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Brasil tem quase 900 mil presos

No final de 2018, a estimativa do governo federal era que o Brasil tinha 842 mil presos. Esse dado consta da 29ª edição do Relatório Mundial de Direitos Humanos, divulgado hoje (17) pela organização não governamental Human Rights Watch (HRW), que analisa a situação de mais de 90 países.
“A superlotação e a falta de pessoal tornam impossível que as autoridades prisionais mantenham o controle de muitas prisões, deixando os presos vulneráveis à violência e ao recrutamento por facções”, analisa o documento.
Dados de janeiro do mesmo ano, nos centros socioeducativos, estavam 24.345 crianças e adolescentes cumpriam medida de privação de liberdade. (Informações Agência Brasil)

O mandante
Os 120 dias gastos até agora foram poucos, a Polícia Federal (PF) pediu à Justiça Federal em Minas Gerais mais 90 dias para encerrar o inquérito que apura quem são os responsáveis pelo financiamento da defesa de Adélio Bispo, autor do ataque contra o presidente Jair Bolsonaro durante a campanha eleitoral do ano passado.

O mandante II
De acordo com o procurador autor da denúncia, Adélio Bispo planejou o ataque com antecedência de modo a excluir Bolsonaro da disputa. A defesa de Adélio afirma que ele agiu sozinho e que o ataque foi apenas “fruto de uma mente atormentada e possivelmente desequilibrada” por conta de um suposto problema mental.

Bacon
“Desisti da humanidade… Preocupam-me os porcos e somente os porcos. Não saberia viver, em tal estado das coisas, neste vazio existencial do século vinte e um, sem uma boa porção de bacon ou torresmo”. Profunda análise existencialista do Jandisclay, filósofo e sanfoneiro de zona, ontem, no Bar do Espiga.

Jus
Não há Justiça
No Direito torto.

Erros
Três erros nesta curta vida:
Querer segurar o vento
Querer parar o tempo
Crer verdadeira a mentira.

No Verão
Um verso que lembra a Primavera
Se finge de colorida borboleta
E arrodeia-te pedindo teu aroma de flor.

Fuzilamento
Certeiro como bala perdida lá na vila
Teu olhar, mulher, tem qualquer coisa de fuzilamento
De apelo para o último pedido.

Contrastes
O Sol alegre lá fora
Meu coração triste aqui dentro
Ó vida, como adoras contrastes!

Poeta tem posse de alma.

 

 

Patientia, fratres

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A vida é teima do tempo

É, minha amiga, pelo áspero caminho
Chegamos a este tempo
Porquanto, quantos ficaram
Desesperançados
E aqui não chegaram

Cansados, talvez
Sem consolo, talvez
Gastos, certamente
Pelo caminho ficaram

Dá-me teu braço, amiga
O adiante nos chama
Ignorando nossas gasturas
Em miragens nos oferecendo tolices
Enquanto nos doira a realidade

É teima do tempo, amiga
Esta doida vida

É teima minha, querida
Ter teus braços
Teus passos
Juntos aos meus.

A canga
Ajeita a canga
Dos pesos que ganhaste no lombo
Novo ano
Mas o caminho é o mesmo.

Criança
Amanhecer e renascer todos os dias.
Olhar este mundo com olhos de criança,
Com a curiosidade de criança
E, principalmente,
Com a alegria de uma criança.

Vento na janela
Há um vento que sopra em minha janela
Veio da madrugada e do teu coração em festa
Tem tua voz e sussurra a paz que pediste em prece.

O que importa é simples

Sou um caipira letrado que não se esqueceu da dureza da terra a qual capinou e que por isso ainda se encanta com a semente que se arrebenta e se faz flor e se faz alimento; com as cores dos ipês, com a imponência dos pinheiros, com o cantar dos passarinhos, com a beleza das borboletas e joaninhas. Meu viver é bruto, feito pelas asperezas das labutas de sol a sol. Mas, do lado do fogão à lenha, no peito trago o coração que se derrete como vela que brilha na escuridão, ao ouvir uma viola, ao amar o simples e verdadeiro que emana dos que comigo vão sem ver importância onde vai dar esse caminho, cada vez mais estreito e repleto de saudades.

 

 

Patientia, fratres!

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Folha de S. Paulo não é isenta, é o reduto do atraso

ITAPOÁ (SC) – Coberta com o curto manto da isenção, da ética e dos novos costumes “recomendáveis”, embora duvidosos, a Folha de S. Paulo construiu seu marketing de jornalismo “isento e combativo”. Balela. Nos últimos 16 anos, a Folha não passou de um panfleto de luxo do PT e puxadinhos. Um cagatório de regras do politicamente correto do perfeito imbecil.

Agora, no governo Bolsonaro, a Folha vai ter que admitir realmente o que ela é, um jornal empenhado na oposição e, portanto, responsável por dar vazão ao contraditório, mesmo que esse contraditório não seja de boa intenção e fonte. A ordem será, como está sendo, encontrar cabelo em ovo para desmoralizar qualquer tipo de política, pensamentos, ou ações que fujam da cartilha do atraso que sempre seguiu e jura ser o suprassumo da modernidade (ou pós-modernidade, para os “intelectuais” mais frescos).

Resta saber se a Folha vai ter cacife para bancar a brincadeira. Fazer oposição não é para amadores ou iniciantes nesta arte. Fazer oposição é manter os ideais do jornal com criatividade para cobrir  a falta de anunciantes, da iniciativa privada e das tetas estatais. É trocar o caviar pelo pão e água. É ser autêntica sem a maquiagem do marketing barato.

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Posse sem bandidos
Petista não vai na posse de Bolsonaro. Muita polícia no pedaço. Começar o ano preso não é uma boa.

Não escapam
E aqueles pilantras da grande usina, dos bancos tetais, das comunicações fraudulentas, pensam que vão escapar? Aproveitem essas derradeiras férias de final de ano.

O Natal
Aos hipócritas: o Natal já acabou, voltem ao normal.
Aos puros de coração: o Natal é todo dia.

Estática
Ide, elétrons
Navegai o ciberespaço
E dizei a ela
De minha estática saudade.

Novo velho
Ano Novo
Velho homem.

Feliz minuto novo
Olhem ao redor próximo e sintam
Que a verdade está neste minuto,
Que a esperança está neste minuto…
No anterior já não somos mais,
Assim como não somos no seguinte.
Feliz Minuto Novo, eis o que vale!
Um ano inteiro é apenas promessa
Que pode enganar nossas almas.
O que vale mesmo é este minuto
Em que podemos amar e sentir a vida!

Patientia, fratres!

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A falência do modelo sindical pelego e atrelado ao Estado

José Fernando Nandé

 

As relações Capital e Trabalho são inerentes ao modo de produção capitalista. Não há nação desenvolvida neste mundo que não observe com respeito esta coluna de sustentação e equilíbrio do sistema. Entretanto, no Brasil, essas relações nunca estiveram tão enfraquecidas como neste início de Século. Chegamos aqui a um sindicalismo moribundo –  ou seja, absolutamente nada representando além de si mesmo, ao ter apostado em governos que muito prometeram à nação e somente entregaram a ela a corrupção, a desordem nas contas públicas, o esfolamento dos brasileiros com alto impostos para manter uma máquina pública falida, burocrática e inoperante e o desalento do desemprego decorrente da baixa produtividade de setores empresariais.

Os motivos para essa tragédia estratégica da representatividade sindical , como veremos a posteriori, são muitos, mas que, em essência, prendem-se ao modelo equivocado de sindicalismo adotado no país, anacrônico e distorcido ab initio, o qual o transformou em fábrica de pelegos cooptados e tutelados pelo Estado, nas negociatas políticas e relações nada republicanas que se estabeleceram. Por isso, são hoje os sindicatos, em sua maior parte, “empresas de serviços” que enriquecem seus dirigentes, patronais e laborais, formando assim uma casta que negocia e assina acordos, mas sem representarem o que dizem representar, num jogo de faz de conta absurdo.

Historicamente, não há como negarmos as anomalias na gênese de boa parte dos sindicatos e respectiva estrutura, no Brasil, sobremodo com a industrialização da primeira metade do século passado. Estrutura sindical inspirado pela Carta del Lavoro (1927) do fascismo de Mussolini, adotada quase que ipisis litteris pelo ditador Getúlio Vargas, neste subcontinente tropical de tetas secas. Assim nasceram nossos sindicatos, rendendo culto à personalidade, ao grande “pai dos pobres”, alimentado pelas migalhas que caíam da mesa do Palácio do Catete e servido pela máquina estatal, por meio do Ministério do Trabalho, que acomodava os pelegos em sindicatos, federações e confederações, com reflexos na Justiça do Trabalho. E assim, ainda nos mesmos moldes, dá seus últimos suspiros.

Por ter seu cordão umbilical ligado ao Estado, sempre aparelhado por partidos, ignorando seu caráter plural, o sindicalismo brasileiro pagou alto preço com João Goulart (presidente e ex-ministro do Trabalho) que tentou ações tardias e desesperadas de sustentação a seu governo que caía de podre. O Movimento Militar de 1964, em parte, se justifica nessas ações desastrosas de Goulart. Com isso, sabendo como funcionava o sistema, não foi difícil para o Movimento subsequente aperfeiçoar os métodos para manter os pelegos sossegados, inclusive com a nomeação de interventores em alguns sindicatos, os quais ameaçavam criar problemas indesejados.

Entretanto, a partir do final dos anos 1970, com as greves do ABC, o sindicalismo esboça alguma reação, inclusive com o combate aos seus principais problemas, declarando guerra ao peleguismo, aos interventores, à estrutura verticalizada imposta no sistema confederativo. As principais palavras de ordem, que chegaram até a coincidir com o período constituinte, eram: “fora pelego”, “não ao Imposto Sindical”, “por  uma Central dos trabalhadores” e “adoção da Convenção 87 da Organização Internacional do Trabalho (OIT)” – diretriz que permite, em última análise, a livre organização dos trabalhadores sem a interferência ou normatização estatal, concedendo até mesmo a representação sindical dos funcionários públicos, acolhidos, à época, por associações de cunho recreativo.

De fato, essas palavras de ordem produziram efeitos, parciais, é verdade. Em pouco mais de uma década, pelos sucessivos movimentos paredistas, com auxílio de grandes escritórios de advocacia e partidos, os antigos pelegos foram derrotados em eleições ou simples destituições. Mas o avanço ficou nisso. À medida que os sindicatos eram ocupados por essa nova onda “progressista”, nada das palavras de ordem iniciais se efetivaram.

A partir da Constituição de 1988, com a “esquerda” satisfeita ao ocupar os sindicatos e o parlamento, verificou-se que a antiga estrutura ficara praticamente intacta, federações e confederações de trabalhadores e patrões continuaram a se servir do Estado, por meio de descontos compulsórios e o famigerado Imposto Sindical. Com a Carta Magna, os funcionários públicos ganharam representação de sindicatos. Representação nascida sob o manto de partidos, tornando-se, portando, braço ideológico partidário, apoiada na estabilidade do emprego e numa legislação que não cobrava responsabilidades desse setor.

Além disso, apareceram as Centrais Sindicais para repartir o bolo e pretensamente dar direcionamento às lutas dos trabalhadores. A Convenção 87 foi ignorada e o Ministério do Trabalho ainda continua funcionando como cartório de registro sindical, nas reservas do mercado representativo classista.

Em paralelo, a Justiça do Trabalho continuou a exercer seu papel e regula movimentos paredistas por meio dos dissídios coletivos e aplicação das leis de greve. Boa parte dos sindicalistas abandonou o chão de fábrica e assumiu a burocracia sindical e de Estado, numa perspectiva de rentável e cômoda carreira “profissionalizada”, a qual, mormente descamba para o peleguismo tão prejudicial aos trabalhadores quanto o foi com Vargas e outros governantes posteriores.

Depois desse ensaio de renascimento, já nos governos Sarney, Collor e FHC, estruturado, o movimento sindical caminhou novamente para sua efetiva submissão ao Estado, com suas lideranças guindadas a postos políticos num movimento de cooptação de lideranças que atinge seu ápice nos governos de Lula e Dilma, com enorme impacto nas estatais – em destaque as que sofreram com a corrupção, como os Correios e a Petrobrás, por exemplos. As greves, principalmente no setor privado, ficaram escassas e as reivindicações salariais se diluíram nas águas dos interesses difusos das minorias e das Ongs, produzindo acordos sofríveis para quase a totalidade das categorias.

Dessa forma, chegamos aos nossos dias, com 12 milhões de tralhadores desempregados, com a precarização das condições de trabalho, com a diminuição de salários e com os sindicatos totalmente desacreditados, sem bandeiras unificadoras. Há de observar que, junto com os partidos políticos, desde de 2013, os sindicatos foram colocados fora do jogo dos movimentos das grandes massas, que se mobilizaram por mudanças no país. Não se registra um único sindicato laboral que tenha se notabilizado na participação efetiva nessas manifestação,  assim como qualquer partidos dito de esquerda ou social-democrata. As massas esnobaram seus pretensos líderes, pois os identificaram com o status quo; buscaram novas lideranças, fora das antigas estruturas e se utilizaram para isso de mecanismos paralelos para sua própria organização por meio das redes sociais. De repente, o velho panfleto e a imprensa sabuja já não conseguiam motivar ou alterar os ânimos da opinião pública.

Hoje, o sindicalista – aquele raro, com algum espírito classista – deve estar se perguntando como reverter isso tudo, como voltar a ter voz e representar os trabalhadores de fato? – Ora, vamos abordar essas possíveis soluções em outros artigos, mas adiantamos que, o país caminha a largos passos para o liberalismo econômico, em que as relações de trabalho são determinadas não somente pelo toma-lá-dá-cá empresarial e governamental, mas pelo conjunto dos avanços tecnológicos fabris – há um robô nas fábricas! -, pelo mercado nu, sem enfeites fora da livre concorrência, nas novas formas de se comunicar e nas novíssimas relações sociais decorrentes, mui diversas das conhecidas até agora.

É um caminho sem volta, lutar contra ele será portar-se como quixote, apoiado num sistema que já não corresponde ao nosso tempo, pois ficou preso à década de 1940. Há de se refletir, se reinventar e agir.  Por fim, fugir desses modelos do atraso que tantos males causaram à nação brasileira. Fora isso, é continuar esmurrando ponta de faca, ignorando a cru realidade do mundo do trabalho e sua dinâmica que se acelera.

José Fernando Nandé – Bacharel em Comunicação Social – Jornalismo, graduado em Matemática e pós-graduado em Economia do Trabalho (UFPR).

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Dos anúncios sem noção que atrapalham o blog

Aos amigos leitores, leitoras, que reclamam dos anúncios que estão atrapalhando a leitura neste Blog, peço um pouco de paciência, pois já comuniquei aos responsáveis no jornal, em Maringá (escrevo de Curitiba) que não fica legal ter uma oração católica, ou um artigo, interrompidos por anúncio de pomada para hemorroida, ou outro qualquer. Quando comecei este blog neste jornal, o acordo não previa anúncios no corpo das postagens. Deve ser algum equívoco do Diário. Minhas sinceras desculpas.

Até as providências, o leitor pode acessar o texto contínuo sem anúncios neste outro endereço, com o mesmo conteúdo: https://blognande.blogspot.com/

 

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Curitiba recebe bienal de mosaico

Trabalho “Tattoo You” da mosaicista Deise Furlani

Mosaicistas do Brasil, Itália, França e Argentina participam da 6ª Bienal de Mosaico de Curitiba. O evento acontece de 04 de agosto a 03 de setembro, no Mezanino e no Salão Paranaguá do Memorial de Curitiba com o tema – “Free Mosaic”. A mostra do Depósito e Escola Curitiba de Mosaico, organizada pela empresária Leticia Melara em parceria com a artista e curadora Bea Pereira, abrigará 74 trabalhos produzidos por 88 mosaicistas.
As obras estão distribuídas em esculturas, painéis e uma instalação. A diversidade de técnicas, materiais e estilos é a proposta desta edição que pretende passar para o visitante a riqueza e a liberdade que o universo musivo permite na expressão artística de trabalhos contemporâneos.
Esta edição traz ainda o projeto especial – “Curitiba: Mosaico nas Fotos de Guilherme Pupo” – onde mosaicistas convidados interpretam 12 imagens da capital paranaense, captadas pelo fotógrafo curitibano, em painéis de um metro quadrado. Outra novidade da Bienal 2017 é a inclusão do cartum com a participação do artista convidado Ademir Paixão.
O tema “Free Mosaic” indica a tendência mundial da livre criação de mosaicos artísticos em diferentes linguagens. Como resultado, ideias inusitadas quebram os paradigmas de como o mosaico foi realizado e percebido em toda a História.
Eventos paralelos também farão parte da Bienal. O artista plástico Marcelo de Melo, brasileiro radicado em Amsterdam, além de participar como expositor, apresentará a palestra: “A Pluralidade Musiva Contemporânea” com aula demonstrativa para artistas da técnica musiva. O objetivo é instigar os participantes a um pensamento criativo e contextualizado. Marcelo é um artista premiado internacionalmente e mestre em artes plásticas pela University for the Creative Arts de Canterbury, Inglaterra. A palestra acontece no dia 3 de agosto, das 9h às 12h, no Teatro Londrina do Memorial. Informações e inscrições pelo telefone (41) 32238999.

Serviço

Free Mosaic – 6ª Bienal de Mosaico de Curitiba.

De 4 de agosto a 3 de setembro de 2017.

Memorial de Curitiba (Rua Claudino dos Santos, S/N – Largo da Ordem

Entrada gratuita.

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Curitiba do clima tetrapolar faz 324 anos em lindeza plena

I
De bunda branca como a cal
Depois do gelo glacial em Inverno de água e escuros
A polaca curitibana lagarteia ao Sol abusado
Deitada no quintal com o maiô florido do Verão passado
Ela belisca uma porção de salame com gasosa Cini
E a sua brancura é agora a rubra cor da framboesa.

II
Em meus perdidos passos, preso em mim
Encanto-me com as quentes cores das flores
No frio curitibano, no Paço da Liberdade.

III
Há neste vento uma certa tristeza gelada das manhãs de Curitiba
E nos teus olhos o colorido e o calor de sempiterna Primavera.
Eis a a minha sorte e alegria: tu, ao plantares flores no meu dia,
Não deixas minh’alma mergulhar em melancolias, pois a aqueces.

IV
Calor de cozinhar pinhão………. é Outono
Chuvisquinhos de Verão……….. é Outono
Friozinho para te abraçar………..é Outono
Flores para te enfeitar…………….é Outono
Linda Curitiba tetrapolar………… é Outono!

V
Um dia pretendo gastar essa comparação: tu és linda, linda… Como um fim de ensolarada tarde, nas aquarelas celestes do Outono de Curitiba.

VI
O Sena transborda em Paris
O Belém enche-se em Curitiba
O Sena é vivo; o Belém é morto.

VII
Curitiba, Rua das Flores
Frio, estrela brilhante no Céu
Chope escuro nos copos
O falar mudo dos corpos
E a luz quente dos teus olhos.

VIII
No frio curitibano
Que a tudo enferruja
O negócio é ir ao rendez-vous
Imitando coruja.

No frio curitibano
A zona é para o vivente
Que vive acordado sonhando
A boca do buraco quente.

Mas, no frio curitibano
Algo encolhe na Zorba
E nem rezando
A coisa termina em fo…

IX
Viver em Curitiba requer treino e habilidade
Ao amar em noites frias, por exemplo
Equilibrando uma manta nas costas
Para os amantes em carícias e agonia
Escaparem da gripe ou pneumonia.

X
Na sempre nublada Curitiba surrealista
Poeta que diz namorar a Lua e as estrelas
Precisa urgentemente de exame de vista.

XI
No ponto de ônibus de Curitiba é assim
Se chove tudo molha, sofrimento sem fim
Se encolhe a bunda, molha a cabeça,
Se esquenta a cabeça, esfria a bunda.

XII
Entre um pingo e outro pingo d’água
Tu choras, Curitiba se alaga
Fica a mágoa, vai-se o Domingo.

XIII
Curitiba és nua,
Sem asfalto, nesse frio,
Só te cobrem os buracos de rua.

XIV
O Céu de Curitiba tem ciúmes das estrelas
Em escuridão ele as esconde
E somente com um tropeção nas calçadas
É que o vivente pode vê-las!

XV
Bela Curitiba
A vaidade vive em ti
Em cada esquina
Um Salão Marly.

XVI
Curitiba, estás doente, bem o sei
Em cada quadra uma farmácia
Uma Panvel, uma Nissei.

XVII
Curitiba é mui bela
Porque belos são seus filhos
E mui belas são suas mulheres
O resto é penduricalho
De prancheta de arquiteto.

XVIII
Curitiba, Feira do Largo da Ordem
Comia um pastel com Gengibirra
E pensava na birra e desordem da vida.

XIX
Como não fazer poesia
Ao zanzar por Curitiba?
De dia, o doirado dos ipês
À noite, o suspirar do jasmim.

XX
Chove. Curitiba refresca-se
Como criança abandonada
Em festa, no chafariz da praça.

XXI
Tempestades solares
Doiram a rosa pele
Da Curitiba polaca.

XXII
Minha terra não tem metrô
Nem creche para os piás
Curitiba também tem, Seu doutor
Calçada para tropeçar

Minha terra tem ipês, meu amor
Para os olhos embelezar….

Minha terra tem boa gente
Que trabalha sem parar
Fedentina e rio morto
Para os gurizada nadar

Minha terra tinha pinheiros
Aves que vinham cá gralhar
Hoje tem prédios pra todo lado
Para no mercado especular
Tem favelas populosas
Para políticos explorar.

Minha terra tem ipês, meu amor
Para os olhos embelezar….

XXIII
Na nublada e calada Curitiba
Poeta tem que ter muita imaginação
Imaginar a Lua, as estrelas ou até mesmo o Sol
E o pior, imaginar diálogos com o vizinho!

XXIV
Gosto dos finais de tarde do Verão curitibano: nuvens rosas, tal e qual o algodão doce colorido do Passeio Público, no Céu em que o Sol é um balão de gás encantado, perdido e errante no lusco-fusco do horizonte, fugitivo das mãos de uma criança.

XXV
“Meu grito de frio guerreiros ouvi
Sou bravo, sou forte, da tribo Tingüi
Mas não sou besta, vamos embora daqui!!!”
(Cacique Tindiquera ao entregar na sacanagem as terras aos portugueses para a fundação de Curitiba, um pouco antes do Inverno de 1693).

XXVI
Não pertenço à sombra dos shoppings de Curitiba
Sou avesso as suas falsas badalações
O puxar de saco tão falso dos tapinhas nas costas
Sou das gentes das ruas, das vilas esquecidas
Dos loucos, dos estragados, dos lázaros
Converso com os desvalidos, com os esquecidos
Trato as pessoas por senhor, senhora, senhorita
Mesmo que senhores de roupas puídas
Senhoras de vidas tão sofridas, empregadas, diaristas
E canto para a senhorita de vida torta
Como se cantasse versos para triste margarida
Nascida no vão das pedras dessas pesadas portas
Que separam o que é povo dos que têm o rei na barriga.

XXVII
Triste Curitiba
Outrora amada
E hoje abandonada
Já ouço teus ais
Choro dos pinheirais
O que fizeram contigo?
Bucólica e bela
Das capitais
A mais singela
Hoje colosso de pedra
Obra dos que te mal governam
Que te maltratam e vendem
E injetam carros nas tuas artérias
Congestionadas, entupidas
E o povo, teu povo Curitiba
Amontoado em articulados
No frio, no sol e na chuva
Dos pontos, nas calçadas
Teu povo, bem-amada
Que engole os gritos
De pavor
E chora seus filhos mortos
Na violência que te deram
No descaso que te tratam.

XXVIII
Vi sim, Seo Menino,
Como não haveria de ver?
Na rua Riachuelo,
O velho chinês
Que lia seu caderno engordurado
E cantava em mandarim
A canção do rouxinol.

Ali, aquela puta gorda,
De carnes expostas como se no açougue,
Convidava com olhar de navalha
Os traficantes, ladrões e toda a canalha
Para os mofos dos quartos rotos.

Vi sim, Seo Menino,
Ali na rua São Francisco,
O executivo faminto
Revirando as latas de lixo
Para encontrar negócio e lucro.
Ele quer montar uma tal de usina
Para queimar o que nos sobra
E torrar a paciência do bispo.

Tinha também aquele moleque
De olho graúdo e de fome
Com seu tênis colorido
A amolar seu canivete
Para abrir uma lata de picles.

E no cansado de meus olhos,
Ainda na mesma esquina,
Vi a menina das flores e dos doces
Que enfeitava aquele fim de tarde
Com o amargor de sua sina
Ao vender doçura e beleza
Para os esquecidos da cidade.

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Bandidos querem reforma política pilantra

Temos uma Câmara e um Senado de bichados – com as raríssimas exceções, claro! – gente que foi comprada por empreiteiras. Gente que não merece ser chamada de gente pelos brasileiros. Enfim, um Congresso de corruptos. Se tivessem pelo menos um tiquinho de vergonha na cara já deveriam ter renunciado, mas isso jamais passa pela cabeça dos ladrões, pois para eles, o roubo era regra e como regra deve continuar. Agora, esses picaretas propõem uma reforma política para deixar tudo como está e, pior, preparando o cenário para a reeleição dos mesmos bandidos de sempre. Eles sabem que se forem para campanha apresentando seus nomes, o povo os jogará no lixo. Por esse motivo, estão propondo uma reforma política boa pra cachorro, com o apoio inclusive da Justiça Eleitoral, em que se pretende o voto em listas fechadas. Ou seja, o eleitor votaria numa lista escolhida pelos partidos dos corruptos e é lógico com o nome dos corruptos a encabeçando, inclusive com preferência para os que já têm cargo público. Está na hora de dizermos um basta. Reforma política só se for com a convocação de uma Constituinte específica para o tema. Gente comprovadamente honesta eleita só para isso. Bandido faz leis para favorecer bandido e não pode votar mais nada. Basta!

Quem avisa…
Há 15 anos avisei o sujeito que essa coisa de se dar bem iria acabar mal!

Hora boa
Doce hora, escutar o lamento dos que se achavam acima das leis e da Justiça.

No interior
Dezoito pessoas rés em Prudentópolis por corrupção, ex-prefeito Gilvan inclusive.

Mais
Tem prefeito na lista do Janot também!

Beto na lista
Beto Richa na lista de Janot. Ganhou um pirulito quem já sabia!

Cuidado, Greca!
Ex-comunicação de Beto Richa apavorado, isnogood, Greca!

Greve de patrão
Grande ‘greve geral’ de Curitiba pegou carona no locaute dos empresários de ônibus!

O TRE é só um cartório?
Deputada federal eleita declara R$ 80 mil de gastos. Só o TRE-PR para engolir essa!

Pelegada sem prática
E o gordo pelego não conseguiu terminar o protesto. 13 anos sem greves.

Filosofia
“Para quem não tem os pés, frieira é sonho” – Mestre Xunda.

Eterna greve
Pelo número de analfabetos funcionais, a Educação está em greve permanente no Brasil.

Nunca tem
Pedir juízo a poeta
É o mesmo que pedir
Dinheiro a miserável.

Mão churrasco
Botei minha mão no fogo por você
E ela virou churrasco!
Nunca mais, nunca mais…

Patientia, fratres mei!

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Quando o hippie virou mercadoria capitalista

Um dos maiores estudiosos do capitalismo foi Karl Marx (1818-1883), que para a juventude de hoje é algo como um papai-noel barbudo bem ultrapassado, como são todas as filosofias que, para se explicarem, exigem mais do que 240 caracteres. Ou seja, no imaginário juvenil de shoppings, aquele velhinho que viveu no século XIX e falou alguma coisa sobre o comunismo, ou socialismo, “naquele lance tipo de tudo que é teu é meu também”.

Brincadeiras à parte, quem leu O Capital (de verdade!) e o entendeu, sabe que não minto quanto a Marx ser um estudioso do capitalismo. Homem de método, Marx compreendia que para derrotar o inimigo há de se estudá-lo. Mas Marx foi um só, os que vieram depois dele, pensadores menores, dirigentes partidários anões, enfim, os sectários de seitas, tentaram apenas pensar num sistema que suprimisse de vez o grande Leviatã do proletariado, o mercado capitalista, em que a mão-de-obra poderia ser comprada e ou vendida de acordo com as necessidades das linhas de produção das fábricas. Porém, enquanto pensavam a revolução do proletariado, nunca alcançada de fato, nossos descuidados marxistas foram engolidos pelo mercado capitalista.

É bom que se diga, que essa “revolução-proletária-libertária” sempre foi fagulha em palha molhada, seus pífios resultados foram apenas alguns arremedos de estados totalitários “socialistas”, autoritários na essência (ditaduras do proletariado!), firmados na propaganda da liberdade, porquanto a suprimia, em função de suas deficiências insuperáveis e desvios doutrinários e ideológicos, como o culto à personalidade, a criação de castas dirigentes e a distribuição da miséria.

A fogueira revolucionária só fez fumaça porque seus ideólogos não entenderam o conceito básico de Marx, entre outros, da reificação (res, no latim, coisa), processo de “coisificação” do abstrato que, em suma, tende dar um valor de troca para tudo, no sentido de transformar a “coisa” em mercadoria, mesmo que inútil, sob o aspecto prático. – Sim, senhores, o mercado de consumo impera e exige mercadorias novas de meia em meia-hora, seja qual for, inclusive as próprias ideologias, vendidas nas feiras como bananas, ao gosto do freguês!

Se, por um lado, os “marxistas” não entenderam a reificação, por outro, os capitalistas a entenderam muito bem. Assim, por regra, tudo que é “revolucionário” pode ser e deve ser mercadoria; ideias vendem bem, eis a máxima do mercado de consumo moderno. A diferença é que, no século XIX, a manufatura estava voltada para as necessidades reais – um abridor de latas era fabricado e vendido porque as pessoas precisavam abrir latas, com o preço desse abridor sendo regulado pela Mais Valia embutida nele e a necessidade pelo seu valor de uso.

Em nosso tempo,  o processo parece ser o mesmo, mas só parece, pois ganhou eficácia. Em vez dos simplórios abridores de latas, a “coisificação” ficou mais sofisticada. Agora, o capital agrega valor e dá preço a coisas com pouco valor de uso aparente, abstratas por excelência, mas suficientes para formar novos nichos mercadológicos, apoiados pela propaganda, publicidade e marketing – em outras palavras, num mundo saturado por mercadorias de todo o tipo, há de se criar necessidades no indivíduo ou grupo, como descritas brilhantemente pelo psicólogo norte-americano Abraham Maslow (1908-1970), em sua escala das necessidades humanas.

Exemplo disso tudo não nos faltam. Vamos citar apenas um e será o suficiente. Apanhe-se, pois, o movimento da contracultura dos anos 1960, e dele o movimento Hippie. A princípio, combatido pelos capitalistas conservadores, mas depois incorporado ao mercado, em aparente contradição. O Hippie, do real ao abstrato, foi rapidamente absorvido por uma nova indústria, que transformou em mercadoria seus ideais contraculturais, criando uma nova “cultura” de consumo. Quase que de imediato, com o auxílio da propaganda, tornou-se bacana, “bárbaro” mesmo, transformar-se num riponga de fim de semana: usar uma calça boca de sino produzida em série; o slogan “Paz e Amor”, em camisetas; consumir tecidos coloridos; curtir a psicodelia musical industrializada por grandes gravadoras multinacionais; frequentar festivais contra o sistema, mas perfeitamente ajustado ao sistema, inclusive pagando caros ingressos. Enfim, no início dos anos 1970, o jovem que fugia das garras dessa nova indústria da insubordinação ingênua, estava morto, não vivia.

Com o tempo a fórmula foi melhorada. Agora, estenda isso para os modismos de nosso tempo, fabricados pelos próprios capitalistas e negue a existência de uma indústria da transformação de ideologias em mercadorias para cada gosto. O capitalismo vence, não por combater o que lhe pode corroer, mas por conseguir a mágica da alienação, a mágica de dar valor de uso e valor de troca ao utópico; o sonho ganhou seu preço e está nas prateleiras, para obtê-los basta um cartão de crédito, mais nada. O socialismo perde porque vende o sonho mesmo para quem não tem dinheiro, mas não o entrega.

 

 

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