Esporte de honra ou “coisa de bandido”?

O airsoft é um esporte que vem se popularizando no mundo todo e no Brasil não é diferente. 2017 foi o ano de estreia do país na Copa do Mundo da modalidade, realizada em Taiwan. A dupla Cadu Dib e Rafael Bachara mostrou logo a que veio e garantiu o 4º lugar entre as 30 equipes de todo o mundo.

O jogo é uma simulação de operações policiais, militares ou situações de combate, utilizando armas de pressão externamente idênticas às de fogo (é obrigatória a ponta da arma alaranjada como forma de identificação). Conhecidos como BBs, os projéteis são feitos de plástico, pesam entre 120 e 600 miligramas e têm de 6 a 8 milímetros de diâmetro. Mesmo os praticantes não gostando muito da comparação, podemos dizer que é algo próximo do paintball, porém com tiros muito mais precisos, de distâncias mais longas e sem a presença de tinta. O valor médio investido para começar a praticar, entre armas, munição e equipamentos de proteção, vai de R$600 a R$1000.

Em Maringá existem nove equipes conhecidas de airsoft e aproximadamente 300 praticantes. Os locais escolhidos podem ser espaços abertos ou fechados. Normalmente, os grupos utilizam construções velhas ou abandonadas para a prática, como, por exemplo, o antigo prédio da Unifamma – hoje Campo do Gara (Grupo de Ação Rápida Airsoft). “Algumas pessoas que não conhecem o esporte encaram como ‘coisa de bandido’, mas na prática acontece como em qualquer outro esporte de final de semana: amigos se encontram para um jogo e se divertem juntos”, explica o membro do Gara Thiago Silvestrini.

Silvestrini tem 29 anos, trabalha como analista de TI e começou a jogar há cerca de quatro anos. Ele conta que sempre gostou de jogos de combate no vídeo-game e se apaixonou pelo esporte assim que conheceu. A equipe conta com 20 membros e ele destaca a lealdade, o espírito de equipe e o companheirismo que o jogo proporciona. “A sensação de bem-estar e fraternidade é muito recompensadora. Rever os amigos e promover uma disputa saudável traz uma distração necessária para a mente em meio a dias de trabalho tão intensos. Além disso, não deixa de ser um tipo de atividade física”, comenta.

No último dia 29, a equipe Gads (Global Airsoft Defence Squad) organizou um dos maiores eventos de airsoft da região, a Operação Database, com um enredo inspirado nos conflitos entre os Estados Unidos e a Rússia. Com o objetivo de unir as equipes maringaenses, os organizadores esperavam cerca de 30 pessoas, porém, em apenas dois dias o número de inscritos já passava de 100. Com equipes de cidades vizinhas, como Astorga e Paranavaí, o evento atingiu a marca de 135 participantes. A promessa é de uma segunda edição para mais de 150 pessoas. “Airsoft é isso, honra e parceria sempre!”, orgulha-se o membro do Gads Henrique Gardin.

Origem

Criado no Japão na década de 1970, o esporte chegou ao Brasil em 2003 e foi regulamentado em 2007. Em 2010, o Exército Brasileiro publicou outra Portaria, substituindo a de 2007 e que definiu a obrigatoriedade da ponta alaranjada nas armas para diferenciá-las das armas de fogo.

Honra é a palavra chave dessa prática. Cada jogador é responsável por acusar a própria “morte” ao ser atingido e deixar por um tempo a competição. As armas podem ser encontradas em lojas físicas autorizadas pelo Exército ou pela internet.

Pedro Solheid, aluno do 4º ano de jornalismo

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