Uma bomba relógio chamada “Síndrome de Burnout”

Em tempos de crise, muitos trabalhadores se desdobram em mais de um trabalho, sendo que muitos atuam como freelancer para ganhar uma renda maior, além daquela proporcionada pelo emprego fixo. Para ter uma ideia, a proporção de pessoas que trabalham por conta própria entre o total de ocupados aumentou de 17,9%, em janeiro de 2013, para 19,8% em novembro de 2015, segundo cálculos do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), com base na Pesquisa Mensal de Emprego (PME) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Esse desgaste físico e emocional pode acabar desencadeando uma situação conhecida como “Síndrome de Burnout”.  O próprio termo “burnout” demonstra como esse desgaste pode afetar os aspectos físicos e psicológicos de uma pessoa. Afinal, traduzida do inglês, “burn” quer dizer “queima” e “out” significa “exterior”.

A vítima da síndrome de Bornout, sente-se á beira de um ataque de nervos

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A psicóloga Maria Estela Martins explica que o burnout nada mais é do que um estresse crônico, muito comum em situações de trabalho desgastantes, onde ocorre pressão de tempo e resultados constantemente, mesmo que essa pessoa não fique presa em um só lugar ou ambiente.

Maria Estela revela que existem dois tipos de sintomas para essa síndrome, os físicos e os psicológicos. “Os sintomas físicos vão desde dores de cabeça, enxaqueca e cansaço até casos preocupantes com distúrbios gastrointestinais, respiratórios e cardiovasculares. Já os sintomas psicológicos aparecem ligados á mudanças de humor, fácil irritabilidade, baixa autoestima e até mesmo agressividade”, explica.

Muitas pesquisas relacionadas à Síndrome de Burnout indicam que as mulheres são mais atingidas do que os homens. Para Maria Estela, uma hipótese para que este fato aconteça é que as mulheres estão sempre mais voltadas para cuidar do outro, em um “instinto maternal”, negligenciando o autocuidado.

Roselli Claudiano, 27 anos, sabe bem como é isso. Professora há pouco mais de cinco anos, acabou sendo vítima do estresse crônico há um ano, quando mudou sua rotina drasticamente. Pela manhã, era diretora da escola em que dava aula; a tarde, lecionava para o ensino fundamental e à noite para o ensino médio.

“Nunca fui uma pessoa de ficar parada. Eu sempre gostei de ajudar, e achei que conseguiria lidar com três coisas ao mesmo tempo. No entanto, isso começou a atrapalhar tanto a minha vida pessoal, quanto profissional”, relatou.

Mudanças no humor, enxaquecas continuas e a ansiedade para conseguir realizar suas tarefas a levaram até o limite. “Não é apenas um estresse comum, do dia á dia. A coisa se torna insuportável. Leva-nos para baixo. Metaforicamente, é quase, como se a placa-mãe de um computador estivesse fritando”, compara.  Para se livrar dos sintomas, a professora teve que passar por um tratamento psicológico.

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A psicóloga Maria Estela recomenda que as melhores formas de se tratar e livrar dessa “energia ruim” são psicoterapia e acompanhamento médico psiquiátrico, geralmente com o uso de medicamentos como antidepressivos. Mas, mais do que isso, está na própria pessoa saber quando é a hora de colocar o pé no freio.

“A prevenção e o controle do estresse crônico se encontram na atividade física regular e exercícios de relaxamento, que são muito úteis. É importante também que os psicólogos observem com cuidado se a causa do estresse nasce do próprio trabalho ou de atitudes que a própria pessoa toma para si”, complementa a psicóloga.

Vilson Ferreira de Castro Junior é acadêmico do 4°ano do curso de Jornalismo da Unicesumar

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