Maringá



Revelação da literatura policial , Raphael Montes, participa de mesa-redonda nesta sexta

   A 4° edição da Festa Literário de Maringá (FLIM) começa nessa quinta-feira(26) até domingo(29), na Praça Renato Celidônio, ao lado da Prefeitura. Reunirá diversos escritores, que participarão de palestras, mesas redondas, sessões de autógrafos e leituras. Entre muitos autores, a Flim contará com a participação do Raphael Montes, que é o mais importante romancista policial da nova geração brasileira

   O autor é advogado formado pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro(Uerj) e vem crescendo no meio da escrita rapidamente. Em 2010 lançou o livro “Suicidas”, um suspense policial finalista do Prêmio Benvirá de Literatura 2010, do Prêmio Machado de Assis 2012 da Biblioteca Nacional e do prestigiado Prêmio São Paulo de Literatura 2013. O romance foi reeditado e ganhou mais um capítulo. Em 2014 publicou “Dias Perfeitos”, que foi um fenômeno, e traduzido para 22 línguas. Em 2015, Raphael publicou seu terceiro livro, O Vilarejo, um romance fix up de terror e obteve comparações com Stephen King, grande nome da literatura de terror.

   Em 2016, publicou Jantar Secreto, e foi para a lista de mais vendidos do mês de dezembro daquele ano. O livro é um thriller que envolve elementos de romance policial, como em todos os livros do autor, e terror psicológico. Conta a história de jovens que para conseguir pagar o aluguel começam a promover jantares para elite, porém o prato principal é bastante incomum: carne humana.

   Em entrevista para o blog Ficção e Terror, Raphael conta que sempre gostou de ler romance policial, suspense e mistério e ficava um pouco incomodado que no Brasil o gênero não é muito desenvolvido entre os escritores. “No Brasil não existe essa tradição. Então, comecei a me dedicar a estudar esses gêneros e a pensar que eu poderia fazer literatura de suspense, de terror, de mistério no Brasil. Escrevi meu primeiro livro um pouco na inocência, sem conhecer o mercado e as editoras. Quando eu terminei Suicidas, mandei para as editoras e fiquei esperando resposta.”, afirmou o autor.

   Todos os livros publicados pelo carioca foram de grande sucesso, por isso, todos tiveram os direitos de adaptação vendidos para o cinema e estão em produção. A produtora RT Feactures, do brasileiro Rodrigo Teixeira, aparentemente é grande fã do escritor, pois compraram o direito de três livros de Raphael. O Jantar Secreto, segundo o jornal O Globo será rodado inteiramente nos Estados Unidos. Atualmente, Raphael também escreve roteiros para cinema e TV e tem uma coluna semanal no jornal O GLOBO.

Muitos leem dois ou mais livros ao mesmo tempo, Raphael está escrevendo dois livros ao mesmo tempo. Um deles será suspense que será publicado pela Companhia das Letras e um de terror que sairá pela Suma. “Sou muito organizado e consigo pensar em tudo ao mesmo tempo, sem prejuízo para algum”, contou ao jornal do Estado.

Serviço

Flim 2017

Tema: Literatura Policial e Suspense

Horário: 17h15

Local: Auditório Hélio Moreira

Gratuito


Maria Eduarda Martins – Acadêmica do 4º ano de Jornalismo da Unicesumar

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A Biblioteca de Ademir Demarchi

Biblioteca de Ademir Menarchi

Há um ditado que diz que a biblioteca é a casa do escritor. Mas como se cria uma biblioteca? Muitos romancistas, poetas, historiadores, filósofos e acadêmicos possuem suas próprias bibliotecas pessoais, fruto de muito tempo investido “garimpando” livrarias, sebos e indicações de colegas. Para o poeta Ademir Demarchi, “a biblioteca se forma ao longo de […]

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Rumo ao Valhalla!

Vários estandartes espalhados, equipamentos a mostra, um ferreiro vende suas construções e barganha machados com visitantes. Do outro lado, um bardo contente toca sua música enquanto cerca os cozinheiros da taverna montada no local. Brutamontes disputam quem consegue segurar o martelo de Thor (Mijönir) em riste por mais tempo, enquanto dois sujeitos treinam seu machado em um amigo que defere os golpes com maestria. Pode até parecer um cenário de um livro histórico, porém os vikings do Gungnir Kind são bem reais.

O estudante e um dos fundadores do grupo de recriação histórica, Ariel Toniatto, 27, diz que o grupo começou há aproximadamente três anos. A ideia surgiu quando conheceu um amigo de São Paulo que fazia parte de um grupo relacionado à história Viking. Ariel juntou alguns amigos interessados na temática e assim nasceu o grupo de recreação viking, Gungnir Kind, que agora agrupa 23 membros.

Quando questionado sobre um ferimento no nariz Ariel diz com muito humor: “dei uma narigada numa espada”. Segundo ele o momento do combate é de foco extremo: “É sensacional, eu não ouço nada, nesse momento tem só eu e meu oponente, é fantástico”. O grupo recria exclusivamente as tradições vikings, inclusive as lutas, que são ensaiadas de acordo com manuais de combate viking, com técnicas e formações. Até mesmo as armaduras e cotas de malha, que são feitas à mão pelos integrantes do grupo, possuem base histórica. “No caso da cota de malha, costuramos anel por anel. A cota tem em média 13 kg. Também fazemos laminar de couro e aço: apenas as espadas que não. Algumas são de um material sintético que importamos de Araçatuba, no interior de São Paulo”, afirma Ariel.

Em uma tenda com vários produtos de decoração está o ferreiro Felipe Bandeira Costa, 33, que traz vários objetos de decoração com a temática viking. O ferreiro comenta que sempre adorou forja, porém não tinha como praticar. “Me chama atenção desde pequeno, sempre achei bonito, mas nunca tive um espaço para criar uma oficina e aprender sobre. Agora com uma casa nova consegui um cantinho para criar uma forja. Aprendi tudo pela internet, foram muitos anos pesquisando as variações de metal, como ele se comporta com o calor, resfriamento e tudo mais”, diz Bandeira, segurando uma das facas feitas por ele.

Felipe Bandeira esbanja conhecimento sobre o período quando comenta sobre o armamento viking. Segundo ele, espadas eram armas raras nas terras nórdicas, já que o povo não conseguia forjar um metal fino e leve. Com isso, machados e facas curtas eram mais comuns, já que este tipo de armamento permitia um metal mais grosso.

Em meio a tantas atrações na feira, uma se destacava pelo seu cheiro saboroso. A taverna da Elfaminta, que reunia aproximadamente 40 pessoas ao redor. Atrás do balcão estava a estudante Ângela Nogata, 31, preparando a comida para o pessoal. Nogata diz que começou a taverna pois gostava muito de gastronomia: “Adoro cozinhar com meus amigos, então tive a ideia de fazer comidas rústicas, simples, porém bem temperadas. Meu marido gostou muito da ideia e me ajudou fazendo as logos e imagens. A temática veio, pois, sempre gostamos de RPG e fantasia medieval”, comenta Nogata.

Serviço:

O Gungnir Kind se reúne todos os domingos no ginásio da Unifamma, das 16 às 18h. (Av. Mauá, 2854 – Zona 01). Os interessados podem assistir ao espetáculo de graça.

Foto: Gabriel Brunini

Gabriel Brunini

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Presos leem 200 livros ao mês na Penitenciária de Maringá

Ana Luiza Verzola

“Um livro que eu recomendo é o ‘Dom Casmurro’. Sempre falo para os companheiros lerem essa história”, conta Erick Pereira de Azevedo, 29, há cinco anos cumprindo pena em regime fechado na Penitenciária Estadual de Maringá (PEM) e um admirador da obra de Machado de Assis. Foi atrás das grades que ele descobriu a liberdade que os livros permitem. De fala mansa e trajando uma camiseta branca, parte do uniforme dos detentos, ele também pode ser reconhecido pelo número 620, estampado do lado direito do peito. Ali, Azevedo é um estudante como qualquer outro, e até desenvolveu uma resenha do livro preferido para um trabalho de escola, uma vez que está concluindo o ensino médio. Inclusive, da leitura que fez, tem opinião formada sobre a suposta traição de Capitu na obra.

Biblioteca da PEM tem aproximadamente 1,5 mil títulos

Dos 405 presos na sede da PEM, em Paiçandu (16 km distante de Maringá), somente dois são analfabetos. É oferecida aos detentos a possibilidade de se matricular na escola sob responsabilidade do Centro Estadual de Educação Básica para Jovens e Adultos (Ceebja), que funciona no interior do presídio e conta com uma biblioteca com aproximadamente 1,5 mil títulos. Cada 12 horas de estudo reduzem um dia da pena – a leitura, se ainda não fornece essa possibilidade, abre as portas para outros tipos de experiências para os presos.

“É uma forma de tirar a mente daqui, já que o corpo não pode sair”, conta Azevedo, que deve levar ainda um ano e meio para ver o sol nascer em sua melhor forma novamente. Nesse meio tempo, acostumou-se à companhia dos livros. “Antes eu não gostava de ler, nem de escrever, mas aqui eu vi como isso era importante”, diz. Ele afirma que devora pelo menos oito livros por mês. “Acaba transportando a gente para outros lugares mais agradáveis.” A família dele é toda de Umuarama, e dos nove irmãos, ele diz que quatro são professores. “Isso me incentiva também”, observa ele, que também foi estimulado a escrever a própria história encarcerado. “Liberdade Forçada”, é o início da própria obra de vida do detento.

É o que acaba acontecendo quando o hábito de ler se torna rotina. “A leitura permite ampliar o senso crítico deles, torna o preso diferente. Os livros não criam só novos leitores, criam também outros escritores”, conta a pedagoga Márcia Hiroko Kawamoto, há oito anos trabalhando na penitenciária. A PEM registra 220 alunos matriculados no Ceebja – a parceria entre as instituições vem desde 16 de maio de 1996. “Nosso foco aqui é reinserção. Visamos a recuperação do tempo perdido, e essa trajetória traz benefícios quando eles saem”, afirma o diretor do Ceebja Marcos Segale Carvalheiro. São 28 professores concursados responsáveis pelo ensino dentro da PEM.

Presos educados

A reinserção social por meio da educação e do trabalho é uma das metas da Secretaria de Justiça do Paraná. “Estamos vendo um resultado positivo disso. Acreditar nisso motiva nosso trabalho”, diz Márcia. Ela aponta um dos detentos, identificado apenas como Pedro e hoje em regime semi-aberto, como prova de que o trabalho surte o efeito esperado. “O Pedro chegou aqui com problemas de comportamento, de conduta. Hoje ele é o nosso exemplo. Se formou no ensino médio e está cursando o segundo ano da faculdade de direito”, diz. Ele, que segundo ela começou cedo na vida do tráfico, está preso há dez anos.

Para o bibliotecário Elson Edson Cocolo, 34, há um ano e quatro meses preso em regime fechado, a leitura dentro da penitenciária também teve seu papel fundamental. “Ler auxilia muito tanto no conhecimento que está sendo adquirido, já que o hábito fixa melhor, quanto na escrita e na fala”, destaca. Quando começou a frequentar a biblioteca, logo se viu rodeado por muitas histórias, fazendo com que se sentisse à vontade para a função que desempenha hoje. Encarregado de catalogar os livros, fazer os empréstimos e não muito raro indicar obras aos colegas, Cocolo sempre sugere o autor Paulo Coelho aos que pedem sua opinião. Quando ele chegou à PEM, tinha o ensino fundamental completo. Hoje conta, orgulhoso, que já concluiu o ensino médio pelo processo educativo oferecido na penitenciária.

Literatura

As obras literárias do acervo são provenientes de doações do Governo do Estado, e passam por uma seleção prévia dos profissionais do Ceebja. No mês passado, 40 livros de literatura brasileira foram emprestados, e 36 de escritores estrangeiros. Os cerca de 130 restantes tratam, em sua maioria, de poesia ou religião. “Quando observamos que os presos têm iniciativa de ler, se interessam, já é positivo. Demonstra vontade, disposição de buscar algo melhor”, diz o diretor em exercício da penitenciária, Vaine Gomes. “A incidência de comportamento violento cai drasticamente”, ressalta. Ele ainda afirma que o detento em contato com a literatura tem maior facilidade de inclusão e tolerância.

De acordo com Gomes, a obra escolhida pode influenciar na conduta das pessoas. “Às vezes ela se identifica com a história, com o personagem. Há um resgate a partir da leitura”. Características que podem ser identificadas em Erick Pereira de Azevedo, o leitor de Dom Casmurro. “Eu gostei da história por causa disso. Leva a gente a pensar os nossos meios de avaliar outras pessoas. Na incerteza, Capitu é inocente”, sentencia.

Ler para libertar

As 24 unidades penais vinculadas à Secretaria da Justiça vão aderir ao projeto de remissão de pena por meio da leitura ainda este ano. Os presos com ensino fundamental deverão fazer relatórios de leitura e os do ensino médio e pós médio deverão produzir resenhas, contendo resumo e crítica da obra. Os trabalhos serão avaliados por uma comissão de professores do Ceebja. Em Maringá, a PEM está fazendo um treinamento com os detentos que participarão da proposta. A cada resenha feita, diminui três dias na pena.

Detento diz ler oito livros por mês na penitenciária

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