‘Gosto de ser diferente’, afirma artesã maringaense

O reflexo exibido no espelho mostra o que cada pessoa é externamente. Algumas são magras, outras gordas, morenas, ruivas, tatuadas, e toda essa diversidade de pessoas compõem a sociedade. Mas até que ponto ser diferente é aceito pelos indivíduos?

De acordo com o dicionário Aurélio, “diferente é algo em que se nota a diferença, e diversidade é a variedade, a multiplicidade”.

O Brasil é um país conhecido pela diversidade de etnias e culturas em cada região, o que possibilita que cada pessoa possa adotar um estilo que ache conveniente para si própria. Assim, essas formas diversas de expressar um estilo e até mesmo um conceito sobre algo também influenciam na moda. O que vestir, o que usar e como se comportar são as perguntas que a maioria das pessoas fazem. Como ser diferente e não se importar com que a sociedade pensa?

De acordo com a artesã maringaense Poliane Tavares, 20 anos, ser diferente é essencial, um estilo de vida. “Conforme vou mudando de estilo, vou acrescentando as coisas que aparecem no Instagram, e não me importo com o que as pessoas pensam: gosto de ser diferente”. Atualmente, Poliane está com o cabelo pintado de verde e azul, e têm diversas tatuagens pelo corpo.

Ninguém é igual a ninguém, muitas vezes a sociedade impõem um padrão para as pessoas seguirem, mas muitos optam por andar na contramão e desenvolver seu próprio estilo, quer a sociedade aceite ou não.

A diversidade cultural, que vai crescendo no país, é parecida com a moda: mostra um retrato do tempo e período que está se passando,  vai se adequando aos estágios de evolução de uma sociedade que antes não aceitava certos tipos de roupas e acessórios, mas que hoje podem ser considerados normais.

A revisora de texto maringaense Talita Tomé, 30 anos, afirma que o que ela veste é o reflexo de quem ela é, mas não segue nem um estilo determinado. “Eu não tenho um estilo específico, porque eu misturo muita coisa, então acaba sendo uma mistura do que eu gosto e o que está na moda”. Ela ainda comenta que o que veste foi um processo de evolução, começou pensando em alguns estilos, e no final optou por não seguir nada, somente misturar.

O sociólogo Gilson Aguiar explica que a sociedade impõe um padrão para a pessoa ser aceita nos grupos sociais. “É uma exigência hoje de muitos ambientes a aparência, que não é definido de forma livre, como ela quer ser, mostrar, mas tem que apresentar o ser aquilo que o ambiente de consumo exibe. As pessoas têm que ter um certo padrão de aceitabilidade na sociedade”.

A diversidade de pessoas tem muito mais a agregar do que condenar. Ser diferente em meio a uma sociedade capitalista e robotizada já é uma vitória. Definir o que usar, como se comportar e não se importar com o quê a sociedade pensa é algo positivo. A estratégia é deixar um pouco de lado a imposição da mídia sobre o modelo ideal de pessoa, e a partir disso aceitar quem você é, e gostar do que está se tornando.

Bruna Gabriel, acadêmica do 4º ano de jornalismo 

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