Mês: agosto 2014



“É preciso entender a leitora, mas não imitá-la”, diz editor da Capricho

Superligado no twitter, amante de música pop, filmes antigos e hambúrguer com milkshake de chocolate. É dessa forma que se define Thiago Theodoro, 31 anos, editor-chefe de uma das revistas mais conhecidas e lidas entre os adolescentes brasileiros, a Capricho.

Como foi sua trajetória no jornalismo?
Nasci em São Paulo (SP) e me formei em jornalismo na Unesp. Durante a faculdade, trabalhei em jornais comunitários na cidade de Bauru (onde ficava a Unesp) e numa editora que publicava revistas pela Editora Alto Astral.
Logo que me formei fiz os programas de treinamento em Jornalismo do Estado de S. Paulo (onde fiquei por três meses) e da Editora Abril (Curso Abril de Jornalismo), onde fiquei. Em 2005, trabalhei na comunicação interna da Abril e colaborei com publicações como Você SA, Playboy e Revista Ana Maria. Em 2006, trabalhei como editor-assistente e editor da revista para adolescentes, Smack!. No mesmo ano, voltei para a Abril para editar outra revista para adolescentes, a LoveTeen. No ano seguinte, ingressei na Capricho, como editor de entretenimento e, em 2010, virei editor-chefe da publicação.

Como é a equipe de jornalismo da Capricho?
É bem jovem, tem entre 20 e 30 anos e tende a ser majoritariamente feminina.

Você já teve experiência de edição em outras áreas do jornalismo?
Com edição mesmo, a Capricho me proporcionou mais desafios.

Como é o seu dia dentro da revista?
Não é muito definido, depende muito do dia.

Na revista, você também executa o trabalho de repórter?
Quando quero.

O editor tem reuniões diárias com os repórteres? O que basicamente se discute nessas reuniões?
Sim, o caminho das matérias, das entrevistas, imagens, tudo.

Como os “focas” estão chegando hoje à revista?
Cheios de vontade, como sempre chegam.

Você se formou em Jornalismo na Unesp. O que o ensino priorizava em relação à edição quando estudou lá?
A primeira parte do curso era bastante humanista, fazendo a gente refletir bastante sobre as questões do mundo. Na época, o curso ainda era pouco digital, editávamos bastante no impresso.

A linguagem da revista – ainda mais para adolescentes- precisa ser diferente. Há técnicas específicas para isso?
É preciso conversar com a leitora o tempo todo, entender como ela se comunica, mas jamais tentar imitá-la. Fale com ela com inteligência, do jeito que falaria normalmente.

Você vê a edição como uma função jornalística, em que se aplicam técnicas preestabecidas, ou a postura do editor precisa mudar conforme o público para o qual a publicação se destina?
As duas coisas. Obviamente, a natureza da publicação pode influenciar naquilo que é exigido do editor.

A Capricho tem uma equipe de editores? E o que cada um deles faz?
Sim. Trabalham no impresso e no digital, nas editorias de moda, beleza, comportamento e entretenimento, basicamente.

Hoje, com a experiência que você adquiriu em edição, como imagina que essa função poderia ser desenvolvida com estudantes dentro da faculdade?
Prática, prática, prática.

As pautas da revista nascem das expectativas do próprio público ou vocês costumam oferecer algo a mais?/strong>
Pauta tem que surpreender. Sempre.

O que é essencial para atrair e prender o leitor da Capricho?
Qualidade, responsabilidade, bom jornalismo.

Você considera o conteúdo da Capricho jornalístico ou mero entretenimento? Ou, ainda, os dois?
Jornalismo.

A partir da sua própria experiência, que características você acredita que são primordiais para um editor de uma revista como a Capricho?
As mesmas que as de qualquer editor. Hierarquizar informações, surpreender o leitor, informar com responsabilidade e tantas outras mais.

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Mais de 70% das empresas brasileiras são familiares

Churrasco de família, piscina, crianças brincando, cerveja gelada e o assunto da mesa é sobre problemas com fornecedores e clientes. Para essa história não acontecer, é preciso saber separar os assuntos pessoais e profissionais. Quando a família decide abrir um negócio, a dificuldade aumenta. A sociedade familiar é como um casamento. O que parecer mais confiável, se não for bem elaborado, pode causar dores de cabeça. As últimas estatísticas do Sebrae (Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas) apontaram que 73% das empresas brasileiras são familiares.

Os irmãos Diogo Motta e Daniel Malker resolveram abrir a Brothers Company, produtora de vídeo e áudio, em sociedade, em Maringá, há 4 anos. Segundo o advogado Diogo Motta, 32, no início não foi possível dividir as conversas de trabalho entre irmãos. “As dificuldades iniciais tomaram conta de nossas vidas de forma tão intensa, que foi quase impossível separar assuntos familiares dos profissionais.”

Ele ressalta que para viver em um ambiente agradável é preciso saber usar as vantagens do parentesco a seu favor. “Penso que o maior dos segredos está em procurar sempre que puder, ouvir e também desabafar, seja qual for o assunto, mas na hora certa”, diz Diogo.

Uma das características da sociedade em família é que você conhece os pontos fortes e fracos do seu sócio. Para o cantor Daniel Malker, 34, é mais fácil compreender o parceiro quando ele é da sua família. “A grande vantagem é que o amor de irmãos é bem mais tolerante do que o de um amigo.” Ele ainda afirma que se agir com inteligência e educação, será a melhor sociedade. “A confiança e a vontade de vencer, é até debaixo d`água”, conta.

De acordo com o administrador de empresas Anderson Toregeani, mesmo que os resultados não estejam atingindo o previsto, um membro não deve intrometer na atividade do outro. “Uma das ações que mais prejudicam a convivência ocorre quando um membro da equipe interfere na atividade do outro sem que isto tenha sido acordado entre as partes”, alerta. Para ele, todos devem sempre buscar a convivência harmoniosa na empresa. “Manter o respeito é primordial.”

Confira três dicas, segundo o Sebrae, para gerir uma empresa familiar:
1. Relacionamento
É preciso estabelecer regras entre horários e assuntos profissionais e pessoais. Por exemplo, estabelecer que os problemas da empresa só serão trabalhos em dias úteis do mês.
2. Remuneração
Estabelecer limites e critérios para o pagamento dos sócios. O mesmo também deverá ser definido para o uso dos bens e serviços da empresa.
3. Herdeiros
Se você deseja manter sua empresa a longo prazo, esse é um item importante. Determinar quem irá entrar na sociedade e qual será o preparo dele para isso. Às vezes, o herdeiro pode não ter o mesmo olhar e interesse pela empresa que os pais.

Sabrina Morello é acadêmica do 4º ano de Jornalismo do UniCesumar

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Entrevista – Gagueira pode ser influenciada pelos pais

Em algum momento todos nós já ficamos ansiosos com alguma coisa ou sentimos dificuldade em falar para um grande público e consequentemente, acabamos gaguejando. E ao contrário do imaginamos, esse problema têm se manifestado cada dia mais. Conhecida popularmente como gagueira ou gaguez, a disfemia é uma desordem de fluência na fala que atinge cerca de 70 milhões de pessoas em todo o mundo (2 milhões no Brasil) todos os anos. No cinema, um exemplo clássico é o filme “O Discurso do Rei”, que narra a história de Jorge VI, um rei que tinha dificuldades de discursar em público e por conta disso, ele acaba contratando um fonoaudiólogo, para lhe ajudar a superar o problema. Para esclarecer todas as dúvidas quanto ao surgimento e o desenvolvimento dessa desordem na fala, bem como os principais sintomas e outros aspectos mais específicos, o blog Geração de Notícias conversou com a fonoaudióloga Gisele Senhorini, da Clínica de Fonoaudiologia da Unicesumar, que atende diariamente a comunidade e há algum tempo têm desenvolvido um projeto de diagnóstico e tratamento da gagueira.

O que é a gagueira?
A gagueira, na verdade, se formos procurar na literatura, não tem uma definição específica. Mas é importante destacar que não se caracteriza como uma doença e portanto não tem cura, mas pode ser tratada. De uma forma geral, é um problema, uma dificuldade na fluência da fala. Então, quando alguém está falando pode ocorrer uma pausa ou até mesmo um bloqueio. Há também a repetição de sílabas. Basicamente é isso.

E essa dificuldade na fala se manifesta a partir de que idade nas pessoas?
Todos nós podemos ter um momento de disfluência. Em qualquer fase da vida, se você está mais nervoso, é possível que esse problema se manifeste. A partir dos 3 anos, a criança começa uma disfluência do desenvolvimento. As vezes ela está falando e sem querer acaba repetindo as palavras. Isso é extremamente normal. Nessa fase, a criança está desenvolvendo a fala e por conta disso, gosta de se expressar. No entanto, é aí que começa todo o problema porque os pais se preocupam, acham estranho com essa repetição e já pensa “Meu filho está gaguejando”. Intuitivamente, as mães irão tentar acalmar os filhos e pedir que falem devagar. E isso vai construindo na cabeça da criança uma imagem ruim, de que ela não consegue se comunicar. Nós chamamos isso de “imagem de mal falante”. Depois, quando essa criança chegar nos 7 ou 8 anos, a disfluência que antigamente era normal, por conta da idade, aumenta de forma absurda e ela adquire um “trauma”, têm medo de falar.

Então, nessa idade se a mãe sentir que a criança está com muita dificuldade é a fase mais indicativa para a procura de um especialista?
Na verdade, a gente fala que a partir dos 3 ou 4 anos, a “terapia” é com a mãe, não com a criança. Mas se mesmo assim, ela sente essa dificuldade de entender o que está acontecendo com o filho, o mais indicado é procurar um fonoaudiólogo para ele orientar da forma mais correta possível. Mas até os 6 ou 7 anos consideramos essa disfemia algo normal. Não precisa se preocupar. É não chamar a atenção da criança, deixa ela falar.

E essa dificuldade na fala é mais frequente em homens ou mulheres?
Olha, nós percebemos na vivência clínica que o problema se manifesta mais em homens. Pois dentro da abordagem que seguimos, a tensão social, a pressão sobre o homem é muito maior do que da mulher.

Quais são as atividades principais que vocês desenvolvem na clínica?
O nosso trabalho com as crianças até os 6 anos é feito em grupo e estimulamos a linguagem. E paralelo ao grupo das crianças nós atendemos também os pais. Então, enquanto os filhos ficam fazendo atividades de leitura, contagem de histórias, mexem com massinha de modelar, confecção de bolachas. Resumindo, atividades lúdicas. Os pais, por sua vez, recebem orientações de como lidar com essas crianças, com a fala deles. E eles levam exercícios que podem ser feitos em casa, controlam a respiração dos filhos, para nada aconteça. Há um material de apoio que nós disponibilizamos para que o tratamento continue depois que a criança deixa a clínica. É uma terapia permanente.

Luiza Recco é acadêmica do 4º ano do curso de Jornalismo do UniCesumar

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Igreja acolhe gays e combate o preconceito em Maringá

A Igreja da Comunidade Metropolitana (ICM) foi fundada em 2004 em Maringá e é a única do Paraná. A abordagem principal da ICM é receber fieis de todas as opções sexuais e faz isso livre de preconceitos. Muitos dos frequentadores foram expulsos de outras igrejas e até mesmo tachados como pecadores, mas nada fez com que eles deixassem de crer em Deus.

Foi assim que o Pastor Célio Camargo teve a ideia de fundar a ICM. “Eu já tinha sido expulso de outras igrejas por ser homossexual e me senti perdido”, conta Camargo. “Foi então que resolvi reunir outras pessoas que sofriam de preconceito e assim começou meu caminho na ICM.” Essas reuniões começaram a acontecer em Umuarama, cidade natal do Pastor, mas um transexual chamado Paula ligou para Camargo e o convidou para montar a ICM em Maringá. Sem pensar duas vezes, Camargo veio.

Igreja Comunidade Metropolitana

Igreja Comunidade Metropolitana

No começo, a comunidade ainda tinha receio das atividades da igreja, pois ela está situada em um bairro familiar, o Jardim Alvorada. “Depois de um tempo, a vizinhança viu que o que fazíamos era respeitoso e não atingia a religiosidade com má-fé”, conta o Pastor. Hoje, a primeira e única ICM do Paraná recebe diversos fiéis nos cultos e também participa de eventos da comunidade.

A Igreja da Comunidade Metropolitana do Paraná ficou ainda mais conhecida quando participou da Marcha Gay de Maringá, já que no dia do evento os fiéis levaram uma bandeira com a imagem da Catedral junto com as cores da bandeira gay. “Depois dessa polêmica conseguimos ganhar maior visibilidade, porque assim as ajudas da Igreja Católica e de outras instituições começaram a chegar aqui pra gente”, explica.

A ICM do Paraná não recebe fiéis só para os cultos, mas também ajuda àqueles necessitados que não têm para onde ir. Há moças e rapazes que precisam de ajuda psicológica e financeira para conseguirem se reestruturar na vida e a igreja faz parte dessa reabilitação. Josuel (nome fictício) tem 20 anos e morava na rua. Homossexual assumido, começou a fazer programas para manter o vício das drogas. Um amigo contou sobre a ICM e ele resolveu pedir ajuda. Josuel foi acolhido na igreja, arranjou um emprego fixo com carteira assinada. “Hoje temos dez jovens na casa da igreja, muitos já passaram por aqui, dentre eles dependentes químicos, profissionais do sexo, portadores de HIV e sem-tetos e temos orgulho de falar que hoje a maioria trabalha e tem uma vida digna”, conta Camargo.

A igreja se mantém com doações da comunidade e de instituições que conhecem o trabalho que é feito lá. O que é mais necessitado são alimentos perecíveis, principalmente leite e pão. O endereço para doações é rua Uruguai, 297 e o telefone para contato é 44-3031 6755 ou 44-9998 7486.

Eliza Bondezan é acadêmica do 4º ano do Curso de Jornalismo da UniCesumar

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Efetivação de estagiários chega a 67%

A melhor forma de entrar no mercado de trabalho, na sua área de atuação, é pelo estágio não obrigatório. Além de colocar em prática a teoria estudada nas salas de aula, é uma forma para se adquirir conhecimento e experiência. Os benefícios não são apenas para os estudantes. Para os empresários, o estagiário é a ponte entre escola e empresa, trazendo novas ideais, métodos e técnicas.

Depois de conseguir uma oportunidade na área, o ideal é que se trabalhe muito para se destacar e, consequentemente, ser efetivado. Uma prova que isso é possível é a pesquisa do Centro de Integração Empresa Escola (CIEE), de 2013, que mostrou que 67% dos estagiários são efetivados no final do projeto.

O estágio é a oportunidade de aplicar o conteúdo teórico de forma dinâmica. O estudante de publicidade e propaganda Guilherme Stecanella, 20, fez estágio na área durante o primeiro ano de graduação. “O principal benefício é a experiência e conhecimento adquirido na prática e no compartilhamento de informações com profissionais já formados.”

Para regulamentar um estudante para empresa é preciso que tanto a instituição de ensino quanto a empresa concedente estejam em parceria (termo de convênio) com o agente de integração. Feito o convênio, o estudante deverá comprovar que está matriculado e frequentando o curso. O agente de integração emitirá o termo de compromisso de estagiário, que seja assinada por estudante, instituição de ensino, empresa concedente de estágio e agente de integração. Quando o estudante for menor de 18 anos, o termo deve ser assinado pelo responsável legal.

Caso a empresa concedente de estágio opte por não ter relação com o agente de integração, é preciso recorrer diretamente a instituição de ensino. É preciso ficar em alerta, porque algumas instituições não fazem contrato diretamente com as empresas. De acordo com Carlos Alexandre Corrêa, coordenador do Centro de Integração Empresa Escola (CIEE), todo estágio é preciso ser regulamentado. “A empresa estará infringindo a lei de estágio e poderá sofrer sérios riscos, podendo ainda, ser notificada/multada pelos órgãos de fiscalização que poderá entender que não existe vinculo de estágio, mas sim vinculo de emprego.”

A nova lei do estágio
Com o número 11.788, entrou em vigor a nova Lei do Estágio, que introduz uma série de inovações nas normas que regem essa modalidade de capacitação prática de estudantes. Os principais pontos são:
• Carga horária de estágio: jornada máxima de seis horas diárias e 30 horas semanais para os estudantes de ensino superior, ensino profissionalizante e médio. Já para estudantes de educação especial e dos anos finais do ensino fundamental (na modalidade de educação de jovens e adultos), a carga horária máxima é de quatro horas diárias e 20 horas semanais.
• Vigência de contrato: o estágio na mesma empresa ou instituição não poderá durar mais de dois anos e o estudante deve ser indicado apenas para atividades compatíveis com a grade curricular.
• Benefícios: o auxílio-transporte passará a ser compulsório e concedido juntamente com a bolsa-auxílio ou outra contraprestação que venha a ser acordada, que também é obrigatória. No caso das férias, serão concedidas sempre que o estágio tiver duração igual ou superior a 12 meses. Com 30 dias de duração, elas deverão preferencialmente coincidir com as férias escolares do estagiário. Além disso, em semanas de provas o estagiário reduzirá a carga horária na metade.
• Quantidade: há limitação conforme o número de empregados da empresa.
I – de 1 a 5 empregados: 1 estagiário;
II – de 6 a 10 empregados: até 2 estagiários;
II – de 11 a 25 empregados: até 5 estagiários;
IV – acima de 25 empregados: até 20% de estagiários.

Sabrina Morello é acadêmica do 4º ano de Jornalismo do UniCesumar

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Cremação é opção ao sepultamento

Considerada um dos processos funerários mais antigos praticados pelo homem, a cremação se tornou um costume em algumas sociedades e fazia parte do cotidiano das pessoas, por se tratar de uma medida prática e higiênica. No Brasil, a cremação foi instaurada na década de 70, e atualmente, a maioria dos estados brasileiros já contam com pelo menos um crematório, incluindo o interior do Paraná. Há quase 4 anos, o Crematório Angelus, instalado no Cemitério Parque e pertencente ao Sistema Prever, trouxe para Maringá um novo conceito em serviço funerário e está operando sem qualquer problema. O diretor do Prever, Reginaldo Czezacki, conta que o crematório está regularizado, com certificado do Instituto Ambiental do Paraná (IAP) e a Licença de Operação (LO), desde de que a empresa iniciou as atividades na cidade.
Ele comenta que, para que ocorra a cremação, é necessário que a pessoa manifeste a vontade em vida e, depois, um responsável autorize o procedimento, assim como ocorre no caso da doação de órgãos.

O que é a cremação
Muitos se perguntam de forma é realizado este procedimento, que fim terão as cinzas, e se é algo higiênico, pois sabemos que no caso de um sepultamento tradicional, quanto mais fundo o cadáver for enterrado, mais lenta será a deterioração. E o resultado não é nada bom, pois as diversas substâncias orgânicas e inorgânicas, presentes no corpo e soluções de embalsamento, por exemplo, como o mercúrio, arsênico e formaldeído, podem contaminar o solo e até mesmo o lençol freático. Por conta disso, em respeito ao meio ambiente e a saúde humana, há quem prefira a cremação, pois ela evita problemas de higiene e sanitários. É 100% ecológico, portanto não afeta a natureza.
No caso da opção por este procedimento, o velório acontece normalmente. Ao final da cerimônia, o corpo a ser cremado é encaminhado ao crematório, onde é feita uma última homenagem ‘a pessoa falecida, antes da cremação ocorrer de fato. Este processo consiste basicamente em submeter o corpo a uma temperatura de aproximadamente 1000º C em um forno especial para este fim. Este processo só pode ser feito 24 horas após o óbito e demora de 2 a 3 horas, dependendo de cada corpo. Pela tempo e complexidade do procedimento, apenas seis corpos são cremados por dia. Ao final, restam apenas cinzas e alguns fragmentos ósseos, que são triturados para que os grânulos fiquem perfeitamente uniformes e sejam entregues ao responsável 6 horas após a cremação.

O que é feito com as cinzas
O destino das cinzas é uma opção da família, que pode levar a urna para casa ou dispersar em algum local que tenha um significado especial. Existem opções de urnas hidrossolúveis (que se dissolvem na água), urnas com húmus e sementes de árvore, que podem ser plantadas com as cinzas, além de muitas outras opções. É possível também fazer um diamante, pintar um quadro com tinta óleo e, até mesmo, enviar para a órbita da Terra. Para os mais conservadores, há o Columbário, um local feito especialmente para armazenar a urna cinerária e que se localiza dentro do próprio cemitério.

Restrições quanto à cremação
Qualquer pessoa que desejar ser cremada deve ter esse direito assegurado. Há apenas a restrição em caso de morte violenta, quando a cremação só pode ser feita com autorização judicial. Além disso, a vontade precisa ser expressa à família, ainda em vida, pois, mesmo que o falecido tenha deixado documentada a vontade de ser cremado, se a família se opor a decisão, o procedimento não é realizado. Além disso, restos mortais de pessoas sepultadas também podem ser cremados.

Quanto custa a cremação
Ao contrário do que muitos pensam, atualmente, a cremação é financeiramente mais viável do que o sepultamento. Os custos com velório são os mesmos, porém não há gastos com a sepultura, ornamentação de túmulo, nem a manutenção constante com o mesmo. Czezacki explica quem for associado Prever e pagar um plano especial de cremação, terá direito ao serviço. E quem não estiver vinculado ao plano, mas for associado Prever, poderá usufruir do benefício do mesmo jeito, só que terá que desembolsar R$1,5 mil. Para a população em geral, o valor é de R$3 mil.

Luiza Recco é acadêmica do 4º ano de Jornalismo do UniCesumar

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Entrevista: “O editor é refém do repórter”

No Twitter, ele se define como “jornalista, professor e metido a entendido sobre novas mídias”. Usuário ativo da rede social, em 2011, o então editor-assistente de política da Folha de S. Paulo enfrentou problemas – e uma demissão – ao postar comentários a respeito do jornal.

Aos 44 anos, 23 de jornalismo, o gaúcho Alec da Silva Duarte tem um currículo de dar inveja. Estreou na profissão como repórter do jornal Folha da Tarde cobrindo polícia, administração pública, política e cidades. Em 1992, foi repórter de Política e editor de Esportes no Diário do Grande ABC. Em 2000, Duarte assumiu o cargo de editor-executivo do jornal A Gazeta Esportiva.

Trabalhando atualmente como consultor em marketing político, Alec Duarte também é chefe de reportagem da coluna Último Segundo do Portal iG, professor universitário desde 2006 e coordenador dos cursos de pós-graduação em Jornalismo Multimídia e Jornalismo Esportivo da Fundação Armando Alvares Penteado (Faap), de São Paulo.

Você já atuou como editor na Folha de S. Paulo, no Portal Terra, já foi editor de mídias sociais no G1. Em cada um deles o processo de edição é muito diferente?
É bastante diferente. Não exatamente por ser a Folha ou por ser o G1, mas porque foram funções bastante diferentes. No caso da Folha, fui editor assistente de esporte e editor adjunto de política. No Terra fui editor executivo, comandei a redação, com a rotina do dia a dia totalmente on-line. No caso do G1, com o acréscimo de ter feito uma função pioneira, tive a oportunidade de montar a editoria de mídia social e interação no G1. Então, foram trabalhos com características bem diferentes, até pela própria plataforma onde esses veículos estavam colocados. Na Folha eu tive participação na fusão dos conteúdos de papel e de on-line, mas a minha prioridade, em boa parte do tempo, foi jornalismo impresso.

Das equipes de jornalismo com as quais você trabalhou, quais as principais carências de informação/formação que percebeu nelas?
Nessa trajetória de vinte e poucos anos, apesar de ter mais acesso à informação me parece que as pessoas que estão trabalhando com jornalismo têm menos interesse no noticiário. Essa é uma deficiência que me parece clara, ainda mais em comparação com essa trajetória de uma época que a gente oferecia informação e as pessoas pareciam ter mais interesse e agora acontece o contrário. E no caso específico do jornalismo esportivo, do qual eu trabalhei por 13 anos com passagens em lugares diferentes, é um problema mais sério, desinteresse pela profissão de jornalista. O interesse maior é pelo esporte, não pelo jornalismo.

Onde exatamente termina o trabalho do repórter e começa o de editor?
Essa é uma pergunta muito boa. Agora mesmo eu estava brincando com uns amigos, [dizendo] que se só tivesse repórter no mundo provavelmente não teria produto jornalístico, porque o jornalismo é um trabalho coletivo. Com o avanço da tecnologia, a gente tem condições de fazer iniciativas individuais, publicar reportagens em plataformas próprias que independem desse trabalho coletivo. O produto, seja para tevê, impresso, uma editoria na internet, tem que funcionar com essa complementaridade entre repórter e editor. O repórter é o cara super importante da redação, mas o editor também é, porque ele tem – ou deveria ter, pelo menos – a visão do todo, a visão contextualizada. Acho que o trabalho de um termina quando o outro, no caso o editor, vai organizar aquela produção do repórter que é fundamental, é a matéria-prima do jornalismo.

Qual o peso de cada um, repórter e editor, na informação que chega ao leitor?
Independem. O editor também é um repórter. Ele também pode levar informações e isso acontece o tempo inteiro, mas é o repórter que está nessa linha de frente. O editor é um refém do repórter, porque fica completamente à mercê das informações que estão sendo trazidas, são essas que você pode utilizar, a não ser que tenha outros meios. É sempre importante conservar fontes, mesmo na edição. O editor consegue complementar, descobrir uma contradição, enfim, melhorar o produto, mas normalmente o repórter vai ter mais peso. O cara chega junto e fala “é isso aqui”. Como que eu vou discutir se eu não tiver a informação?

Você pode nos contar como foi o episódio do twitter e a sua saída da Folha de S. Paulo?
Sou professor da FAAP e me manifestei sobre isso apenas em sala de aula. Não há o que se questionar. A instância pessoal é minha, faço dela o que eu bem entender e o empregador tem todo direito de não gostar disso. Então não houve nenhum problema, inclusive eu tenho um relacionamento normal com a Folha hoje, e não é algo que mereça ser explorado. Concordo totalmente com o desfecho que foi dado ao caso, assim como concordo também com o que eu publiquei. Aquilo é meu e eu publico o que eu quiser. É isso.

Como você vê o trabalho do editor com os “focas”?
Há editores e editores. Tem o cara que é mais dirigente, que é como deveria ser, mas às vezes a gente não tem estrutura para isso. Estamos submetidos a processos complicados. Então é fácil falar que o editor tem a obrigação de acompanhar o cara novo, mas isso não acontece porque o editor também está no meio do caos. As condições que são postas para o trabalho também não são as ideais. Isso é um problema corporativo, em geral. A gente tem que treinar as pessoas, mas não tem tempo para treinar. Falando como professor, é bonito, é legal, mas quando estou do outro lado vejo que é difícil, é complicado. É um problema interior, de gestão, e não só do jornalismo.

Você acha importante a adoção de manuais de redação ou de algum documento específico que estipule diretrizes para o jornalismo impresso?
Acho fundamental. Não só para o impresso, mas principalmente para o on-line, que é muito mais espinhoso e as coisas acontecem muito rápido, você tem menos tempo para decidir. Eu sou a favor de manuais, não pela burocracia, mas para que sejam documentos efetivos que escrevam rotinas, procedimentos. O jornalismo tem uma deficiência clássica de informação, de planejamento e de registro de processos. É algo de que o jornalista – por parecer uma coisa burocrática – foge, corre, mas são tão necessárias quanto em qualquer profissão. E isso falta muito no jornalismo, especialmente no on-line. Acho que o impresso fez a lição de casa por ser mais antigo e já consegue fazer isso com alguma regularidade

Qual a importância das reuniões de pauta?
Eu gosto de reunião. Não sei se você já ouviu isso alguma vez, mas eu gosto de reuniões em que se decidem as coisas. Acho que conversa nunca é jogada fora, só que tem que ter objetividade. A reunião também precisa de uma rotina, de um procedimento, por incrível que pareça. É óbvio que as coisas vão acontecendo ali, mas eu acho que conversas são fundamentais e não só nas reuniões de pauta, conversa para um trabalho de equipe é fundamental.

O que mais sobre edição você compartilharia hoje conosco, estudantes de jornalismo?
Eu participo de um processo de conversa e de diálogo nas nossas instâncias on-line. Acho que conhecimento é compartilhado a cada momento. Mas algo que serve para edição, edição da vida e não só de jornalismo, é ter critério. Uma decisão tomada ontem precisa ter peso no que você vai fazer amanhã, porque você sabe o que fez anteriormente. Então, é ser criterioso, ou seja, seguir uma linha definida e se manter fiel àquilo. É um ponto essencial nessa função tão bonita que é a edição e tão prezada muitas vezes porque, afinal de contas, os holofotes normalmente se dirigem para a reportagem, mas ambos conseguem fazer esse trabalho bacana, esse desafio de jornalismo impresso diário que é o grande barato da profissão.

Priscila Dias é acadêmica do 4º ano de Jornalismo do UniCesumar

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Dengue ainda preocupa em Paranavaí

A dengue ainda é um assunto preocupante em Paranavaí. Após a realização do terceiro Levantamento do Índice Rápido de Infestação pelo Aedes Aegypti (Lira) em 2014, a Vigilância Sanitária de Paranavaí percebeu que o índice ainda precisa diminuir. Para isso, uma reunião na última semana com integrantes do Comitê Municipal de Combate e Prevenção à Dengue foi feita na Vigilância Sanitária.

Em busca de prevenção, a Secretaria de Saúde está intensificando as visitas as casas e comércios, e mais de 100 pontos estratégicos estão sendo fiscalizados. O resultado ainda não é o esperado, mas se comparado ao segundo Lira deste ano, este já teve um leve progresso. Ambos estão acima do permitido (1%), mas o levantamento anterior foi de 2,2%, enquanto este foi de 1,1%.

Segundo o diretor da Vigilância em Saúde de Paranavaí, Randal Khalil Fadel, existem bairros com maiores focos e que devem ter as atenções dobradas, pois o fim do inverno e a volta do calor podem fazer com que os números cresçam novamente. “No Jardim São Jorge e Simone e na Vila Operária foram os lugares onde mais encontramos dificuldades, com maior quantidade de sujeira”, afirma Fadel. Nesses bairros o índice de infestação foi de 1,8%.

A Vila Operária foi um dos bairros com mais casos de dengue. Foram 31 casos notificados, sendo 15 confirmados (o maior entre os bairros de Paranavaí). A diarista Elza Pereira, 42, mora na Vila Operária e acredita que os moradores têm sua parcela de culpa. “Os agentes sempre passam fiscalizando, mas conheço pessoas que nem com fiscalização jogam o lixo fora. Isso prejudica muito”, reclama a diarista.

Um dos problemas de Paranavaí segundo Fadel não é uma causa de difícil solução. São encontrados frequentemente casas e terrenos com lixo (garrafas, latas e recipientes plásticos) e entulhos de construção. A recomendação da Vigilância é encaminhar o lixo para o destino adequado.

Foram contabilizadas no município 451 notificações de dengue, com 98 casos positivos, 315 negativos e 38 aguardando resultados. Até o dia 18 de julho foram 5.458 notificações em todo o Noroeste do Paraná, com 3.644 casos confirmados, 1.465 descartados e 349 ainda aguardam exames.

Rodolpho Roncaglio é acadêmico do 4º ano de Jornalismo do UniCesumar

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Número de universitários com mais de 30 anos sobe 25% em 4 anos

”Sempre tive vontade de ser professor, poder ensinar alguém. E agora, com a conclusão da graduação, farei o possível para realizar o meu sonho.” A afirmação seria trivial, não tivesse partido de uma pessoa com seus 42 anos de vida. Marcos Tavares se formou no final do ano passado no curso de História da Universidade Estadual de Maringá (UEM). Assim como ele, milhares de pessoas estão buscando – ou voltando – aos bancos da faculdade para mudar de carreira, realizar um sonho ou, simplesmente, adquirir novos conhecimentos. E os dados do último Censo do Ensino Superior comprovam essa tendência: O número de pessoas com mais de 30 anos matriculadas em cursos de graduação cresceu 25% entre 2009 e 2012 no Brasil.
Os ”estudantes maduros” representam hoje quase um terço dos 7 milhões de universitários matriculados em 2,5 mil instituições de ensino superior no País. A entrada na universidade é um sonho muitas vezes tardio, realizando-se bem depois da idade em que normalmente acontece o ingresso nas faculdades (por volta dos 18 anos). Mesmo o total de pessoas entre 25 e 29 anos matriculados em cursos de graduação no País no período pesquisado pelo Censo também apresentou aumento (16%).

Ensino a Distância
Como a maioria desse pessoal trabalha e, até mesmo, já tem família e filhos, a opção de cursar uma faculdade a distância é atrativa. No UniCesumar, 64 % dos estudantes matriculados nos cursos de Ensino à Distância (EAD) têm mais de 30 anos – ou seja, eles formam um batalhão de 30 mil alunos. Já no ensino presencial o percentual é bem menor: cerca de 4% dos acadêmicos que ingressaram no último vestibular têm mais de 30 anos (cerca de 4% do total).
Segundo o pró-reitor de ensino do UniCesumar, Valdecir Simão, um dos motivos que explicam o ingresso de pessoas com mais de 30 anos na faculdade é a exigência do mercado por profissionais com qualificação, competência e habilidades específicas nas diversas áreas. ”Esse fator é essencial para que eles permaneçam na condição de empregabilidade”, analisa.

A facilidade de acesso aos créditos disponíveis (FIES, PROUNI, PROMUBE, BOLSAS) também turbinou a procura de cursos de graduação por pessoas mais maduras. O aumento da oferta de cursos a distância e de tecnólogos, que são mais curtos, bem como o desejo de ter uma segunda graduação, são outros fatores que justificam o ingresso tardio na universidade.

Para o Gerente de Marketing do EAD do UniCesumar, Harrison Brait, a crescente procura pela modalidade nos últimos anos é que as pessoas mais maduras se identificam com o Ensino a Distância por diversos fatores, sendo o mais predominante a flexibilidade. ”O ritmo de vida dessas pessoas é outro a partir de uma certa idade. A dedicação ao trabalho, o fato de estarem já há algum tempo longe dos estudos e, principalmente, por terem que dar atenção à família, deixam-nas desconfortáveis em ter de voltar a uma sala de aula todos os dias”, diz o gerente.

No EAD, as pessoas podem estudar no conforto de casa, no trabalho ou em qualquer lugar com acesso à internet, ou seja, cabe ao aluno definir o melhor local e horário para estudo. ”Observamos também que muitos de nossos alunos já estão no mercado de trabalho e buscam se atualizar e crescer profissionalmente. E estudar é a forma mais rápida para esta ascensão”, analisa o gerente de Marketing do UniCesumar.

Pública
Na Universidade Estadual de Maringá (UEM) a média de estudantes com mais de 30 anos que ingressaram na universidade é de 2% (352 alunos), entre os anos de 2009 e 2012. A maioria (56%) é de mulheres. A coordenadora do Núcleo de Educação à Distância (Nead) da UEM, Maria Luisa Furlan Costa, explica que a modalidade de educação à distância tem se mostrado uma alternativa viável para jovens e adultos trabalhadores que encontram dificuldades para conciliar o horário das atividades acadêmicas com os compromissos profissionais.

“Uma parcela significativa dos alunos matriculados em cursos superiores a distância já frequentou o curso presencial e não conseguiu concluir o mesmo em função desta dificuldade”, revela. “Os dados do censo de 2010 mostram que a idade média dos alunos matriculados nos cursos presenciais é de 26 anos, enquanto dos cursos a distância é de 33 anos. O que os motiva é a possibilidade de trabalhar e estudar ao mesmo tempo’’.
Maria Luísa complementa que os alunos que estudam em cursos à distância têm a possibilidade de flexibilização do horário para conciliar trabalho e estudo. No entanto, quem prefere estudar por conta própria deve ter maior disciplina para organizar o tempo e assim cumprir os prazos estabelecidos para o cumprimento de todas as atividades previstas no cronograma de cada disciplina.

Estudar para cozinhar
Ana Carolina Cordon completa 30 anos em setembro e está no primeiro ano do curso de Gastronomia do UniCesumar. Segundo ela, a vontade de cursar uma faculdade sempre existiu, no entanto, o que acabou adiando o sonho da jovem foi a condição financeira na época e a indecisão para escolher uma graduação. ”Quando eu era mais nova, tive várias oportunidades de fazer faculdade, mas as ideias nunca foram levadas adiante. O único curso que conclui foi o de cozinheira pelo Senac”, diz.

Após concluir a graduação no UniCesumar, Ana pretende viajar para conhecer melhor a cultura gastronômica dos grandes restaurantes pelo mundo e, depois, almeja abrir o próprio negócio. ”Gosto muito de cozinhar, acho que esse tempo que fiquei afastada dos estudos contribuiu para que eu me encontrasse na gastronomia. Mesmo não exercendo agora a profissão, estou me especializando e pretendo abrir futuramente um restaurante com uma proposta inovadora”.

Luiza Recco é acadêmica do 4º ano de Jornalismo do UniCesumar

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Entrevista: “Chupeta ortodôntica é jogada de marketing”

É muito comum as mães usarem chupetas e bicos para acalmar os bebês e crianças, mas a prática causa alterações estruturais e funcionais graves. A necessidade de sugar do bebê é satisfeita apenas com a sucção do peito da mãe na amamentação. A fonoaudióloga Cristiane Gomes, especialista em motricidade orofacial, explica como o bico artificial pode prejudicar a saúde do bebê.

Quais são os malefícios da chupeta e da mamadeira? Existem benefícios?

A chupeta e mamadeira possuem os mesmos malefícios, pois mudam a fisiologia da sucção do bebê da mesma forma. As alterações que poderão acarretar dependem da frequência, intensidade e duração do uso, mas também do tipo de bico, que pode interferir de forma pior, de acordo com diversas pesquisas. Nenhum bico artificial – seja de chupeta ou mamadeira – pode ser considerado fisiológico. Fisiológico é relacionado à fisiologia, ao organismo, ao corpo humano. Como um objeto de plástico pode ser considerado ou comparado ao organismo? Isso é propaganda enganosa. Existem muitos malefícios que podem ser causadas pelo uso de chupetas e mamadeiras com qualquer tipo de bico: alterações na cavidade oral (ossos e músculos), na abertura da cavidade oral, na postura dos lábios, na postura e movimentos da língua, nos movimentos mandibulares e tipo de pressão oral exercida, no crescimento facial, na oclusão dentária e em todas as funções orais (respiração, fala, deglutição, mastigação).

Como substituir o desejo do bebê pela sucção?

Os benefícios relatados geralmente se referem ao fato dos bicos acalmarem o bebê, mas sabemos que é a sucção que acalma e não a chupeta em si ou a mamadeira. As mães também relatam que com a chupeta a mãe tem mais liberdade para realizar outras atividades.

Que outras alternativas há para o aleitamento?

O bebê deve ser amamentado exclusivamente até seis meses de vida e deve receber leite materno até dois anos ou mais juntamente com alimentos saudáveis. Em momentos em que a mãe se ausenta, ou necessita sair para trabalhar e o bebê estiver em aleitamento exclusivo, a mãe pode retirar seu leite e deixá-lo para ser oferecido por copo, assim como após o início de oferecimento de outros alimentos. Ela pode amamentar antes de sair para o trabalho, a criança recebe outros alimentos e líquidos no copo e quando a mãe estiver presente pode amamentar. Esta é a saída mais saudável.

Caso a criança já tenha o vício, como substituir a chupeta?

Quando a criança já desenvolveu o hábito oral deletério de sucção de chupeta é porque ela, em algum momento, desenvolveu uma necessidade oral que não foi satisfeita, geralmente porque não foi amamentada ou a amamentação exclusiva foi reduzida ou o desmame foi precoce. O aleitamento insuficiente gera necessidade de sucção e, na maioria dos casos, a mãe insere a chupeta por perceber que a criança começa a sugar o dedo por não ter satisfeita a necessidade de sucção após a alimentação por mamadeira, que realmente não sacia a sucção (já que a sucção é totalmente diferente da mama). A criança desenvolve, com o tempo, uma dependência emocional com o objeto, que passa a fazer parte de sua vida e a sucção também passa a ser um escape para os momentos de ansiedade, ausência materna etc. Para retirar tal hábito, em primeiro lugar é necessário paciência, diálogo com a criança, muito carinho e atividades lúdicas. Essas ações são essenciais, pois a educação positiva auxilia a criança a compreender o que pode acontecer com seus dentes, sua face, percebe que a chupeta não é necessária e tem tempo para elaborar seu abandono completo. Ações abruptas geralmente não são eficientes e fazem com que a ansiedade se multiplique, causando outros hábitos orais que podem persistir por toda a vida adulta (ranger os dentes – bruxismo, roer as unhas – onicofagia, etc).

E as chupetas ortodônticas?. Elas são indicadas?

As chupetas ortodônticas são jogadas de marketing que levam pais e muitos profissionais de saúde a crer que são fisiológicas, que são semelhantes à mama materna, porém isso é falso. Muitos estudos já revelaram que esses bicos muitas vezes trazem maiores prejuízos à musculatura oral e da língua, bem como às posturas orais, do que os bicos comuns. Isso significa que nenhum bico pode ser comparado à mama materna. Por isso existe há algum tempo uma legislação para proteger as mães dessa indústria inescrupulosa que só visa lucro e não tem interesse na saúde das crianças. Essa lei é chamada de NBCAL – Norma Brasileira de Comercialização de Alimentos para Lactentes e Crianças de Primeira Infância, bicos, chupetas e mamadeiras, que legisla sobre a propaganda, produção e venda de produtos para lactentes, desde leites, papas, bicos, chupetas e mamadeiras.

Sabrina Morello é acadêmica do 4º ano de Jornalismo do UniCesumar

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