Itapoá



Itapoá ‘arruma a casa’ e anuncia obras em avenidas e parque

Depois de enfrentar vários problemas herdados de antigas gestões, desde os relacionados com a arrecadação até os de meio ambiente, a prefeitura de Itapoá anuncia importante programa de obras com início previsto para este ano. As principais delas são a revitalização de duas avenidas e a implantação de um parque linear

A avenida André Rodrigues de Freitas, em Itapoá, ganhará guias rebaixadas, estacionamento para bicicletas, ciclovia e faixa de pedestre, dentro das normas técnicas de mobilidade e preservação ambiental

CURITIBA – Os municípios brasileiros desde todo o sempre convivem com a escassez de recursos para obras. A atual administração de Itapoá, Litoral Norte de Santa Catarina, está há dois anos aprimorando os processos de gestão pública, na intenção de implementar importantes programas de obras financiados com recursos próprios, entre elas duas grandes avenidas e um parque linear.

Rodrigo Lopes: dois anos aprimorando a gestão pública de Itapoá

Ao conversar com Rodrigo Lopes, chefe de gabinete da Prefeitura de Itapoá, é fácil se chegar à conclusão que a realidade política dos municípios brasileiros é comum. O cobertor das prefeituras foi sempre muito curto; de ordinário, os recursos próprios são insuficientes para as grandes obras cobradas pela população.

“Estamos há dois anos colocando a casa em ordem: reduzindo despesas, revendo contratos, cobrando os tributos como deve ser feito, cuidando do meio ambiente por meio da legislação”, diz Rodrigo. “Ser austero pode desagradar alguns setores da sociedade por um tempo, mas isso muda a partir do momento em que as pessoas entendem a razão de certas medidas. Embora algumas  pareçam impopulares, elas são necessárias para uma gestão eficiente.”

Ou seja, a receita seguida pela Prefeitura de Itapoá é muito antiga, fruto de problemas de nossa legislação, e pouco ou nada difere das que são seguidas pelas prefeituras desde a República Velha. Um ou dois anos de ajustes na gestão e só depois, se for possível, o desenvolvimento de um plano de obras.

“Agora já contamos com os recursos próprios necessários para revitalizar com toda qualidade possível, duas importantes avenidas, a André Rodrigues e a Celso Ramos, além da implementação de um parque linear em Itapoá” – revela Rodrigo. Essas obras já estão em fase de licitação e devem começar ainda este ano. A Prefeitura de Itapoá administra este ano um orçamento de R$ 113 milhões.

Quadra 1 do Parque Linear de Itapoá, que deve ser implantado ainda este ano

Para a estudante de Arquitetura e também Artes Caroline Sales, que é de Curitiba (PR) e passa suas férias em Itapoá, o Urbanismo não pode estar dissociado da preservação ambiental, muito pelo contrário, todo projeto deve ter como propósito o cidadão em harmonia com o meio ambiente. “É possível ver nesses projetos o destaque para o meio ambiente, perfeitamente dentro das normas técnicas que privilegiam a mobilidade, em atenção ao pedestres e ciclistas. Tenho certeza que depois que as obras estiverem prontas, os moradores e turistas vão ganhar muito em qualidade de vida”, afirmou a Caroline.

A estudante cita o livro Planejamento Urbano e Meio Ambiente das arquitetas e urbanistas Gilda e Simone A. Cassilha da PUC-PR: “Uma cidade, não importa sua localização geográfica ou seu tamanho, deve ter preocupações com coleta seletiva do lixo, abastecimento de água potável, rigor na localização dos diversos usos – comercial, residencial, de serviços ou industrial, existência de locais de lazer para o uso público como praças e parques, enfim, uma dimensão de cidade  a ser vivida por uma comunidade e que deve possuir obrigatoriamente certo nível de organização.”

Av. Celso Ramos dentro dos padrões modernos de mobilidade

 

Trecho da atual Avenida Celso Ramos

Avenida Celso Ramos das obras de revitalização – novo asfalto, ciclovia e faixas para pedestres

 

Avenida Celso Ramos contará com pontos de ônibus cobertos e recuo para a parada de ônibus

 

Gestão ‘em dois tempos’ dos municípios vem desde a República Velha

O escritor Graciliano Ramos foi prefeito e considerado administrador exemplar

Como adiantamos, esse problema dos administradores terem que dedicar praticamente a metade de suas gestões para ‘arrumar a casa’ não vem de hoje. Em 1930, ainda antes de se tornar um dos maiores escritores brasileiros, Graciliano Ramos foi prefeito de Palmeira dos Índios (Alagoas). E assim, justamente como prefeito, por meio de seus relatórios ao governador, é que Graciliano se destacaria na imprensa nacional como intelectual e depois e como escritor, porque seus relatórios são antes de tudo, obras literárias.

Austero e comprometido com a administração pública, Graciliano relatava a dura tarefa de administrar um município e as carências de seu povo; por dois anos ele teve que tratar de economizar, rever contratações de pessoal e contratos com terceiros, fiscalizar, tirar privilégios e editar novas leis. Aliás, consta que ele mandou a fiscalização da prefeitura multar o próprio pai, que costumava deixar animais de sua propriedade soltos na rua, o que contrariava o Código de Posturas do município e que, até então, ninguém obedecia.

Somente depois, Graciliano começou a fazer investimentos. Com as verbas sempre aquém das necessárias, Graciliano revela, num dos trechos mais engraçados de seus relatórios, que teve que redirecionar o orçamento destinado à reforma do cemitério para a ampliação de vias públicas. Para o prefeito, os mortos poderiam aguardar mais um pouco, pois eram os munícipes que não reclamavam.

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De Rondônia às águas quentes de Itapoá

Zoe Hotel inaugurada em 21 de dezembro de 2009

Acordar cedinho… Pés na areia revolvida pelas calmas e cadenciadas ondas do mar. Ao fundo, o Sol despontando em promessa de dia quente e bom. Foi este meu cenário nesta manhã de véspera de Natal, em Itapema do Norte, Itapoá, litoral Norte de Santa Catarina, especificamente no Balneário Rainha.

Perfil Vanessa Moreira
Nascida em Cascavel PR – criada em Vilhena RO (desde os 3 anos).
Formada em Turismo e Hotelaria pela Unipar – Cascavel
Especialista em Gestão de Hotéis e Pousadas pela Univali – Camboriú SC

Andei mais um pouco contente, pois já contava com a paisagem para contar essa história. Todavia, há de se colocar gente para explicá-la. Do hotel, na beira da praia, vi sair os primeiros hóspedes, na intenção de fazer o mesmo que eu fazia, caminhar. Entro e e vejo na recepção uma moça todo ocupada, que depois fiquei sabendo o nome, Vanessa Moreira. Ela para de verificar as planilhas no balcão do hotel e , imediatamente, me  atende com simpatia e atenção.

Faço as perguntas da curiosidade dos jornalistas. Vanessa me conta que nasceu em Cascavel, mas que viveu boa parte da vida em Vilhena, na distante Rondônia. Há três anos ela reside em Itapoá e gerencia o Hotel, que é de sua família.  “Fiz questão de me preparar em cursos superiores e de pós-graduação nesta área profissional” conta. “Ou seja, buscar o equilíbrio entre um negócio de família e o profissionalismo que ele exige”.

Durante a conversa, na recepção noto uma variedade de sotaques e Vanessa explica-me que recebe hóspedes de todos os lugares do Brasil, Rondônia, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Norte do Paraná, etc.  Sim – eu mesmo comento – é evidente que estão aqui para contemplar a beleza do lugar. “Não só isso”, responde-me a gerente. “Aqui estão as águas mais quentes e limpas da Região Sul e isso também faz com que as pessoas continuem retornando sempre”. E sorri: “além da simpatia, é claro!”.

Serviço

Zoe Hotel – Balneário Rainha – Itapoá SC

Fone: (47) 98832-2792

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Paranaenses se estabelecem no Litoral de Santa Catarina

Hoje damos início a uma série de reportagens sobre o litoral catarinense. Vamos começar pela exuberante praia de Itapema, em Itapoá, no litoral Norte de Santa Catarina, que virou refúgio veraneio para os paranaenses de todas regiões do Estado. O problema – se isso for problema! – é que quem chega para passear não quer voltar.
Na realidade – e isso é uma boa tese acadêmica – é que estamos sofrendo processo inverso de deslocamento de população; se, nas décadas de 1950, 60 e 70, os catarinenses acorreram ao Paraná para a colonização do Sudoeste e Oeste, agora chegou a vez dos paranaenses ocuparem as cidades litorâneas de Santa Catarina.

Silmara e Paulo: investimento em hidroponia

Como disse é uma tese e deixo aqui para os acadêmicos comprová-la, em parte ou no todo. Mas verifiquemos alguns exemplos pinçados em meia hora de andanças por Itapema do Norte, que faz parte da cidade Itapoá.
O casal Silmara Bell Freitas (podóloga) e Paulo Freitas (segurança), chegaram à Itapema em novembro de 2017. Eles moravam na Região e Cascavel e resolveram mudar de vida, abandonaram as antigas profissões e e hoje se dedicam ao comércio de verduras, que são vendidas direto na horta (hidroponia). O sucesso foi tão rápido, que o casal já abriu até uma segunda unidade comercial.

Anderson e Airton, pai e filho no ramo de mercado

Anderson e Airton Bueno, pai e filho, também são da região de Cascavel possuem mercado, no Bairro São José II, desde de 2015. Perguntei se voltariam para morar na terra natal, apenas sorriram e responderam: “difícil, hein!”
Em outro bairro próximo, no Residencial Príncipe encontramos o casal Suelen Nogueira dos Santos e Leandro de Souza, também dedicados ao ramo de mercado. No meio de suas tarefas, na panificadora do estabelecimento comercial, o casal diz que chegou em março deste ano. São do Norte do Paraná, Tamarana, perto de Londrina. “Estamos aqui desde antes da temporada, vamos ficar na cidade, nos estabelecemos aqui e o comércio é nosso modo de vida”, disse Suelen.

Suelen e Leandro saíram da região Norte do Paraná e hoje são comerciantes em Itapema

 

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