavam-lhes emprego. Ainda na condição de internos, esses rapazes ficavam por ali por mais três meses até juntarem algum dinheiro. Depois eram encaminhados para uma modesta pensão particular, com direito a simplório enxoval: lençóis, fronha, duas camisas e uma calça.

Desamparados, recebendo salários miseráveis, solitários, desajustados e extasiados com a repentina liberdade, os egressos do orfanato praticavam besteiras. Perdiam o emprego, roubavam e acabavam presos em menos de um ano. Poucos eram os que realmente encontravam um novo caminho na vida. Acompanhávamos as notícias que vinham lá de fora e ficávamos inseguros quanto ao nosso futuro, se é que assim poderia ser chamada aquela desgraça anunciada.

Não é à toa que alguns internos tentavam não deixar o internato, mentindo a idade e fingindo insanidade mental, caso do João Louco, que todo mundo desconfiava que não era louco porra nenhuma, mas vivia entre eles. Tínhamos vários alunos em condições semelhantes. Velhos, alguns com mais de 30 anos, que procuravam em si alguma utilidade para o sistema montado na escola. Os “peixes” da direção realmente eram úteis. Funcionavam como amortecedores entre o peso da ira dos funcionários e a nossa fragilidade, assumindo funções de monitores ou até mesmo de servidores contratados. Três deles eram muito antigos na escola, com direito a salários e moradias especiais.

Valtinho morava próximo à horta com a família, mulher e dois filhos. Magro e pequenino, contava uns 55 anos de idade e ainda jogava muito bem futebol, um craque. Ele dedicava-se aos serviços gerais, encanamentos, reformas, etc. Nas horas vagas, cuidava de pequena horta e de seu galo de briga, que um dia roubamos e cozinhamos com abóbora (ficou um horror, a carne dura dispersa numa gosma aguada doce e amarela; fome ignora os olhos, e comemos tudo). Ele nunca descobriu quem foi, mas garanto que caso isso ocorresse sua vingança seria medonha, dado o apego de Valtinho ao bicho.

Zelas, o zelador, contemporâneo de Valtinho quando esteve internado, sofria de epilepsia. Morava num cubículo imundo do lado da 4ª Cia. O material de limpeza que estava sob sua guarda se misturava a roupas e pertences embolados por sobre a cama repleta de manchinhas de sangue das pulgas esmagadas. Contrariando o nome e a função, Zelas não zelava por nada, já que os imundos banheiros teoricamente estavam por sua conta e pelo estoque de desinfetantes, pastas vassouras e sabões em seu quarto, via-se que o problema de higiene na escola não era a falta de produtos de limpeza, era preguiça mesmo. Vivia batendo papo, defendendo posições absurdas em discussões vazias com alunos e outros funcionários. Contava-se que fora noivo e que abandonou a ideia de casamento depois que descobriu que a noiva era fã do Tarcísio Meira. Numa noite ao visitar sua futura senhora, ele foi solenemente ignorado até o término do capítulo da novela. Nunca mais voltou. Sorte da moça.

Venâncio, o homem manco, com a boca meio torta, exercia a função de almoxarife. Quieto, realmente triste, morava num quartinho isolado. Escravo de doenças, logo após minha chegada morreu. Acompanhamos o enterro. Naquele dia de chuva, o caixão simples desceu à cova sem choros e lamentações. Parente algum deixou na tumba suas lágrimas. Viveu órfão, morreu órfão.

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O golpe do PT nas universidades

As universidades federais estão apinhadas de petistas nos cursos de humanas, sobremodo História e Filosofia. “Geniais”, useiros e vezeiros das sinecuras das bolsas para “pesquisa”, pagas pelo imposto do proletariado que rala nas fábricas, esses burgueses, doutrinadores, revoltados com a defenestração de seus deuses do governo, bolaram essa disciplina sobre o suposto golpe político na Dilma et caterva. Rá, juízo de valor já no próprio nome da cadeira, seus mamadores das tetas públicas! “Sine ira et studio”, é o lema de Tácito ao evocar a neutralidade dos historiadores perante os fatos históricos, mas esses enganadores nunca leram Tácito, para que gastar o latim com eles, não é verdade? Vamos rir diante de tal sandice, como recomendava nosso grande poeta Vergilius, ou Virgílio, para os íntimos da verdade e da lusitana língua.

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Meditações diante do Ovo de Páscoa

Eis a vida como a entendo e como a vejo, pequenas partículas de areia a se juntarem na soma de nossas horas. Vi meu mundo e do meu mundo apenas o pedaço que me coube, nada além disso.

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Dos deuses
Poucas são as coisas que, ainda, me causam espanto nesta vida. Uma delas é a coincidência, ou congruência, dos eventos aparentemente desconexos. Os deuses têm vocação para dramaturgos e por anos desencadeiam fatos que só tomam sentido quando se cruzam na linha do tempo.

Das paixões
A mais das vezes, o coração transtornado é um acelerador da sucessão dos eventos que determinam grandes tragédias. Junte-se a isso desejos secretos, ciúmes, paixões irracionais, segredos nunca revelados e teremos aí o material que é feito o caldeirão do inferno.

Da loucura
A loucura é outro grande mistério que nos fascina. Há os que nascem dementes. Mas, há outros que ficam insanos aos poucos. Nascem e vivem por um tempo aparentemente com bom juízo, mas são apanhados por algum infortúnio, uma faísca a incendiar o inferno, que os empurram para o abismo espiralado da alienação. Caem, caem e caem nele continuamente, até desaparecerem como seres humanos.

Da pobreza
A pobreza tem suas virtudes, uma delas é forjar corações endurecidos. A luta pela sobrevivência marca indelevelmente a infância das crianças que não compreendem muito bem a diferença entre os que têm e os que não têm recursos.

Da recompensa
Faz o bem para o bem do teu fado
E tua alma se sentirá recompensada
Mesmo que tu não escutes o obrigado.

Do coração
Joga fora o que tu pensas amar e não te ama
Teu coração é o templo das coisas puras e boas
E não quartinho de despejo para velhas tralhas.

Dos ingratos
Eu trago as mãos estendidas
Como quem oferece o pão
Feito de verdade e poesia
Para quem tem paz no coração
E aos ingratos em tormentos
Ofereço o silêncio do perdão.

Dos medíocres
Creio na evolução dos seres. O medíocre, por exemplo, inevitavelmente há de se tornar um tolo completo e, sem modéstia, alcançará a glória dos estúpidos.

Patientia, fratres mei! Felix Pascha!

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