Mês: outubro 2015



Descarte incorreto de animais mortos é crime e pode causar danos à saúde

Muitas pessoas tratam seus pets como membros da família, dando à eles mimos e um amor dignos de um filho e, quando o animalzinho morre, querem realizar com ele os mesmos rituais fúnebres que se prestam aos humanos falecidos, como por exemplo, enterrar o corpo do bichinho. Mas é necessário muito cuidado quando se trata de dar um fim ao que sobrou de cães, gatos e outros animais, já que enterrar o animal em solo comum é considerada uma atitude nociva à saúde.

Há muito, a dúvida sobre o que fazer com os restos mortais dos animais de estimação vêm perturbando a cabeça dos donos que perderam seus “entes queridos” e não sabem como proceder com o descarte da carcaça. Geralmente o procedimento mais comum, ainda que represente riscos à saúde é enterrar o corpo do animal no fundo de quintais e terrenos vazios, atitude esta que apesar de demonstrar afeto pode contaminar o solo por meio da penetração dos resíduos, que por sua vez podem atingir os lençóis freáticos.

O problema pode acontecer mesmo com corpos previamente embalados e lacrados, caso a profundidade da cova não seja suficientemente funda e possibilite que crianças e outros animais desenterrem a carcaça, espalhando doenças. De acordo com o técnico em veterinária Maurício Machado, “o mais indicado é levar o corpo até uma clínica veterinária, que se encarregará de fazer o descarte do animal”. As carcaças que saem das clínicas veterinárias são consideradas lixo hospital e a retirada desse lixo é feita pela prefeitura, que cobra dos proprietários das clínicas uma taxa pela remoção, as clínicas por sua vez, repassam aos clientes o valor correspondente ao armazenamento do corpo do animal no freezer até a retirada e também o valor da taxa de remoção.

O valor da remoção é baseado no peso do animal por quilo, e o valor do quilo pode variar de acordo com a espécie e tamanho. Segundo o médico veterinário Philipe Dariva, este serviço tem um custo que varia de empresa para empresa sendo em média R$10,00 por kg. Dariva afirma ainda, que o melhor destino para os animais mortos seria a cremação, pois é um processo limpo, que causa menos danos ambientais, “infelizmente em nossa região não contamos com este serviço, o crematório de animais mais próximo se encontra em Curitiba”, completa.

Existem ainda aqueles que não querem ou não têm condições de arcar com o descarte do animal e, muitas vezes acabam desovando os animais em terrenos impróprios e até mesmo nas ruas da cidade, o que além de causar transtornos à população em razão do mau cheiro que exala do cadáver do bicho e colocar a saúde das pessoas em risco por meio da disseminação de pragas e doenças, também caracteriza crime segundo o artigo 54 da Lei Ambiental, que prevê reclusão de um a quatro anos de prisão e multa que pode variar de R$ 500,00 a R$ 13.000,00 dependendo da quantidade e do peso.

Para estas pessoas, em caso de morte natural do animal, o indicado é entrar em contato com a prefeitura da cidade e agendar a coleta gratuita do animal morto. Segundo a agente administrativa do setor de limpeza da pública da Semusp (Secretaria de Serviços Públicos de Maringá) Larissa Kekuti, eles são responsáveis pela coleta, transporte e destinação final de resíduos de saúde. “A população envia as solicitações de recolhimento dos animais mortos para a ouvidoria da prefeitura por meio do telefone 156, na base de limpeza pública. A Semusp passa o endereço da coleta para a equipe que fica na rua diariamente do meio dia às 17h. Essa equipe fica responsável pela coleta dos animais e outros serviços.” Ao fim da coleta diária, a equipe realiza a pesagem dos materiais recolhidos no dia e encaminha para a cooperativa Servioeste, responsável por finalizar o processo seguro do descarte.

Segundo a diretoria do Centro de Controle de Zoonoses de Maringá, em casos de morte por suspeita ou atestado de doenças graves tais como, raiva, leptospirose e leishmaniose, por exemplo, o correto é acionar o CCZ que é “responsável por fazer a coleta do animal, retirar o cérebro e enviar para Curitiba, para ser analisado.” A carcaça restante também é encaminhada para a cooperativa Servioeste, empresa que oferece soluções ambientais para resíduos de saúde.

Patrícia Marques é acadêmica do 4º ano de Jornalismo do UniCesumar

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