‘Youtubers’ maringaenses conseguem lugar em meio à rede

O Youtube já completou 12 anos de existência. Em mais de uma década, a plataforma de vídeos online se tornou uma importante ferramenta para que qualquer pessoa com uma câmera ou celular e ideia na cabeça possa virar um criador de conteúdo. Gostos e qualidades à parte, a possibilidade de se criar quase qualquer tipo de conteúdo e disponibilizar gratuitamente para qualquer um com acesso à internet possibilitou uma democratização da informação e do entretenimento.

Os “youtubers”, como são chamados os responsáveis por alimentar periodicamente o site, se tornaram uma febre nos anos recentes e muitos já possuem o status de celebridade, entrando nas calçadas da fama e ganhando milhões de dólares como os renomados artistas hollywoodianos. São pessoas que produzem e compartilham vídeos sobre humor, games, beleza, saúde, cinema, literatura, culinária, entre tantos outros. Mundialmente, os youtubers mais famosos são o sueco Felix Kjellberg, o “PewDiePie”, sobre games (56 milhões de inscritos); Germán Garmendia, com o canal de humor  “HolaSoyGerman” (32 milhões); e a dupla de comediantes “Smosh” (22 milhões). No Brasil, os mais populares são o piauense Whindersson Nunes (21 milhões), os grupos de comédia “Porta dos Fundos” (13 milhões) e “Canal Canalha” (12 milhões), e a curitibana Kéfera, do “5ncominutos” (10 milhões).

Maringá também possui seus representantes youtubers. Uma das mais conhecidas é a maringaense Paola Aleksandra, conhecida por ser uma “booktuber” – youtuber voltado para o segmento literário. Dona do canal “Livros & Fuxicos”, com 80 mil inscritos, ela fala muito sobre livros preferidos, dá dicas sobre hábitos de leitura e comenta sobre o que está lendo. O canal foi criado em 2011, logo após um o início de um blog de mesmo nome. Ela conta que começou a fazer vídeos para ser um complemento do site e interagir mais com os internautas, mas que tomou proporções muito maiores do que imaginava. “No meu circulo de amizades, não tinha ninguém que lesse muito. Encontrei uma comunidade na internet para falar sobre disso”, diz Paola.

Há também um outro canal de literatura, esse mais modesto, na região. O “Anne & Cia” foi criado por Anelise Besson em janeiro de 2016, também como um complemento de um blog que já mantinha desde 2014, e hoje já passou a marca de mil inscritos. A criação se deu graças a necessidade de expandir o conteúdo para outra mídia, devido à limitação de um site. “O YouTube nos dá mais liberdade para produzir o que queremos, sem a necessidade de fazer algo obrigado ou seguir um roteiro muito específico, como em outros meios. É mais libertador porque você produz seu conteúdo e é responsável diretamente por ele”, afirma. Ela também conta que viu uma preferência do público pelo vídeo do que pela leitura.

A estudante Maria Eduarda Martins começou com o canal “Enjoy Your Coffee”, em 2011, para falar sobre cultura, mas hoje não há um foco específico. Nos videos mais antigos, ela mostrou algumas viagens que fez para a Europa. Hoje, com mais de 700 inscritos, há uma variedade de temas: do festival Lollapalooza à literatura, passando por dicas de como se fazer um “bullet journal” (uma espécie de diário/agenda temática), até assuntos mais sérios, como depressão. “Acho que o foco sou eu: é bem pessoal. Faço o que tenho vontade de fazer”, conta.

Para ela, a plataforma é importante porque o público pode receber informação e entretenimento sobre qualquer assunto e quando quiser. “Os youtubers têm um grande poder hoje em dia. Eles influenciam muita gente e definem opinião”, afirma Maria Eduarda. “O interessante do YouTube é que são as pessoas que poderiam estar facilmente na nossa roda de amigos. Apesar de admirarmos de longe, a gente sente essa proximidade.”

Um youtuber mais recente é o campo-mourense Renan Natálio. O canal “Falando de Cinema” começou em janeiro desse ano, mas a ideia já estava na cabeça dele há algum tempo, quando ainda escrevia para o blog de cultura pop “Bigodela”. Ele resolveu juntar seus dois gostos: a edição de vídeo e a paixão pelo cinema. Atualmente, ele tece críticas aos lançamentos dos cinemas, faz listas e traz curiosidades para os mais de mil inscritos, sempre de forma bem-humorada. Ele resolveu iniciar o projeto direto no YouTube por ser uma plataforma já conhecida e de fácil manuseio. “[O YouTube] te dá espaço para você mostrar o que sabe e gosta de fazer. E claro que pode escolher bem o que assistir, achar muita coisa útil e sem gastar nada”, diz.

 

Booktuber Anelise Besson já possui mais de mil inscritos no canal “Anne & Cia”

Renato Crozatti

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