Mês: setembro 2017



Redes sociais proliferam o racismo

Um levantamento realizado pela Safernet, em 2016, apontou que mais de 5 mil páginas do Facebook foram denunciadas por cometer ou incitar racismo virtual. Isso corresponde o equivalente à 49.6% das páginas denunciadas.

Dentre os idiomas que mais tiveram denúncias, o inglês lidera a lista, com mais de 23 mil denúncias – 58,9% do total. Em segundo lugar o português com 9,5 mil páginas denunciadas, o equivalente a 24,2% do total.

Muita gente não sabe, mas o racismo está associado à diversas postagens que compartilhamos todos os dias em nossas redes sociais. Segundo Ivone Pingoello, doutora em Educação pela UEM, o Brasil tem a cultura de associar o racismo à pele negra, mas também está presente no cotidiano de muitas pessoas.

“Japoneses sofrem racismo com nossas associações e brincadeiras, em relação aos portugueses também, quando fazemos piadas bobas, o que eles também fazem dos brasileiros”, disse.

Conforme Ivone, o racismo em si ocorre pela ignorância do ser humano associado à cultura da opressão a alguém que julgamos inferiores a nós. Nas redes sociais é muito comum encontrarmos postagens e comentários de ódio relacionados a diversos assuntos. Ivone explica que isso sempre esteve presente na sociedade, mas acontecia em locais diferentes.

“Esse tipo de manifestação sempre existiu, mas ficava restrito a locais escolares e espaços menores. As redes sociais são um novo instrumento de manifestação em que a pessoa se esconde atrás do anonimato ou de um perfil falso e acaba exteriorizando o que estava dentro dela há muito tempo.”

Para o Psicólogo e Especialista em Análise do Comportamento Renan Miguel Albanezi os discursos de ódio, sejam em qualquer nuance, virtual ou fora das redes sociais, causam efeitos práticos na vida de uma pessoa, como danos físicos e psicológicos.

Segundo Albanezi, o que as pessoas falam também são atos ou comportamentos e os efeitos práticos estão associados à relação de equivalências de um ato na vida de uma pessoa, ou seja, o que significa um comentário racista em relação a tudo o que a pessoa já viveu.

“Isso afeta a autoestima das pessoas, trazendo questionamentos como – quem sou eu aqui, quem sou eu para o outro. Se a gente depende do outro até para dizer o nome, o que significaria se alguém me der uma banana dizendo que eu não presto por ser preto, por ser gay ou qualquer coisa do gênero, o que isso vai dizer sobre eu e de que forma vou me ver”, explica.

A estudante de biblioteconomia, blogueira e Youtuber, Jacy July sofreu racismo no Facebook em 2016, por meio de uma fotomontagem publicada na rede social. Segundo Jacy, o que mais a preocupa são os comentários que foram publicados em seguida na postagem. Ela contou ainda que por ser uma pessoa pública, lida diariamente com diversos comentários de ódio que recebe em suas postagens.

Em seu canal no YouTube, ela aborda diversos assuntos, como cabelo crespo, moda consciente, autoestima e beleza negra. Em suas publicações ela procura incentivar a autonomia feminina através do empoderamento negro e enfrentamento das estruturas sociais delimitadoras da estética. Também produz tutoriais de maquiagem e discute assuntos diversos.

​Em entrevista por telefone, ela contou um pouco de sua história, como se sente em relação ao racismo e como ele é tratado pelas leis brasileiras. Jacy diz que quando soube da publicação da foto, tentou fazer denúncia, mas o sistema é muito burocrático.

“Tentei fazer denúncia no Safernet e pelo site que o governo disponibiliza [Ministério Público Federal], mas eles pedem para mandar o link da postagem e eu não tinha o link, porque a publicação foi feita em um grupo que eu não participava e a postagem foi apagada, não adianta nem print da publicação”, explica.

Casos como o de Jacy são frequentes todos os anos no Brasil. As histórias podem ser diferentes, mas todos têm uma particularidade em comum: a cor da pele, que muitas vezes chega antes aos olhos do preconceito. O racismo é uma realidade encarada por muitos brasileiros pretos e pardos, seja no mundo real ou nas redes sociais.

Legislação

Embora muitos desconheçam, desde 1951 existe uma lei para tratar de crimes relacionados à prática de atos resultantes de preconceitos de raça ou de cor. A Lei Afonso Arinos nº 1.390, de 3 de julho de 1951, objetiva punição pela recusa, por parte de estabelecimentos comerciais ou de ensino de qualquer natureza, de hospedar, servir, atender ou receber cliente, comprador ou aluno, por preconceito de raça ou de cor.

Além disso, no artigo primeiro da Lei 7.716 de 1989 da Constituição Federal estão previstas punições para os crimes resultantes de discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional.

Alessandro Alves, acadêmico do 4º ano de jornalismo

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‘Gosto de ser diferente’, afirma artesã maringaense

O reflexo exibido no espelho mostra o que cada pessoa é externamente. Algumas são magras, outras gordas, morenas, ruivas, tatuadas, e toda essa diversidade de pessoas compõem a sociedade. Mas até que ponto ser diferente é aceito pelos indivíduos?

De acordo com o dicionário Aurélio, “diferente é algo em que se nota a diferença, e diversidade é a variedade, a multiplicidade”.

O Brasil é um país conhecido pela diversidade de etnias e culturas em cada região, o que possibilita que cada pessoa possa adotar um estilo que ache conveniente para si própria. Assim, essas formas diversas de expressar um estilo e até mesmo um conceito sobre algo também influenciam na moda. O que vestir, o que usar e como se comportar são as perguntas que a maioria das pessoas fazem. Como ser diferente e não se importar com que a sociedade pensa?

De acordo com a artesã maringaense Poliane Tavares, 20 anos, ser diferente é essencial, um estilo de vida. “Conforme vou mudando de estilo, vou acrescentando as coisas que aparecem no Instagram, e não me importo com o que as pessoas pensam: gosto de ser diferente”. Atualmente, Poliane está com o cabelo pintado de verde e azul, e têm diversas tatuagens pelo corpo.

Ninguém é igual a ninguém, muitas vezes a sociedade impõem um padrão para as pessoas seguirem, mas muitos optam por andar na contramão e desenvolver seu próprio estilo, quer a sociedade aceite ou não.

A diversidade cultural, que vai crescendo no país, é parecida com a moda: mostra um retrato do tempo e período que está se passando,  vai se adequando aos estágios de evolução de uma sociedade que antes não aceitava certos tipos de roupas e acessórios, mas que hoje podem ser considerados normais.

A revisora de texto maringaense Talita Tomé, 30 anos, afirma que o que ela veste é o reflexo de quem ela é, mas não segue nem um estilo determinado. “Eu não tenho um estilo específico, porque eu misturo muita coisa, então acaba sendo uma mistura do que eu gosto e o que está na moda”. Ela ainda comenta que o que veste foi um processo de evolução, começou pensando em alguns estilos, e no final optou por não seguir nada, somente misturar.

O sociólogo Gilson Aguiar explica que a sociedade impõe um padrão para a pessoa ser aceita nos grupos sociais. “É uma exigência hoje de muitos ambientes a aparência, que não é definido de forma livre, como ela quer ser, mostrar, mas tem que apresentar o ser aquilo que o ambiente de consumo exibe. As pessoas têm que ter um certo padrão de aceitabilidade na sociedade”.

A diversidade de pessoas tem muito mais a agregar do que condenar. Ser diferente em meio a uma sociedade capitalista e robotizada já é uma vitória. Definir o que usar, como se comportar e não se importar com o quê a sociedade pensa é algo positivo. A estratégia é deixar um pouco de lado a imposição da mídia sobre o modelo ideal de pessoa, e a partir disso aceitar quem você é, e gostar do que está se tornando.

Bruna Gabriel, acadêmica do 4º ano de jornalismo 

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‘Apanhei do meu pai porque sou gay’,revela estudante

Vivemos numa sociedade historicamente constituída e marcada pela diversidade expressada por meio de raças, etnias, culturas, valores, crenças e modos de vida. Mas mesmo vivendo em uma sociedade em que o contato com várias culturas teriam que se tornar algo natural, vem se tornando cada vez mais intolerável. Um dos problemas que ainda enfrentamos é o de aprender a conviver com outros indivíduos que consideramos “diferentes”.

E a partir disto assumimos um sentimento, denominado por muitos, por preconceito à diversidade. Segundo o dicionário Aurélio, a palavra preconceito é colocada como: “conceito ou opinião formados antecipadamente, sem maior ponderação ou conhecimento dos fatos; ideia preconcebida”.Já diversidade é conceituada como “variedade de identidade”.

Alisson Kenzzo,  funcionário de um hotel, hoje com 31 anos de idade, conta que sofreu diversas experiências com o preconceito ligado à homossexualidade. “Quando era criança, não sabia o porquê meus colegas de classe me colocavam apelidos como ‘bichinha’,  ‘engomadinho’, ou muitas vezes escutava falar que  tinha trejeitos.”  Kenzzo confessa que chorava por ser chamado de “bichinha e viadinho” e que a mãe teve que ir ao colégio para conversar com os professores.

Hoje em dia o funcionário vive tranquilamente, e diz que não se importa com o que os outros pensam ao seu respeito. Segundo ele, a vida ensinou a dar importância ao que realmente importa e valor a quem merece. Para ele, o julgamento que a maior parte da sociedade impõe sobre as diversas formas de afetividade, nada mais é que o reflexo da falta de amor que existe dentro da pessoa que julga.

Um estudante de engenharia, que não quis se identificar, conta que o pai quando percebeu que ele era diferente, começou a levá-lo em um psicólogo pastor da igreja com a desculpa que ele e o filho não conseguiam se entender na relação familiar. “A questão nunca foi nossa convivência, sempre foi o meu gosto. Ontem mesmo, estava deitado no sofá e ele viu nas redes sociais que eu tinha curtido a foto de um homem. Imediatamente, ele se levantou e começou a me bater falando que eu não podia ‘acabar’ com imagem dele”, comenta o estudante de 20 anos.

Wesley Almeida, 20 anos, vendedor em uma loja de sapatos, conta que desde pequeno sabia que era diferente pelo jeito que conversava as pessoas. “ Fui demitido de um pesqueiro por ser gay. Na época, o dono alegou que eu não precisava mais ir porque não estava dando movimento. Mas eu sabia que não me aceitavam”.Wesley ainda comenta que no dia em que atendeu a reportagem, um cliente havia entrado na loja e feito um pedido um tanto inusitado:“Será que teria um chinelo para homem com H maiúsculo?”

A  Organização Mundial da Saúde (OMS) em 1990 determinou que a homossexualidade não é doença, não existe prevenção, e também não é considerada um distúrbio. Portanto, o preconceito a diversidade e simplesmente o medo de conhecimento, prejudicando não somente o indivíduo, mas a sociedade também. A diversidade não apenas é um ato de benéficos, mas ao ser aceita traz a condição de construirmos uma sociedade mais justa e mais tolerante.

Mércia Toloni, acadêmica do 4º ano de Jornalismo.

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Entre o direito, a opinião e a psicologia: a ‘Cura Gay’ é uma realidade?

“É uma grande injustiça e uma crueldade enxergar a homossexualidade como um crime. Se não acredita nisso, leia os livros de Havelok Ellis (1859-1939) [médico inglês que estudou a sexualidade humana]. Ao pedir minha ajuda, subentende-se que eu poderia acabar com a homossexualidade e substituí-la pela heterossexualidade. A resposta, de maneira geral, é que não podemos prometer esse resultado”

Esse trecho é de uma carta remetida pelo pai da psicanálise, Sigmund Freud, em 1935, em resposta às ânsias de uma mãe que buscava a cura da homossexualidade do filho. Após 82 anos, a carta ressurgiu em grandes veículos de comunicação do Brasil e do mundo, para talhar opiniões sobre a chamada “Cura Gay”, que polarizou as discussões sobre homossexualidade.

O Conselho Federal de Psicologia (CFP) colocou na resolução 001/99, de 22 de março de 1999, no artigo 3º que “os psicólogos não exercerão qualquer ação que favoreça a patologização de comportamentos ou práticas homoeróticas, nem adotarão ação coercitiva tendente a orientar homossexuais para tratamentos não solicitados.”

O debate foi acentuado pela decisão judicial do juiz da 14ª vara do Distrito Federal, Waldemar Cláudio de Carvalho que institui – deixa legalmente possível – que os psicólogos ofereçam pseudoterapias de reversão sexual.

O documento de 15 de setembro deste ano diz que os psicólogos podem “estudar ou atender àqueles que voluntariamente venham em busca de orientação acerca de sua sexualidade, sem qualquer forma de censura, preconceito ou discriminação”. A decisão foi alicerçada em preceito constitucional que “garante a liberdade científica bem como a plena realização da dignidade da pessoa humana, inclusive sob o aspecto da sexualidade”.

Sobre essa decisão, um aluno maringaense de administração, que não quis se identificar, comentou que o juiz foi “inocente” ao destacar a voluntariedade da consulta para reversão sexual. “Eu acho que muita gente se sente culpado por estar nessa condição [homossexualidade], mas a culpa está atrelada, muitas vezes, às questões sociais: um familiar que não aceita, chacota de um ou outro amigo. Não quer dizer que seja uma culpa por ‘simplesmente ser’, é algo que é construído”, destacou o rapaz de 22 anos.

Um adolescente maringaense de 16 anos, que também não quis se identificar, disse que acredita que os pais não entenderiam, caso ele revelasse ser homossexual. “Tenho certeza que eles fariam eu ir até um psicólogo para me tratar. Minha família é muito conservadora. Não seria voluntário ir ao psicólogo, mas tenho certeza que dariam um jeito. Por isso evito esses assuntos”, explicou.

O editor de vídeos Igor Bonfim disse que a “Cura Gay” lhe traz preocupações. “Eu, como gay assumido e vivendo em Maringá – cidade grande, comparada a Santa Isabel do Ivaí [cidade natal], não vou sentir muito o impacto disso [Cura Gay], porque dá brechas para mais discurso de ódio. Não se trata esse tipo de coisa, trata-se o preconceito. Porque se há problema, com certeza não é em ser gay”, disse.

Bonfim destacou, ainda, que para pessoas na situação em que ele se encontra é mais fácil lidar com esse tipo de coisa, diferente de quem vive as margens de se assumir. “Eu era uma criança que apanhava na escola e me sentia um lixo. Pedia à Deus para para me mudar. Eu sentia vergonha de quem eu era. Sentia muito medo de envergonhar meus pais e hoje sou o maior orgulho deles. Como eu viveria? Transtornado? Isso [ser homossexual] não é um problema. O problema é não ser quem a gente é, por medo, vergonha ou ignorância. É difícil viver refém de uma mentira”, contou.

 

Igualdade na arte

A banda Código de Conduta, de Araçatuba (interior de São Paulo, 340km de Maringá), lançou em setembro de 2015, uma canção chamada “Desse Equilíbrio”. O vocalista da banda e compositor da música, Otávio Almeida, destacou que o clipe da música busca mostrar a pluralidade do amor.

“Essa foi uma música que foi escrita para falar apenas sobre amores incompreendidos pela sociedade e acabou se tornando uma arte. O amor, acompanhado do diálogo, evita idas desnecessárias, o amor vai além de crenças, religiões e discriminações”, ressaltou.

No vídeo, as diversas facetas do amor, representadas em diversos tipos de casais, se cruzam em um pré-refrão que grita ao mundo: “olha lá fora sem medo”, mas também alerta: “O mundo vai querer te condenar”.

Assista ao clipe da banda Código de Conduta.

Victor Duarte Faria – acadêmico do 4º ano de jornalismo da Unicesumar

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Evento reúne imóveis, móveis, decoração e construção civil

Maringá recebe a 2ª edição da Feira de imóveis, móveis, decoração e construção civil (Feimodic) nesta quarta (20) até domingo (24). São mais de 142 expositores reunidos em um único espaço com os mais diversos lançamentos desses segmentos.

Rafael Vieira de Oliveira, 38, diretor da Arq Imóveis e da Feimodic, conta que a ideia de criar esse evento surgiu por meio de encontros com alguns empresários do segmento. Inicialmente, eles começaram se reunindo para chopp, futebol, jantares e eventos com o pessoal das imobiliárias, dos escritórios de arquitetura, engenharia civil, até que montaram o jornal   Grandes Negócios Maringá. “Lá, tinha mais de 60 empresários. Como eram muitas pessoas, decidimos nos reunir e montar uma feira destinada ao nosso segmento. Foi, então, que surgiu a primeira Feimodic”, explica.

Na primeira edição, o evento contou com aproximadamente 10 mil visitantes. Neste ano com um espaço maior e mais expositores a expectativa aumentou para 40 mil pessoas. “O objetivo é fazer com que as empresas consigam recuperar os últimos dois anos que não foram tão bons, apresentando lançamentos dos setores”, conta Oliveira.

Beatriz Brito, 26, sócio proprietária da NN Arquitetura não esconde a empolgação ao falar das suas expectativas para a feira. “Para o nosso escritório tem sido um desafio. É nosso primeiro evento e temos altas expectativas quanto ao alcance de público e visibilidade. Esperamos que o investimento de tempo e verba seja rentável e traga novos clientes e potenciais clientes”, conta.

Para conseguir atrair mais pessoas para o estande da empresa uma das estratégias utilizadas pela Multi Fisio foi a massagem gratuita. “Essa é uma forma de fazer com que os visitantes conheçam nossos aparelhos fisioterapêuticos e, caso se interessem, efetuamos a venda no local.”

Já a NN Arquitetura está utilizando a tecnologia para chamar atenção dos visitantes. “Estamos usando óculos de realidade virtual para simular como o ambiente vai ficar depois do projeto ter sido executado. Já tivemos alguns casos de criar imagem estáticas e o cliente ter dificuldade para conseguir ver o espaço de todos os ângulos”, conta a arquiteta.

Durante os cinco dias quem for visitar a feira vai encontrar entretenimento, praça de alimentação, foods trucks, shows acústicos e muita diversão para as crianças.

Feira Feimodic

Quando: 20/09/2017 (Quarta- feira) a 24/09/2017 (Domingo)
Horário: 11h00 às 21h00
Onde: Parque de Exposições de Maringá (Pavilhão Azul)
Quanto: Gratuito

Thainara Cruz, estudante do 4º ano de jornalismo

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O mediador é essencial para criar o hábito de leitura nas crianças, afirma escritora gaúcha

Natural de Cachoeirinha-RS, a escritora, atriz, roteirista e contadora de histórias Rosane Castro foi uma das atrações da 36o Semana Literária do Sesc em Maringá. Rosane, que já havia participado da 1º Flim (Festa Literária Internacional de Maringá), volta à cidade com a apresentação “As minhas as tuas e as nossas histórias – o universo literário e suas possibilidades de integração“. A gaúcha conquistou desde as turmas mais jovens de 7 a 9 anos das escolas municipais, até os jovens de 11 a 14 anos dos programas de aprendizagem do SESC. Graduada em Letras e Literatura, Rosane contou aos pequenos que sonhava em trabalhar junto a uma editora de livros. Ela se via lendo muitas histórias em sua profissão e sempre foi e reconhecida pela ótima memória. A autora publicou três livros infantis, entre eles a obra “A menina dos olhos verdes”. O livro já foi interpretado em diferentes gêneros artísticos, inclusive em Maringá.

1)Vivemos em um mundo cada vez mais tecnológico, onde as crianças não brincam mais na rua ou tem o costume de desenhar através do tablet, por exemplo. As atividades lúdicas como contar histórias, ainda são capazes de prender a atenção delas? Talvez por ser uma plataforma diferente da que estão acostumadas, gera maior curiosidade?

Rosane: Com certeza isso ajuda. Mas, talvez, não seja uma plataforma tão diferente do que é o universo infantil. Porque nesse universo eles brincam o tempo todo e trabalham com o lúdico. De certar forma, antes da internet, já existia essa ação de se expressar através da voz, do corpo e da brincadeira. A tecnologia vem depois disso. Não podemos esquecer que a tecnologia, sim, é essa ferramenta. O contar histórias ainda é parte deste universo tão necessário ao homem que é essa forma de se expressar através da brincadeira e do sentimento.

2)Há quem diga que crianças são como uma folha em branco e evoluem de acordo com o exemplo que recebem. Porém, muitas vezes isso pode não ser suficiente. De acordo com sua experiência em educação, a que atribui alguns problemas da nova geração, como a falta do hábito de leitura?

Rosane: O exemplo, sem dúvidas, é muito significativo. Uma família leitora e pais que consomem livros e ter livros dentro de casa são fundamentais. A criança está vendo isso. É importante ter acesso aos livros na escola, em uma biblioteca, na livraria ou feira de livros. Isso vai fazer toda diferença e vai influenciar na vida da criança enquanto leitora. Quem não tem essas oportunidades não vai ter as mesmas necessidades. Mas estamos nos encaminhando cada vez mais para isso. Há cada vez mais projetos de incentivo a leitura. Muitas escolas e entidades estão promovendo, como aqui no SESC por exemplo. Hoje nós vivemos uma situação em que a própria criança ensina o adulto. A criança vê o adulto jogando papel no chão ou fumando em ambiente fechado e o corrige. Acho que temos uma grande oportunidade de virar esse jogo e termos mais oportunidades com relação ao livro e à leitura.

3)Qual a importância de transformar a leitura em um momento de prazer para as crianças?

Rosane: Para descobrir esse prazer é preciso navegar por um universo literário. Ler uma história e não gostar, não significa não gostar de ler. É preciso oportunizar, não dá para dizer que não eu gosto de algo que não experimentei. É necessário se envolver cada vez mais nesse universo dos livros e das boas histórias. Tem quem goste mais de histórias de amor ou de terror, até que encontramos aquilo que nos identificamos. Por isso é importante o mediador de leitura, na escola ou fora dela. A leitura é prazerosa, mas verbalizar isso é subjetivo, porque o prazer que eu sinto não é o mesmo que você sente. Por isso, o livro que eu gosto não é o mesmo que você gosta, portanto, é preciso mediar.

4)Além da possibilidade de interação com as crianças, o que mais te encanta no seu trabalho?

Rosane: Estar com pessoas. Eu me interesso por pessoas, gosto de estar com pessoas. Isso é o que mais me encanta, essa oportunidade que tenho de me encontrar com seres humanos, ter esse momento de partilha. Todos nós temos determinado conhecimento e acredito que vamos ao longo do tempo criando nossas histórias. Mesmo as crianças… Eu aprendo muito com os pequenos, pela espontaneidade, pelo carisma e pelo afeto com que eles nos recebem. A criatividade e a forma de brincar deles, que é tão expressiva, também. Eles se jogam mesmo na história, eles imaginam. Os adolescentes, eu adoro, porque eles estão em uma transição e isso é legal porque eu me coloco no lugar deles, eu sei como é. Embora em um primeiro momento exista a resistência, contar histórias para adolescentes é importantíssimo.

5)Em relação à responsabilidade de quem conta uma história a uma criança ou ao jovem, é possível passar diferentes valores, ideais, ou até preconceitos a partir da maneira que o enredo é interpretado? Como isso se dá?

Rosane: Com certeza. Mas há também o ouvinte, que vai interpretar a partir das expectativas dele, das experiências dele e do conhecimento de vida. Eu posso contar uma história e no primeiro momento isso talvez não transmitiria nenhum tipo de conhecimento, mas naquele momento pode acabar transmitindo para alguém. Nem toda história tem que ter uma moral no final, mas as pessoas podem identificar com um momento da própria vida. Mas é preciso ter uma preocupação em como contar e porquê contar cada história.

5)É perceptível durante as apresentações que você trabalha muito com o improviso. Trata-se de uma técnica ou é apenas um traço singular do seu trabalho?

Rosane: Pode ser os dois. Eu não consigo contar histórias sem a resposta do outro, é muito interativo. Isso cria um vínculo, traz proximidade, uma empatia. Se eu trago um trabalho muito pronto esteticamente, sem a possibilidade de interação da criança, pode ser que eu não tenha o retorno que espero. Quero que a história tenha significado para eles, que eles sintam no próprio corpo aquilo que estou contando.

6)Em relação a esse comportamento do seu público, é importante quando a criança fica concentrada, compenetrada na história ou os momentos ideais são realmente quando ficam agitadas, querendo interagir e participar ativamente?

Rosane: Tem as duas coisas. Tem histórias que conto com o propósito de que a criança ouça sossegadamente e preste atenção no enredo. Quando faço uma proposta interativa, em que elas podem falar, quero estimular a imaginação delas. Elas ficam agitadas e querem contribuir. Porém, tem que ser dentro do contexto: as crianças têm que falar o que tem a ver com a história.

7)Você citou que tudo que faz hoje tem relação com sua infância. Também comentou durante sua apresentação para os jovens um pouco sobre a importância do conhecimento que não está escrito em lugar nenhum. Que tipo de conhecimento transmitido a você oralmente mudou sua trajetória profissional?

Rosane: Bom, a minha mãe não tinha livros em casa, então o que ela me contava eram histórias da memória, através da oralidade. Além disso, eu fui uma criança que brinquei muito e todas minhas brincadeiras envolviam teatro, eu e a turminha da rua sempre interpretávamos, fazíamos figurinos. Quando fiz teatro profissionalmente eu já tinha essa experiência. Na época em que comecei a trabalhar com a literatura, a escrita vinha naturalmente, por uma necessidade de expressão. Nunca foi obrigatório, fazia parte da brincadeira, porque eu gostava de dar aula para os meus amigos, por exemplo. Algo que também mudou tudo foi uma apresentação que assisti há 12 anos, de um mágico contador de histórias, o que acabou transformando e criando significado nas coisas que eu fazia até então. Isso fez eu me dedicar mais na minha área.

8)Você criou alguns projetos de incentivo à leitura. Conte um pouco sobre o projeto de cultura africana nas escolas.

Rosane: O projeto Biblioteca Itinerante Griô foi aprovado pelo Governo Federal a partir de um outro projeto, chamado Mais Cultura Ponto de Leitura. Eu já tinha uma biblioteca comunitária na minha casa e, então, apresentei essa biblioteca itinerante em que livros de literatura afro-brasileira circulariam pela região. O intuito era contribuir com a lei 10/639 que versa sobre o ensino da cultura afro na escola, com livros para crianças, jovens e adultos. Passamos a instrumentalizar os professores no trabalho com literatura e a cultura afro brasileira, incentivando a leitura e ao mesmo tempo trabalhando a cultura na sala de aula. Hoje por exemplo, o projeto está em Canoas-RS. Eu trabalho fornecendo 150 livros do acervo e a professora responsável tem que mediar a leitura com os alunos. Quando me devolvem o material, eu recebo o retorno de como foi a experiência.

 

Ana Luiza Berbert Ferreira, acadêmica do 4º ano de Jornalismo da Unicesumar

 

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Documentário sobre Helena Kolody será exibido nesta sexta com entrada grátis

Em um dos poemas mais conhecidos de Helena Kolody, a autora diz que a vida é um rio de planícies sem ilusões nem esperanças, cujas águas passarão sem deixar vestígios de uma trajetória sempre silenciosa. Mas não foi o que houve, de fato, com a vida da poeta paranaense.

O obra de Kolody marcou diversas gerações e continua encantando até hoje e, para que esse rio de vida e poesia fique marcado na memória dos leitores, é preciso conhecer “Helena de Curitiba” (2005).

A escritora encerra o poema “Levam o Amanhecer” com a pergunta: “quem, entre os jovens, acreditará que fomos jovens também?”. Para que não haja dúvidas de que nem sempre foi uma senhora doce que escrevia poemas, o documentário narra a história dela desde criança, trazendo também parte da história da imigração ucraniana no Paraná, por meio de imagens do acervo da Cinemateca de Curitiba, já que os pais da autora vieram da Ucrânia.

O documentário de Josina Melo faz parte da programação da Semana Literária do Sesc e foi exibido nos dias 18, 19 e 20 deste mês com entrada grátis. Para quem não viu, ainda haverá duas oportunidades, ambas na sexta-feira, quando o filme será exibido às 10h e às 16h30.

Kolody nasceu em Cruz Machado em 1912 e com 12 anos já escrevia os primeiros versos. Em 1928, aos 16, teve o primeiro poema publicado na revista Marinha, de Paranaguá. Ficou muito conhecida pelos haicais e em 1991 foi eleita para a Academia Paranaense de Letras (APL). A autora faleceu em fevereiro de 2004, em Curitiba.

Em 2005, Rubem Alves escreveu uma crônica na Folha de S.Paulo em que dizia: “fui apresentado à poesia da Helena Kolody (1912-2004) poucas semanas atrás. Foi uma descoberta gostosa. Não porque seus poemas sejam alegres. Todos eles têm uma pitada de tristeza. A beleza vem sempre misturada à tristeza”.

Para quem não puder comparecer ao Sesc, o documentário está disponível para download no site da Secretaria da Educação do Governo do Paraná.

Helena de Curitiba
Onde: Sesc Maringá, Av. Duque de Caxias, 1517
Quando: Sexta (22), às 10h e às 16h30
Entrada gratuita

 

Larissa Bezerra, acadêmica do 4º ano de jornalismo.

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‘Mais importante que o tema é a forma como se escreve’, afirma Cezar Tridapalli

Se Saramago disse um dia que “a literatura é o resultado de um diálogo de alguém consigo mesmo”, por que estariam seis pessoas reunidas com um escritor a fim de ouvi-lo discorrer sobre técnicas de criação literária? A 36ª Semana Literária Sesc & Feira do Livro ofereceu uma oficina idealizada neste sentido. Cezar Tridapalli, autor de “Pequena Biografia de Desejos” e “O Beijo de Schiller”, veio de Curitiba a Maringá com essa missão: instruir aspirantes a escritores.

Para Tridapalli, é possível ensinar algumas técnicas e direcionar os alunos no caminho da literatura. “A oficina de criação é sempre muito polêmica. Fica sempre a pergunta: ‘é possível ensinar alguém a escrever literatura?’ Se não for leitor, você não ensina ninguém. Mas bons leitores eu acho que a gente consegue ver e mostrar alguns tipos de composição que podem ajudar esse leitor a arriscar os seus próprios textos. A forma como você escreve é até mais importante que o tema”, comenta.

A oficina teve três dias de duração e foi dividida em dois momentos. Como o nome sugere, o primeiro deles é de criação, e o segundo, focado na parte literária. “Primeiro a gente trabalha o conceito de criação. A gente fala de cinema, artes visuais, outras artes de um modo geral. Aí depois, nos outros dois dias de curso, a gente foca na literatura mesmo”, explica Tridapalli.

O público é composto por pessoas de diferentes faixas etárias. “Já tive alunos de 78 anos e alunos do primeiro ano do ensino médio, com 15. Curiosamente, percebo várias áreas de formação também, aqui hoje temos uma veterinária”, afirma.

Considerando-se um “oficineiro”, o autor lamenta o pouco tempo para trabalhar em um curso de apenas 12 horas, que acaba sendo praticamente todo teórico. “A gente decompõe alguns textos literários, eu trago narrativas, contos, trechos de romance, que a gente vai decompondo e tentando entender como o autor trabalhou, que não é por acaso, tudo é feito com muita consciência”, explica. “Eu sugeri alguns tipos de composição para eles e vamos ver se dá tempo, é uma oficina curta, de repente no último dia dá tempo de apresentar alguma coisa”, completa.

No ramo há quase dois anos, ele conta que, além do Paraná, já viajou para o Mato Grosso e Tocantins, oferecendo vários tipos de oficina, inclusive uma específica para produção de romances, com aulas semanais e duração total de 80 horas. “Eu tenho viajado para vários lugares, pretendo ir ainda esse ano para Belo Horizonte e para o Piauí”, adianta.

O autor

Cezar Tridapalli é curitibano, tem 43 anos, graduado em Letras pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), especialista em Leitura de Múltiplas Linguagens (PUCPR) e mestre em Estudos Literários, também pela UFPR. Já traduziu do italiano para o português a obra “O fantástico”, de Remo Ceserani, e escreveu dois romances: “Pequena Biografia de Desejos”, em 2011, e “O Beijo de Schiller”, em 2012, que venceu o Prêmio Governo de Minas Gerais de Literatura.

Em sua 36ª edição, a Semana Literária Sesc & Feira do Livro tem programação em 23 cidades do Paraná. O tema em 2017 é “Literatura e(m) movimento: travessias do tempo e do espaço”. São seis dias (18/09 a 22/09) com palestras, mesas-redondas, bate-papos com escritores, lançamento de livros, oficinas, apresentações artísticas, contação de histórias, exposições e feira de livros.

Semana Literária do Sesc

O Sesc de Maringá fica na Av. Duque de Caxias, 1517. Mais informações pelo site http://www.sescpr.com.br/semanaliteraria/.

Pedro Solheid, acadêmico do 4º ano de jornalismo da UniCesumar

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O que os olhos não veem, câmeras inteligentes alertam

Investimentos em segurança têm aumentado significativamente nos últimos anos. Quem nunca foi a um local rodeado por câmeras ou monitorado por porteiros ou vigias noturnos? De acordo com dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, o Brasil dispõe de aproximadamente 520 mil vigilantes ativos que trabalham sem vínculos com o governo.

É inegável que as pessoas se sentem mais seguras com a presença de alguém fazendo a ronda ou monitorando o sistema de câmeras do local. Mas seria essa a maneira adequada de garantir segurança?

O empresário Marcelo Egg Jorgensen, 41 anos, afirma que não. Ele, que atua no mercado de equipamentos e tecnologias de segurança, explica que depositar a responsabilidade pelo monitoramento de determinado local a uma pessoa nem sempre é a melhor solução.

“Existem estudos que mostram que depois de 15 minutos, aquele monte de imagem das câmeras de segurança vira uma grande paisagem. São várias imagens se mexendo e a pessoa não consegue mais entender o que está se passando”, defende Jorgensen.

Segundo ele, atribuir inteligência ao equipamento de segurança é muito mais eficaz do que encher o local com câmeras que não conseguem desempenhar nenhuma outra função, além de captar as imagens.

O empresário explica o desempenho de uma câmera inteligente, usando como exemplo um condomínio horizontal. Segundo Jorgensen, é possível atribuir à câmera comandos que avisem quando alguém se aproxima do muro ou tenta invadir o perímetro. Assim que a câmera detecta algo estranho, um alarme soa no computador de quem está monitorando o local e mostra a possível ameaça.

Além disso, também é possível permitir a entrada no condomínio por meio de leitura de placa e assim, criar um histórico da rotina do morador. Dessa forma, sempre que o veículo tentar entrar no condomínio em horários distintos, o porteiro aborda o morador e verifica se não há uma possível tentativa de sequestro ou assalto.

Outra possibilidade que as câmeras inteligentes podem desempenhar é a prevenção de acidentes domésticos, como incêndios ou afogamento. Ele explica que, assim que a câmera detecta tais ocorrências, o morador pode ser avisado por meio de SMS ou algum outro comando, como sirenes ou avisos via televisão ou computador.

 

Segurança Pública

Jorgensen revela ter realizado testes com drones e garante a eficácia de tais equipamentos para segurança. A combinação de veículos aéreos não tripulados com câmeras visuais e câmeras térmicas previne e detecta possíveis invasões e também localiza pessoas dentro de rios, matas ou no escuro total.

Esse tipo de tecnologia extrapola a segurança privada e pode atuar em prol da segurança pública, em casos de acidentes, assaltos ou qualquer movimentação fora do normal em determinada região da cidade.

O empresário realizou a instalação de câmeras via fibra ótica no bairro Eco Valley, em Sarandi. As imagens são monitoradas pela Polícia Militar do município e o empresários tem projetos para trabalhar com drones auxiliando a vistoria policial. “Equipamentos inteligentes podem detectar acidentes de modo mais rápido e ainda prevenir possíveis crimes, já que a câmera consegue detectar tiros, tanto pelo barulho, quanto pelo fogo [no caso das câmeras térmicas]”, pontua.

O empresário cita vários exemplos de como equipamentos devidamente inteligentes podem atuar na segurança pública e garante que o que impede a execução de tais projetos é, muitas vezes, a falta de recursos financeiros.

 

Sustentabilidade

Quando usada de maneira consciente, a automatização da casa pode trazer inúmeros ganhos. A mineração de dados, por exemplo, permite que o sistema monitore os horários para que a máquina tome atitudes pela pessoa, podendo interferir no consumo de água e energia. A pessoa pode programar que o jardim seja regado em determinado horário, caso haja necessidade. Assim, é implantado um termômetro que mede a temperatura e a umidade do solo e verifica se é preciso regar ou não o local.

Para economia de energia, ele conta que é possível apagar todas as luzes de um condomínio em determinado horário, deixando apenas as câmeras térmicas funcionando. “Dessa forma, em um ano, a economia de energia será imensa”, defende o empresário.

 

Black Mirror

Durante a entrevista, Jorgensen comenta que o uso dessas tecnologias em excesso pode se tornar um verdadeiro episódio de Black Mirror, série da Netflix com roteiros envolvendo problemas relacionados ao avanço descontrolado da tecnologia. Ele diz que o uso inadequado pode se tornar nocivo, invadindo a privacidade ou automatizando ações do dia a dia que não necessitam do desempenho de uma máquina.

Utilizar a tecnologia sem fins relevantes pode se tornar um vício, além de ser um desperdício de dinheiro. “A automatização da casa só é válida para atitudes que tenham a ver com um consumo consciente. Caso contrário, ações que não criam nenhum ganho se tornam bobas, banais”, finaliza.

 

Ana Carolina Prado, acadêmica do 4º ano de Jornalismo na Unicesumar

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Ciclistas reclamam da falta de segurança em Maringá

Já há algum tempo que Maringá vem investindo na implantação de ciclovias. Além de ser uma opção de melhoria no trânsito, é uma medida sustentável que é tendência em países desenvolvidos como Holanda e Noruega.

A exemplo do que estava sendo feito em gestões anteriores, o prefeito Ulisses Maia (PDT) segue implantando ciclovias em pontos da cidade. Neste ano, para implementar esse espaço para transporte de bicicletas na Cerro Azul, a prefeitura contratou serviços na cifra de R$ 280 mil, sendo que destes R$ 76,5 mil já foram aplicados.

Ao pensar em veículos, o IBGE delimita esse conceito nos automatizados: carros, motos, tratores, ônibus, caminhões e afins. Desta forma, relatórios de criminalidade como o da Secretária de Segurança do Estado – que faz um mapa da criminalidade nas regiões das AISPs (Áreas Integradas de Segurança Pública) – aponta que houve um aumento de 42% no roubo de veículos no primeiro semestre de 2017, em relação a igual período de 2016. Foram 228 roubos este ano, ante 160 do ano passado. Esses dados, entretanto, não contemplam os roubos de bicicletas.

Apesar disso, a prática de roubar bicicletas é mais corriqueira do que se imagina. Leonilda Silva, 71, utilizava o veículo para trabalhar e foi roubada duas vezes, no último ano. “Eu precisava dar uma ajudinha na renda, aí usava a bicicleta para carregar um ‘docinhos’ para vender. A primeira vez que me roubaram, a bicicleta estava destrancada. Na segunda, mesmo com o cadeado levaram ela embora”, pontuou.

Em pontos mais modernos da ciclovia há boa iluminação, o que dá mais segurança aos ciclistas para poder trafegar no período da noite. Alguns pontos, menos iluminados – principalmente na av. Brasil – trazem desconforto para os que dependem do veículo.

O estudante Guilherme Varks, 22, destaca que o baixo movimento no período da noite, associado à iluminação baixa, traz preocupações. “A gente nunca sabe quem está na próxima esquina. Sempre temos que dar aquela acelerada no passo. Graças a Deus nunca fui roubado, mesmo aqui [Zona 7], onde bastante gente é assaltada”, explicou o estudante.

O empresário Max Felden, 41, comprou uma bicicleta para praticar exercícios e cuidar da saúde. O veículo se tornou a principal forma de locomoção do empresário, que teve o veículo roubado em setembro do ano passado, em plena luz do dia, em Maringá. “Fui com os meus filhos tomar um sorvete depois de um passeio. Foi coisa de dois minutos. As três bicicletas foram roubadas”, comentou o empresário, que comprou novas bicicletas e agora as prende todas as vezes, mesmo em pausas rápidas.

Até maio deste ano, calcula-se que cerca de 10 bicicletas tenham sido roubadas em Maringá. A demanda geral, de grande parte dos ciclistas, é que haja mais policiamento no período da noite, aumente-se a malha cicloviária na cidade e que amplie-se a iluminação nos ambientes de trânsito de bicicletas.

Para colaborar, não só com os ciclistas, mas de maneira geral contra a violência em Maringá e se precaver contra eventuais incidentes, acompanhe o site Ondefuiroubado.com.br, que traz o mapeamento dos últimos roubos e furtos registrados na cidade.

 

Victor Duarte Faria – Acadêmico do 4º ano de jornalismo da UniCesumar

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