Mês: setembro 2012



Não chuta que não é macumba!

Camila Munhoz

Quem nunca ouviu a expressão: “Chuta que é macumba”? Atribuir o nome de “macumba” a tudo o que é negativo é algo muito comum, o que as pessoas talvez não saibam é que o termo é pejorativo e não tem nada a ver com o que diz o senso comum.

Interior de centro espírita em Maringá

Interior de centro espírita em Maringá

Segundo a mãe de santo Clotilde, da Tenda Espírita Caboclo Sete Flechas, em Maringá, a palavra macumba ficou conhecida como uma palavra negativa, mas na verdade é um instrumento sagrado tocado da África.

“O termo foi inventado aqui no Brasil pelos senhores de engenho porque quando os negros faziam suas orações os senhores achavam que estavam fazendo para prejudicá-los”, explica.

Segundo ela, que é mais conhecida como Clô, o que confunde as pessoas são as oferendas que às vezes são encontradas em encruzilhadas, matas, cachoeiras ou até mesmo em frente a casas ou locais públicos, como aconteceu em outubro de 2010 em frente ao IML de Maringá.

As oferendas são provenientes de trabalhos, que também não são macumbas. Clô explica que existem dois tipos de trabalhos, os de “abrimento de caminhos” e os trabalhos “da esquerda”. Os trabalhos de abrimento de caminhos são para auxiliar e ajudar as pessoas no plano terrestre, trazer paz espiritual, saúde e ajudar nos negócios.

“As pessoas chegam aqui e dizem: ‘Clô, estão acontecendo coisas comigo que não são normais.’ Então eu faria pra você um trabalho de descarrego, de limpeza. Se está tendo dificuldade amorosa, tá difícil de alguém se aproximar, faria um trabalho de amor,como nós chamamos, trabalho de amarração. Tem também o trabalho de saúde para casos que o médico não acha o que a pessoa tem, o remédio não ajuda, então a gente faz um sacudimento de cura – para auxiliar e ajudar”, explica.

Já os “trabalhos de esquerda” pertencem à quimbanda, um segmento da umbanda que serve para o mal e também para defesa espiritual.  “Muita gente usa a quimbanda pra tentar prejudicar as pessoas. Nós fazemos esse trabalho duas vezes por ano para defesa espiritual, para descarregar. Tem um ditado que diz: ‘O mal se elimina com o próprio mal’, quem diria que o soro antiofídico é feito com veneno de cobra?”

Espírito que perturba

Clô conta que está ajudando uma criança de três anos que tem perturbações e chega a falar que vai se matar. “São espíritos obsessores que estão perto dessa criança, nós chamamos de pagãos, crianças que morreram e agora perturbam essa outra. Estamos pedindo para a linha das crianças ajudar, encaminhar essa alma e deixar a outra em paz”, conta.

Quando alguém procura a tenda em busca de algum trabalho, é feita uma consulta, que custa em média R$ 100. Depois que a mãe de santo avalia a situação – seja uma necessidade relacionada à saúde, questões financeiras ou de relacionamento – é feita uma lista de materiais necessários para o trabalho espiritual.

Leva em média sete dias até que seja feito o despacho das oferendas. Alguns dos itens usados são velas, farinha, frutas, pratos de barro, bebidas, taças, charutos, entre outros. Cada uma das oferendas tem um significado específico. As velas, por exemplo, representam a luz e cada cor, um orixá diferente; os charutos simbolizam a purificação. Há também a oferenda de animais, chamada matança, mas que de acordo com Clô, o ato tem sido evitado por recomendação do Conselho Mediúnico do Brasil e Federação Paranaense de Umbanda e Culto Afro Brasileiro, “Dá pra substituir a matança pela utilização de ervas. A matança é o que mais choca as pessoas”, conta.

Não chuta que não é macumba!

Questionada sobre o que deve ser feito quando alguém encontra uma oferenda, Clô afirma que o ideal seria que a própria pessoa que colocou fosse lá e retirasse os objetos, mas que isso nem sempre acontece. Então, caso você encontre uma oferenda, a popular macumba, que deve ser feito é jogar uma água de sal grosso e perfume de alfazema depois descartar os objetos normalmente no lixo, mas somente se a oferenda estiver em frente a sua casa – se estiver na rua, é melhor deixar quieto. “Não foi pra você, deixa lá”, diz. Segundo a umbandista, o sal absorve as energias e, como ninguém sabe com qual intenção aquela oferenda está ali, é melhor se garantir.

A mãe de santo Clô, do Centro Espírita Sete Flechas

A mãe de santo Clô, do Centro Espírita Sete Flechas, em Maringá

“Tem uma pessoa aqui em Maringá que vivia dizendo que andava pelas encruzilhadas bebendo, fumando e chutando tudo”, recorda. Passados 20 anos, a umbandista revela que o homem sofre de problemas numa das pernas. “Os médicos dizem que não tem nada, já fez exame de gota, de trombose e não acha o que é. É uma contaminação espiritual”, garante.

Clô conta que, às vezes, as pessoas voltam para agradecer e dizem que o trabalho feito deu certo. Entretanto, há também os que voltam para reclamar. “O problema é que as pessoas não sabem esperar o tempo certo, querem tudo pra ontem”, lamenta.

Preconceito

Assim como outras minorias, quem pratica a umbanda também sofre preconceito. “Às vezes, as pessoas passam aqui em frente e olham a placa ‘Tenda Espírita Caboclo Sete Flechas’ e já fazem cara feia. Devem pensar ‘Ah, só pode ser macumba’ ”, conta Clô.

Clô diz ainda que às vezes o preconceito está nas próprias pessoas que praticam a umbanda. “Às vezes um fala para o outro: Vou colocar seu nome no meu terreiro, hein? ”.

Quem comercializa produtos de umbanda passa pela mesma situação. O administrador da casa Cosme e Damião, Bady Rjaily, conta que muitas pessoas passam em frente à loja e, quando se deparam com as duas imagens de um casal de pretos velhos em tamanho natural na porta, estranham. “Tem gente que passa até com a mão no nariz”, afirma.

Em Maringá, além da Cosme e Damião, há outro estabelecimento que comercializa produtos de umbanda: a casa Caboclo Quebra-Galho. Rjaily revela que os clientes chegam a gastar até R$ 800 em produtos para trabalhos espirituais. “A média é de R$ 200 para um trabalho”, conta Rjaily. “Às vezes a pessoa vem e faz a primeira compra, depois vai precisando de mais coisas e volta para buscar.”

Produtos à venda em loja especializada em umbanda em Maringá

Clientes mais comedidos gastam cerca de R$ 50 em itens utilizados apenas para cuidados espirituais, como banho de abô (para limpeza espiritual) e velas.

Há também os defumadores cujos nomes são auto-explicativos das funções que os clientes esperam dos itens: super defumador chama dinheiro, atrai dinheiro, dinheiro em penca, atrai freguês, puxa freguês, abre caminho completo, entre outros.

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Presos leem 200 livros ao mês na Penitenciária de Maringá

Ana Luiza Verzola

“Um livro que eu recomendo é o ‘Dom Casmurro’. Sempre falo para os companheiros lerem essa história”, conta Erick Pereira de Azevedo, 29, há cinco anos cumprindo pena em regime fechado na Penitenciária Estadual de Maringá (PEM) e um admirador da obra de Machado de Assis. Foi atrás das grades que ele descobriu a liberdade que os livros permitem. De fala mansa e trajando uma camiseta branca, parte do uniforme dos detentos, ele também pode ser reconhecido pelo número 620, estampado do lado direito do peito. Ali, Azevedo é um estudante como qualquer outro, e até desenvolveu uma resenha do livro preferido para um trabalho de escola, uma vez que está concluindo o ensino médio. Inclusive, da leitura que fez, tem opinião formada sobre a suposta traição de Capitu na obra.

Biblioteca da PEM tem aproximadamente 1,5 mil títulos

Dos 405 presos na sede da PEM, em Paiçandu (16 km distante de Maringá), somente dois são analfabetos. É oferecida aos detentos a possibilidade de se matricular na escola sob responsabilidade do Centro Estadual de Educação Básica para Jovens e Adultos (Ceebja), que funciona no interior do presídio e conta com uma biblioteca com aproximadamente 1,5 mil títulos. Cada 12 horas de estudo reduzem um dia da pena – a leitura, se ainda não fornece essa possibilidade, abre as portas para outros tipos de experiências para os presos.

“É uma forma de tirar a mente daqui, já que o corpo não pode sair”, conta Azevedo, que deve levar ainda um ano e meio para ver o sol nascer em sua melhor forma novamente. Nesse meio tempo, acostumou-se à companhia dos livros. “Antes eu não gostava de ler, nem de escrever, mas aqui eu vi como isso era importante”, diz. Ele afirma que devora pelo menos oito livros por mês. “Acaba transportando a gente para outros lugares mais agradáveis.” A família dele é toda de Umuarama, e dos nove irmãos, ele diz que quatro são professores. “Isso me incentiva também”, observa ele, que também foi estimulado a escrever a própria história encarcerado. “Liberdade Forçada”, é o início da própria obra de vida do detento.

É o que acaba acontecendo quando o hábito de ler se torna rotina. “A leitura permite ampliar o senso crítico deles, torna o preso diferente. Os livros não criam só novos leitores, criam também outros escritores”, conta a pedagoga Márcia Hiroko Kawamoto, há oito anos trabalhando na penitenciária. A PEM registra 220 alunos matriculados no Ceebja – a parceria entre as instituições vem desde 16 de maio de 1996. “Nosso foco aqui é reinserção. Visamos a recuperação do tempo perdido, e essa trajetória traz benefícios quando eles saem”, afirma o diretor do Ceebja Marcos Segale Carvalheiro. São 28 professores concursados responsáveis pelo ensino dentro da PEM.

Presos educados

A reinserção social por meio da educação e do trabalho é uma das metas da Secretaria de Justiça do Paraná. “Estamos vendo um resultado positivo disso. Acreditar nisso motiva nosso trabalho”, diz Márcia. Ela aponta um dos detentos, identificado apenas como Pedro e hoje em regime semi-aberto, como prova de que o trabalho surte o efeito esperado. “O Pedro chegou aqui com problemas de comportamento, de conduta. Hoje ele é o nosso exemplo. Se formou no ensino médio e está cursando o segundo ano da faculdade de direito”, diz. Ele, que segundo ela começou cedo na vida do tráfico, está preso há dez anos.

Para o bibliotecário Elson Edson Cocolo, 34, há um ano e quatro meses preso em regime fechado, a leitura dentro da penitenciária também teve seu papel fundamental. “Ler auxilia muito tanto no conhecimento que está sendo adquirido, já que o hábito fixa melhor, quanto na escrita e na fala”, destaca. Quando começou a frequentar a biblioteca, logo se viu rodeado por muitas histórias, fazendo com que se sentisse à vontade para a função que desempenha hoje. Encarregado de catalogar os livros, fazer os empréstimos e não muito raro indicar obras aos colegas, Cocolo sempre sugere o autor Paulo Coelho aos que pedem sua opinião. Quando ele chegou à PEM, tinha o ensino fundamental completo. Hoje conta, orgulhoso, que já concluiu o ensino médio pelo processo educativo oferecido na penitenciária.

Literatura

As obras literárias do acervo são provenientes de doações do Governo do Estado, e passam por uma seleção prévia dos profissionais do Ceebja. No mês passado, 40 livros de literatura brasileira foram emprestados, e 36 de escritores estrangeiros. Os cerca de 130 restantes tratam, em sua maioria, de poesia ou religião. “Quando observamos que os presos têm iniciativa de ler, se interessam, já é positivo. Demonstra vontade, disposição de buscar algo melhor”, diz o diretor em exercício da penitenciária, Vaine Gomes. “A incidência de comportamento violento cai drasticamente”, ressalta. Ele ainda afirma que o detento em contato com a literatura tem maior facilidade de inclusão e tolerância.

De acordo com Gomes, a obra escolhida pode influenciar na conduta das pessoas. “Às vezes ela se identifica com a história, com o personagem. Há um resgate a partir da leitura”. Características que podem ser identificadas em Erick Pereira de Azevedo, o leitor de Dom Casmurro. “Eu gostei da história por causa disso. Leva a gente a pensar os nossos meios de avaliar outras pessoas. Na incerteza, Capitu é inocente”, sentencia.

Ler para libertar

As 24 unidades penais vinculadas à Secretaria da Justiça vão aderir ao projeto de remissão de pena por meio da leitura ainda este ano. Os presos com ensino fundamental deverão fazer relatórios de leitura e os do ensino médio e pós médio deverão produzir resenhas, contendo resumo e crítica da obra. Os trabalhos serão avaliados por uma comissão de professores do Ceebja. Em Maringá, a PEM está fazendo um treinamento com os detentos que participarão da proposta. A cada resenha feita, diminui três dias na pena.

Detento diz ler oito livros por mês na penitenciária

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Fãs se divertem na pele dos personagens favoritos

Johnny Katayama

“É divertido poder trazer para o mundo real heróis da ficção e passar algumas horas ‘sendo’ outra pessoa”, afirma o controlador de voo Rodrigo Staniecki, 24, que se dedica ao hobby do cosplay desde 2004. O termo é junção das palavras costume (traje, em inglês) e roleplay (interpretação), e trata-se da brincadeira de se fantasiar de um personagem e interpretá-lo, imitando gestos, falas e outras manias.

No Brasil, o cosplay se popularizou principalmente em eventos temáticos de anime (desenhos animados) e mangá (histórias em quadrinhos). Foi em um desses eventos, em 2003, que Staniecki teve o primeiro contato com aquele que viria a ser seu próprio hobby no futuro. “Foi muito legal ver pessoas reais dando vida a personagens que eu gostava, e me deu vontade de passar esse sentimento para outras pessoas também”, recorda. No ano seguinte, ele já deu as caras em um evento incorporando o personagem Sanji, da série One Piece. “Escolhi ele por semelhanças físicas, mas principalmente por gostar do jeito e da personalidade dele. Todos os cosplays que faço escolho baseado nesses dois requisitos: aparência e personalidade”, conta.

Em alguns casos, a identificação é tanta que ultrapassa as fronteiras do hobby. O primeiro cosplay do sushiman Maicon Diego Rainieri, 22, foi baseado no ninja Hatake Kakashi, da série Naruto, em 2007. A experiência foi tão marcante que o nome do personagem o acompanha desde então: ainda hoje ele é conhecido pelos amigos como Maicon Kakashi, nome que adotou até mesmo em sua página pessoal na rede social Facebook. “O cosplay nos permite esquecer os problemas do nosso dia a dia por alguns momentos, enquanto vivemos um personagem diferente. É muito divertido, além de ser uma forma de fazer novas amizades”, garante.

Toda brincadeira tem um preço, e o cosplay não é exceção. “Uma das fantasias mais baratas que fiz foi de Neo [da trilogia Matrix], que custou cerca de R$ 100 incluindo o tecido para a capa, os óculos e os honorários da costureira”, aponta Staniecki. Embora o hobby possa parecer caro à primeira vista, ele garante que com um pouco de criatividade é possível se caracterizar de forma semelhante a algum personagem e se divertir. É o que os adeptos do cosplay popularmente chamam de “cospobre”: a intenção é criar uma fantasia com o mínimo de investimento possível. “Em 2008 participei de um evento de anime imitando um dos trajes do Sanji, mas foi um ‘cosplay de armário’, só aproveitei algumas roupas que eu já tinha”.

A confecção das fantasias também é um desafio. Staniecki prefere confiar o trabalho às mãos de uma costureira ou uma cosmaker – profissional especializado na confecção de cosplays. “Não tenho habilidades manuais para esse tipo de trabalho”, admite. Já Maicon Kakashi prefere fazer os trajes por conta própria. “Peço ajuda em algumas partes, pois eu particularmente não sei costurar. Mas eu fabrico por conta própria as armas e os acessórios. Dá muito trabalho [confeccionar um cosplay], mas a sensação de realização após o término é muito boa. Você olha o resultado final e fala: é criação minha”.

Eventos & Concursos
Presença garantida em qualquer evento de anime e mangá, os cosplays são o centro das atenções por onde quer que passem. “As pessoas param a gente o tempo todo, principalmente quando é um personagem em conhecido ou com acessórios chamativos”, afirma Staniecki, que diz não se incomodar nem um pouco com o assédio das pessoas. “Pelo contrário, sem dúvidas essa é a melhor parte. Quando vemos um sorriso de euforia ou ouvimos um pedido para tirar uma foto é que percebemos que o esforço valeu a pena”. Maicon Kakashi passou por uma situação inusitada: trajado com uma fantasia a caminho de um evento, foi abordado por um fá que lhe pediu um autógrafo.

Os eventos também promovem concursos de cosplay das mais variadas modalidades. As principais são o desfile, onde os participantes são avaliados pela semelhança com os personagens representados; a apresentação tradicional, que além da aparência leva em conta a interpretação; e a apresentação livre, onde o participante tem liberdade para representar de forma bem humorada, fazendo uma paródia do personagem.

Alguns eventos organizam gincanas entre os adeptos do cosplay, tais como o cosplay soccer, uma partida de futebol disputada exclusivamente por pessoas trajando fantasias. “É muito divertido. No meu caso, não foi muito confortável jogar de sapato, mas só o fato de poder interpretar durante o jogo é diversão garantida”, afirma Staniecki, que participou de uma partida em 2007.

Normalmente, tais concursos rendem prêmios aos primeiros colocados. “Ganhei mangás, camisetas, chaveiros, viagens e até dinheiro”, enumera Maicon Kakashi, que recentemente ganhou uma viagem para o Anime Friends, o maior evento multitemático das Américas. O evento é organizado desde 2003 e, de lá para cá, o maringaense participou de três edições. “É um evento muito legal. São infinitas atrações, como torneios de games, dança, card games, além dos stands, onde podemos comprar camisetas, acessórios e outros itens”, comenta.

No entanto, na hora de apontar o maior concurso de cosplay que já participou, Maicon Kakashi não tem dúvidas. “Foi o WCS [World Cosplay Summit], a competição mundial de cosplays. É o maior concurso que existe, onde os melhores de todos os países se classificam para a final, em Nagoya, no Japão”, afirma o maringaense, que já ficou em terceiro lugar em uma etapa classificatória nacional do WCS, em Londrina, caracterizado como Date Masamune, do anime Sengoku Basara, que também vai dar as caras em Maringá neste ano. “O Anime Ingá deve acontecer nos dias 13 e 14 de outubro, e vou participar do evento com este cosplay”, promete.

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Travestis e transexuais são termos que geram confusão. Entenda

João Paulo Dantas

O movimento LGBT (lésbicas, gays, bissexuais e transexuais) está em alta, porém o uso dos termos relativos ao assunto ainda são confusos. No hemisfério norte, por exemplo, já se trabalha com a sigla LGBTIQQ – que, traduzidos, significam lésbicas, gays, bissexuais, transexuais e transgêneros, intersexuais (pessoas com deformação ou nascidas sem os órgãos genitais), queers (homossexuais exaltados) e questioning (indecisos), algo como uma homossexualidade enrustida. Todavia, os termos que mais geram confusão são os travestis e os transexuais, na qual muitos assimilam como sendo a mesma coisa.
Segundo o psiquiatra Humberto Rosa, 54, há diferenciação dentre estes, travestis são aqueles que desejam assumir um ‘outro lado’, se vestindo como o sexo oposto. “Alguns se travestem para excitação sexual, ou vontade de pertencer a outro gênero, porém, travestis também podem ser heterossexuais”, explica. É o caso de D.V.J, 32, que é heterossexual, porém tem prazer em se travestir, apenas no que diz respeito à intimidade. “Acho super normal, minha mulher gosta de brincadeiras desse tipo na cama. Não tenho vontade de me travestir fora de casa, mas no sexo, vale tudo”, conta. Outro tipo que se encaixa dentro da ‘arte’ de se travestir, é o transformismo. “Da mesma forma que as pessoas se travestem, no transformismo não necessariamente as pessoas são homossexuais, uma vez que podem ser usados para fins artísticos”, explica o Dr. Humberto. Dentro do cinema, televisão, teatro etc, há transformistas famosos e de muito sucesso, como Marcos Nanine, Ney Latorraca, Miguel Falabella, Fernanda Torres, Cláudia Raia, dentre outros famosos nomes.
No que diz respeito à transexualidade, Rosa explica que o caso já é mais complexo, e exige acompanhamento psicológico. “Pode-se dizer que o transexual se sente um erro da natureza, uma vez que tem um corpo que não´combina com a identidade psicológica de um indivíduo. O homem pode ter um pênis, mas se sentir mulher, e a mulher, se sentir um homem.” Segundo a Associação Paulista de Medicina Transexual, as principais características da transexualidade são: convicção de pertencer ao outro sexo, aversão à genitália, interesse por troca de sexo. A transexual I.F, 16, conta que se descobriu mulher logo cedo. “Aos 13 eu já tinha certeza que eu era mulher, ainda não sou operada, mas pretendo. Estou fazendo acompanhamento com uma psicóloga, e tomo hormônios femininos”, conta. É importante saber que transexuais devem fazer acompanhamento psicológico por pelo menos dois anos, para que haja a autorização da cirurgia de troca de sexo, hoje também feita pelo SUS (Sistema Único de Saúde). Outro fator importante é entender que transexuais não são homossexuais, pelo contrário. Por exemplo, embora o homem tenha nascido com as genitálias masculinas, sendo operadas ou não, o transexual deve ser considerado uma mulher heterossexual (a não ser que, se considerando mulher, prefira ter relações com mulheres, e vice-versa).

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Internautas unem economia e consumo consciente nas redes sociais

Juliane Lam

O consumo consciente, que se baseia no uso racional de produtos e serviços, também beneficia o “bolso” de quem pratica. A prática evita que materiais ainda úteis sejam jogados no lixo e poluam a natureza, faz com que a escala de produção industrial possa ser menor, além de custar menos para quem faz essa opção. Esses são alguns motivos pelos quais esse conceito tem sido difundido entre as redes sociais. Os grupos de Maringá no Facebook tem atualizações diárias de vários membros. Por meio dessas ferramentas é possível negociar convites para festas, indicar caronas e até vagas em apartamentos, entre outros.
Outro modo diminuir a poluição (e os gastos) é na divulgação de eventos pela internet. Maurício Mendes Pereira, promoter de um bar em Maringá diz que o recuso é mais eficiente que outros com custo mais alto, como a entrega de panfletos. “Não da pra mandar uma linda garota entregar um flyer pra uma mãe de família”, diz ele.  “Então, sempre estamos atuando na mídia virtual, com imagens e textos neutros focados na gastronomia”, conclui.
Segundo o Mapa Mundial das Redes Sociais, lançado em neste mês, mostra que a rede social mais acessada pelos brasileiros é o Facebook. No site é possível encontrar vários grupos que se voltam à troca, compra e venda de produtos, “anúncios” de caronas e vários pedidos de ordem comercial.
Apesar de a prática estar ganhando espaço nas redes sociais, alguns participantes afirmam que o conceito de consumo consciente ainda não tem influência nos hábitos de consumo dos brasileiros. É o que diz o gestor comercial João Paulo Baltazar, membro de um grupo do Facebook sobre marketing digital: “A cultura de consumo consciente e uso de produtos de segunda mão ainda não existem no Brasil”. E satiriza: “Expressando o que provavelmente quase todos os brasileiros pensam: Isso é coisa de pobre”.

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