Mês: junho 2015



A moda é comprar roupa usada

Parada obrigatória em outras partes do mundo – como Europa e Estados Unidos -, cada vez mais os brechós têm ganhado adeptos no Brasil. Aos poucos, o receio em comprar roupas usadas e o pensamento de que só vai encontrar peças cheirando a veneno de barata e a roupa velha, são quebrados.

Prova disso, é que segundo a pesquisa do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), o mercado de venda de produtos usados cresceu 210% em cinco anos – de 3.691 lojas para 11.469 entre os anos de 2007 a 2012.

Proprietária de brechó em Maringá Berenise Teobe aposta não só na venda de roupas, mas também em objetos para decoração. Berenise ressalta que é importante que lojas destes segmentos invistam em um determinado estilo. “Aqui na minha loja, por exemplo, trabalho com o vintage e o retrô, se não tiver esse diferencial, [a loja] torna-se popular”.

Além disso, a proprietária conta que é necessário investir em peças ou artigos de decoração que além de serem esteticamente bonitas, devem ter qualidade. “Antes de comprar algum produtos, penso se usaria aquela roupa ou se colocaria aquele objeto na minha casa”, finaliza.

Variedade

Muitas pessoas adquiriram o costume de comprar em brechós como forma de complementar o look. Para a designer de moda Karen Aguetone, devido à variedade de peças encontradas em lojas de roupas e acessórios usados, comprar nessas lojas pode ser uma boa opção para pessoa de qualquer estilo. “É claro que alguém mais antenado em moda talvez consiga garimpar alguma coisa mais interessante, misturar peças e montar looks mais antenados. Mas mesmo assim, acho que brechó é um lugar para todo mundo”, completa a designer.

Para os que ainda não têm muita experiência em fazer compras em brechós, Karen diz que vale a pena investir em peças como blazers e camisas. “Essas peças no brechó são meus queridinhos, sempre dá para encontrar estampas e modelos únicos e bem diferentes do que a gente encontra em outras lojas”.

A designer ressalta que antes de fazer a compra, o consumidor deve avaliar o preço da roupa pela exclusividade e estado de conservação. “Acho que até R$ 50 em uma calça jeans ou uma jaqueta pode ser legal, peças mais caras que isso é preciso ser mais criteriosa na avaliação, para ver se vale mesmo”, completa. Por isso, embora comprar peças e acessórios em brechós tenha vantagens, é necessário que o consumidor fique atento a pequenos detalhes, como a costura e o estado do tecido.

A designer de interiores Amanda Rawana, 20, frequenta brechós há 3 anos, conta que o melhor achado foi uma jaqueta jeans bem grossa por R$5 e um blazer por R$10, além de outras peças do tipo. Já a estudante Andreza Ramos, 20 anos, diz que dá para encontrar peças ótimas em brechós. “Consigo criar looks únicos. Mas, com certeza, o melhor é o preço. Gasto bem menos do que se fosse comprar em uma loja”, afirma Andreza.

Lilian Vespa é acadêmica do 4º ano de Jornalismo do UniCesumar

5 Comentários


Escritor é homenageado pela Câmara de Maringá

O escritor maringaense Marcos Peres, 30 anos, receberá o título do Mérito Comunitário e o Brasão do Município, entregues pela Câmara dos Vereadores de Maringá, nessa quinta-feira (25). Peres, que é servidor do Tribunal de Justiça do Paraná, é autor do livro “O evangelho segundo Hitler” (Record, 2013). Com a obra ele ganhou os prêmios Sesc de Literatura 2012/2013 e São Paulo de Literatura 2014 – ambos na categoria Romance.

O maringaense receberá as honrarias do município a partir de um requerimento proposto pelo vereador Carlos Eduardo Sabóia (PMN) e assinado por outros 11 vereadores em 2014. Entre outros assuntos, ele conversou com o Geração de Notícias sobre o reconhecimento municipal e sobre “Que fim levou Juliana Klein?”, o novo livro que será lançado em breve.

O que você acha sobre receber essas honrarias Câmara dos Vereadores?

Todos os reconhecimentos são bonitos e, de certa maneira, me emocionam. A literatura é uma terra árida, poucos são os que têm os frutos semeados e colhidos. Por isso, fico feliz com o reconhecimento, seja ele dado por um leitor ou pela Câmara de Vereadores. Por 10 anos, escrevi apenas para dois amigos – e cheguei a acreditar que essa seria minha eterna realidade.

Você pensa em receber o título de Cidadão Benemérito?

Este é um título para pessoas que destinaram suas vidas para a cidade, seja no aspecto cultural, esportivo ou político. Eu tenho muito que fazer ainda, antes de pensar em receber tal honraria. Há ainda muita lenha pra queimar.

Como está a produção do “Que fim levou Juliana Klein?”

O livro foi para a gráfica após um longo cuidado com a arte, com as revisões. Logo teremos o romance em mãos.

Os detalhes do lançamento já estão certos?

Estava tão envolvido com os preparativos finais do romance que ainda não pensei no lançamento. Acho muito provável que ocorra um aqui, em Maringá. Mas nada foi pensado, ainda.

Victor Simião é acadêmico do 4º ano de Jornalismo do UniCesumar

Comente aqui


Feministas de Maringá vão à luta pela liberdade da mulher

Em Maringá, o feminismo tem ganhado espaço através de grupos que desenvolvem atividades que apoiam os direitos da mulher na sociedade.

O “Coletivo Maria Lacerda de Moura”, fundado em 2012 , após a primeira edição da Marcha das Vadias na cidade, tem o objetivo de aprofundar as questões teóricas e práticas sobre o feminismo.

Há três anos, a estudante de Comunicação e Multimeios Camille Balestieri,20, adotou o feminismo na sua vida. Atualmente, é militante do Coletivo Feminista Maria Lacerda de Moura e representante das mulheres lesbianas no Conselho da Mulher de Maringá. “Vimos após a ‘Marcha das Vadias’, que tínhamos vontade e necessidade de continuar a construir esse movimento feminista na cidade, então resolvemos formar o Coletivo Maria Lacerda. Analisamos o respeito de nossa condição na sociedade, enquanto mulheres, discutimos pautas, principalmente relacionadas com as violências provenientes do machismo e como acabar com as mesmas por meio da nossa ação direta e pela adoção de políticas públicas adequadas.”

Para Camille, o feminismo é mais do que se reunir para discutir as opressões contra as mulheres, e sim as violências simbólicas que elas sofrem todos os dias. Ela garante que militância começou dentro da própria casa.

“Quer um exemplo pessoal? Eu tenho um irmão mais novo, temos menos de um ano de diferença de idade, nunca consegui entender a razão pela qual os brinquedos dele sempre foram melhores do que os meus – eu não gostava dos meus jogos de pratos de plástico, a bateria que meu irmão havia ganhado de natal parecia muito mais legal, assim como seus carrinhos de controle remoto. Quando crescemos começaram as divisões de tarefas no lar e a maior parte do trabalho sempre foi a minha. No almoço de domingo, quem tinha que ficar ajudando minha avó com a limpeza sempre fomos eu e minhas primas”, recorda.

A professora-doutora e escritora Patrícia Lessa, 43, que é mestre em estudos feministas, adotou o feminismo como estilo de vida, desde o período da escola, quando tomou consciência que ser mulher significa ter mais trabalho não remunerado e menos oportunidades que os homens. “Fiz um doutorado em Estudos Feministas na Universidade de Brasília, ministrei disciplinas no Mestrado/Doutorado e fiz, mais recentemente, um pós-doutorado onde discuto a ruptura com o binarismo social [divisão do mundo em macho-fêmea, homem-mulher, sensível-viril… etc]. Essa divisão reproduz o lugar de inferioridade dado às mulheres e ficcionalmente inventado para manter a hierarquização das relações humanas”, diz.

Patrícia, que também é membro do “ Coletivo Maria de Lacerda”, explica que a forma de organização não é hierarquizada. “Cada uma faz o que pode e todas fazem um pouco, do tipo “ mexeu com uma, mexeu com todas”.

A estudante Camille Balestieri também é líder da “ Marcha das Vadias” em Maringá. “Com uma grande equipe colaboradora interessada no fim da violência de gênero,   nossa marcha aconteceu em 10 de junho de 2012. Marchamos em Maringá em um domingo de sol com direito a alvará da Polícia Militar, prefeitura, acompanhamento da Setran (secretaria de trânsito e segurança) , trio elétrico, intervenção artística, apresentações musicais, muito batom vermelho, palavras de ordem feministas e alguns discursos inflamados”, conta.

Ela aponta, entre os problemas a ainda serem superados, a falta de capacitação de alguns órgãos de atendimento às mulheres.

“Em Maringá existe a questão de desinformação a respeito da localização da Delegacia da Mulher – você sabe onde ela fica? Nem eu sabia até pouco tempo. É preciso publicitar essa questão,” ressalta.

 

Maria Lacerda de Moura

Considerada uma das pioneiras do feminismo em Brasil, observava a condição feminina dentro da perspectiva da luta de classes.  Anticlerical, escreveu numerosos artigos e livros criticando tenazmente a moral sexual burguesa, denunciando a opressão exercida sobre todas mulheres, e em especial as das camadas mais pobres.  Entre os temas eleitos pela escritora estão a educação sexual dos jovens, virgindade, o amor livre, o direito ao prazer sexual, o divórcio, a maternidade consciente e a prostituição, assuntos considerados tabu naquela época.  Seus artigos foram publicados na imprensa brasileira, uruguaia, argentina e espanhola. A autora fundou também a revista Renascença, cujo foco foi a formação intelectual e moral das mulheres.

Nádia Viviane é acadêmica do 4º ano de Jornalismo do UniCesumar

Comente aqui