Locais discretos escondem a prostituição em Maringá

Em sites atrativos, em carne e osso nas avenidas mais movimentadas ou em locais discretos é possível encontrar a prostituição em Maringá. Como não há nenhuma lei que proíba o indivíduo de vender o próprio corpo, mulheres, travestis, transexuais e homens aproveitam esta oportunidade para fazer dinheiro e se sustentar.

Na cidade, os serviços sexuais são oferecidos em endereços fixos, alguns são mais discretos e disponíveis em horários comerciais. Em outros, os profissionais atendem no período da tarde e à noite com um pouco mais de exigência: só aceitam os clientes em hotéis ou motéis da cidade.

A.P é garota de programa há quatro anos, tem 26 anos e atende em uma casa de massagem em Maringá. O serviço prestado por ela inclui sexo oral e vaginal, a R$ 200 reais a hora. “Trabalho nisso pelo dinheiro e porque quero. Opções até tenho, mas não me dão tanto lucro”, afirma.

Para ela, fazer sexo com desconhecidos não é mais nenhum problema. “Atender um cliente e tomar um copo d’água só tem duas diferenças para mim: com o cliente vou ganhar dinheiro e com a água mato minha sede. Isso se tornou normal”, conta.

Ao contrário dela, Manuela não expõe tanta satisfação em trabalhar com serviços sexuais. “As pessoas acham que estamos aqui porque não temos coragem para trabalhar. Têm algumas que fazem isso porque gostam, mas esse não é o meu caso. Estou há três meses nessa vida e mando currículo todos os dias”, desabafa.

A jovem de 23 anos, que trabalha como garota de programa por causa do dinheiro, atende em motéis e local alugado na Zona 5. Uma hora com a Manuela custa R$ 200 durante o dia e R$ 250 no período da noite. A cada cliente, R$ 50 são destinados ao estabelecimento que ela atende. “Tem cliente que exige uma hora, tem homens que finalizam e já vão embora. Acredito que a maioria permaneça por 30 minutos”, conta.

No caso, da A. antigamente ela atendia quatro clientes por dia, hoje em dia são dois homens que ficam em média de 10 a 15 minutos. “Não beijo na boca, não faço carinho, não fico alisando, não fico namorando, sou simpática e trato bem, mas terminou, tchau. Não mando mensagens e não tento roubar da namorada: um cara que fica com outras, não quero”.

Embora não seja crime vender o próprio corpo, os artigos 229 e 230 do Código Penal criminalizam a manutenção de estabelecimentos em que ocorra exploração sexual. A participação direta dos lucros da prostituição alheia é caracterizada como crime.

 

Thainara Cruz, acadêmica do 4º ano de jornalismo

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