“Na Flim deste ano, nossos escritores talvez não sejam tão conhecidos ou tão famosos”, comenta Mateus Moscheta

 

Em 2016, o evento recebeu aproximadamente 8 mil visitantes por dia e teve 110 atrações (Foto: divulgação)

A Festa Literária de Maringá (Flim), evento que procura popularizar o livro, incentivar a leitura e aproximar escritores de leitores, está chegando. Entre os dias 26 e 29 de outubro deste ano, os maringaenses – e quem visitar a cidade durante o período – poderão acompanhar uma verdadeira experiência cultural.

Segundo o diretor de cultura de Maringá, Mateus Moscheta, o principal objetivo da festa é proporcionar várias experiências para a população e, para este ano, ele conta que será um pouco diferente das edições anteriores. A exposição vai acontecer numa espécie de pavilhão montada na Praça Renato Celidônio, em frente à Catedral.

Alguns nomes já estão confirmados, como o do publicitário e escritor José Roberto Walker e o romancista mineiro Luiz Ruffato. Em negociação, está o também romancista moçambicano Mia Couto e o escritor e jornalista Ignácio de Loyola Brandão. Confira abaixo a entrevista com o diretor de cultura de Maringá, Mateus Moscheta.

1 (Alessandro) – A edição da Flim deste ano, conforme foi divulgado pela assessoria de imprensa da Prefeitura, promete ser “menos engessada” do que nas três últimas edições. Será mais interativa, terá outras manifestações artísticas como música, teatro, cinema e artes visuais se conectando com a literatura. Como o público vai interagir com esse novo formato?

Mateus Moscheta – O próprio formato é mais interativo, vamos ter algumas ilhas de interações, que são espaços para contação de histórias pela Biblioteca Municipal. A ideia é receber principalmente o público infantil e adolescente, mas é um espaço aberto para que as pessoas possam chegar e pegar um livro que vai estar disponível. Para as crianças, é uma forma delas exercerem o poder de escolha. A feira será montada no formato de um pavilhão, no qual os estandes estarão posicionados em volta do palco, onde irá acontecer os shows. Teremos puff para que as pessoas possam descansar quando quiserem. Estou tentando trazer um redário para que as pessoas fiquem mais tempo na festa, saindo um pouco do formato de feira. A ideia é que a pessoa sinta-se bem e tenha experiências na festa literária e no final saia de lá sentindo que viveu algo diferente.

2 (Alessandro) – Na fase inicial da programação da Flim deste ano foi discutida a liberação de mais espaço para jornalistas e escritores locais promoverem seus trabalhos e conhecimentos ligados à literatura. Outra possibilidade foi a internacionalização da Flim trazendo escritores de outros países. Essas medidas foram discutidas como sendo uma forma de atrair mais público para o evento. Para este ano, qual o público que vocês esperam para os quatro dias do evento?

Espero que tenhamos um recorde de público este ano, mas o mais importante é que a gente consiga realmente chegar ao nosso ideal que é promover experiências por meio da literatura. As propostas precisam estar ligadas, desde o conteúdo abordado no livro até a oportunidade das pessoas escreverem alguma coisa e o público é incentivado a entrar no universo da literatura.

3 (Gustavo) – Mesmo em tempos de crise, a Flim continua investindo e incentivando a leitura, tornando-se um evento consolidado, muito por meio da criatividade e atividades de graça. Qual a fórmula para esse evento ter dado tão certo?

É um dos eventos mais conhecidos da população que tem um carinho enorme e uma cobrança grande, então é muita responsabilidade, o que funcionou e deu muito certo. A gente vai tentar repeti-la para as próximas, pensar maior.

4 (Alessandro) – Em todas as edições da Festa, a organização teve a preocupação de trazer novidades. Escritores de renome nacional sempre estiveram presentes e, além disso, a possibilidade de escritores locais apresentarem seus trabalhos. Isso tudo movimenta a economia da cidade, mas tem um custo para montar a festa. Qual o orçamento inicial para montar uma festa desse tamanho?

O nosso orçamento, deixado do ano passado é de 300 mil, mas provavelmente vamos ultrapassar esse valor. Só a estrutura montada na Praça Renato Celidônio [Praça da Prefeitura] com os equipamentos de som e luz e as barracas para acomodar as pessoas, custa em média 200 mil, daí sobra somente 100 mil para o restante das atividades, mas do início do ano para cá nós realizamos muitos eventos e conseguimos economizar muito dinheiro.

5 (Gustavo) – O evento traz autores de vários municípios do País e até internacional para um bate-papo sobre leitura, livro e literatura. Qual a importância da Flim para os escritores locais e para a sociedade escolar?

Para o escritor é um momento de exposição do próprio trabalho e de aproximação para tecer novas ideias e explorar mais o que está em volta no sentido de produção literária, além de estabelecer um diálogo num canal de comunicação. Para as crianças é o momento de encontrar e conversar com o escritor, além de incentivá-las de que elas também podem se tornar escritoras.

6 (Alessandro) – Além dos livros, a Flim traz uma grande diversidade de eventos e recebe todo o tipo de público. Mas qual ou quais os tipos de pessoas que frequentam mais o evento?

O público vem bastante de acordo com as atrações, quando são atrações midiáticas temos um público muito maior. Se pensarmos nas “Flims” anteriores, o José Eduardo Agualusa, por exemplo, teve um grande público. O Ziraldo, que também é muito conhecido, arrebatou um grande público. Para este ano, nossos escritores talvez não sejam tão conhecidos ou tão famosos, mas são todos autores premiados que participaram de grandes feiras como Bienal de São Paulo e a Flip de Paraty.

7 (Alessandro) – Quase sempre a festa começa no meio da semana e termina no domingo, sempre com atrações diversificadas durante os dias em que acontece. Quais dias e atrações que o público frequenta mais?

É mais frequente a participação de pessoas que são da área, como estudantes de letras ou escritores, até mesmo profissionais que vivem do livro e da literatura, assim como a rede de educação que provavelmente na quinta e sexta-feira serão dois dias com muita frequência das escolas.  Já no sábado e domingo a gente vai contar com um público mais espontâneo, mas a ideia da festa literária é promover esse lugar como um encontro de festa e que seja acessível a todos.

8 (Alessandro) – Como está o processo de contratação dos convidados, já tem outros nomes confirmados, além dos que já foram divulgados?

Temos alguns nomes que já estão mais encaminhados, como o Carrascoza que provavelmente vem também, os outros não posso falar ainda, embora já esteja tudo acertado.

9 (Gustavo) – Além de trazer uma gama de diferentes autores, há também vários estilos literários, como romance, poesia, conto, crônica entre outros. Como essa questão será trabalhada na Flim para agradar todos os tipos de gostos?

Entendendo a arte como um mecanismo de questionar e que te coloca a pensar sobre aquilo que você está envolvido, nossa preocupação não é só agradar a todos, e sim trazer temas pertinentes e que possam cumprir essa função: de algum momento, mostrar outra perspectiva de mundo.

10 (Gustavo) – Em 2016, o evento recebeu aproximadamente 8 mil visitantes por dia e teve 110 atrações dentro da programação cultural. Qual o legado que a Flim proporciona e onde o evento deseja chegar?

É difícil falar de legado, se tudo o que apontei acontecer, a gente vai ter alcançado o objetivo que desejamos. A Festa Literária não pode ser só um evento de consumo, e sim promover essa mudança de lógica de como me relaciono com esses fatos, ou seja, o objetivo não é fazer a pessoa ir ao evento e tirar uma foto para dizer que foi, e sim ir para fazer algo para se transformar. Talvez, esse pode ser o legado.

11 (Gustavo) – Com a Profice – Programa Estadual de Fomento e Incentivo à Cultura – e do Fundo Estadual de Cultura (FEC), o Paraná passou a contar com mais uma importante ferramenta para estimular e promover a cultura do Estado. Como você avalia essa questão em Maringá?

São mecanismos importantes que estão surgindo dentro da visão política cultural. Boa parte das ações ficavam apenas na capital [Curitiba], pouco chegava até aqui. A exposição do Paulo Leminski, por exemplo, foi trazida para cá por meio da Profice. Estamos recebendo muitos pedidos de projetos teatrais, de dança, artes visuais entre outros para que possamos oferecer aos artistas de Maringá.

Por Alessandro Alves e Gustavo Rosas. Estudantes de Comunicação Social – Jornalismo.

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