Literatura marginal ganha espaço na Flim com Ferréz

Os escritores da chamada literatura marginal, combativa ou periférica estão em alta. Nomes como o de Sérgio Vaz costumam figurar entre os grandes eventos literários do país e aparecer na mídia tradicional com frequência. “Antigamente falavam da gente. Hoje, falamos nós mesmos”. Essa é a definição habitual de Vaz para esse trabalho.

Na Festa Literária Internacional de Maringá (Flim) 2017 não é diferente. O representante é o paulistano Reginaldo Ferreira da Silva, o Ferréz, um dos principais autores do gênero, que vai abordar justamente a popularização dos temas marginais e periféricos, na palestra “literatura marginal: da quebrada para as massas”, com mediação de Rodrigo Casarin, no auditório Hélio Moreira, às 19h30.

Ferréz é autor dos livros Capão Pecado, Manual Prático do Ódio, Amanhecer Esmeralda, Ninguém é Inocente em São Paulo, Deus foi almoçar, entre outros. Além de escritor também é roteirista, documentarista, ativista cultural, cantor e compositor.

Ele já foi colunista da revista Caros Amigos por dez anos e conselheiro editorial do Le Monde Diplomatique Brasil. O pseudônimo usado pelo escritor é uma homenagem a Virgulino Ferreira, o Lampião (Ferre) e Zumbi dos Palmares (Z).

De acordo com a doutora em Antropologia Social pela USP, Érica Peçanha, em artigo para a revista Fórum, o termo literatura marginal classifica a produção de autores  que vivenciam alguma situação de marginalidade econômica, geográfica, social ou em relação à lei. “Mas é importante que se ressalte que essa produção marginal – igualmente propagada como litera-rua, da periferia e do gueto –, mesmo quando se mostra assumidamente documental, engajada ou calcada em construções textuais que destoam da norma culta, apresenta-se como literatura, reivindicando o lugar da expressão dos marginalizados na história cultural brasileira”, escreveu Érica.

Em entrevista ao El País Brasil, em abril de 2015, Ferréz falou um pouco sobre a literatura marginal. “Eu não fujo disso. Todo lugar que eu estou no mundo, quando estou falando de literatura combativa, tem autor que diz que não tem esse compromisso, que não é prisioneiro disso ou daquilo. Eu acho lindo isso, mas não tem como você escrever uma coisa, sair na esquina, ver um cara morto e não sentir nada. Se você consegue fazer isso, boa sorte. Mas eu não consigo”, disse o escritor.

Além de Ferréz, autores como Gonçalo Tavares, Luiz Ruffato, Ignácio de Loyola Brandão, J.P. Cuenca, Luciana Leopoldino e Thaís Pimpão. O evento começa no dia 26 e vai até o dia 29.

 

 Isto é Ferréz: “É dia, alguém leva outra pessoa para juntos não chegarem. Alguém leva toda a culpa para outro inocentar. Alguém descobre que tudo que tem é nada. É dia, alguém atravessa uma linha tênue. Estou sozinho agora, em algum lugar minha pequena dorme, e finalmente estou sozinho agora. Meu nome não é o mesmo, e nem foi antes, mas eu tenho alguns motivos para não querer ser chamado. Cruza a sala, ao banheiro ele chega. Mais atenção às coisas que geralmente já viraram rotina. Barbear. Em algum lugar uma letra de amor é escrita, e uma poesia é rasgada. Em alguma casa, um pequeno espelho reflete um nariz que podia ser mudado” Trecho do livro Deus foi Almoçar. Editora Planeta, 2012, 239 páginas.

 

Flim
“Literatura marginal: da quebrada para as massas”
Palestrante: Ferréz
Mediador: Rodrigo Casarin
Data: 27/10 (quinta) às 19h30
Onde: Auditório Hélio Moreira, avenida XV de Novembro, 701, centro.
Entrada gratuita

 

Larissa Bezerra, acadêmica do 4º ano de jornalismo da Unicesumar.

Deixe um Comentário

Seu endereço de e-mail não será publicado.