‘Apanhei do meu pai porque sou gay’,revela estudante

Vivemos numa sociedade historicamente constituída e marcada pela diversidade expressada por meio de raças, etnias, culturas, valores, crenças e modos de vida. Mas mesmo vivendo em uma sociedade em que o contato com várias culturas teriam que se tornar algo natural, vem se tornando cada vez mais intolerável. Um dos problemas que ainda enfrentamos é o de aprender a conviver com outros indivíduos que consideramos “diferentes”.

E a partir disto assumimos um sentimento, denominado por muitos, por preconceito à diversidade. Segundo o dicionário Aurélio, a palavra preconceito é colocada como: “conceito ou opinião formados antecipadamente, sem maior ponderação ou conhecimento dos fatos; ideia preconcebida”.Já diversidade é conceituada como “variedade de identidade”.

Alisson Kenzzo,  funcionário de um hotel, hoje com 31 anos de idade, conta que sofreu diversas experiências com o preconceito ligado à homossexualidade. “Quando era criança, não sabia o porquê meus colegas de classe me colocavam apelidos como ‘bichinha’,  ‘engomadinho’, ou muitas vezes escutava falar que  tinha trejeitos.”  Kenzzo confessa que chorava por ser chamado de “bichinha e viadinho” e que a mãe teve que ir ao colégio para conversar com os professores.

Hoje em dia o funcionário vive tranquilamente, e diz que não se importa com o que os outros pensam ao seu respeito. Segundo ele, a vida ensinou a dar importância ao que realmente importa e valor a quem merece. Para ele, o julgamento que a maior parte da sociedade impõe sobre as diversas formas de afetividade, nada mais é que o reflexo da falta de amor que existe dentro da pessoa que julga.

Um estudante de engenharia, que não quis se identificar, conta que o pai quando percebeu que ele era diferente, começou a levá-lo em um psicólogo pastor da igreja com a desculpa que ele e o filho não conseguiam se entender na relação familiar. “A questão nunca foi nossa convivência, sempre foi o meu gosto. Ontem mesmo, estava deitado no sofá e ele viu nas redes sociais que eu tinha curtido a foto de um homem. Imediatamente, ele se levantou e começou a me bater falando que eu não podia ‘acabar’ com imagem dele”, comenta o estudante de 20 anos.

Wesley Almeida, 20 anos, vendedor em uma loja de sapatos, conta que desde pequeno sabia que era diferente pelo jeito que conversava as pessoas. “ Fui demitido de um pesqueiro por ser gay. Na época, o dono alegou que eu não precisava mais ir porque não estava dando movimento. Mas eu sabia que não me aceitavam”.Wesley ainda comenta que no dia em que atendeu a reportagem, um cliente havia entrado na loja e feito um pedido um tanto inusitado:“Será que teria um chinelo para homem com H maiúsculo?”

A  Organização Mundial da Saúde (OMS) em 1990 determinou que a homossexualidade não é doença, não existe prevenção, e também não é considerada um distúrbio. Portanto, o preconceito a diversidade e simplesmente o medo de conhecimento, prejudicando não somente o indivíduo, mas a sociedade também. A diversidade não apenas é um ato de benéficos, mas ao ser aceita traz a condição de construirmos uma sociedade mais justa e mais tolerante.

Mércia Toloni, acadêmica do 4º ano de Jornalismo.

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