Mês: maio 2012



Golpe da lista telefônica faz vítimas em Maringá

Juliane Lam

A ação de estelionatários que cobram por serviços não solicitados, feitos sob contratos sem validade, tem sido tão frequente em Maringá que já ganhou até nome: “golpe da lista telefônica”. 

Os criminosos ligam para a empresa e, em tom de urgência, pedem informações básicas da organização, como endereço e razão social, sob o pretexto de enviar uma lista telefônica de graça para o local. Com os dados obtidos, fazem a cobrança por um suposto serviço, com a ameaça de levar a empresa a protesto.

De acordo com o investigador da 9ª Subdivisão Policial de Maringá, Ivan Galdino de Freitas, todos os dias surgem novos casos. Somente na sexta-feira passada, quatro empresários registraram queixas contra golpes parecidos. “De uns 5 anos pra cá é que começou pra valer”, conta.

O investigador diz que, até hoje, os responsáveis pelos golpes nunca foram presos, já que é muito difícil identificá-los. Os golpistas apresentam endereços falsos, que são modificados constantemente, e os telefones fornecidos são registrados em nome de pessoas de fora do esquema, os chamados “laranjas”.

As vítimas, em sua maioria, são empresas facilmente encontradas na internet pela divulgação que fazem em propagandas, por exemplo. Os golpistas geralmente são de São Paulo, Campinas e outras cidades de grande porte.

Uma secretária (que pediu para não ser identificada) contou que quase caiu no golpe quando os criminosos entraram em contato com a empresa em que trabalha. Segundo ela, o falso contrato enviado pelos estelionatários tinha vigência de 5 anos, havia sido mandado por fax e estava ilegível.

Ela disse ter sofrido forte abalo emocional por se sentir responsável e esteve a ponto de arcar com a conta apresentada pelos golpistas, mas foi orientada por amigos a fazer um boletim de ocorrência e procurar um advogado.

Para o advogado Gustavo Fonteque Giozet, é comum as vítimas pagarem para evitar problemas. Ele explica que a tendência é de que os golpistas não protestem a empresa e, mesmo que o façam, isso pode ser suspenso pela Justiça. Para o recurso, é essencial registrar a ocorrência.

Comente aqui


Conheça Madjer, o melhor do mundo no futebol de areia

Johnny Katayama

Autor de um dos gols que deu a vitória ao Sporting sobre o Corinthians, por 4 a 3, neste sábado, na estreia do Mundialito de Clubes de Futebol de Areia, em São Paulo, Madjer esteve em Maringá na semana passada se preparando com seu clube para as disputas da competição na quadra da Vila Olímpica.

MadjerEm entrevista a O Diário, ele falou sobre a expectativa em relação ao torneio, o início da carreira no futebol de areia e reforçou que ainda quer mais títulos, destacando que as conquistas coletivas são mais importantes que as individuais.

Nascido a 22 de janeiro de 1977 em Luanda, capital de Angola, João Victor Tavares Saraiva chegou a Portugal antes de completar um ano de vida, quando a família mudou-se para Cascais, na região de Lisboa.

Alguns anos depois, o futebol o consagraria como Madjer. 

Maior artilheiro da história das Copas do Mundo de Futebol de Areia, com 79 gols marcados, e eleito por seis vezes o melhor do mundo na modalidade, Madjer foi campeão mundial com a seleção de Portugal, em 2001, além de ter conquistado inúmeros títulos pelos diversos clubes que defendeu ao longo da carreira. 

Quando surgiu o apelido “Madjer”?

Eu tinha por volta de 10 anos. Quando o Madjer [Rabah Madjer, jogador argelino do Futebol Clube do Porto, campeão da UEFA Champions League e do Mundial de Clubes em 1987] começou a fazer sucesso na Europa. Eu era muito jovem, mas apesar de eu ser canhoto e ele destro, meus amigos mais velhos diziam que nós éramos parecidos fisicamente também, e o apelido pegou.

Você começou jogando futebol de campo, por que trocou os gramados pela areia?

Quando eu tinha 17 anos uma das minhas paixões eram as motos. Mas eu me acidentei, levei 80 pontos em uma perna, e fiquei dois anos parado. Quando voltei a jogar, estava complicado me adaptar novamente ao campo, e recebi um convite para experimentar o futebol de areia. Eu confesso que no primeiro convite que tive eu disse “não”, nem sabia que se jogava futebol na areia. Mas depois aceitei participar de um torneio. O técnico da seleção portuguesa na época me viu jogar e me chamou para integrar a seleção pela primeira vez.

O técnico da seleção de Portugal na época era o João Barnabé, que convocou você inclusive para disputar a Copa do Mundo no Brasil. Naquela época, você acreditava que seria o craque da seleção portuguesa no futuro?

Não, nem imaginava. Tampouco imaginava que faria carreira no futebol de areia. Eu sabia que era um esporte novo, mas não sabia se tinha futuro. Mas depois que eu comecei a trabalhar vi que realmente era um esporte em que eu me enquadrava.

Seu estilo de jogo ficou marcado não apenas pela quantidade de gols marcados, mas pela plasticidade dos lances, com movimentos acrobáticos como bicicletas e voleios. Qual você considera o gol mais bonito da sua carreira?

Já fiz muitos gols, é difícil escolher um. Mas eu troco os gols bonitos pelos gols importantes, que, sem dúvida, também foram muitos.

Em Portugal você desenvolveu o projeto “Academia de Futebol Mad7er & Al6n”, junto com o Alan, que é seu companheiro de equipe no Sporting. Como funciona esse trabalho?

Por enquanto atendemos apenas dois locais, ambos na região de Lisboa, mas queremos estender para todo o país. É um projeto social, que atende crianças de 5 a 14 anos cujos pais não podem pagar uma escolinha [de futebol]. Nós temos uma estrutura para atender essas crianças, e passamos a elas o que aprendemos no esporte.

Você, o Alan e o Belchior jogaram juntos na Itália [no Viareggio Cavalieri Del Mare], na seleção portuguesa e agora estão juntos no Sporting Lisboa também. No ano passado, antes da Copa do Mundo, vocês foram apontados no site da FIFA como os destaques da seleção de Portugal. Qual é o segredo do sucesso do trio?

Acho que um dos fatores que contribuiu para nosso sucesso das equipes por onde nós passamos e pela seleção é a amizade. A amizade deve estar sempre presente em qualquer grupo. Quando os jogadores são amigos, se ajudam, as coisas se tornam mais fáceis. Essa amizade também ajudou a seleção portuguesa crescer, conquistar títulos.

No começo do ano você havia sido indicado para integrar uma comissão da FIFA para cuidar de assuntos relacionados ao futebol de areia. Na ocasião, você se manifestou favorável à inclusão do esporte nos Jogos Olímpicos. Você acredita que isso irá acontecer em breve? Poderemos ver você disputando uma Olimpíada?

Espero que sim. Essa é uma luta de todas as pessoas que trabalham com o esporte. Já conseguimos fazer com que o futebol de areia fosse reconhecido pela FIFA, que já era difícil. Estamos incluindo [a modalidade] na UEFA também e, sem dúvida, as Olimpíadas seriam a cereja no topo do bolo. Não querendo menosprezar outras modalidades mas, inclusive em termos de mídia, o futebol de areia merece estar nas Olimpíadas.

Você já foi nomeado o melhor jogador de futebol de areia do mundo por seis vezes, é o maior artilheiro da história das Copas do Mundo, além dos prêmios de melhor jogador e artilheiro em outras competições. Individualmente, tem algum título que você ainda busca conquistar?

Todos (risos). Mas busco principalmente os títulos coletivos, os individuais são uma consequência. O segredo do meu sucesso é trabalhar pelo coletivo, e as coisas saem com naturalidade. Quanto mais nós procuramos [conquistar títulos individuais], mais temos aquela ânsia de fazer gols, e as coisas não fluem. Quando trabalhamos em equipe, com pessoas profissionais, as coisas acabam se ajeitando naturalmente e os títulos individuais também aparecem. Claro que sempre jogamos dando o nosso máximo, brigando para conquistar o máximo de títulos coletivos.

Você já é um jogador acostumado a jogar no Brasil. Já disputou vários torneios aqui pela seleção de Portugal e até por clubes, tendo jogado nas equipes de futebol de areia do São Paulo e do Botafogo. Existe algum sentimento especial em jogar no Brasil, o país onde nasceu o futebol de areia?

É sempre bom jogar no Brasil. E vencer no Brasil (risos). Não só por ser o país onde o esporte nasceu, mas por continuar a ter os melhores jogadores do mundo. É sempre bom jogar aqui, aprender aqui, e ser bem recebido aqui é ótimo.

Ao longo da sua carreira você também ficou marcado por excelentes atuações contra o Brasil. Quando você joga aqui, os torcedores “pegam no seu pé” por isso ou tendem a aplaudir os lances de qualidade?

Aplaudir não aplaudem (risos). Mas quando saio da quadra o torcedor brasileiro normalmente me trata com carinho. Acho que quando jogamos com educação, sem menosprezar o adversário e tendo sempre o espírito fair-play, é normal que isso passe para o torcedor, que responde com algum carinho.

O Sporting Lisboa estreia no II Mundialito de Clubes de futebol de areia contra o Corinthians, o atual campeão brasileiro, que tem jogadores como Buru, André e o goleiro Mão, da seleção brasileira. No seu time, além de você, estão Alan e Belchior, da seleção de Portugal. O que você espera deste primeiro jogo?

Esperamos ganhar, entrar na quadra com força e atitude para superar o Corinthians. Não podemos esquecer que eles jogam em casa, perante sua torcida. De qualquer forma, os jogadores que estão aqui são todos experientes, já jogaram Copas do Mundo, participaram de inúmeros campeonatos. Temos que encarar como sendo mais um jogo, mas tendo consciência que estamos jogando contra uma grande equipe.

No ano passado, o Sporting Lisboa foi o vice-campeão da competição. Você acredita em um resultado melhor desta vez?

Este ano vamos buscar o título, com em qualquer competição que participamos. Sabemos que vai ser ainda mais difícil que no ano passado, porque os times se reforçaram, viram que é um grande campeonato. Mas estamos nos preparando bem.

O AC Milan, da Itália, anunciou na terça-feira (8) que o goleiro Dida iria reforçar a equipe deles para o torneio. Acha que ele conseguirá se adaptar a jogar na areia?

A adaptação sempre é difícil, mas acho que Dida é um excelente goleiro, tem grandes qualidades, e além disso é alto. Em um gol de campo ele já é grande, e o fato do gol da areia ser um pouco menor, vai ajudar na adaptação dele. Espero que consiga se adaptar, pois é mais um nome de peso no esporte.

1 Comentário


Geração de Notícias no ar!

O Blog Geração de Notícias apresenta o conteúdo desenvolvido por estudantes de Comunicação Social do Centro Universitário de Maringá (Cesumar), através de convênio com o Grupo O Diário. Os acadêmicos produzem reportagens, entrevistas e materiais multimídia que, após discutidos em sala, são lançados no blog. O foco do projeto é hiperlocal, ou seja, notícias que interessam a Maringá e região. Fique de olho no Blog Geração de Notícias, pois muitas novidades e matérias bacanas estão por vir.

1 Comentário