‘Teje preso, teje sorto”

 

A soltura de Eike Batista, rico com grife que também chafurdou na corrupção envolvendo governos, políticos e empresários, confirma a escalada do popular “teje preso, teje sorto”: migrou do compadrio interiorano para os altos tribunais do Brasil.

Eike recuperou a peruca, ganhou um adereço eletrônico na canela e ainda neste domingo promove regabofe milionário na gaiola de ouro, uma mansão no Rio, onde ficará “confinado”. Segue a esteira de Adriana Ancelmo, mulher do ex-governador Sérgio Cabral, solta por ser mãe de filhos pequenos, uma barbaridade que ecoa principalmente nos presídios femininos.

Dependendo do nível dos libertados, eles podem, ou não, ser estornados à prisão. Que o diga o descapitalizado goleiro Bruno, cuja libertação causou grita popular. Derrotado por 3 x 1 no tribunal, voltou para a prisão, mas já pleiteando nova disputa buscando a liberdade. Adriana Ancelmo trilha o mesmo caminho, mas quem se livrou através do popular “Dr. Pinote” foi o bandidão carioca conhecido como Gegê do Mangue. Condenado a 47 anos de prisão, foi libertado provisoriamente em janeiro não deu chance a qualquer reconsideração por cochilo judicial: estabeleceu-se no Paraguai e está sendo procurado por ter liderado o assalto violento e milionário em Ciudad Del Este.

Com esse festival de “teje sorto” até o maior nome preso por corrupção dupla – Mensalão e Lava Jato – ex ministro e ex deputado José Dirceu, que segundo ele próprio morreria cumprindo pena, acaba de entrever nova brecha e passa o final de semana orando para todos os santos de plantão acessíveis a transgressores. É que a posição de um juiz – em mais um dos muitos recursos apresentados – acendeu uma luz amarela: vai decidir na próxima semana.

Se José Dirceu for solto, mesmo com tornozeleira, será desmoralizante. Ou ele terá entregado o ouro, tornando-se colaborativo com a lei, delator.

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