Sercomtel está sob a ameaça de haraquiri

O então prefeito Antônio Casemiro Belinati vendeu à Copel 45% das ações do Sercomtel, empresa de telefonia de Londrina, por R$ 186 milhões, em 1998 (corrigido pelo IPCA, o valor equivale a mais ou menos R$ 600 milhões hoje). O dinheiro evaporou.

Plebiscito impediu a venda do restante da empresa em 2001, quando as gigantes do setor começavam a ser instaladas e ela tinha alto valor de mercado. Desde então, patina e patina, apesar de ter aberto outras (e promissoras) frentes de negócios – a iluminação pública, por exemplo.

O presidente do Sercomtel, Carlos Adati, apresentou segunda-feira relatório sobre a “pior crise da história” da companhia, reproduzindo, assim, o slogan do prefeito em primeiro mandato Marcelo Belinati, sobrinho de Antônio, relativo ao estado das finanças do município (que, como demonstrado aqui, é um atentado à verdade).

O relatório aponta um passivo de R$ 811 milhões, mas o demonstativo ofende qualquer um que entenda minimamente de contabilidade.

Compõem o passivo:

– R$ 120 milhões de dívidas municipais (que estão sub júdice ou já foram julgadas, com ganho de causa para a companhia; o balanço omite a dívida do município com a empresa);

– prejuízo acumulado de R$ 190 milhões (essa é de doer: já foram amortizados ou estão incluídos em contas a pagar; o primeiro resultado negativo ocorreu em 1998, ano de venda de parte da empresa);

– R$ 216 milhões em ações judiciais que sequer foram julgadas.

– Contas a pagar no valor de R$ 144 milhões;

– e dívida com a Anatel de R$ 24 milhões (desconsidera-se que foi convertida em investimento em melhorias a ser executado a médio e longo prazos).

E onde estão as contas a receber: o bicho-papão comeu?

O relatório equivale a colocar no papel tudo o que um dia a companhia deveu somado a tudo o que pode vir a dever e desconsiderar o que faturou e pode faturar.

Belinati sobrinho, que avalizou o relatório, foi logo avisando que não cogita vender a companhia.

É uma pena. Pois, a partir dessa encenação, constata-se que o Sercomtel está seriamente ameaçado de haraquiri.

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Violência faz de Maduro um dos mais cruéis ditadores da história

Os recentes acontecimentos na Venezuela – censura à imprensa, atropelo do Legislativo, repressão generalizada, prisão e tortura de opositores políticos, condenações sumárias, assassinato de manifestantes – inserem Nicolás Maduro no rol dos mais ditadores mais impiedosos, ao lado de Stálin, Mao Tsé-Tung, Hitler, Assad.

Pois é assim – recorrendo à truculência – que o presidente da Venezuela está conseguindo se manter nos últimos anos. Seu projeto, herdado de seu tutor Hugo Chávez e rotulado de “bolivarianismo”, hoje se resume a preservar o poder a qualquer custo.

E esse custo é ruína da Venezuela: desemprego, inflação, recessão crônica, desabastecimento de víveres e medicamentos – tudo falta, em contraposição à arrogância e inclemência de seu déspota.

Dotado das maiores reservas de petróleo do mundo, o país foi um dos mais prósperos da América Latina, mas a maioria sua população jamais teve acesso aos bens que essa riqueza proporcionava – e isso devido à corrupção endêmica, embora a classe média fosse a mais numerosa da região. E aí veio o “Caracaço”, em março de 1989, quando os moradores das favelas que emolduram a capital desceram o morro, saquearam e destruíram o que encontraram. Carlos Andrés Perez, várias vezes presidente, sucumbiu ao terremoto do descontentamento popular que, por sua vez, gestou Hugo Chávez. O então coronel do Exército tentou um golpe de estado três anos depois, foi derrotado e preso. A prisão lhe deu a aura de santidade que o levou ao poder em 1999, no qual seu espectro (ele morreu em 2013,) personificado em Maduro, se mantém à custa do sacrifício de um povo.

E este povo está decidido, assim como os favelados de 1989, a lutar – e morrer – até a deposição de seu algoz.

Mortes

Nos protestos de 2013, logo após a vitória de Maduro por uma diferença de 1,5% dos votos sobre Henrique Capriles (resultado contestado até hoje por seus opositores), morreram 40 pessoas, a maioria vítimas dos “colectivos”, criminosos armados pelo regime e que se deslocam em motocicletas durantes as manifestações públicas para disseminar o terror. Nos atuais, deflagrados pela decisão do Tribunal Supremo, a mais alta corte de Justiça ocupada integralmente por defensores do regime, de destituir o Legislativo de seus poderes, decisão que revogou parcialmente três dias depois, os mortos já passam de vinte. Doze somente na noite de quinta-feira e madrugada desta sexta, quando, além dos “colectivos”, policiais atiraram indiscriminadamente contra residências, veículos e transeunte – até um hospital infantil, meu Deus! Houve saques, assaltos. O caos!

O que pedem os manifestantes? Que o governo realize as eleições regionais que cancelou duas vezes, que pare de massacrá-los, que lhes dê comida e, na impossibilidade disso, que aceite a ajuda humanitária que vários países estão oferecendo. Que lhes devolva, enfim, a liberdade de se expressar, de ir e vir, de votar.

A comunidade internacional, acordou, enfim. A ONU e a OEA aprovaram várias moções de repúdio à truculência empregada contra os venezuelanos, e o secretário-geral desta última, Luís Almagro, filiado à Frente Ampla, coligação de partidos de esquerda do Uruguai, classificou o regime de Maduro de “ditadura escancarada”. “É imperativo que a Venezuela retome o caminho da institucionalidade democrática”, afirmou ontem o governo brasileiro em nota compartilhada com mais nove governos da região.

Para Maduro, isso serve apenas para alimentar seu discurso de que é vítima de uma “conspiração golpista transnacional” (conhecemos uma turma do lado de cá da fronteira que diz a mesma coisa, turma que, aliás, patrocinou e defendeu – defende até hoje! – o regime chavista. Boa noite, petralhas!). Não são as manifestações de governos e entidades internacionais que vão vencê-lo, e sim os venezuelanos. Eles têm um ideal – libertar o país. Maduro tem as Forças Armadas, a polícia, os milicianos – civis armados que quer aumentar de 300 mil para 500 mil – e os “colectivos”.

É o embate de Davi e sua funda contra Golias e suas metralhadoras, tanques, bombas de gás, cassetetes e assassinos.

Muito sangue há de correr.

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Um ano sem Dilma. Que alívio!

Há um ano a Câmara dos Deputados afastou a “presidenta inocenta’ Dilma Rousseff para ser julgada por crime de responsabilidade pelo Senado.

Michel Temer assumiu provisoriamente e depois definitivamente – até que o TSE o casse – com o impeachment de Dilma decretado pelo Senado, em 31 de agosto.

Um ano sem Dilma…

… e não temos que ouvir suas asneiras todos os dias, várias vezes por dia em alguns casos. Não temos que ouvir nem ver Mercadante, Graça Foster (essa havia caído antes), Nelson Barbosa, o substituto do Pós-Italiano na Fazenda, nem… nem nada daquele exército brancaleone de incompetentes, falastrões, arrogantes e corruptos.

Michel Temer e sua trupe não são nenhuma Brastemp – afinal, foram sócios dos crimes praticados pelo lulopetismo e dão a continuidade ao governo deles, já que compuseram a mesma chapa, por mais que isso revolte os petralhas – esse bando de gente que se julga perfeita, pura, intocável, onipotente, onisciente!

Dilma se foi, e somente os mais incautos poderiam esperar que a mera troca de comando – do chefe para o subchefe da mesma organização criminosa – resolveria da noite para o dia os problemas do país.

O buraco cavado por Dilma e sua tropa tresloucada – e sob a benção de seu criador Lula, o “comandante” da maior organização criminosa de que se tem notícia – levará muito tempo para ser escalado.

Mas o esforço começou naquele 17 de abril de 2016. Subimos alguns metros, recuamos outros, recuperamos o avanço e seguimos em frente. Sempre em frente, para o alto, avante!

Com Dilma, seu benfeitor e sua gangue o buraco somente se aprofundaria.

Um ano sem a mulher sapiens, sem saudação à mandioca, sem estocagem de vento, sem um cachorro atrás de toda criança, sem a meta que deve ser extinta para que, uma vez atingida, seja dobrada…

Um ano sem Dilma: ah, que alívio!

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Lula, o Judas Iscariotes do Brasil. Judas teve mais dignidade do que ele

A Semana Santa deste ano revelou-nos os vendilhões da pátria – uma centena deles, de todos os partidos – e um traidor que supera, na dimensão de sua traição e em suas consequências, os malefícios causados por Joaquim Silvério dos Reis à Inconfidência Mineira. E um comportamento ainda mais abjeto que o de Judas Iscariotes, o traidor dos traidores, o personagem execrado – e justificadamente – pela celebração religiosa.

Chama-se Luís Inácio Lula da Silva e que, apesar de todos os crimes dos quais é acusado – e as evidências e testemunhos que pesam contra ele são avassaladores – proclama-se a “viva alma mais honesta deste país”.

Lula traiu os sindicalistas que representava, amortecendo seu ânimo reivindicatório, em troca de benesses dos patrões. E isso já na década de 1970, quando despontava sua liderança.

Lula traiu os companheiros que, naquela década e na seguinte, lutavam contra a ditadura militar, fornecendo aos agentes do DOPS informações que os comprometiam. Ganhou, assim, a amizade velada do chefe do órgão, o delegado Romeu Tuma.

Enquanto isso, curtiu uma semana de prisão, sob a justificativa de liderar uma greve quando as greves eram proibidas pelos milicos, o que lhe deu cobertura para sua condição de alcaguete, um item a mais em seu currículo de “soldado da liberdade” e uma indenização de R$ 6 mil mensais.

Chegou ao comando do país prometendo uma revolução ética no trato da coisa pública e uma revolução social que tiraria milhões da miséria. Fez de seus discursos uma cruzada permanente do “nós” – os paladinos da ética e da justiça social – contra “eles”, a “elite”, responsável, segundo Lula, por todas as mazelas do país.

Falava uma coisa e agia de maneira inversa. Não fez revolução social alguma. Apenas ampliou, beneficiado pelo momento favorável da economia interna e externa – e também em busca de votos -, os programas assistenciais de seu antecessor. E instituiu o mais corrupto sistema de governo de que se tem notícia, tendo como cúmplice justamente a “elite”. A elite da “elite”, pois os principais beneficiários foram os megas empresários que mantinham negócios com o governo.

Os pobres de quem se ufana de ter beneficiado perderam quase tudo o que conquistaram em decorrência do desastroso governo de sua sucessora – que ele impôs à Nação como uma “gerentona” e levou o país à mais profunda e duradoura crise econômica de sua história.

O país empobreceu, mas ele e a cúpula de seu partido enriqueceram. E como enriqueceram! Assim como as empresas que se associaram a seu projeto criminoso de poder – que, agora, revelado o conluio traiçoeiro, enfrentam sérias dificuldades.

Silvério dos Reis traiu os inconfidentes em troca do perdão de suas dívidas e recompensa material. Ganhou alguns tostões (menos do que exigia), não teve a dívida perdoada e passou a ser execrado e perseguido publicamente. Morreu amargurado, pobre e desonrado.

Encurralado pela Justiça, Lula, que recebeu bem mais de trinta milhões em reais, dólares, seja lá em que moeda for, acusa policiais, promotores e juízes de protagonistas de uma “caçada judicial” que visa inviabilizá-lo eleitoralmente. Sim, apesar de tudo, quer voltar à presidência da República!

Judas Iscariotes compreendeu a dimensão de seu ato – a traição de Deus -, pelo qual foi recompensado por míseras trinta moedas, arrependeu-se e se enforcou. Teve mais dignidade do que Lula, o traidor da Nação, que nega os crimes e quer voltar a praticá-los.

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Gleisi, a coveira do PT. E de si própria

Gleisi Hoffmann foi ungida por Lula para comandar o PT nos próximos dois anos, que terão como ponto alto a sucessão presidencial, a disputa pelos governos estaduais, a renovação do Legislativo. As eleições são cruciais para o PT: se se sair bem, prolongará a sobrevida; do contrário, abreviará sua agonia.

Lula fez com Gleisi o que fez com Dilma e Haddad: apostou em personagens inexpressivos e rejeitados pela companheirada, e deu no que deu: acendeu dois postes que apagaram irreversivelmente a sua aura. Gleisi é o terceiro.

A rejeição a Gleisi pôde ser sentida domingo, quando seu candidato à presidência do PT de Curitiba – seu domicílio eleitoral – amargou 40% dos votos. O eleito, André Castelo Branco Machado, fez quase 60%. E é ligado a Lindbergh Farias, adversário de Gleisi para liderar a cerimônia de exéquias do partido.

“Narizinho” – é o apelido de Gleisi decorrente as intervenções plásticas que fez no apêndice nasal – empacou ainda na largada, portanto, já que as eleições municipais são a primeira etapa do processo eleitoral. Triste sina.

O PT aposta todas as fichas em Lula, pois de sua eventual vitória nas urnas em 2018 depende sua sobrevida. Mas ele não disputará a eleição, pois terá sido condenado em segunda instância em pelo menos um dos cinco processos a que por enquanto responde. E se não for condenado, suas chances eleitorais são mínimas, embora hoje surja como favorito. E é o favorito porque seus adversários em potencial estão na moita, encurralados pela Lava Jato, ou aguardam o momento certo de dar o bote – é o caso de João Doria. E Lula está nos jornais todos os dias, seja para o bem, seja para o mal.

Coveira do PT: eis a missão de Gleisi que, em 2018, terá de renovar o mandato. E pela rejeição que o seu partido (quase 80%) e ela em particular (estou para encontrar alguém que a admire) despertam no eleitorado paranaense, será a cerimonialista de seu próprio enterro.

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“Delação do fim do mundo” catapulta Doria para a presidência

Aécio Neves recebia propina mensal, José Serra recebeu milhões para o caixa 2 de suas campanhas, Geraldo Alckmin idem, e idem, em menor escala – míseros 200 mil –, dinheiro não contabilizado foi investido na campanha de Aloysio Nunes ao Senado. E Fernando Henrique Cardoso teve suas duas campanhas presidências abastecidas, também no caixa 2, como gratidão por “vantagens indevidas”.

Esse é o resumo das delações dos diretores e executivos da Odebrecht que atingem em cheio a cúpula do tucanato, que terá que arrulhar, lubrificar as penas e pular de galho em galho para não ser abatida pelo furacão deflagrado hoje pelo ministro Edson Fachin.

Falta pouco mais de um ano para a consolidação das candidaturas à presidência da República e, até lá, toda a cúpula do PSDB estará praticamente inviabilizada.

Resta, no entanto, um “cristão novo” – ou tucano recém-saído do ovo -, o prefeito de São Paulo João Doria, que, antevendo que o cenário se abriria para sua atuação, já se apresenta como contraponto de Lula.

A “delação do fim do mundo”, como foi batizada a revelada hoje, condenou ao inferno eleitoral os tucanos mais bem cotados (com exclusão de FHC e Nunes). E catapultou a candidatura de Doria.

Para consolo do PSDB, o partido tem um nome forte – e que se robustece a cada dia -, para chegar à presidência, ao contrário de seus adversários petistas, cuja aposta em Lula, um blefe desde sempre, foi incinerada com a delação da Odebrecht.

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E a coisa ficou ainda mais preta para Lula. Preta mesmo

Um dia depois de o ex-presidente da Odebrecht, Marcelo Odebrecht, informar ao juiz Sérgio Moro que o Lula recebeu R$ 13 milhões em dinheiro vivo da empreiteira, além de outras vantagens – entre elas a compra de um terreno para o Instituto Lula -, o ministro Edson Fachin, do STF, torna pública a delação de executivos da empreiteira. E eles confirmam que a reforma do sítio e o pagamento por “palestras” do ex-presidente eram propina.

Admita, Lula: a casa caiu! E é chegada a hora de providenciar o tênis, a mochila e a calça jeans para viajar a pé a Curitiba – onde o espera, no dia 3 de maio, o juiz Sérgio Moro. Afinal, foi vossa excelência quem prometeu ir a pé até lá se ‘surgir uma prova, uma só, contra mim’.

O tênis têm de ser forte, senhor “viva alma mais honesta deste país”. Pois são mais de 400 quilômetros de distância…

Informa o Estadão:

Os delatores da Odebrecht relataram à Procuradoria-Geral da República que a empreiteira teria custeado despesas do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Os colaboradores falam das reformas do sítio de Atibaia, interior de São Paulo, na aquisição de imóveis para o uso pessoal e instalação do Instituto Lula, além do pagamento por palestras do petista.

Segundo o Ministério Público, as condutas ‘poderiam funcionar como retribuição a favorecimento da companhia’. As acusações foram feitas por oito delatores, entre eles Emilio Odebrecht e Marcelo Odebrecht, pai e filho.

Como já existe uma investigação sobre o caso na Justiça Federal do Paraná e o ex-presidente Lula não tem prerrogativa de foro, o ministro Edson Fachin acolheu o pedido da Procuradoria-Geral da República e pediu o envio de cópias dos depoimentos dos delatores à Procuradoria da República no Paraná, base da Lava Jato.

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História: fechamento da empresa, morte do gerente – o primeiro caso de corrupção de fiscais da Receita do Paraná

Luiz Antônio de Souza, cuja prisão deflagrou a Operação Publicano, que desvendou um amplo esquema de corrupção na Receita Estadual do Paraná, foi para casa ontem, depois de dois anos e alguns meses de cadeia.

Preso num motel com uma menor de idade e em posse de R$ 20 mil, ele admitiu ser corrupto, transformou-se no principal delator, admitiu uma carrada de crimes sexuais, foi condenado a quase meio século de prisão, continuou delinquindo mesmo preso – e com isso perdeu os benefício da delação -, pôs em risco a operação e o processo alegando que suas declarações foram deturpadas pela promotoria, que não havia gravado alguns de seus depoimentos, e assim recuperou tais benefícios.

Mais de 60 auditores e também contadores e empresários estão sendo processados – e somente Souza foi demitido do serviço público até o momento. Os demais respondem a processo disciplinar. A Receita Estadual aplicou multas a empresas envolvidas que ultrapassam R$ 1,5 bilhão.

O Gaeco, responsável pela operação, estima que o esquema criminoso vigorava há trinta anos. Data vênia, está enganado: se os promotores tivessem lido “Um pioneiro na selva brasileira”, de Oswald Nixdorf (Eduel), teriam sido apresentados ao primeiro caso registrado de corrupção de auditores fiscais. E isso foi em 1938…

Não leram não porque sejam preguiçosos. É o que o livro, editado pela primeira vez em 1975 na Alemanha, teve sua primeira edição em português lançada em novembro passado, numa cerimônia emotiva, no Museu Histórico de Londrina, comandada pelo filho do autor, Klaus, e assistida por dezenas de pioneiros e filhos de pioneiros – entre eles eu.

Nixdorf, o Oswald, foi o responsável pela colonização de Rolândia. Comeu o pão que o diabo amassou – foi até preso durante meses sob a acusação falsa de ser colaborador dos nazistas –, mas, enfim, contribuiu para a consolidação do magnífico projeto de colonização do Norte do Paraná.

Eis o trecho do livro em que relata a extorsão de que foi vítima dos fiscais, da qual resultou o fechamento de sua pequena usina processadora de açúcar e a morte, por desgosto, do gerente:

“(…) O Instituto Federal do Açúcar e do Álcool estabelece cotas de produção (de açúcar) (…) O Dr. Willie (Davids) consegue uma pequena cota de 50 sacos anuais (para o Norte do Paraná). Pode ser um começo. Encontro a pessoa certa no Velho Behnke, que fez açúcar a vida toda. Sob sua orientação, construímos um pequeno engenho. (…)

Logo no começo, o açúcar é um bom negócio, pois o xarope residual é um excelente alimento na engorda de suínos. É lógico que, com a cota de 50 sacas anuais, eu faço mais de 500, o que é totalmente normal nessas paragens*. No entanto, eu me esforço em conseguir uma cota maior, pois, com base em minha experiência, quero montar uma verdadeira fábrica de pequeno porte. Infelizmente em vão. Sou o único produtor de açúcar do Norte do Paraná. Todos os fiscais, de todas as espécies, de longe e de perto, se interessam pela minha atividade. Todos sabem que estou fabricando uma quantidade maior do que minha cota permite. Todos eles fazem aniversário ou querem ver este ou aquele favor satisfeito. E aparecem cada vez mais. Por último aparecem tantos fiscais que a fabricação nos os comporta mais.

Vendo a caldeira de cobre e a prensa a preços de ocasião e acendo uma vela para a ‘fábrica’. É uma pena que esse período tão promissor tenha terminado inesperadamente (…) O Velho Behnke ficou realmente abalado com o término da produção de açúcar. Uma certa noite ele nos deixou, tão silencioso e humilde quanto foi em vida. Fabricamos um caixão muito bonito e lhe proporcionamos um enterro digno no cemitério ainda solitário de Rolândia (…)”

· * Por causa da fertilidade do solo.

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Bonitinho versus Narizinho: o duelo (ou marmelada) do século!

Bontinho, como é conhecido o senador Lindbergh Farias, cujo terceiro maior feito em sua vida pública foi definir Dilma como a “presidenta inocenta”*, não se conformou com o arranjo de Lula para impor sua coleguinha Gleisi Hoffmann, a Narizinho – que disputou com ele a condição de comportamento mais sórdido no processo de impeachment de Dilma – e subiu nas tamancas: não desiste de sua candidatura para presidir o PT.

Quer por que quer, apesar – assim disse Lula – de ter fechado acordo com o poderoso chefão de abrir mão de seu projeto caso a candidatura de Gleisi se confirmasse. Pois Lula, recorrendo ao princípio do “centralismo democrático” – o velho lema dos comunistas que decidem “em nome do povo” -, fez desistir os demais pretendentes em favor da princesinha, e mesmo assim – ou por isso mesmo – o Lindinho resolveu bater de frente.

Ele se diz representante da “corrente de esquerda” e adotou o lema “muda PT”. Narizinho é representante do chefão, que não quer mudar nada para ficar no comando da organização que praticou o maior assalto aos cofres públicos de que se tem notícia, assim como fez com Dilma, que nada mais foi, quando “presidenta inocenta”, do que sua marionete. Ou seria marioneta?

A guerra está declarada. Bonitnho versus Narizinho: o confronto do século!

Ou será mero telecatch em que o vilão começa batendo para terminar humilhado no final?

Em se tratando do PT – e os fatos são abundantes – tudo é possível.

Façam suas apostas, senhores!

* o seu primeiro primeiro feito foi liderar, quando presidente da UNE, os ‘caras pintadas’ no processo de impeachment de Collor, do qual se tornou amigo desde criancinha; o segundo foi classificar o processo de impeachment de Dilma, idêntico ao de Collor, guardadas as devidas proporções, como “golpe parlamentar”…

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Reforma ou gambiarra eleitoral?

Fim das coligações e da reeleição para cargos do executivo, com a extensão do mandato para cinco anos, votação em lista fechada para o Legislativo e em 2016 combinando essa disposição com o voto distrital, criação de um fundo público para financiamento eleitoral, nenhuma palavra sobre a criminalização do caixa 2 e a extinção do cargo de vice.

Eis os principais pontos da reforma eleitoral – ou seria gambiarra? – proposta pelo petista Vicente Cândido, que será submetida à comissão especial e em seguida ao plenário em maio, vigendo, portanto, já no ano que vem.

E, assim, o petista cumpre fielmente a missão que lhe foi dada pelo partido: boca de siri sobre caixa 2, prática na qual seus companheiros se revelaram mestres; lista fechada para evitar a dispersão dos votos em candidatos de um partido em estado agônico; recursos públicos – e quanto mais melhor – para custear as campanhas (e como o caixa 2 vai continuar existindo, criminalizado ou não, a trigada terá liberdade para recorrer a ele) e a tardia, porém indispensável vingança a Michel Temer, o vice a quem o PT atribui a “conspiração” que resultou no processo de impeachment de Dilma. O “pecado” de um será pago por todos os pretendentes a vice, sem que a “conspiração” contra o titular possa ser barrada, porque sempre haverá um pretendente ao cargo.

A proposta vai melhorar ou piorar o sistema eleitoral? Vindo de quem veio, não é de se apostar na primeira hipótese…

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