Bicicletas ganham espaço nas ruas maringaenses

Andar de bicicleta é uma eficiente alternativa para acabar com o excessivo número de carros nos trânsito das cidades, aumentando a qualidade de vida dos moradores. As bicicletas vêm ganhando cada vez mais espaço, graças ao seu potencial diferenciado em relação às modalidades coletivas. As viagens urbanas feitas com a bicicleta são, além do trajeto casa-trabalho, também para serviços e lazer. O usuário ganha tempo, há fluidez no trânsito e diminuição da poluição sonora e do ar.

Em Maringá, há muitas pessoas adeptas do sistema cicloviário da cidade. A Secretaria Municipal de Planejamento e Urbanismo (SEPLAN), responsável pela mobilidade, diz que não há um número exato de ciclistas na cidade.  Mas segundo a “Pesquisa com Ciclistas como Suporte ao Planejamento Cicloviário: Estudo em Maringá/PR”, disponibilizada pelo SEPLAN, que entrevistou 155 ciclistas de Maringá, 66% das pessoas disseram que utilizam a bicicleta por ser um transporte saudável.

O estudante Mateus Quesada Zibordi Vido,17, utiliza a bicicleta todos os dias, pelo mesmo motivo, no trajeto para a escola. Nos finais de semana, anda pelas ciclovias para ter um pouco de lazer. Maringá conta com 26,4 km de ciclovias e ciclofaixas e, segundo o SEPLAN, a cidade conta com 21,3 km de pistas projetadas e 4,8 km de percurso ainda estão em execução.

Em compensação, segundo a pesquisa “Proposta Metodológica para Definição de Rede Cicloviária: um estudo de caso de Maringá/PR”, a cidade apresentou alto potencial para obter uma rede de infraestruturas cicloviárias, tendo a possibilidade de ter mais 95 km de ciclovias interligando os bairros.

O ilustrador Marcelo Goto, 27, utiliza as ciclovias de Maringá diariamente para ir ao trabalho. Para ele, o meio de transporte é mais rápido e prático que os outros. “Poderiam ter pensado em uma ciclovia para a avenida Morangueira, já que estão reformando. Lá, o fluxo de carros e caminhões é muito grande, gerando risco para os ciclistas”, sugere o ilustrador.

Isabela Soares, acadêmica do 4º de Jornalismo

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O ex-metalúrgico que virou barbeiro de raiz

João Panasolo é um morador de Maringá que foi corajoso ao deixar um trabalho estável para realizar um sonho. Depois de dez anos trabalhando numa metalúrgica em São Paulo, ele deixou tudo e veio para o Paraná com o objetivo de abrir uma barbearia. Panasolo não se intimidou com o futuro incerto nem com as críticas da família. Hoje, comemora o sucesso da mudança.

Com uma barbearia “à moda antiga”, Panasolo, de 68 anos, conta com uma clientela fiel e que não dispensa a velha maneira de fazer barba, cabelo e bigode. Esses clientes dispensam os aparatos modernos e convidativos das barbearias atuais e mantêm a agenda (aquela no caderninho, nada de agenda no celular) de Panasolo sempre cheia, sendo atendidos num ambiente reservado e por um ex-metalúrgico e hoje especialista em cortes de cabelo.

Quando João abriu sua barbearia, há 15 anos, no Jardim Alvorada (Zona Norte de Maringá), as coisas eram diferentes. Os principais obstáculos eram as ruas de terra e o salão modesto. Mesmo assim, os homens da região se interessaram pela novidade, pois não precisariam mais ir a barbearias distantes. Assim, Panasolo ganhou clientes que tem até hoje.  “Fico muito feliz por todos esses anos. As pessoas continuam vindo aqui porque gostam do meu trabalho. Isso me deixa contente, pois sempre tento fazer o meu melhor”, afirmou o barbeiro.

Um dos resultados da mudança de vida e do sonho de ter uma barbearia realizado é ver os filhos e netos formados. João Panasolo se orgulha de ter contribuído com a formação superior deles. “Foi preciso muito esforço e coragem, mas ter ajudado a formar meus filhos e netos, e conseguir tudo o que tenho hoje, compensa todo o trabalho”, concluiu o barbeiro.

Para a psicóloga Ana Carolina Fiori, é extremamente importante que as pessoas possam trabalhar com o que realmente gostem de fazer. “Quando a pessoa tem um sonho, um objetivo, ela se sente capaz de superar todos os obstáculos e realizar seus desejos”, explica.

Bruno Albertini, acadêmico do 4º ano de Jornalismo

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Maringá recebe universitários de várias cidades do Brasil

Não dá para negar que a maior dúvida de quem termina o ensino médio é escolher a faculdade e a área que vai cursar. Em alguns casos, a cidade por ser pequena, acaba não tendo infraestrutura para ter o curso escolhido pelo aluno, e ele acaba tendo de optar entre ficar no seu município ou enfrentar o desafio de morar em um lugar novo.

Com o passar do tempo, Maringá se tornou um polo educacional e chama atenção de diversas pessoas espalhadas pelo Brasil que buscam a tão sonhada graduação. Hoje, o município tem aproximadamente 50 mil universitários que se dividem em instituições públicas e privadas.

Para estudante de biomedicina, Ana Carolina Galeazzi, 21, um dos maiores desafios, depois de sair da casa dos pais em Chapadão do Sul, no Mato Grosso do Sul, foi a adaptação. “Foi difícil para me acostumar à nova realidade. Estava longe da família, amigos, vim para cá praticamente sozinha. O que me ajudou nessa fase foi a faculdade, que me mantinha ocupada. Hoje estou acostumada”, conta Ana.

Um estudo realizado pela Macroplan em 2015, entre 100 cidades brasileiras com mais de 266 mil habitantes, apontou Maringá como a melhor cidade do país. Levando em consideração a saúde, educação e cultura, segurança, saneamento e sustentabilidade. A cidade teve 0,731, em uma escala de 0 a 1.

Esse foi um dos motivos que fizeram a estudante de odontologia, Ingra Mariana Rosa,19, deixar Manoel Ribas (aproximadamente 176 quilômetros de Maringá) para fazer a graduação na Cidade Canção. “Quando fui escolher a faculdade para cursar, vim conhecer Maringá. Adorei as pessoas por elas serem muito educadas e a cidade ser organizada e calma”, explica Ingra.

Depois de concluir a graduação é inevitável não pensar nos próximos passos a serem seguidos: voltar para a casa dos pais ou continuar em Maringá? Para universitária Ana Carolina, a decisão já está praticamente tomada. “Pretendo ficar aqui se receber uma proposta boa de trabalho, mas os meus planos são de voltar para minha cidade e tentar algo na minha área lá”, conta a estudante.

Thainara Cruz, acadêmica do 4º ano de Jornalismo 

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Instituto de Maringá promove políticas públicas para o envelhecimento ativo

A população de pessoas mais velhas no mundo continua crescendo em um ritmo sem precedentes. Hoje, 8,5% das pessoas em todo o mundo (617 milhões) têm mais de 65 anos. De acordo com um novo relatório, chamado “An Aging World: 2015 (Um mundo em envelhecimento: 2015)”, esta porcentagem deve aumentar cerca de 17% em 2050, chegando a 1,6 bilhões de pessoas.

Entretanto, a estrutura para atender esses idosos, hoje, não tem acompanhado esse crescimento. Apesar de parecer algo fisiológico, envelhecer necessita de preparo e de políticas públicas para atender os mais velhos.

Percebendo a falta de preparo e de ações que mobilizassem a qualidade de vida para os idosos, a fisioterapeuta Simone Fernandes tomou a iniciativa de procurar pessoas interessadas em propor projetos para estimular a criação dessas políticas públicas para atender o envelhecimento ativo.

Ela e outras pessoas criaram o Instituto Longevidade em agosto de 2015. Simone, que sempre teve uma boa relação com os avós, sentia a necessidade de proporcionar um envelhecimento tranquilo para os todos os idosos. Segundo ela, hoje existem muitas ações de assistencialismo, mas nada relacionado ao envelhecimento ativo.

“Quando eu comecei a trabalhar como fisioterapeuta, não encontrava nos idosos esse cuidado que eu sempre tive com meus avôs. Via muitos idosos sofrendo. Ora porque não tinham família, ora porque não haviam criado um vínculo familiar. Independente do motivo, eu encontrava um idoso que precisava de auxilio”, justifica.

Segundo a fisioterapeuta, há cerca de 600 idosos na fila aguardando para serem institucionalizados, já que todas as entidades estão com lotação máxima. Entretanto, ela defende que nem todos necessitariam de asilamento em tempo integral. “O que talvez eles precisem é de um centro de convivência ou algo para fazer durante o dia”, afirma.

Com o apoio a educação, saúde e pesquisa, o Instituto firmou uma parceria com o movimento Lab 60+. O objetivo é atrair pessoas que têm ideias sobre projetos e ações que podem melhorar a qualidade de vida e proporcionar um envelhecimento ativo.
Simone reforça que falta espaço para o idoso se inserir. Aliado ao movimento Lab 60+, o Instituto promove diversos projetos para que os mais velhos participem. “Existem projetos como o ‘Amigo do Idoso’, ‘Mãos na Terra’, ‘Histórias da Longevidade’, entre outros ligados à saúde e espiritualidade”, relata.

Todos esses projetos se devem à conexão de pessoas que se interessam em fazer algo para mudar a vida dos idosos. “Quem tiver um projeto pode participar das reuniões, vai contribuir muito e, se tudo der certo, podemos colocar em prática. Está aberto para todas as pessoas apresentarem propostas”, convida.
Os encontros são realizados na primeira terça-feira de cada mês, às 19h, no Serviço Social do Comércio (Sesc), na Av. Duque de Caxias, 1517.

Ana Paula Foltran, acadêmica do 4º ano de Jornalismo

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Safra de soja chega a mais de 19,4 milhões de toneladas e bate recorde histórico de produtividade no Paraná

O Departamento de Economia Rural do Paraná (Deral) confirmou que a produção paranaense de soja foi recorde na safra 2016/2017. A pesquisa realizada mostra uma produção de 19,4 milhões de toneladas de soja em uma área de 5,26 milhões de hectares. A safra desse ano, em comparação com a anterior, teve um aumento de 17%, já que, na safra passada, foram colhidas 16,5 milhões de toneladas de soja em uma área de 5,28 milhões de hectares. A safra não atingiu números tão altos por conta do excesso de chuva, no início de 2016.

Os bons resultados foram alcançados em todo o Brasil. O Paraná é o segundo maior produtor de soja, atrás somente do Mato Grosso, que   produziu mais de 31 milhões de toneladas de soja em 2017. O total corresponde a 11% a mais do que a safra passada, segundo o Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea).

Alta produtividade 

No norte paranaense, mais precisamente em Rolândia, 76Km de Maringá, o produtor Albertino Branco colheu cerca de 210 sacas de soja por alqueire, um “número  espetacular”, segundo ele,  já que a média nacional é de 80 sacas por alqueire. Para Branco, os bons resultados se devem à implantação de uma agricultura sustentável, a ILPF, Integração Lavoura Pecuária Floresta ou Sistema Agrossilvipastoril, que é uma modalidade de integração com componentes agrícola, pecuário e florestal, em rotação ou sucessão, na mesma área. O fortalecimento do solo é o principal benefício dessa integração.

Reta final

Os trabalhos de colheita já estão quase encerrados no Paraná. Já foram colhidos mais de 99% da área semeada. Os produtores paranaenses comercializaram cerca de 37% do total produzido até o momento, valor equivalente a 7,1 milhões de toneladas de soja. No mesmo período do ano anterior havia sido comercializado 59% da safra, equivalente a 9,8 milhões de toneladas. Esse menor volume de vendas se deve principalmente aos preços, inferiores aos do ano passado. Essa queda é resultado do excesso de produção da soja. Em abril de 2016, a saca de 60 quilos era comercializada no Paraná por cerca de R$ 66, e  hoje  pode ser vendida  a R$ 56.

Caroline Wisch, acadêmica do 4º ano de jornalismo

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Uma avenida de sombras retilíneas

A falta de árvores na avenida Horácio Racanello sugere que ela não faz parte de Maringá, uma das cidades mais arborizada do Brasil, segundo matéria do G1 publicada em 2017.

Para a Claudia Meira, dona de um comércio na avenida, a ausência de árvores é na verdade um benefício. “Não ter que disputar espaço com árvore é muito bom. Essa avenida tem muito prédio, muita informação, é difícil competir com tantas coisas chamando a atenção de quem passa. Não ter árvore é uma concorrência a menos”, ressalta a comerciante, que continua a defender a paisagem cinza. “Tenho vários amigos que reclamam das árvores. É só ter uma chuva mais forte que elas caem e atrapalham, nunca tive esse problema aqui.”

Juliana Menezes, que trabalha na avenida, reclama das caminhadas diárias sob o sol. “Venho a pé para o trabalho e passar por essa avenida, principalmente no calor, é muito ruim. Ao meio-dia, por exemplo, não tem uma sombra na avenida. Fica horrível sair ou voltar do almoço, sempre chego suando no trabalho.”

Segundo o Secretário Municipal de Serviços Públicos, Vagner de Oliveira, o que impede a prefeitura de colocar árvores no local é a linha férrea que passa debaixo da avenida. “Corremos o perigo das raízes crescerem muito e danificarem a estrutura do túnel, o que poderia vir a causar uma tragédia. É por isso que as poucas árvores que existem na via são de porte menor ou estão fora do espaço do túnel.”

Para bem ou para o mal, a verdade é que provavelmente, não veremos muitas árvores tão cedo na avenida. O jeito para se proteger do sol acaba sendo o protetor, ou então, alguma sombra retilínea ocasional, formada pelos prédios que enchem a avenida.

Gabriel Brunini, acadêmico do 4º ano de jornalismo

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Um “home run” de oportunidades

A grama alta, o terreno irregular, o campo longe de ser o local perfeito para treinar. O bairro não é nada perto do centro da cidade. Uniforme não existe, os pequenos atletas vestem uma roupa qualquer – que logo fica suja de terra –, um boné para proteger do sol e no rosto de cada um está estampado o mais sincero sorriso. “Muitos que querem ajudar perguntam quanto nós pagamos. Poucos sabem a satisfação que isso nos traz”, orgulha-se Jiusom Tokumi Akiyama, 53, treinador de beisebol da Maringá Beisebol Associados (MBA).

A MBA reúne cerca de 60 crianças em um projeto social e oferece treinos de beisebol gratuitos para aqueles que não têm condições de pagar para jogar. ​“Nosso objetivo é dar oportunidade para o maior número de crianças possível, tentar massificar esse esporte que a maioria não conhece”, explica o treinador. Akiyama, idealizador e responsável pelo projeto, conta que a ideia surgiu há cinco anos com a intenção de quebrar o paradigma de que apenas pessoas de origem japonesa podiam praticar beisebol em Maringá. “Todos têm condição de jogar, prova disso são os brasileiros na Major League Baseball”, comenta o treinador, em referência à principal liga do esporte dos Estados Unidos.

Além das crianças, o projeto reúne mais ou menos 80 adultos, divididos em seis times, organizados com o intuito de criar uma liga na cidade. O primeiro deles foi o Maringá Mavericks, os outros surgiram depois, com o apoio da MBA, estimulando a competitividade no beisebol maringaense. Segundo Akiyama, o resultado tem sido “satisfatório”. No ano passado, a Primeira Liga Maringaense de Beisebol reuniu cerca de 150 pessoas, entre atletas e organizadores. A segunda edição do torneio, ainda sem data definida, será neste ano e terá quatro etapas. A previsão é reunir o mesmo número de atletas de 2016.

Para 2017, a Secretaria de Esportes e Lazer (Sesp) disponibilizou um novo campo, preparado e adequado para a prática de beisebol. A intenção é de que o projeto triplique o número de crianças beneficiadas. “Estamos divulgando primeiro entre os atletas, cada um é responsável por trazer mais dois, depois vamos até as escolas, em parceria com a Secretaria de Educação”, explica Akiyama. Ele conta ainda que, além do beisebol para os meninos, haverá treinos de softbol para as meninas.

O técnico vê no esporte uma forma de tirar as crianças das ruas, ajudar na formação de valores e na educação. Os alunos Caio Pereira, Raul Zanatto e Jhohan Bottan, todos de 13 anos e que sonham em ser profissionais e viver do beisebol, contam que melhoraram os rendimentos escolares e passaram a respeitar mais os pais. “Nós temos três ou quatro atletas aqui com totais condições de chegar a Major League”, acredita o treinador. Os times da MBA disputam desde o ano passado competições nacionais e estaduais. “Nosso time pré-júnior (13 e 14 anos) está entre os quatro melhores do Brasil”, completa.

Os responsáveis pelo projeto acreditam que poderiam ajudar muito mais se conseguissem mais apoio. Mesmo com cinco anos de atividade, a MBA só existe oficialmente desde o ano passado, portanto ainda não podem se inscrever nos editais de incentivo ao esporte, porém esse é o objetivo para os próximos anos.

 

Aula experimental de beisebol

Quando: todos os sábados

Onde: Campo do Quebec, na rua Prof. Letícia Molinari, 555, Jd. Quebec

Quanto: grátis

Pedro Henrique Solheid Scherer, acadêmico do 4º ano de jornalismo

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Músicos maringaenses fazem show em homenagem a Belchior

O rapaz latino-americano sem dinheiro no banco tornou-se uma lenda da música brasileira. Antônio Carlos Gomes Belchior Fontenelle Fernandes, ou simplesmente Belchior, eternizou seu nome na história do país com suas letras marcantes e com uma trajetória cheia de peripécias, como um sumiço inesperado.

O cantor e compositor cearense, que morreu no dia 30 de abril deste ano, ganha uma homenagem aqui em Maringá no show “Galos, noites e quintais – uma viagem pelo som de Belchior”, com o cantor e violonista Paulinho Schoffen e os guitarristas Teodoro e André Gião.

A apresentação, organizada pela produtora Cottonet-Clube, será no sábado (27), às 21h, no Teatro Barracão e as entradas custam R$ 25. O repertório do show conta com 16 músicas, entre elas “Alucinação”, “Comentários a respeito de John, “Apenas um rapaz latino-americano” e “Divina Comédia Humana”.

Paulinho Schoffen ressalta que o show não será um cover e terá um toque particular dos músicos, porque só o fato de ter duas guitarras e um violão já muda a forma de interpretar as canções. “Além disso, faremos arranjos em quase todas as músicas, fica mais prazeroso executar”, adianta.

Para Schoffen, o legado de Belchior é muito importante porque as canções são profundas e analisam a essência do ser humano, principalmente numa época de pouca reflexão como a que estamos. “Espero que todos que comparecem saiam felizes por celebrar a obra desse grande artista.”

UMA VIAGEM PELO SOM DE BELCHIOR
Onde: Teatro Barracão, Praça Professora Nadir Cancian.
Quando: Sábado (27) às 21h.
Ingressos: R$ 25

Paulinho Schoffen, músico do show. Foto: Saes.

Larissa Bezerra, acadêmica do 4º ano de jornalismo

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Colecionadores se reúnem no início de junho para a Feira do Disco Clube

Os amantes dos discos de vinil de Maringá têm a oportunidade de participar da Feira do Disco Clube que será realizada no próximo dia 3 de junho no SESC, com entrada gratuita.

A feira é bimestral e está na 11ª edição. O foco são discos de vinil, mas também é possível encontrar vitrolas, quadros, livros, entre outros itens. Um dos organizadores do evento, Eduardo Lemos, é colecionador de discos desde 1990 e administra a loja virtual Melômano Discos. Ele diz que o acervo oferecido na feira é de qualidade. “Há grande variedade de estilos, do rock à MPB, do jazz à black music.”

A ideia de Eduardo de organizar um espaço de exposição, compra, venda e troca de discos é antiga. Ele participa de feiras desde 2008. Em 2015, se uniu com Robespierre Tosatti, Renan Sanches, Eddy Lust e Silvio Ramos para colocar isso em prática na cidade. “Começamos o projeto em Maringá com a tentativa de resgatar o espírito de antigas lojas de discos, onde o visitante interage com o expositor, resgata algum título que tinha em sua coleção ou até de novos colecionadores que ficam surpresos com o que encontram na feira”, comenta.

Lemos conta que houve aumento dos participantes em relação às primeiras edições do evento, inclusive com pessoas de outras cidades, e embora tenha um limite de expositores, há espaço para o visitante vender os discos que leva de casa.

Seja apenas questão de nostalgia ou não, até 2016 as vendas dos discos de vinil cresceram cerca de 20% em relação a 2014, de acordo com dados do G1. Em outros países como a Inglaterra, esse número também tem aumentado muito.

Além de poder adquirir discos de qualidade, o visitante da Feira do Disco Clube também curte o show da banda maringaense Montanas Trio, que começa a partir das 16h30.

Confira como foi a sexta edição da feira: https://www.youtube.com/watch?v=ClDEctdRClQ

FEIRA DO DISCO CLUBE E SHOW DO MONTANAS TRIO
Onde: SESC Maringá, Rua Lauro Eduardo Werneck, 531.
Quando: Sábado (3 de junho), das 10h às 18h.
Entrada gratuita

Foto: divulgação

Larissa Bezerra, acadêmica do 4º ano de jornalismo

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Memória de Maringá: construção em tempo real

Os monumentos são partes integrantes do patrimônio histórico de uma cidade, capazes de guardar a memória de um povo, singularizando e humanizando o ambiente.

Para o historiador João Laércio Lopes Leal, Maringá, fundada em 1947, se difere por ter a memória construída em tempo real com o desenvolvimento da cidade. Os homens e mulheres que vieram nas três primeiras décadas de colonização, a partir de 1930, já se sentiam como desbravadores. A ideia de pioneiro não nasce depois, mas durante.

“Maringá nasceu com a noção de memória. Já na década de 50 foram criados elementos que valorizavam a história local como efígies, obeliscos, bustos e estátuas, mesmo que de maneira primitiva, pois a prioridade da época era a mercantilização”, afirma Leal.

Para proteger a memória coletiva, o poder público se utiliza do tombamento, que impede bens de valor histórico, artístico e cultural de serem destruídos ou descaracterizados.

Hoje, Maringá tem 11 bens tombados. Quatro pelo estado (Capela Santa Cruz, Capela São Bonifácio, Edifício do Hotel Bandeirantes, painéis e murais de Poty Lazarotto) e sete pelo município (Painel do Café, Museu da Bacia do Paraná, Auditório Luzamor, prédio Luty Vicente Kasprowicz, Capela Nossa Senhora Aparecida, prédio da Companhia Melhoramentos Norte do Paraná e Festa Junina do Sêo Zico Borghi).

Segundo Leal, algumas foram “a duras penas”, pois apesar de parecer uma idealização positiva, para alguns pode ser considerado atraso de modernidade e perda de dinheiro. Mesmo que em bens privados o direito de propriedade permaneça inalterado, quando é aplicado a lei de tombamento o proprietário perde o poder de intervenção, além de ter que manter a conservação do local.

“Temos uma cultura primitiva em Maringá muito ligada à comercialização. O mercado imobiliário nunca viu com bons olhos esse tipo de ação. Tanto é que muita coisa desaparece da noite para o dia quando se percebe que tal bem pode ser tombado, como o Hotel Bandeirantes, na avenida Tiradentes e o prédio da Companhia Melhoramentos Norte do Paraná, na avenida Duque de Caxias com a rua Joubert de Carvalho. Empreendimentos até hoje criticados por pessoas que acham algo velho e sem valor, e que deveria ser construído algo moderno no lugar”, afirma Leal.

A preservação de patrimônios materiais não se conflita com a modernidade, mas concede singularidade ao ambiente. “Uma cidade que considere ‘ser moderna’ ter shoppings, grandes lojas, grandes mercados, iguais às outras no mundo, é uma cidade estúpida. A singularidade, a beleza e aquilo que torna a cidade única, está na memória”, afirma o historiador Gabrieu Souza.

Para que a memória não se perca numa cidade que busca a modernização é imprescindível que a arte pública seja integrada ao ambiente, o que acontece quando a população se identifica ou estabelece afinidade positiva.

Muitos monumentos, porém, acabam passando despercebidos pela população e não são assimilados, seja pela falta de contextualização história ou falta de manutenção.

Um dos exemplos são as placas de concreto armado em formato de notas musicais nas cinco entradas de Maringá, produzidas em alusão à música de Joubert Carvalho, que inspirou o nome do munícipio.

No símbolo, instalado na gestão do prefeito Said Felício Ferreira (1983 – 1988), há escrito “seja bem-vindo a Maringá”, mas muitos moradores têm dificuldade em reconhecer o formato das notas musicais e interpretar a simbologia, mesmo conhecendo a relação do nome da cidade com a música e a denominação de “Cidade Canção”, alcunha dada pelo pioneiro Antenor Sanches, em 1962.

Para Mônica Caliani, 37, o obelisco significava uma chave por causa do formato, por ser na entrada de Maringá. “Você chega na entrada da cidade e recebe a chave”, explicou. Apesar de não ser moradora da cidade, conhece a fama de Maringá de quando a família, que é de Sorocaba (SP), vinha visitar os parentes. “Meu pai falava que era a Cidade Canção.”

O estudante Gustavo Henrique do Amaral, 24, aprendeu no Ensino Fundamental a história e cultura de Maringá. “Quando ensinaram sobre a música que originou o nome da cidade falaram sobre esse monumento de boas-vindas.”

Mas há patrimônios que se incorporam ao imaginário das pessoas e ao cotidiano. O Monumento ao Desbravador, junto com três machados estilizados, localizado na Praça Sete de Setembro, apesar de ter perdido o nome de batismo e nome do local que habita, virou ponto de referência para moradores e turistas: “Praça do Peladão”. Perdeu-se com o tempo também a fonte luminosa, que ficava logo à frente da estátua, desativada em meados de 1980 por ser considerada de valor de manutenção elevado, mas ganhou uma nova singularidade. “Virou ícone da cidade”, comenta Leal.

A ressignificação de patrimônios históricos e culturais é natural e acontece o tempo todo, moldados por pessoas com características únicas. Mas é imprescindível que a memória não se perca. “É importante que as novas gerações saibam do significado original dos patrimônios e as respeitem para que não seja negativa”, afirma Souza.

 

Angélica Nogaroto, acadêmica do 4º ano de Jornalismo da Unicesumar

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