Crianças a espera de afeto e adoção em todo o País.

Sem adotar, é possível se tornar referência emocional e proporcionar vida social fora dos abrigos para crianças. Dos milhares de crianças à espera de adoção nos abrigos de todo o País, apenas uma pequena parcela consegue nova família. A maior parte continuará nas instituições por muitos anos, até chegar à maioridade e, assim, atravessar a porta de saída solitariamente. Não faltam pessoas que se comovam com esse drama, mas quem pensa em ajudar se depara com uma questão de difícil solução: o que fazer? Para os jovens

LAÇOS Renata Piza com as três irmãs que amadrinhou. Ela virou referência para as meninas

que passam a infância e a adolescência sem referência familiar, uma contribuição em dinheiro é algo insuficiente, uma vez que sua principal carência é emocional. Mas nem todos estão preparados para adotá-los. Como resposta a esse impasse, uma iniciativa simples tem dado resultados gratificantes tanto para as crianças quanto para os adultos que se mostram solidários. É o apadrinhamento afetivo, no qual o adulto passa a acompanhar o cotidiano da criança, sua rotina escolar, pode levá-la para passear e apoiá-la em momentos difíceis – tudo sem adotá-la. “Para a criança apadrinhada, é importante porque ela passa a ter uma referência afetiva, sente que alguém se importa com ela e não se vê mais como apenas mais uma na multidão”, explica a psicóloga Edna Orlando, da ONG Quintal da Casa de Ana, em Niterói, Rio de Janeiro, uma das primeiras do Brasil a colocar em prática a ideia. “Para os padrinhos, é gratificante ver como um pouco de afeto pode fazer tanta diferença na vida dos pequenos”, diz.

A ideia nasceu dos movimentos de pais adotivos, que constataram a situação das crianças que vivem em abrigos com mais de 5 anos, quando as adoções passam a ser algo raro. Notou-se que muitas chegavam aos 18 anos abandonadas nessas instituições, sem ter noção de família ou sem ter alguém que se preocupasse com sua individualidade. “Com o apadrinhamento afetivo, elas passam a ter referência familiar e vida social fora das instituições”, diz Bárbara Toledo, presidente da Associação Nacional dos Grupos de Apoio à Adoção.

A servidora pública Renata de Toledo Piza, 35 anos, é madrinha de três irmãs de 8, 10 e 12 anos, que vivem num abrigo. Depois de terminar um casamento de oito anos e sem filhos, ela resolveu que queria desempenhar o papel de mãe. Pensava em adotar uma criança, quando teve conhecimento do apadrinhamento afetivo e gostou da ideia. Passou por um período preparatório até que apareceram três crianças em condições de serem apadrinhadas. “Fui ver as meninas, eram irmãs. Não poderia separá-las e resolvi ser madrinha das três”, conta ela. Esse relacionamento começou há pouco mais de três meses e quem as conhece garante que já surtiu efeito sobre o comportamento delas. As funcionárias do abrigo dizem que a autoestima das garotas aumentou e que estão mais aplicadas no estudo. “As meninas me mostram os cadernos, noto que até a relação

CURSO Quem quer ser padrinho passa por um período preparatório

entre elas melhorou”, diz Renata, que já conseguiu autorização para passar um fim de semana com elas e levou-as para passear pelo Rio de Janeiro. “Eu disse que podem contar comigo para a vida toda, mesmo se forem adotadas um dia.”

Em vários Estados brasileiros há instituições que promovem esse tipo de apadrinhamento. É um gesto viável mesmo para quem não tem muitos recursos financeiros. “Não é como aquele tipo de ajuda em que a pessoa dá um brinquedo ou uma roupa no Natal ou no Dia das Crianças e vai embora”, explica Luciane Scheidt, do Projeto Recriar, de Curitiba. “Os abrigos cuidam dessa parte material. O que as crianças precisam mesmo é de alguém que dê atenção ao lado emocional.” É essa a função exercida por Sirlei Azevedo, 58 anos. Ela já é madrinha de uma menina do Projeto Recriar e antes já teve outros dois afilhados. “Dou apenas o meu tempo e o carinho e em troca recebo algo maravilhoso, que é o reconhecimento dessas crianças”, diz ela. “Nunca mais vou ficar sem afilhados.”

Alguns padrinhos criam vínculos afetivos tão grandes com os afilhados que não querem mais romper. Foi assim com a securitária Conceição da Silva, 42 anos, que resolveu ser madrinha de dois meninos, de 16 e 13 anos. “Eles passam a se mostrar mais confiantes, se esforçam mais para estudar, brincam mais”, conta ela. “É um aprendizado para os dois lados. Com o tempo, fui vendo que eles não pedem nada de material, apenas carinho, querem alguém que se importe com eles.” Ela e seu marido gostaram tanto da experiência que resolveram adotar os dois.
A psicóloga Edna, no entanto, alerta: o apadrinhamento afetivo não pode ser encarado como um teste para a adoção. “Se elas não são adotadas, ficam muito frustradas”, explica ela. “Desde o início, explicamos a elas que aquelas pessoas são padrinhos, que elas verão apenas alguns dias na semana. Isso evita falsas expectativas.” Além disso, é preciso que o candidato a padrinho se comprometa a manter um relacionamento longo com a criança escolhida. Todos esses detalhes são explicados a quem pretende ter um afilhado e, de maneira geral, as regras têm sido seguidas. O apadrinhamento afetivo tem servido como solução a centenas de pessoas que queriam ajudar as crianças abandonadas e não sabiam como.

Fonte: ISTOÉ – por: Francisco Alves Filho – 05/12/10

7 comentários sobre “Crianças a espera de afeto e adoção em todo o País.

  1. SONIA REGINA SANCHES 20 de março de 2011 22:46

    OLÁ, MEU NOME É SONIA REGINA, EU GOSTARIA MUITO DE ADOTAR UMA CRIANÇA DE PREFERENCIA RECEM NASCIDO, SOU SOLTEIRA, TENHO 45 ANOS, E O MAIOR SONHO DA MINHA VIDA É SER MAE, E NUNCA CONSEGUI ENGRAVIDAR, VIVI COM UM HOMEM POR 8 ANOS, E NAO ENGRAVIDEI, MORO COM MEUS PAIS,E TEMOS UMA FIRMA DE IMPLEMENTOS AGRÍCOLAS, E O MAIOR SONHO DA MINHA VIDA É SER MAE, QUERO RECEM NASCIDO, PQ QUERO SENTIR A SENSAÇAO DA MATERNIDADE, E CURTIR CADA MINUTO DA VIDA DELE OU DELA, TENHO EXPERIENCIAS EM CUIDAR DE CRIANÇAS, JA CUIDEI DE CRIANÇAS QUE CRESCERAM DENTRO DA MINHA CASA, E EU QUERO MUITO SER MAE, VOU AMAR MUITO ESSE BEBE, E DAR MUITO CARINHO, COMO SE ESTIVESSE SAIDO DE DENTRO DE MIM E DAR UM LAR VERDADEIRO, COM RESPEITO E RESPONSABILIDADE, SOU MUITO SOLITÁRIA, E EU SONHO TODOS OS DIAS EM TER UM BEBE E MEUS PAIS VAO REALIZAR O SONHO DELES TAMBEM, POIS ELES VAO TER UM NETO OU NETA, JUNTO DELES, POS A UNICA NETA MORA PERTO DE CAMPINAS , SOU MUITO RELIGIOSA E REZO TODOS OS DIAS PARA DEUS REALIZAR MEU SONHO DE CONSEGUIR SER MAE, POR FAVOR ME AJUDEM A REALIZAR MEU SONHO DE SER MAE E CONSEFUIR ADOTAR UM BEBE,VOU SER UMA MAE MUITO PRESENTE EM TODOS OS SENTIDOS NA VIDA DESSE BEBE, MUITO OBRIGADO PELA ATENÇAO, AGUARDO UMA RESPOSTA – Comentário respondido por e-mail

  2. ANDRÉ FRANK 5 de novembro de 2011 21:14

    Em relação ao apadrinhamento como fica na hora de devovler à criança ao abrigo? Nós somos uma família de cinco pessoas sendo uma de nós um filho do coração. Em pelo menos três de nós surgiu o mesmo questionamento… e se a gente se apega? E se na hora de devolver a gente pirar? É bom para a criança ter uma experiência dessa e depois ficar com apenas uma lembrança? Existe que nos ajude psicologicamente nesse sentido? Estamos querendo descobrir, reencontrar mais um membro da nossa família que está por aí… mas agora não podemos porque estamos em um momento financeiro delicado… os mais velhos já falam em começar a trabalhar para que possamos adotar mais um… fiquei motivado mas sou covarde e tenho medo das minhas emções….Um grande abraço!

  3. Deborah Lougue 29 de fevereiro de 2012 21:09

    Olá, eu estou entrando com o pedido de adoção aqui em Campinas. Na verdade estou preparando os documentos. Eu, de coração, sonho com 3 irmãos, sendo o maiorzinho com até uns 8 anos. Com o marido, chegamos a um acordo de adotarmos 2, sendo o maior com 6. Porém é a primeira vez que leio algo sobre esse apadrinhamento e achei bem legal, apesar de também estar certa de que devolver no abrigo depois de umas férias sensacionais seria um sofrimento… pra mim e pra eles… Como saber mais? Como me inscrever? Será que aqui em Campinas tem esse programa? Nunca ouvi nada, mas fiquei curiosa e interessada...Comentário respondido por e-mail

  4. Andréia 30 de agosto de 2012 13:56

    Boa tarde, tenho 31 anos, encaminhei os papéis para adoção, e sonho em conseguir adotar uma criança de até + ou _ quatro anos de idade. Espero que Deus providencie uma criança iluminada, pois temos muito amor e carinho para dar.

  5. evangelina 17 de janeiro de 2014 17:11

    gostaria de amadrinhar meninas gemeas já grandes e que aindA NÃO FORAM
    -12 anos aproximadamente. evangelina 21-91710949ou 32159026 rio

  6. evangelina 17 de janeiro de 2014 17:15

    moro no recreio dos bandeirantese, agora que não trabalho mais poderia me o
    cupar das meninas.Já trabalhei em orfanatos. Evangelina
    ps:´ teria que ser perto de onde moro, pois não tenho carro.

  7. Vanuza 19 de novembro de 2015 18:52

    Eu sou apaixonada por crianças, mas só tenho 21 anos e por isso não pretendo ter filhos no momento, mas gostaria muito de curtir isso, gostaria de amadrinhar, e gostaria muito de saber como funciona, todos os detalhes possíveis. Estou ansiosa por isso, aguardo respostas. Obrigada.

Deixe um Comentário

Seu endereço de e-mail não será publicado.