O que os olhos não veem, câmeras inteligentes alertam

Investimentos em segurança têm aumentado significativamente nos últimos anos. Quem nunca foi a um local rodeado por câmeras ou monitorado por porteiros ou vigias noturnos? De acordo com dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, o Brasil dispõe de aproximadamente 520 mil vigilantes ativos que trabalham sem vínculos com o governo.

É inegável que as pessoas se sentem mais seguras com a presença de alguém fazendo a ronda ou monitorando o sistema de câmeras do local. Mas seria essa a maneira adequada de garantir segurança?

O empresário Marcelo Egg Jorgensen, 41 anos, afirma que não. Ele, que atua no mercado de equipamentos e tecnologias de segurança, explica que depositar a responsabilidade pelo monitoramento de determinado local a uma pessoa nem sempre é a melhor solução.

“Existem estudos que mostram que depois de 15 minutos, aquele monte de imagem das câmeras de segurança vira uma grande paisagem. São várias imagens se mexendo e a pessoa não consegue mais entender o que está se passando”, defende Jorgensen.

Segundo ele, atribuir inteligência ao equipamento de segurança é muito mais eficaz do que encher o local com câmeras que não conseguem desempenhar nenhuma outra função, além de captar as imagens.

O empresário explica o desempenho de uma câmera inteligente, usando como exemplo um condomínio horizontal. Segundo Jorgensen, é possível atribuir à câmera comandos que avisem quando alguém se aproxima do muro ou tenta invadir o perímetro. Assim que a câmera detecta algo estranho, um alarme soa no computador de quem está monitorando o local e mostra a possível ameaça.

Além disso, também é possível permitir a entrada no condomínio por meio de leitura de placa e assim, criar um histórico da rotina do morador. Dessa forma, sempre que o veículo tentar entrar no condomínio em horários distintos, o porteiro aborda o morador e verifica se não há uma possível tentativa de sequestro ou assalto.

Outra possibilidade que as câmeras inteligentes podem desempenhar é a prevenção de acidentes domésticos, como incêndios ou afogamento. Ele explica que, assim que a câmera detecta tais ocorrências, o morador pode ser avisado por meio de SMS ou algum outro comando, como sirenes ou avisos via televisão ou computador.

 

Segurança Pública

Jorgensen revela ter realizado testes com drones e garante a eficácia de tais equipamentos para segurança. A combinação de veículos aéreos não tripulados com câmeras visuais e câmeras térmicas previne e detecta possíveis invasões e também localiza pessoas dentro de rios, matas ou no escuro total.

Esse tipo de tecnologia extrapola a segurança privada e pode atuar em prol da segurança pública, em casos de acidentes, assaltos ou qualquer movimentação fora do normal em determinada região da cidade.

O empresário realizou a instalação de câmeras via fibra ótica no bairro Eco Valley, em Sarandi. As imagens são monitoradas pela Polícia Militar do município e o empresários tem projetos para trabalhar com drones auxiliando a vistoria policial. “Equipamentos inteligentes podem detectar acidentes de modo mais rápido e ainda prevenir possíveis crimes, já que a câmera consegue detectar tiros, tanto pelo barulho, quanto pelo fogo [no caso das câmeras térmicas]”, pontua.

O empresário cita vários exemplos de como equipamentos devidamente inteligentes podem atuar na segurança pública e garante que o que impede a execução de tais projetos é, muitas vezes, a falta de recursos financeiros.

 

Sustentabilidade

Quando usada de maneira consciente, a automatização da casa pode trazer inúmeros ganhos. A mineração de dados, por exemplo, permite que o sistema monitore os horários para que a máquina tome atitudes pela pessoa, podendo interferir no consumo de água e energia. A pessoa pode programar que o jardim seja regado em determinado horário, caso haja necessidade. Assim, é implantado um termômetro que mede a temperatura e a umidade do solo e verifica se é preciso regar ou não o local.

Para economia de energia, ele conta que é possível apagar todas as luzes de um condomínio em determinado horário, deixando apenas as câmeras térmicas funcionando. “Dessa forma, em um ano, a economia de energia será imensa”, defende o empresário.

 

Black Mirror

Durante a entrevista, Jorgensen comenta que o uso dessas tecnologias em excesso pode se tornar um verdadeiro episódio de Black Mirror, série da Netflix com roteiros envolvendo problemas relacionados ao avanço descontrolado da tecnologia. Ele diz que o uso inadequado pode se tornar nocivo, invadindo a privacidade ou automatizando ações do dia a dia que não necessitam do desempenho de uma máquina.

Utilizar a tecnologia sem fins relevantes pode se tornar um vício, além de ser um desperdício de dinheiro. “A automatização da casa só é válida para atitudes que tenham a ver com um consumo consciente. Caso contrário, ações que não criam nenhum ganho se tornam bobas, banais”, finaliza.

 

Ana Carolina Prado, acadêmica do 4º ano de Jornalismo na Unicesumar

Deixe um Comentário

Seu endereço de e-mail não será publicado.