Mês: maio 2017



Pintor maringaense faz quadros com cinzas humanas

As artes visuais têm papel fundamental não só na concepção artística, mas, também, nos registros históricos de aspectos sociais, econômicos e culturais. Com o advento da fotografia, os pintores – em específico – ‘liberam-se’ de questões estéticas ou da necessidade de reprodução fidedigna do que se passa.

Com o passar do tempo, os aparatos tecnológicos foram se aprimorando, propiciando a execução da arte a partir de ferramentas específicas e digitais, mas, ainda sim, é possível encontrar pintores que se valem dos mais diversos equipamentos – desde tipos de pincéis, até a composição das tintas. Há, porém, um estilo de pintura que se baseia, mais do que na escola artística, na própria composição das tintas: a pouco conhecida picto crematória.

Essa arte consiste, basicamente, em utilizar as cinzas humanas, oriundas de funerais com cremação, como material de pintura para um quadro. De acordo com o professor do Instituo Federal do Paraná (IFPR) Árife Amaral Melo, em artigo publicado, a arte picto crematoria vai muito além de um cultivo de memória, já que pode ser encomendado pelo próprio morto, quando ainda vivo, ou por entes queridos.

“A obra picto crematória não se configura tão somente como um cultivo da memória dos antepassados, mas também uma forma de expressão dos que vivem e projetam suas aspirações e concepções de mundo através da composição desses diversos tipos de memoriais”, pontuou.

Em Maringá, José Adalberto Boh Firmino da Silva, 71, é um adepto desse tipo de arte. Formado pela Escola Panamericana de Artes, Boh – apelido que foi recentemente incorporado ao RG do pintor – desenvolveu um estilo próprio de pintar: dos retratos fidedignos às paisagens minuciosamente pensadas e criadas por ele próprio.

O artista adaptou-se a pintar utilizando tinta acrílico, hábito que iniciou ainda na Fama Filmes – onde, por tempos, trabalhou com um estojo de tinta acrílica de Samuel Bitencourt, a quem Boh dá o título de “emérito professor na vida”. Diferentemente da tinta a óleo, a pintura por tinta acrílica é feita por camadas de cores, e não por mistura, como a tradicional tinta a óleo.

Por mais que a tinta não seja muito usual, o pintor desenvolveu uma forma de utilizá-la e, também, aprimorá-la junto ao pó de mármore, garantindo relevo às obras e tornando-as mais reais.

Ainda que não muito utilizada, a tinta acrílica ainda é estoque de pintores que se desafiam em materiais diferentes. Todavia, Boh diz ter extrapolado as barreiras do comum. Fez, através da arte, um ser-humano “renascer” em uma paisagem. “Perguntaram a mim se eu podia fazer um quadro com as cinzas de um falecido. Eu disse: ‘Por que não?’. Fiz das cinzas de um morto uma nova tela, uma paisagem cheia de vida”, relatou orgulhoso.

O pintor relatou ainda que, em seu ponto de vista, esse tipo de arte tem papel fundamental não só para os familiares, mas também para o morto. “A pessoa morre três vezes. Quando ela para de respirar e deixa a vida. Quando ela é enterrada e seu corpo não está mais aqui. Quando ela é esquecida e sua presença deixa de pairar sobre nós. A terceira morte é mais dolorida e com as pinturas de cinzas, tento não deixar isso acontecer”, enfatizou.

 

Victor Duarte Faria, acadêmico do 4º ano de jornalismo

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TOC: transtorno que leva à agonia e ao desespero

Aquele quadro torto no meio da casa. O confete vermelho no meio dos azuis. O pedacinho de pele solta no canto do dedo. São coisas que trazem um certo desconforto que, quando questionado, muitas vezes são acompanhados da frase “ah, é que eu tenho um pouco de TOC”.

O Transtorno Obsessivo Compulsivo (TOC) é caracterizado essencialmente por comportamentos repetitivos. Segundo a psicóloga Bárbara Cossettin, “as ideias obsessivas são manifestadas em forma de pensamentos, representações ou impulsos repetitivos e estereotipados. Geralmente, incomodam muito o sujeito acometido pelo TOC, já que a consciência é mantida e o sujeito reconhece a presença dos pensamentos obsessivos que surgem mesmo contra a sua vontade”.

Roberto, que não quis identificar o verdadeiro nome, 20, diz que sente como se algo o dilacerasse por dentro, caso não faça algo na ordem ou do jeito certo. “O TOC me faz ser muito ansioso. Traz mania de perfeccionismo em certas coisas. Se eu não fizer do jeito ‘certo’, parece que tem um liquidificador me moendo por dentro. E isso me atrapalha. Principalmente nas relações com outras pessoas”, afirma Roberto, que destaca também a sensação de impotência: “Já perdi horário para o trabalho, para a faculdade. É um saco, pois você não consegue controlar sua vontade”.

O TOC é diferente de uma mania ou tique. Incomodar-se com um quadro torto ou um livro do lado errado, muitas vezes não é um sintoma. O transtorno se caracteriza quando algo do tipo incomoda a pessoa em um nível excessivo. O quadro diferencial de uma mania está no processo de ansiedade que a atividade gera na pessoa e na intensidade e frequência que a características se apresenta.

A estudante universitária Márcia Souza, 23, foi diagnosticada com TOC, e disse que quem percebeu o transtorno foi a mãe, que observou vários costumes na rotina da filha. “Meia, eu só consigo usar a branca. Até hoje não consegui mudar isso. Se eu sair com uma calça e bota, ninguém vai ver a meia, mas mesmo assim, eu não posso usar de outra cor.” O dia de Márcia sempre seguia uma rotina desde o início da manhã. “Eu levantava cedo e tudo seguia a sequência: guardar o pijama, arrumar a cama, e etc.”

A maioria dos atos compulsivos está ligada à limpeza (da casa, trabalho e do próprio corpo), verificações repetidas para evitar a ocorrência de uma situação que poderia se tornar perigosa, como trancar portas ou verificar fechamento da válvula de gás. A estudante Nicole Cordeiro, 18, diz que muitas de suas manias vieram de algum medo particular. No caso de Nicole, o medo de ficar doente ou contrair um vírus resultou na mania de limpeza. “Eu sempre lavei bem minhas mãos. Tudo que eu ia usar, talher, prato, copo, eu tinha que passar uma água. Eu passava por medo de ter alguma sujeira, mas, também, por medo de não ter sido bem enxaguado e eu me intoxicar. Ambientes com muita gente, salas fechadas, sem ventilação com todo mundo respirando o mesmo ar, também me deixam desesperada por conta dos vírus”.

Bárbara diz que os tiques também podem se apresentar de forma mista, com ideias obsessivas e atos compulsivos. A pessoa sente-se aprisionada por um padrão de pensamentos e comportamentos repetitivos, desagradáveis e difíceis de evitar produzindo maior ansiedade. Depois do ato compulsivo existe uma sensação de alívio que logo será terminada com o aparecimento de outro pensamento obsessivo.

Nicole afirma que teve até alguns padrões que não faziam sentindo. “Eu piscava milhares de vezes quando via algum reflexo ou algo que emitisse luz, como televisão, relógio digital, celular ou algum metal que estivesse brilhando. Eu olhava e piscava várias vezes, não tinha um número certo, mas sempre precisava piscar em números pares”.

É possível transformar o TOC em algo positivo. Com o tratamento correto, à base de medicamentos e acompanhamento psicológico, é possível diminuir o incômodo causado pelo transtorno. No caso da Márcia, após um ano de tratamento, boa parte do transtorno e da ansiedade acabou, dando lugar à organização, mas dessa vez, não compulsiva.

“Muitas pessoas sentem dificuldade em entender que não é frescura. Já me forçaram a deixar a tampa do detergente aberta, dizendo que ‘não tem problema ficar assim’, mas para mim tinha. Já tiraram sarro muitas vezes”, desabafa Márcia.

É preciso ter em mente que TOC é um transtorno, é algo sério. Dizer que se incomoda com terrenos irregulares não significa que você sofra de TOC. “É importante não julgar uma pessoa por se importar com isso, você pode ficar incomodado, mas tem a opção de seguir em frente, elas não”, conclui a psicóloga.

Gabriel Brunini, acadêmico do 4º ano de jornalismo 

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Bicicletas ganham espaço nas ruas maringaenses

Andar de bicicleta é uma eficiente alternativa para acabar com o excessivo número de carros nos trânsito das cidades, aumentando a qualidade de vida dos moradores. As bicicletas vêm ganhando cada vez mais espaço, graças ao seu potencial diferenciado em relação às modalidades coletivas. As viagens urbanas feitas com a bicicleta são, além do trajeto casa-trabalho, também para serviços e lazer. O usuário ganha tempo, há fluidez no trânsito e diminuição da poluição sonora e do ar.

Em Maringá, há muitas pessoas adeptas do sistema cicloviário da cidade. A Secretaria Municipal de Planejamento e Urbanismo (SEPLAN), responsável pela mobilidade, diz que não há um número exato de ciclistas na cidade.  Mas segundo a “Pesquisa com Ciclistas como Suporte ao Planejamento Cicloviário: Estudo em Maringá/PR”, disponibilizada pelo SEPLAN, que entrevistou 155 ciclistas de Maringá, 66% das pessoas disseram que utilizam a bicicleta por ser um transporte saudável.

O estudante Mateus Quesada Zibordi Vido,17, utiliza a bicicleta todos os dias, pelo mesmo motivo, no trajeto para a escola. Nos finais de semana, anda pelas ciclovias para ter um pouco de lazer. Maringá conta com 26,4 km de ciclovias e ciclofaixas e, segundo o SEPLAN, a cidade conta com 21,3 km de pistas projetadas e 4,8 km de percurso ainda estão em execução.

Em compensação, segundo a pesquisa “Proposta Metodológica para Definição de Rede Cicloviária: um estudo de caso de Maringá/PR”, a cidade apresentou alto potencial para obter uma rede de infraestruturas cicloviárias, tendo a possibilidade de ter mais 95 km de ciclovias interligando os bairros.

O ilustrador Marcelo Goto, 27, utiliza as ciclovias de Maringá diariamente para ir ao trabalho. Para ele, o meio de transporte é mais rápido e prático que os outros. “Poderiam ter pensado em uma ciclovia para a avenida Morangueira, já que estão reformando. Lá, o fluxo de carros e caminhões é muito grande, gerando risco para os ciclistas”, sugere o ilustrador.

Isabela Soares, acadêmica do 4º de Jornalismo

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O ex-metalúrgico que virou barbeiro de raiz

João Panasolo é um morador de Maringá que foi corajoso ao deixar um trabalho estável para realizar um sonho. Depois de dez anos trabalhando numa metalúrgica em São Paulo, ele deixou tudo e veio para o Paraná com o objetivo de abrir uma barbearia. Panasolo não se intimidou com o futuro incerto nem com as críticas da família. Hoje, comemora o sucesso da mudança.

Com uma barbearia “à moda antiga”, Panasolo, de 68 anos, conta com uma clientela fiel e que não dispensa a velha maneira de fazer barba, cabelo e bigode. Esses clientes dispensam os aparatos modernos e convidativos das barbearias atuais e mantêm a agenda (aquela no caderninho, nada de agenda no celular) de Panasolo sempre cheia, sendo atendidos num ambiente reservado e por um ex-metalúrgico e hoje especialista em cortes de cabelo.

Quando João abriu sua barbearia, há 15 anos, no Jardim Alvorada (Zona Norte de Maringá), as coisas eram diferentes. Os principais obstáculos eram as ruas de terra e o salão modesto. Mesmo assim, os homens da região se interessaram pela novidade, pois não precisariam mais ir a barbearias distantes. Assim, Panasolo ganhou clientes que tem até hoje.  “Fico muito feliz por todos esses anos. As pessoas continuam vindo aqui porque gostam do meu trabalho. Isso me deixa contente, pois sempre tento fazer o meu melhor”, afirmou o barbeiro.

Um dos resultados da mudança de vida e do sonho de ter uma barbearia realizado é ver os filhos e netos formados. João Panasolo se orgulha de ter contribuído com a formação superior deles. “Foi preciso muito esforço e coragem, mas ter ajudado a formar meus filhos e netos, e conseguir tudo o que tenho hoje, compensa todo o trabalho”, concluiu o barbeiro.

Para a psicóloga Ana Carolina Fiori, é extremamente importante que as pessoas possam trabalhar com o que realmente gostem de fazer. “Quando a pessoa tem um sonho, um objetivo, ela se sente capaz de superar todos os obstáculos e realizar seus desejos”, explica.

Bruno Albertini, acadêmico do 4º ano de Jornalismo

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Maringá recebe universitários de várias cidades do Brasil

Não dá para negar que a maior dúvida de quem termina o ensino médio é escolher a faculdade e a área que vai cursar. Em alguns casos, a cidade por ser pequena, acaba não tendo infraestrutura para ter o curso escolhido pelo aluno, e ele acaba tendo de optar entre ficar no seu município ou enfrentar o desafio de morar em um lugar novo.

Com o passar do tempo, Maringá se tornou um polo educacional e chama atenção de diversas pessoas espalhadas pelo Brasil que buscam a tão sonhada graduação. Hoje, o município tem aproximadamente 50 mil universitários que se dividem em instituições públicas e privadas.

Para estudante de biomedicina, Ana Carolina Galeazzi, 21, um dos maiores desafios, depois de sair da casa dos pais em Chapadão do Sul, no Mato Grosso do Sul, foi a adaptação. “Foi difícil para me acostumar à nova realidade. Estava longe da família, amigos, vim para cá praticamente sozinha. O que me ajudou nessa fase foi a faculdade, que me mantinha ocupada. Hoje estou acostumada”, conta Ana.

Um estudo realizado pela Macroplan em 2015, entre 100 cidades brasileiras com mais de 266 mil habitantes, apontou Maringá como a melhor cidade do país. Levando em consideração a saúde, educação e cultura, segurança, saneamento e sustentabilidade. A cidade teve 0,731, em uma escala de 0 a 1.

Esse foi um dos motivos que fizeram a estudante de odontologia, Ingra Mariana Rosa,19, deixar Manoel Ribas (aproximadamente 176 quilômetros de Maringá) para fazer a graduação na Cidade Canção. “Quando fui escolher a faculdade para cursar, vim conhecer Maringá. Adorei as pessoas por elas serem muito educadas e a cidade ser organizada e calma”, explica Ingra.

Depois de concluir a graduação é inevitável não pensar nos próximos passos a serem seguidos: voltar para a casa dos pais ou continuar em Maringá? Para universitária Ana Carolina, a decisão já está praticamente tomada. “Pretendo ficar aqui se receber uma proposta boa de trabalho, mas os meus planos são de voltar para minha cidade e tentar algo na minha área lá”, conta a estudante.

Thainara Cruz, acadêmica do 4º ano de Jornalismo 

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Instituto de Maringá promove políticas públicas para o envelhecimento ativo

A população de pessoas mais velhas no mundo continua crescendo em um ritmo sem precedentes. Hoje, 8,5% das pessoas em todo o mundo (617 milhões) têm mais de 65 anos. De acordo com um novo relatório, chamado “An Aging World: 2015 (Um mundo em envelhecimento: 2015)”, esta porcentagem deve aumentar cerca de 17% em 2050, chegando a 1,6 bilhões de pessoas.

Entretanto, a estrutura para atender esses idosos, hoje, não tem acompanhado esse crescimento. Apesar de parecer algo fisiológico, envelhecer necessita de preparo e de políticas públicas para atender os mais velhos.

Percebendo a falta de preparo e de ações que mobilizassem a qualidade de vida para os idosos, a fisioterapeuta Simone Fernandes tomou a iniciativa de procurar pessoas interessadas em propor projetos para estimular a criação dessas políticas públicas para atender o envelhecimento ativo.

Ela e outras pessoas criaram o Instituto Longevidade em agosto de 2015. Simone, que sempre teve uma boa relação com os avós, sentia a necessidade de proporcionar um envelhecimento tranquilo para os todos os idosos. Segundo ela, hoje existem muitas ações de assistencialismo, mas nada relacionado ao envelhecimento ativo.

“Quando eu comecei a trabalhar como fisioterapeuta, não encontrava nos idosos esse cuidado que eu sempre tive com meus avôs. Via muitos idosos sofrendo. Ora porque não tinham família, ora porque não haviam criado um vínculo familiar. Independente do motivo, eu encontrava um idoso que precisava de auxilio”, justifica.

Segundo a fisioterapeuta, há cerca de 600 idosos na fila aguardando para serem institucionalizados, já que todas as entidades estão com lotação máxima. Entretanto, ela defende que nem todos necessitariam de asilamento em tempo integral. “O que talvez eles precisem é de um centro de convivência ou algo para fazer durante o dia”, afirma.

Com o apoio a educação, saúde e pesquisa, o Instituto firmou uma parceria com o movimento Lab 60+. O objetivo é atrair pessoas que têm ideias sobre projetos e ações que podem melhorar a qualidade de vida e proporcionar um envelhecimento ativo.
Simone reforça que falta espaço para o idoso se inserir. Aliado ao movimento Lab 60+, o Instituto promove diversos projetos para que os mais velhos participem. “Existem projetos como o ‘Amigo do Idoso’, ‘Mãos na Terra’, ‘Histórias da Longevidade’, entre outros ligados à saúde e espiritualidade”, relata.

Todos esses projetos se devem à conexão de pessoas que se interessam em fazer algo para mudar a vida dos idosos. “Quem tiver um projeto pode participar das reuniões, vai contribuir muito e, se tudo der certo, podemos colocar em prática. Está aberto para todas as pessoas apresentarem propostas”, convida.
Os encontros são realizados na primeira terça-feira de cada mês, às 19h, no Serviço Social do Comércio (Sesc), na Av. Duque de Caxias, 1517.

Ana Paula Foltran, acadêmica do 4º ano de Jornalismo

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Safra de soja chega a mais de 19,4 milhões de toneladas e bate recorde histórico de produtividade no Paraná

O Departamento de Economia Rural do Paraná (Deral) confirmou que a produção paranaense de soja foi recorde na safra 2016/2017. A pesquisa realizada mostra uma produção de 19,4 milhões de toneladas de soja em uma área de 5,26 milhões de hectares. A safra desse ano, em comparação com a anterior, teve um aumento de 17%, já que, na safra passada, foram colhidas 16,5 milhões de toneladas de soja em uma área de 5,28 milhões de hectares. A safra não atingiu números tão altos por conta do excesso de chuva, no início de 2016.

Os bons resultados foram alcançados em todo o Brasil. O Paraná é o segundo maior produtor de soja, atrás somente do Mato Grosso, que   produziu mais de 31 milhões de toneladas de soja em 2017. O total corresponde a 11% a mais do que a safra passada, segundo o Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea).

Alta produtividade 

No norte paranaense, mais precisamente em Rolândia, 76Km de Maringá, o produtor Albertino Branco colheu cerca de 210 sacas de soja por alqueire, um “número  espetacular”, segundo ele,  já que a média nacional é de 80 sacas por alqueire. Para Branco, os bons resultados se devem à implantação de uma agricultura sustentável, a ILPF, Integração Lavoura Pecuária Floresta ou Sistema Agrossilvipastoril, que é uma modalidade de integração com componentes agrícola, pecuário e florestal, em rotação ou sucessão, na mesma área. O fortalecimento do solo é o principal benefício dessa integração.

Reta final

Os trabalhos de colheita já estão quase encerrados no Paraná. Já foram colhidos mais de 99% da área semeada. Os produtores paranaenses comercializaram cerca de 37% do total produzido até o momento, valor equivalente a 7,1 milhões de toneladas de soja. No mesmo período do ano anterior havia sido comercializado 59% da safra, equivalente a 9,8 milhões de toneladas. Esse menor volume de vendas se deve principalmente aos preços, inferiores aos do ano passado. Essa queda é resultado do excesso de produção da soja. Em abril de 2016, a saca de 60 quilos era comercializada no Paraná por cerca de R$ 66, e  hoje  pode ser vendida  a R$ 56.

Caroline Wisch, acadêmica do 4º ano de jornalismo

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Uma avenida de sombras retilíneas

A falta de árvores na avenida Horácio Racanello sugere que ela não faz parte de Maringá, uma das cidades mais arborizada do Brasil, segundo matéria do G1 publicada em 2017.

Para a Claudia Meira, dona de um comércio na avenida, a ausência de árvores é na verdade um benefício. “Não ter que disputar espaço com árvore é muito bom. Essa avenida tem muito prédio, muita informação, é difícil competir com tantas coisas chamando a atenção de quem passa. Não ter árvore é uma concorrência a menos”, ressalta a comerciante, que continua a defender a paisagem cinza. “Tenho vários amigos que reclamam das árvores. É só ter uma chuva mais forte que elas caem e atrapalham, nunca tive esse problema aqui.”

Juliana Menezes, que trabalha na avenida, reclama das caminhadas diárias sob o sol. “Venho a pé para o trabalho e passar por essa avenida, principalmente no calor, é muito ruim. Ao meio-dia, por exemplo, não tem uma sombra na avenida. Fica horrível sair ou voltar do almoço, sempre chego suando no trabalho.”

Segundo o Secretário Municipal de Serviços Públicos, Vagner de Oliveira, o que impede a prefeitura de colocar árvores no local é a linha férrea que passa debaixo da avenida. “Corremos o perigo das raízes crescerem muito e danificarem a estrutura do túnel, o que poderia vir a causar uma tragédia. É por isso que as poucas árvores que existem na via são de porte menor ou estão fora do espaço do túnel.”

Para bem ou para o mal, a verdade é que provavelmente, não veremos muitas árvores tão cedo na avenida. O jeito para se proteger do sol acaba sendo o protetor, ou então, alguma sombra retilínea ocasional, formada pelos prédios que enchem a avenida.

Gabriel Brunini, acadêmico do 4º ano de jornalismo

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Um “home run” de oportunidades

A grama alta, o terreno irregular, o campo longe de ser o local perfeito para treinar. O bairro não é nada perto do centro da cidade. Uniforme não existe, os pequenos atletas vestem uma roupa qualquer – que logo fica suja de terra –, um boné para proteger do sol e no rosto de cada um está estampado o mais sincero sorriso. “Muitos que querem ajudar perguntam quanto nós pagamos. Poucos sabem a satisfação que isso nos traz”, orgulha-se Jiusom Tokumi Akiyama, 53, treinador de beisebol da Maringá Beisebol Associados (MBA).

A MBA reúne cerca de 60 crianças em um projeto social e oferece treinos de beisebol gratuitos para aqueles que não têm condições de pagar para jogar. ​“Nosso objetivo é dar oportunidade para o maior número de crianças possível, tentar massificar esse esporte que a maioria não conhece”, explica o treinador. Akiyama, idealizador e responsável pelo projeto, conta que a ideia surgiu há cinco anos com a intenção de quebrar o paradigma de que apenas pessoas de origem japonesa podiam praticar beisebol em Maringá. “Todos têm condição de jogar, prova disso são os brasileiros na Major League Baseball”, comenta o treinador, em referência à principal liga do esporte dos Estados Unidos.

Além das crianças, o projeto reúne mais ou menos 80 adultos, divididos em seis times, organizados com o intuito de criar uma liga na cidade. O primeiro deles foi o Maringá Mavericks, os outros surgiram depois, com o apoio da MBA, estimulando a competitividade no beisebol maringaense. Segundo Akiyama, o resultado tem sido “satisfatório”. No ano passado, a Primeira Liga Maringaense de Beisebol reuniu cerca de 150 pessoas, entre atletas e organizadores. A segunda edição do torneio, ainda sem data definida, será neste ano e terá quatro etapas. A previsão é reunir o mesmo número de atletas de 2016.

Para 2017, a Secretaria de Esportes e Lazer (Sesp) disponibilizou um novo campo, preparado e adequado para a prática de beisebol. A intenção é de que o projeto triplique o número de crianças beneficiadas. “Estamos divulgando primeiro entre os atletas, cada um é responsável por trazer mais dois, depois vamos até as escolas, em parceria com a Secretaria de Educação”, explica Akiyama. Ele conta ainda que, além do beisebol para os meninos, haverá treinos de softbol para as meninas.

O técnico vê no esporte uma forma de tirar as crianças das ruas, ajudar na formação de valores e na educação. Os alunos Caio Pereira, Raul Zanatto e Jhohan Bottan, todos de 13 anos e que sonham em ser profissionais e viver do beisebol, contam que melhoraram os rendimentos escolares e passaram a respeitar mais os pais. “Nós temos três ou quatro atletas aqui com totais condições de chegar a Major League”, acredita o treinador. Os times da MBA disputam desde o ano passado competições nacionais e estaduais. “Nosso time pré-júnior (13 e 14 anos) está entre os quatro melhores do Brasil”, completa.

Os responsáveis pelo projeto acreditam que poderiam ajudar muito mais se conseguissem mais apoio. Mesmo com cinco anos de atividade, a MBA só existe oficialmente desde o ano passado, portanto ainda não podem se inscrever nos editais de incentivo ao esporte, porém esse é o objetivo para os próximos anos.

 

Aula experimental de beisebol

Quando: todos os sábados

Onde: Campo do Quebec, na rua Prof. Letícia Molinari, 555, Jd. Quebec

Quanto: grátis

Pedro Henrique Solheid Scherer, acadêmico do 4º ano de jornalismo

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Músicos maringaenses fazem show em homenagem a Belchior

O rapaz latino-americano sem dinheiro no banco tornou-se uma lenda da música brasileira. Antônio Carlos Gomes Belchior Fontenelle Fernandes, ou simplesmente Belchior, eternizou seu nome na história do país com suas letras marcantes e com uma trajetória cheia de peripécias, como um sumiço inesperado.

O cantor e compositor cearense, que morreu no dia 30 de abril deste ano, ganha uma homenagem aqui em Maringá no show “Galos, noites e quintais – uma viagem pelo som de Belchior”, com o cantor e violonista Paulinho Schoffen e os guitarristas Teodoro e André Gião.

A apresentação, organizada pela produtora Cottonet-Clube, será no sábado (27), às 21h, no Teatro Barracão e as entradas custam R$ 25. O repertório do show conta com 16 músicas, entre elas “Alucinação”, “Comentários a respeito de John, “Apenas um rapaz latino-americano” e “Divina Comédia Humana”.

Paulinho Schoffen ressalta que o show não será um cover e terá um toque particular dos músicos, porque só o fato de ter duas guitarras e um violão já muda a forma de interpretar as canções. “Além disso, faremos arranjos em quase todas as músicas, fica mais prazeroso executar”, adianta.

Para Schoffen, o legado de Belchior é muito importante porque as canções são profundas e analisam a essência do ser humano, principalmente numa época de pouca reflexão como a que estamos. “Espero que todos que comparecem saiam felizes por celebrar a obra desse grande artista.”

UMA VIAGEM PELO SOM DE BELCHIOR
Onde: Teatro Barracão, Praça Professora Nadir Cancian.
Quando: Sábado (27) às 21h.
Ingressos: R$ 25

Paulinho Schoffen, músico do show. Foto: Saes.

Larissa Bezerra, acadêmica do 4º ano de jornalismo

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