Mês: fevereiro 2014



Seu Joaquim – Um pioneiro empreendedor

O que seria de Maringá sem o digno trabalho dos pioneiros, que primeiro aqui chegaram e fizeram história, em uma época onde a região do norte do paraná era puro mato, envolta por florestas de Mata Atlântica?

O que muitos não imaginavam era que a cidade cresceria e se desenvolveria tanto com o passar dos anos. Além da agricultura, investiu-se no comércio e na construção de grandes e ousados monumentos como a Catedral de Maringá, hoje símbolo da cidade. É claro que nada disso seria possível se não fosse pela contribuição de pessoas visionárias.

Joaquim Romero Fontes

Joaquim Romero Fontes (foto: Luiza Recco)

Dentre tantos, uma figura carismática e muito responsável, nos chama a atenção. Seu Joaquim Romero Fontes, pioneiro e agropecuarista, chegou em Maringá em meados dos anos 1949 para trabalhar com café. Nascido em Taquaritinga (SP), o pioneiro foi um dos principais responsáveis pela conclusão das obras da Catedral Basílica Menor Nossa Senhora da Glória.

Na época, Joaquim ocupava o cargo de tesoureiro. A pedido de Dom Jaime, deu continuidade às obras que concluíram-se no ano de 1972, conforme o combinado. Além disso, atuou em movimentos sociais e causas comunitárias por muitos anos. É impossível conhecer alguém que não tenha conhecido a história e que até hoje cultive admiração pela pessoa de Seu Joaquim.

Por onde passava, o pioneiro esbanjava simpatia, força de vontade, altruísmo e amor pelo trabalho. Ainda relembrando suas contribuições, Fontes foi o associado número dois do Sindicato Rural de Maringá e o primeiro presidente da Sociedade Rural de Maringá. Apesar da idade, o pioneiro fazia questão de marcar presença em eventos e solenidades na cidade.

Durante muito tempo, Seu Joaquim lutou contra os problemas de saúde realizando diariamente sessões de hemodiálise. Foi um período bastante delicado para o pioneiro, mas com o apoio dos familiares e amigos, ele sempre encontrou forças para seguir em frente e aproveitar os momentos.

Nos momentos de descanso, apesar da dificuldade para ouvir e falar, Seu Joaquim adorava receber visitas e conversar. Tinha um incrível senso de humor e adorava rir e fazer piada de tudo. Exibia sempre um lindo sorriso, estava feliz. Não demonstrava em momento algum, tristeza ou fraqueza. Outro aspecto que o definia muita bem era o bom gosto. Sempre que tinha compromissos, adorava sair de casa bem vestido e não abria mão do elegante chapéu, que acabou virando sua marca registrada.

Infelizmente, em uma manhã fria de sexta-feira, Seu Joaquim nos deixou aos 97 anos, em decorrência de uma falência múltipla dos órgãos. No velório, a emoção tomou conta de todos os presentes. As lágrimas que deveriam ser de tristeza transformaram-se em uma demonstração de carinho e respeito pelo pioneiro. Uma forma de todos expressarem o que sentiam pelo pioneiro, agradecerem e “dizerem” um muito obrigado a tudo que Seu Joaquim fez pela cidade. Um dia em que os maringaenses reconheceram a importância do esforço de um pioneiro que dedicou-se até o último minuto a alegrar e fazer o bem por Maringá.

(Luiza Recco – acadêmica do 4º ano de Jornalismo do Cesumar)

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