Mês: agosto 2017



“Na Flim deste ano, nossos escritores talvez não sejam tão conhecidos ou tão famosos”, comenta Mateus Moscheta

 

Em 2016, o evento recebeu aproximadamente 8 mil visitantes por dia e teve 110 atrações (Foto: divulgação)

A Festa Literária de Maringá (Flim), evento que procura popularizar o livro, incentivar a leitura e aproximar escritores de leitores, está chegando. Entre os dias 26 e 29 de outubro deste ano, os maringaenses – e quem visitar a cidade durante o período – poderão acompanhar uma verdadeira experiência cultural.

Segundo o diretor de cultura de Maringá, Mateus Moscheta, o principal objetivo da festa é proporcionar várias experiências para a população e, para este ano, ele conta que será um pouco diferente das edições anteriores. A exposição vai acontecer numa espécie de pavilhão montada na Praça Renato Celidônio, em frente à Catedral.

Alguns nomes já estão confirmados, como o do publicitário e escritor José Roberto Walker e o romancista mineiro Luiz Ruffato. Em negociação, está o também romancista moçambicano Mia Couto e o escritor e jornalista Ignácio de Loyola Brandão. Confira abaixo a entrevista com o diretor de cultura de Maringá, Mateus Moscheta.

1 (Alessandro) – A edição da Flim deste ano, conforme foi divulgado pela assessoria de imprensa da Prefeitura, promete ser “menos engessada” do que nas três últimas edições. Será mais interativa, terá outras manifestações artísticas como música, teatro, cinema e artes visuais se conectando com a literatura. Como o público vai interagir com esse novo formato?

Mateus Moscheta – O próprio formato é mais interativo, vamos ter algumas ilhas de interações, que são espaços para contação de histórias pela Biblioteca Municipal. A ideia é receber principalmente o público infantil e adolescente, mas é um espaço aberto para que as pessoas possam chegar e pegar um livro que vai estar disponível. Para as crianças, é uma forma delas exercerem o poder de escolha. A feira será montada no formato de um pavilhão, no qual os estandes estarão posicionados em volta do palco, onde irá acontecer os shows. Teremos puff para que as pessoas possam descansar quando quiserem. Estou tentando trazer um redário para que as pessoas fiquem mais tempo na festa, saindo um pouco do formato de feira. A ideia é que a pessoa sinta-se bem e tenha experiências na festa literária e no final saia de lá sentindo que viveu algo diferente.

2 (Alessandro) – Na fase inicial da programação da Flim deste ano foi discutida a liberação de mais espaço para jornalistas e escritores locais promoverem seus trabalhos e conhecimentos ligados à literatura. Outra possibilidade foi a internacionalização da Flim trazendo escritores de outros países. Essas medidas foram discutidas como sendo uma forma de atrair mais público para o evento. Para este ano, qual o público que vocês esperam para os quatro dias do evento?

Espero que tenhamos um recorde de público este ano, mas o mais importante é que a gente consiga realmente chegar ao nosso ideal que é promover experiências por meio da literatura. As propostas precisam estar ligadas, desde o conteúdo abordado no livro até a oportunidade das pessoas escreverem alguma coisa e o público é incentivado a entrar no universo da literatura.

3 (Gustavo) – Mesmo em tempos de crise, a Flim continua investindo e incentivando a leitura, tornando-se um evento consolidado, muito por meio da criatividade e atividades de graça. Qual a fórmula para esse evento ter dado tão certo?

É um dos eventos mais conhecidos da população que tem um carinho enorme e uma cobrança grande, então é muita responsabilidade, o que funcionou e deu muito certo. A gente vai tentar repeti-la para as próximas, pensar maior.

4 (Alessandro) – Em todas as edições da Festa, a organização teve a preocupação de trazer novidades. Escritores de renome nacional sempre estiveram presentes e, além disso, a possibilidade de escritores locais apresentarem seus trabalhos. Isso tudo movimenta a economia da cidade, mas tem um custo para montar a festa. Qual o orçamento inicial para montar uma festa desse tamanho?

O nosso orçamento, deixado do ano passado é de 300 mil, mas provavelmente vamos ultrapassar esse valor. Só a estrutura montada na Praça Renato Celidônio [Praça da Prefeitura] com os equipamentos de som e luz e as barracas para acomodar as pessoas, custa em média 200 mil, daí sobra somente 100 mil para o restante das atividades, mas do início do ano para cá nós realizamos muitos eventos e conseguimos economizar muito dinheiro.

5 (Gustavo) – O evento traz autores de vários municípios do País e até internacional para um bate-papo sobre leitura, livro e literatura. Qual a importância da Flim para os escritores locais e para a sociedade escolar?

Para o escritor é um momento de exposição do próprio trabalho e de aproximação para tecer novas ideias e explorar mais o que está em volta no sentido de produção literária, além de estabelecer um diálogo num canal de comunicação. Para as crianças é o momento de encontrar e conversar com o escritor, além de incentivá-las de que elas também podem se tornar escritoras.

6 (Alessandro) – Além dos livros, a Flim traz uma grande diversidade de eventos e recebe todo o tipo de público. Mas qual ou quais os tipos de pessoas que frequentam mais o evento?

O público vem bastante de acordo com as atrações, quando são atrações midiáticas temos um público muito maior. Se pensarmos nas “Flims” anteriores, o José Eduardo Agualusa, por exemplo, teve um grande público. O Ziraldo, que também é muito conhecido, arrebatou um grande público. Para este ano, nossos escritores talvez não sejam tão conhecidos ou tão famosos, mas são todos autores premiados que participaram de grandes feiras como Bienal de São Paulo e a Flip de Paraty.

7 (Alessandro) – Quase sempre a festa começa no meio da semana e termina no domingo, sempre com atrações diversificadas durante os dias em que acontece. Quais dias e atrações que o público frequenta mais?

É mais frequente a participação de pessoas que são da área, como estudantes de letras ou escritores, até mesmo profissionais que vivem do livro e da literatura, assim como a rede de educação que provavelmente na quinta e sexta-feira serão dois dias com muita frequência das escolas.  Já no sábado e domingo a gente vai contar com um público mais espontâneo, mas a ideia da festa literária é promover esse lugar como um encontro de festa e que seja acessível a todos.

8 (Alessandro) – Como está o processo de contratação dos convidados, já tem outros nomes confirmados, além dos que já foram divulgados?

Temos alguns nomes que já estão mais encaminhados, como o Carrascoza que provavelmente vem também, os outros não posso falar ainda, embora já esteja tudo acertado.

9 (Gustavo) – Além de trazer uma gama de diferentes autores, há também vários estilos literários, como romance, poesia, conto, crônica entre outros. Como essa questão será trabalhada na Flim para agradar todos os tipos de gostos?

Entendendo a arte como um mecanismo de questionar e que te coloca a pensar sobre aquilo que você está envolvido, nossa preocupação não é só agradar a todos, e sim trazer temas pertinentes e que possam cumprir essa função: de algum momento, mostrar outra perspectiva de mundo.

10 (Gustavo) – Em 2016, o evento recebeu aproximadamente 8 mil visitantes por dia e teve 110 atrações dentro da programação cultural. Qual o legado que a Flim proporciona e onde o evento deseja chegar?

É difícil falar de legado, se tudo o que apontei acontecer, a gente vai ter alcançado o objetivo que desejamos. A Festa Literária não pode ser só um evento de consumo, e sim promover essa mudança de lógica de como me relaciono com esses fatos, ou seja, o objetivo não é fazer a pessoa ir ao evento e tirar uma foto para dizer que foi, e sim ir para fazer algo para se transformar. Talvez, esse pode ser o legado.

11 (Gustavo) – Com a Profice – Programa Estadual de Fomento e Incentivo à Cultura – e do Fundo Estadual de Cultura (FEC), o Paraná passou a contar com mais uma importante ferramenta para estimular e promover a cultura do Estado. Como você avalia essa questão em Maringá?

São mecanismos importantes que estão surgindo dentro da visão política cultural. Boa parte das ações ficavam apenas na capital [Curitiba], pouco chegava até aqui. A exposição do Paulo Leminski, por exemplo, foi trazida para cá por meio da Profice. Estamos recebendo muitos pedidos de projetos teatrais, de dança, artes visuais entre outros para que possamos oferecer aos artistas de Maringá.

Por Alessandro Alves e Gustavo Rosas. Estudantes de Comunicação Social – Jornalismo.

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Descubra quais foram as sete atrações mais caras da Flim

A Festa Literária Internacional de Maringá (Flim), apesar de completar apenas quatro anos em 2017, consagrou-se como um dos grandes eventos literários do Paraná. Grandes artistas passaram pela Cidade Canção, seja para ministrar uma palestra, seja para um bate-papo, ou para uma apresentação teatral ou musical.

O orçamento que a Flim teve nos três primeiros anos do evento foi de aproximadamente R$ 250 mil, em 2014; pouco mais de R$ 400 mil, em 2015; e aproximadamente R$ 400 mil, em 2016. Vale ressaltar que no primeiro ano da festa, a Secretaria de Cultura não tinha a rubrica específica para o evento, dessa forma, diversos recursos excedentes da pasta foram convertidos para a realização da Flim.

O pavilhão principal, situado na praça Renato Celidônio (Paço Municipal), tinha cerca de 3300 metros quadrados, mais 150 metros da Tenda de Circo. Eram aproximadamente 80 estandes de editoras, artistas e entidades educacionais. Além desses espaços a Flim usufruiu do auditório Hélio Moreira e da Sala de Reuniões, localizadas no térreo da prefeitura.

Os artistas contratados nas três primeiras edições tiveram inexigibilidade de licitação para contratação dos serviços – o que dificulta a apuração precisa dos valores das principais atrações que a Flim trouxe.

A redação teve, entretanto, um levantamento dos maiores investimentos da Flim por artistas, através de uma fonte da pasta de cultura da gestão passada, que preferiu não se identificar. Confira a lista:

 

1º – Tom Zé: Um dos nomes mais irreverentes da Música Popular Brasileira, Tom Zé veio a Maringá, em 2016, na terceira edição da festa e, logo pela manhã, ministrou uma palestra no auditório principal do evento. Mais tarde, no mesmo dia, apresentou-se com a banda na Tenda de Circo, lotando a praça Renato Celidônio, onde acontece a Festa. Apesar de ter sido o artista mais caro da Flim, o cachê do músico foi pago pela Viapar, através do projeto Viapar Cultural.

2º – Ziraldo: O escritor foi o nome de maior expressão na primeira edição da Festa, em 2014. O cachê do artista foi de aproximadamente R$ 25 mil. Naquele ano, Ziraldo passava por alguns problemas de saúde e por ter idade mais elevada, a Secretaria de Cultura, na época, optou por contratar o artista, para que não houvesse risco de a Flim não conhecer o autor de “O Menino Maluquinho”.

3º – Caco Barcellos: Jornalista investigativo que veio a Maringá em 2016, na 3ª edição da Flim. Além de chefiar as reportagens no “Profissão Repórter”, da Rede Globo, Barcellos escreveu os livros “Rota 66” e “Abusado”. Junto à bagagem literária e jornalística do autor, veio o cachê global, que o coloca na situação de terceira atração mais cara da história da festa.

4º – Jorge Mautner: O músico e compositor desembarcou na Cidade Canção, na Flim de 2015, na segunda edição do evento. Assim como Tom Zé, Mautner fez uma palestra aberta ao público e depois seguiu para a Tenda de Circo onde, de frente para a Catedral, tocou clássicos da carreira, como Lágrimas Negra, além de um novo bate-papo, regado a Monstequieu.

5º – Empate de investimento.

a) José Eduardo Agualusa: O escritor angolano veio a Maringá na terceira edição da Festa Literária de Maringá, em 2016. Agualusa escreveu obras como “A Rainha da Ginga”, “As Mulheres de Meu Pai” e “A Teoria Geral do Esquecimento”. Além do bate-papo que teve na Flim, o autor fez sessões de autógrafos em mais de um dia da Festa.

b) Juan Pablo Villalobos: Natural de Guadalajara, no México, Villalobos veio a Maringá em 2016, para a terceira edição da Flim. Entre as obras do escritor, as que tiveram tradução em português foram “Festa no Covil”, “Se Vivêssemos Em Um Lugar Normal”, “Te Vendo Um Cachorro” e “O Corpo Em Que Nasci”.

c) William C. Gordom: Autor americano que, assim como Agualusa e Villalobos, veio a Maringá em 2016, na terceira edição da Flim. Entre as principais obras do autor, estão “O Mistério dos Jarros Chineses”, “O Anão” e “Mistério em Chinatown”.

 

Flim

A Festa Literária de Maringá, surgiu em 2014, na gestão do ex-prefeito Carlos Roberto Pupin, com a gestão cultural de Olga Agulhon e, desde seu início, já foi audaciosa em algumas atrações que trouxe – como Milton Hatoum e Ziraldo.

A concepção da festa, de acordo com a ex-secretária Agulhon, foi feita após um estudo de diversas Festas Literárias, para que se chegasse a um formato que agradasse não só os escritores e artistas maringaenses, mas, também, o público em geral. ” Quando fui secretaria, a primeira coisa que me veio à cabeça foi a festa literária, que já era uma demanda muito antiga. Senti a necessidade de mobilizar outras instituições”, disse.

Houve ainda um cuidado para que a festa fosse atrativa para as editoras. “A festa começou com cinco dias de evento, com o compromisso de ampliarmos. O gasto com passagem e transporte, para as editoras, é o mesmo para ficar cinco ou oito dias”, pontuou uma outra fonte da gestão passada.

Nas três primeiras edições, o eixo central da festa foi – como era de se esperar – a literatura, mas sempre pareada com as outras áreas, como a música, teatro e artes visuais, além de um trabalho conjunto com o departamento do Patrimônio Histórico do município.

Para 2017, há a previsão de que se siga, a exemplo dos outros anos, a multiplicidade cultural em várias áreas, mantendo-se a música, o teatro, a literatura e as artes visuais. A diferença principal, todavia, é que pela primeira vez a Flim terá uma grande atração teatral, em vez de uma  atração musical. Até o momento, a programação não foi divulgada.

 

Victor Duarte Faria – estudante do 4º ano de jornalismo da UniCesumar

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Leminskanções encanta público no Calil Haddad

Salve-se quem quiser, perca-se quem puder. A frase de Paulo Leminski pode ser usada para a vida, mas se fosse dita na abertura do show Leminskanções, faria todo sentido também.

Na última quinta-feira (24), no Teatro Calil Haddad, Estrela Leminski, Téo Ruiz e a banda Os Paulera, apresentaram músicas compostas pelo poeta paranaense, que faria 73 anos nesse dia. O evento abriu o mês da Literatura no Paraná.

Quem chegou mais cedo, ainda pode passar pela exposição Múltiplo Leminski, que conta com acervos de livros, textos publicados em jornais, poemas espalhados pelas paredes, fotografias, objetos pessoais etc. Para quem ainda não teve oportunidade de visitar, a exposição permanece no teatro até o dia 24 de setembro, com entrada gratuita.

Detalhe da exposição Múltiplo Leminski. Foto: Laryssa Cunha

Estrela abriu o show com a canção Diversonagens, nome que, aliás, define muito bem o público presente, personagens de diversos estilos e todas as idades e que, embora não tenha lotado o teatro, compareceu em peso. Uma sala repleta de encanto e sutileza em uma atmosfera musical admirável, criada tanto pelo público quanto pelos músicos.

Em seguida, veio a música Razão. Então, Estrela fez uma pausa para agradecer o público pela presença. “Estou muito feliz que vocês estão aqui”, comentou ela. E dedicou Hoje Tá Tão Bonito ao aniversário do pai, dizendo que lembra dele cantando a música.

Em A Você Amigo, a cantora ensaiou um tímido “Fora, Temer”, aplaudido pelo público.

Estrela falou da atualidade de Paulo Leminski. “Ele diz tudo que a gente queria dizer, só que em outros tempos.” E também, ao introduzir Sou Legal, Eu Sei, que foi uma responsabilidade muito grande montar o espetáculo, principalmente para escolher o repertório.

Ouça a fala da artista.

Três músicas do show foram compostas por Leminski e José Miguel Wisnik: Sinais de Haicais, Polonaises e Gardênia e Hortênsias – Subir Mais. A primeira foi apresentada pela banda normalmente. As outras, foram tocadas no piano por Wisnik, acompanhado na voz por Estrela.

A última música foi Hard Feelings, fortemente aplaudida pelo público, que em pé, ainda pediu que a banda tocasse uma última canção. Para felicidade de todos, eles voltaram ao palco e deixaram muita gente emocionada cantando Valeu à capela.

No “salve-se quem quiser, perca-se quem puder”, ninguém quis se salvar. O público se perdeu em meio às músicas. No melhor dos sentidos.

Quem quiser conhecer melhor o Leminskanções, pode ouvir todas as músicas e saber mais informações clicando aqui. O álbum também está disponível no Spotify.

Foto: Maria Eduarda Martins

 

 Larissa Bezerra, Laryssa Cunha, Maria Eduarda Martins e Caroline Wisch.

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Esporte de honra ou “coisa de bandido”?

O airsoft é um esporte que vem se popularizando no mundo todo e no Brasil não é diferente. 2017 foi o ano de estreia do país na Copa do Mundo da modalidade, realizada em Taiwan. A dupla Cadu Dib e Rafael Bachara mostrou logo a que veio e garantiu o 4º lugar entre as 30 equipes de todo o mundo.

O jogo é uma simulação de operações policiais, militares ou situações de combate, utilizando armas de pressão externamente idênticas às de fogo (é obrigatória a ponta da arma alaranjada como forma de identificação). Conhecidos como BBs, os projéteis são feitos de plástico, pesam entre 120 e 600 miligramas e têm de 6 a 8 milímetros de diâmetro. Mesmo os praticantes não gostando muito da comparação, podemos dizer que é algo próximo do paintball, porém com tiros muito mais precisos, de distâncias mais longas e sem a presença de tinta. O valor médio investido para começar a praticar, entre armas, munição e equipamentos de proteção, vai de R$600 a R$1000.

Em Maringá existem nove equipes conhecidas de airsoft e aproximadamente 300 praticantes. Os locais escolhidos podem ser espaços abertos ou fechados. Normalmente, os grupos utilizam construções velhas ou abandonadas para a prática, como, por exemplo, o antigo prédio da Unifamma – hoje Campo do Gara (Grupo de Ação Rápida Airsoft). “Algumas pessoas que não conhecem o esporte encaram como ‘coisa de bandido’, mas na prática acontece como em qualquer outro esporte de final de semana: amigos se encontram para um jogo e se divertem juntos”, explica o membro do Gara Thiago Silvestrini.

Silvestrini tem 29 anos, trabalha como analista de TI e começou a jogar há cerca de quatro anos. Ele conta que sempre gostou de jogos de combate no vídeo-game e se apaixonou pelo esporte assim que conheceu. A equipe conta com 20 membros e ele destaca a lealdade, o espírito de equipe e o companheirismo que o jogo proporciona. “A sensação de bem-estar e fraternidade é muito recompensadora. Rever os amigos e promover uma disputa saudável traz uma distração necessária para a mente em meio a dias de trabalho tão intensos. Além disso, não deixa de ser um tipo de atividade física”, comenta.

No último dia 29, a equipe Gads (Global Airsoft Defence Squad) organizou um dos maiores eventos de airsoft da região, a Operação Database, com um enredo inspirado nos conflitos entre os Estados Unidos e a Rússia. Com o objetivo de unir as equipes maringaenses, os organizadores esperavam cerca de 30 pessoas, porém, em apenas dois dias o número de inscritos já passava de 100. Com equipes de cidades vizinhas, como Astorga e Paranavaí, o evento atingiu a marca de 135 participantes. A promessa é de uma segunda edição para mais de 150 pessoas. “Airsoft é isso, honra e parceria sempre!”, orgulha-se o membro do Gads Henrique Gardin.

Origem

Criado no Japão na década de 1970, o esporte chegou ao Brasil em 2003 e foi regulamentado em 2007. Em 2010, o Exército Brasileiro publicou outra Portaria, substituindo a de 2007 e que definiu a obrigatoriedade da ponta alaranjada nas armas para diferenciá-las das armas de fogo.

Honra é a palavra chave dessa prática. Cada jogador é responsável por acusar a própria “morte” ao ser atingido e deixar por um tempo a competição. As armas podem ser encontradas em lojas físicas autorizadas pelo Exército ou pela internet.

Pedro Solheid, aluno do 4º ano de jornalismo

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Robocop indígena do Paraguai mora em Maringá

“Você não viu nada ainda.” Essa é a frase mais repetida pelo indígena paraguaio Hemídio Pereira do Maral (“é sem ‘a’ mesmo, povo escreve com ‘a’, mas está errado”). Insistindo ter 54 anos, Seo Amaral – até ele se rendeu ao erro e se denomina Amaral, com “a” – chegou ao Conjunto Residencial Ney Braga, região oeste de Maringá, na década de 1980.

“No documento, a minha idade está quase 80, está lá que eu tenho 78. Mas na verdade eu tenho 54 anos. Uma família mineira foi me registrar, eu e mais oito filhos, e fez confusão”, diz o índio.

Até os oito anos, Maral viveu na aldeia em que nasceu, no Paraguai – não sabe dizer exatamente onde -, nadou muito no rio onde diz ter sido parido pela mãe, filha de xavante e neto de cheyennes, e aprendeu muito com o pai africano. Depois veio direto para o estado de São Paulo, em 90 marchas – cada dia na viagem a cavalo ele conta como marcha –, com uma família de japoneses.

“O japonês era do exército lá no Paraguai e quando foi dar o décimo sexto salto de paraquedas caiu em cima de uma árvore sucupira, que jogou ele para outra sucupira e ele quebrou o pescoço. A japonesa ficou traumatizada e veio para o Brasil e eu vim junto”, relatou, com precisão, a história.

“Vim conhecer roupa com idade de 13 anos. Não tinha preconceito como aqui.” Vestido, enquanto cumprimentava todos que passavam pela rua e olhava, preocupado, os meninos subindo no pé de goiaba no terreno da frente de casa, cuidando para que ninguém ali “puxasse maconha”, Seo Amaral distribuiu histórias e conhecimentos.

A expressão dita diversas vezes anteriormente, “você não viu nada ainda”, ganhou significado quando as histórias passaram a ser contadas para o lado de dentro da casa do aposentado. Entulhos e mais entulhos cobrem os muros e as paredes externas na construção. No interior, apenas corredores para ir de um cômodo ao outro. O restante, entulhos.

Mas “entulhos” apenas aqui no texto. Para Seo Amaral, “entulho não, aqui tem fogão”. Tem bastante fogão também. Segundo a contagem do próprio arrumador/limpador de eletrodomésticos, são 390 apenas na construção exclusivamente construída para guardar os “fogões”.

Entre as centenas de fogões que inundam o terreno e as duas casas, muitos guarda-chuvas, isqueiros, tábuas de carne penduradas na porta (bati a cabeça ao entrar e sair da casa), roupas, malas, armários, camas (“essa tem 28 molas. É antiga, da década de 1960”), máquinas de lavar, ventiladores, televisores, rádios, mais fogões, mais guarda-chuvas, recipientes de óleo, manteiga, o pinico ao lado da cama (“quando o cara tem preguiça de ir ao banheiro durante a noite”) e tudo mais que resolve se procurar por ali. E uma gata que acompanhava a visita. Ele diz não ser dele.

E em épocas de vigilância do mosquito Aedes aegypti, o pacato aposentado dá o recado. “Não acredito em dengue não. Dengue tem lá dentro da prefeitura: fiscais, secretários, prefeito, isso sim é dengue. Fiscal da prefeitura só parou de vir aqui porque eu ameacei cortar o saco deles. No outro eu joguei um pinico de urina.”

Aposentado como vigilante, o índio paraguaio conta que serviu o exército em Curitiba e já trabalhou na guarda urbana de Maringá, operador de máquina e tratorista do município de Maringá. Hoje diz arrumar desde fogão até guarda-chuva para ganhar um dinheiro extra.

“Só não arrumo mulher porque quando põe o pino falta a trava e quando põe a trava falta a mola.” Casamento então, Seo Amaral passa longe. A única experiência foi há muitos anos e durou apenas alguns dias. “Casamento é atraso de vida.”

Na região, apenas a vizinha de muro implica com o morador da Rua Pintassilgo. Mas segundo Edineuza e Claudia – que ele carinhosamente chama de “briguentas” –, vizinhas de Maral há 30 anos, o problema é que tem gente que gosta de implicar com tudo. Para elas, ele é um vizinho muito bom, não incomoda ninguém e é educado com todo mundo.

Sem contar que todos ali usufruem dos passatempos do indígena. Todos comem da manga, goiaba, mandioca, abobrinha, tomate cereja e tudo mais que o índio planta nos dois terrenos vazios em frente à casa.

“Eu estou aposentado, mas faço das tripas coração para não parar. Se não trabalhar, enferruja tudo”, diz, disposto, o senhor de 78 anos (ou seriam 54?). E Seo Amaral faz tudo de bom coração. “Espero em troca apenas a graça do senhor, das pessoas eu não espero nada.”

E olha que tem muito o que enferrujar naquele corpo. São 17 operações, segundo o próprio Robocop paraguaio. “Lado direito é todo platina. Operei até do saco”, conta, entre muitas risadas.

O órgão operado funcionou em duas ocasiões. Maral tem dois filhos biológicos, um homem e uma mulher, com quem tem contatos por telefone – não passa o número para mais ninguém. Mas tem também alguns filhos não biológicos, que ele registrou, e outros 16 enteados. “Tem que dar amor para receber amor”, solta mais um ensinamento, perdido entre tantos.

Para Maral, religião é uma forma de ser mais humano. “Nasci e me criei no espiritismo, mas eu examino a bíblia, ajudo um ser humano ali com uma cesta básica, ajudo outro que precisa aqui, vou ajudando. Mas tem pessoas que só furam os olhos da gente. Esses não tem religião, são salafrários. Gostam de se aproveitar do suor dos outros.”

Cuidando para não se perder entre os fogões e a gata que procura algumas presas por ali, é possível passar horas ouvindo os contos de Seo Amaral. Mas mesmo após horas de conversa, uma única frase ecoa na cabeça: “Você não viu nada ainda”.

Rafael Donadio, estudante do 4º ano de Jornalismo da Unicesumar

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Programa de aprendizagem traz benefícios para a empresa e para o jovem

O programa Jovem Aprendiz é um projeto do governo federal criado a partir da Lei da Aprendizagem. O objetivo é que as empresas desenvolvam programas que visam a capacitação profissional de adolescentes e jovens em todo o país.

Mas além disso, ser aprendiz é estar disposto a aprender, aprimorar-se, capacitar-se e desenvolver-se. É ter interesse nas oportunidades e possibilidades de inserção no mundo do trabalho. É querer adquirir habilidades para atender as demandas do universo corporativo. É buscar, através da educação, realizar sonhos.

Entretanto, o empresário também tem vantagens. A primeira é que ao empregar um Jovem Aprendiz a sua empresa tem a oportunidade de formar um profissional de acordo com o perfil desejado pela organização e que, por isso, tem um grande potencial de crescimento.

É o caso de uma empresa do ramo de transportes de Maringá, que contrata jovens aprendizes há cinco anos. “Este trabalho é uma via de mão dupla: o jovem aprende muito com a empresa e os colaboradores aprendem muito com eles, que são um manancial de ideias novas”, explica a encarregada de RH Fernanda Cordiolli.

Uma segunda vantagem desse tipo de contratação é que as empresas que participam do projeto Jovem Aprendiz possuem vantagens e incentivos fiscais, como pagamento de apenas 2% de FGTS, dispensa do aviso prévio remunerado e isenção da multa rescisória.

Além dessas vantagens enumeradas acima, a contratação do jovem aprendiz também é uma ação de responsabilidade social. Segundo o empresário contábil Nivaldo Pereira, contratar um jovem aprendiz garante um futuro mais promissor e impede que muitos se envolvam em ações ilícitas. “Como é proibido que jovens menores de 16 anos trabalhem, o programa garante que os mais novos estudem e aprendam algo que agregará nas futuras carreiras”, diz.

A estagiária Fabiane Emanuele Batista começou como jovem aprendiz na empresa que trabalha hoje. Segundo ela o programa é uma forma de ajudar e auxiliar os jovens para entrar na carreira profissional. “Ajuda, e muito, pois quando for arrumar um outro emprego a pessoa já vai ter uma experiência”, afirma.

Para participar, Fabiane começou a fazer um curso que se chamava “Digitando para o Futuro”. “Me ajudou muito, porque aprendi várias coisas que, com certeza, levarei para o resto da minha carreira profissional. Sou grata por ter tido a oportunidade de participar do Programa Jovem Aprendiz”, agradece.

O contrato de aprendizagem é especial, com duração máxima de dois anos. Após esse período, ou caso o jovem ultrapasse o limite de idade (24 anos), o contrato deve ser rescindido. No entanto, caso seja de interesse da empresa, ele pode ser efetivado como um trabalhador regular.

Empresas de médio e grande porte estão obrigadas por lei a ter em seus quadros entre 5% à 15% de jovens na condição de aprendiz. Mas mesmo que a sua empresa não esteja obrigada, pense que essa pode ser uma opção interessante para contratar novos colaboradores.

Quem quiser contratar um Jovem Aprendiz precisa procurar pelos Serviços Nacionais de Aprendizagem (SENAI, SENAC, SENAR, SENAT e SESCOOP) ou uma Entidades sem Fins Lucrativos que ministram cursos de aprendizagem.

Lei da Aprendizagem

A Lei de Aprendizagem vigente engloba as Leis 10.097, de 19 de dezembro de 2000; 11.180, de 23 de setembro de 2005; e 11.788, de 25 de setembro de 2008 que modernizaram os artigos previstos na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) de 1943. A aprendizagem é um direto dos jovens que também é assegurada pelo Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).

Ana Paula Foltran, estudante do 4º de Jornalismo da Unicesumar

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Uma em cada 10 brasileiras tem endometriose

A endometriose é uma doença benigna que atinge 10% das mulheres no Brasil, segundo dados da Comissão Nacional de Endometriose, da Febrasgo.

As células do endométrio, em vez de serem expelidas, migram no sentido oposto e podem se fixar nos ovários ou em outros órgãos, onde multiplicam-se e sangram, pois também sofrem influência dos hormônios do ciclo menstrual, gerando um processo inflamatório.

Segundo a Sociedade Brasileira de Endometriose (SBE), as causas da doença ainda não são totalmente esclarecidas. Mas estudos apontam que genética, menstruação retrógrada e crescimentos de células embrionárias podem ser as causas.

O meio ambiente também pode ser a causa, segundo a SBE, como a contaminação da água, do ar e da alimentação, além de substâncias como a dioxina, o bisfenol A, os ftalatos e parabenos.

A doença pode atingir a mulher em qualquer período da fase reprodutiva, mas a faixa dos 30-40 anos é a mais comum.

Os sintomas, geralmente, são dores durante a relação sexual, dificuldade para engravidar, dor pélvica e, principalmente, cólica menstrual intensa e progressiva, que necessita, com o passar do tempo, de cada vez mais analgésico. São dores que impossibilitam as atividades do dia a dia, podendo provocar até vômitos e desmaios. Mas a doença pode assombrar as mulheres por outro motivo.

A principal preocupação de quem tem endometriose é a possibilidade de não conseguir engravidar. A doença é uma das principais causas de infertilidade feminina, atingindo cerca de 30% a 40% dos casos.

“As células do endométrio podem estar no intestino, na parede abdominal ou na bexiga, por exemplo. Ao se contraírem e sangrarem, o organismo reage criando uma aderência, que pode obstruir a trompa, causando a infertilidade”, afirma o ginecologista Raul Bendlin.

Outras mulheres podem descobrir a doença somente quando passam por cesarianas e, segundo a SBE, a gestação, inclusive, pode melhorar o quadro clínico de endometriose.

O tratamento, segundo Bendlin, pode ser feito interrompendo a menstruação, “secando” os focos de células do endométrio fora do útero.

O tratamento pode ser feito com medicamentos via oral, injeção ou implantação de dispositivo intrauterino. Nos casos avançados, o procedimento cirúrgico pode ser indicado.

A estudante Giovana de Pádua, 20 anos, foi diagnosticada com células do endométrio no intestino há quase dois anos, mas tem a doença desde quando começou a menstruar, aos 11 anos.

O diagnóstico demorou três meses, mas antes passou por três exames: o de sangue, de ultrassom e, por último, o de ressonância magnética.

“Não me sinto afetada pela dor, mas pelo medo de não poder engravidar. Mas se existe tratamento, então a gente trata”.

Angélica Nogaroto, estudante do 4º ano de Jornalismo.

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Pioneiro do bairro é querido pela vizinhança

Quem vai ao Parque das Laranjeiras em Maringá, tem uma surpresa ao perceber que de Laranjeiras o bairro só tem o nome. Com um sorriso cativante, relaxado em uma cadeira está o Luiz Gonzaga Mateus que, com 82 anos, não deixa a alegria e o bom humor de lado.

Aposentado, seo Luiz veio de São Manoel (SP), e hoje mora com a mulher, Maria Rodrigues da Silva. O casal é o pioneiro no bairro que existe há quase 30 anos. Eles são casados há 32 anos. Ele conta que quando se mudaram para lá deu vontade de dar meia volta e ir para a antiga casa. O local era um sítio, só tinha a casa deles e de outra vizinha, a Cleuza Leposiano, 62. Logo que se instalaram a geladeira queimou. O bairro não era asfaltado e havia muito barro nas ruas.

E ainda para ajudar, para ir ao trabalho, o ponto de ônibus era muito longe de onde moravam, então ele colocava uma sacolinha no pé. Para ir ao mercado era complicado. “Quando mudamos aqui, tinha que fazer compra em Mandaguari (próximo a Maringá) eram cavalo e carroça daqui lá, fazia compra por dois meses”, diz seo Luiz.

Seo Luiz também tinha uma surpresa com as vacas, que vez ou outra, invadiam o quintal da casa dele e da Dona Maria. Os dois não sabiam de onde vinham os animais, mas comiam tudo o que plantavam. “As vacas cansaram de invadir a casa da gente. Acordava à noite com o barulho das vacas, elas nem pediam licença, chegavam e iam entrando”, conta Dona Maria.
Ele conta que o bairro cresceu muito rápido, mas demorou mais de cinco anos para o asfalto chegar. Por isso, continuavam colocando a sacolinha no pé, entravam no ônibus e a retiravam toda suja de barro. Detalhe, com crianças que nem ligavam para a sujeira.

Apesar das dificuldades, a vizinhança era boa, não tinha o que reclamar. “Seo Luiz é como um irmão, nunca deu o que falar, é uma amizade grande”, diz Cleuza a vizinha mais antiga.

Apesar da distância que mora da casa de seus irmãos, seo Luiz não se separa deles, todos os domingos estão reunidos. “Não chegam e nem saem sem cumprimentar, tem que dar a mão” diz seo Luiz.

Bruna Gabriel

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Drama de quem busca uma vida melhor

O desemprego no Brasil hoje atinge 13,8 milhões de trabalhadores, segundo dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), uma porcentagem de 13,3% de brasileiros com carteira de trabalho. Esse grave número é consequência de uma crise econômica e política que instaurou nos país nos últimos anos. Para quem viveu durante anos em um país que foi vítima de terremotos, um furacão de proporções catastróficas, um governo ditatorial que teve dois dos mais violentos governantes conhecidos pelo homem – François Duvalier, o “Papa Doc”, e seu filho, Jean-Claude Duvalier, o “Baby Doc” – durante décadas, além de miséria, saúde e educação precárias, esses números da crise brasileira não parecem impor tanto medo assim.

Localizado nas ilhas Hispaniola, próximo à República Dominicana, o Haiti se tornou a primeira república negra das américas, fato consolidado há mais de 200 anos após uma revolta de escravos, então uma colônia francesa. Hoje é o país mais pobre das Américas, segundo apurou a Revista Exame, além de figurar em 168º lugar de 187 países no Índice de Desenvolvimento Humano. Em 2009, um terremoto matou aproximadamente 217 mil pessoas e desterrou outros meio milhão. Ano passado a passagem do furação Matthew matou 877 pessoas e deixou mais de 60 mil desabrigadas. Essas situações fizeram com que muitos haitianos optassem por sair de sua terra natal e buscar novas casas em outros países, como o Brasil.

O governo brasileiro recebe, anualmente, milhares de haitianos refugiados. O país caribenho passou por diversas. Em 2015, segundo dados da Polícia Federal, 14.535 haitianos adentraram o país de forma legal, 30 vezes maior do que os 481 haitianos que deram chegaram no Brasil em 2011. Em Maringá, aproximadamente cinco mil refugiados do país caribenho viviam na cidade, segundo dados da Aras Caritas (Associação de Reflexão e Ação Social), ONG responsável por receber os haitianos quando chegam na cidade.

Porém, devido à crise econômica que se agravou no Brasil, esse número diminuiu muito no final do ano. Em dezembro haviam, aproximadamente, 2500 refugiados haitianos no país. Os demais foram buscar oportunidades melhores em outros países, como Chile e Estados Unidos. “São corajosos que não têm medo de colocar a mala nas costas e buscar melhores oportunidades”, afirma o presidente da Aras Cáritas, o deputado Carlos Mariucce.

A Aras Cáritas oferece ajuda aos refugiados e imigrantes que chegam em Maringá nessas situações extremas. “Eles vêm por meio de coiotes, navios e ônibus, muitas vezes clandestinamente. Depois nos procuram para fazermos os relatórios para pedir o refúgio no país”, afirma a responsável pela documentação pela Aras, Andressa Barboza. Segundo ela, apesar de não funcionarem como uma agência de emprego, a associação tenta recomendá-los para o mercado de trabalho sempre que possível.

O haitiano Wilner Jean Baptiste já mora há quase quatro anos no Brasil. Há alguns anos ele fez um intercâmbio no país e aprendeu o português, então quando se mudou para terras brasileiras isso ajudou a conseguir emprego rapidamente. Hoje ele possui uma loja própria onde, juntamente com a esposa, ajudam refugiados recém chegados. “”A principal dificuldade dos que chegam é a língua. Segundo é a cultura” comenta Wilner. Ele afirma que, enquanto homens com diplomas no país natal, como psicólogos, engenheiros, médicos e advogados chegam para trabalhar em serviços braçais, essa mesma oportunidade não é oferecida às mulheres.

Filósia Alexis, que possui experiência como cozinheira no Haiti, passa por essa dificuldade e, para sobreviver e sustentar o filho, recebe ajuda de amigos. Mas, apesar das barreiras, não possui vontade de sair. “Eu adoro o Brasil!”

Situação similar é a de Recila Jean Charles. A haitiana de 36 anos possui diplimas de cursos de gastronomia e possui experiência como costureira no país de origem, mas mesmo assim, passa por dificuldades para arranjar emprego devido a falta de domínio do idioma. Ela chegou em agosto do ano passado para morar com o marido, Jean Charles, que chegou quase meio ano antes da esposa. Ambos conseguem sobreviver graças ao emprego dele como auxiliar de cozinha em um bar na Zona 7. “Eu era professor e chefe de segurança no Haiti. Tenho família lá, mas consegui trazer a minha mulher”, diz ele, com um pouco mais de domínio do idioma do que a esposa. Além da esposa, porém, Jean aguarda o momento em que conseguirá trazer o filho do casal, que ainda vive no Haiti. “O passaporte tá muito caro. Preciso gastar 9 a 10 mil reais para trazer toda a minha família”, lamenta.

Renato Crozatti

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Feira movimenta consumo de orgânicos e estimula alimentação saudável em Maringá

Segundo pesquisa realizada pelo Conselho Brasileiro da Produção Orgânica e Sustentável, com entrevistas realizadas com aproximadamente 900 pessoas, entre os meses de março e abril, o brasileiro ainda conhece pouco sobre o mercado de produtos orgânicos.

Os dados obtidos apontam que apenas 15% da população urbana havia consumido algum alimento ou bebida cultivados sem a adição de adubos e fertilizantes nos últimos 30 dias. E apesar da região Sul ser apontada como maior consumidora do Brasil, com 34% do total, ainda há muito o que incentivar.

Esse foi um dos motivos que despertou a vontade de Omar Hadaya em organizar a 1ª Feira de Produtos Orgânicos de Maringá. “A feira reúne agricultores de Maringá e região. Então, além de comercializar um produto mais saudável, a gente também estimula os pequenos agricultores a produzirem dessa forma”, explicou.

O evento começou em dezembro de 2016 e até o mês passado aconteceu aos domingos. Hoje, a feira deu mais um passo no incentivo ao consumidor e ao produtor. Na Rua Martin Afonso, em frente ao Colégio Instituto de Educação de Maringá, a Feira de Produtos Orgânicos de Maringá acontece toda quinta e domingo, das 7h ao meio dia.

Esse modo de produção assegura o fornecimento de alimentos orgânicos saudáveis, mais saborosos e de maior durabilidade. Não utilizando agrotóxicos, preserva a qualidade da água usada na irrigação e não polui o solo nem o lençol freático com substâncias químicas tóxicas.

O agricultor Juvenil Meireles sentiu na pele a toxicidade dos produtos químicos da “produção convencional”. Depois de quase 40 anos trabalhando com agrotóxicos, Meireles foi diagnosticado com câncer e orientado pelos médicos a vender a propriedade e morar na cidade ou mudar de profissão.

Na minha idade, era difícil mudar de profissão, então fui para a produção orgânica, onde estou há 14 anos. É melhor tanto para o consumidor quanto para quem produz, afinal nós somos os primeiros a ter contato com o agrotóxico. Além, é claro, de ser saudável para a propriedade e o meio ambiente. Isso é o que o nosso País precisa, que se diminua a quantidade de agrotóxico jogado no solo”, declarou o feirante.

Para os produtores, é preciso uma certificação especial de agricultores de produtos orgânicos. Empresas especializadas e a Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater) realizam inspeções surpresas anualmente nas propriedades que cultivam esses alimentos. O certificado não só é importante para poder vender na feira, mas também como uma segurança ao consumidor, que sabe que o alimento é realmente produzido sem agrotóxicos.

Além disso, a Associação dos Produtores Orgânicos de Maringá (Pomar) e a Emater realizam capacitação e qualificação de agricultores que produzem alimentos sem o uso de defensivos químicos.

Como todas as outras feiras da cidade, a Feira de Produtos Orgânicos recebe auxílio da prefeitura, a partir da Secretaria de Inovação e Desenvolvimento Econômico. “A feira de orgânicos tem sido uma coisa nova, ela nasceu há poucos meses. Ele (o produtor) traz para o povo maringaense um produto sem agrotóxico, de qualidade, bom para a saúde e protegendo o meio ambiente. O prefeito tem dado total apoio a todas as feiras de uma maneira geral”, relatou Francisco Favoto, Secretário de Inovação e Desenvolvimento

Mas, em comparação com Curitiba, por exemplo, que tem aproximadamente dez feiras direcionadas aos orgânicos, os produtores e o público maringaense ainda tem um longo percurso. Segundo Hadaya, é necessária uma viabilização de mais produtores de Maringá e região para continuar a “batalha constante para conquistar outros espaços”.

Juvenil, que não se abalou nem contra o câncer, segue firme na batalha junto com Hadaya e todos os outros feirantes de produtos orgânicos. “Eu tenho muita esperança que venham mais agricultores, produzir esses alimentos saudáveis. A gente espera que a feira de orgânicos ainda seja uma das maiores feiras de Maringá.”

Rafael Donadio

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