Mês: agosto 2010



Lula, um best-seller

Leio no Estadão que o presidente Lula quer escrever um livro.

Um livro dele, logo dele que faz da leitura motivo de deboche?!

Contradição combina com Lula, que já se auto-intitulou de “metamorfose ambulante”. Então registramos mais esta com o mero intuito de colaborar, sugerindo o título.

Que tal “Eu não sabia de nada”?

Essa afirmação é gasta demais.

“Como eleger um poste”. Bem, no caso da vitória da Dilma Rousseff – as pesquisas indicam que essa não é mais uma possibilidade, mas probabilidade – um título assim poderá render um best-seller de marketing político.

Mas Lula vai faturar mesmo é se escrever um manual de auto-ajuda, tipo assim “Como enganar muitos, durante tanto tempo e ainda ser cultuado como herói”.

Taí, encontrei no final de domingo um tema para o exército clandestino dos filhos da Dilma criticar em seus e-mail apócrifos – e, assim, continuar garantindo a boquinha no governo…

Mãos à obra, petralhas!

Política
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Delubio, o profeta da Nação de Tiriricas

O ex-tesoureiro do PT, Delubio Soares, aquele que se dopou antes de depor na CPI dos Correios para não falar coisa com coisa, não tinha apenas o dom de arrecadar mundos e fundos (“não contabilizados”) para o caixa clandestino do PT.

Tem também o dom da profecia.

Surpreendido, após deixar a função, por uma equipe de reportagem do “Estadão” no sítio da família em Goiás, disse que, mais cedo ou mais tarde, o mensalão viraria “piada de salão” (profecia com rima, eita obra-prima!)

Quem, até o momento, tem rido deste triste espetáculo de corrupção explícita, que retirou definitivamente a aura da ética que o PT se havia autoimposto, são os membros desse partido, tendo como chefe da equipe de humoristas o presidente Lula, que a todos perdoou, a todos redimiu – e de tudo e todos os envolvidos se beneficiou.

E eles continuam rindo. José Dirceu, mentor e articulador do mensalão, perdeu o cargo na esteira do escândalo, e, para povar que seu ex-subordinado Delubio estava certíssimo, está aparecendo até na propaganda eleitoral na tevê.

Dirceu pede votos para ex-chefe de gabinete Marcelo Sereno, candidato a deputado federal pelo Rio. “Sereno é petista”, diz Dirceu, resumindo a alma do aliado.

O PT ri e, a julgar pelas pesquisa de intenção de voto para presidente da República, a maioria do eleitorado aplaude. O Brasil se converteu numa Nação de Tiriricas.

Santo Delubio, ria, ria, ria muito por eles.

Política
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O triunfo da mentira

O PMDB avisa que quer distribuição paritária do governo, Dilma, a criatura, já consulta o criador sobre a composição do ministério do seu futuro governo. Enquanto isso, no comitê tucano a luz vermelha se acende: para conter a queda nas pesquisas, Serra associa sua imagem à de Lula – e agora corre o risco de, além de não atrair o eleitor propenso a votar em Dilma, perder o que se dispunha a votar nele.

O jogo está decidido – Lula, o grande ator em cena, venceu.

Venceu?

Não, ainda não. Mas, por enquanto, não foi encontrada a fórmula mágica para desmarcar a grande farsa da qual Lula é a encarnação: a farsa de um mito que se apóia num carisma espetacular, numa propaganda massiva, numa oposição covarde e perplexa diante do adversário e na mentira do século: de que foi ele e os seus – mensaleiros ou não – que construíram esta deliciosa fase de prosperidade econômica – quando foram eles que tudo fizeram, quando oposição, para que os alicerces desta fase não fossem fincados.

A popularidade de Lula é o triunfo da mentira.

E os que assistem perplexos a este show de impostura se curvam, envergonhados – porém imóveis – enquanto os atores e coadjuvantes, do palco, dos camarins e dos porões, não esmorecem no esforço de ampliar a plateia.

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Pinguin e Lula, um elo a mais na irmandade

O ex-presidente da Argentina Néstor Kirchner – “O Pinguim” – elegeu a esposa Cristina como sucessora – e fez dela seu fantoche, pois é senso comum, e os fatos comprovam, que quem dá as cartas no governo é ele.

Lula não pôde escolher a esposa para o papel – encontrou em Dilma Rousseff o elemento ideal para servir a seus interesses quando terminar o mandato.

Ele e sua criatura – moldada esteticamente em mesas de cirurgia e salões de beleza – sempre negaram a possibilidade de ele vir a controlá-la, caso ela vença as eleições.

Para enfatizar que deixaria sua criatura livre para governar, Lula criticou várias vezes “ex-presidentes que vivem dando palpite”. O alvo era claro: Fernando Henrique Cardoso que, através de entrevistas e seus artigos semanais em jornais, comentava ações do governo e do principal partido que o sustenta, o PT.

E eis que, coincidindo com o crescente favoritismos de Dilma, a criatura, nas pesquisas, Lula admite o que estava claro desde o começo: ele será não a sombra, mas a luz do eventual governo de sua sucessora. Anteontem, ao visitar o Nordeste, ele disse que, ao deixar a presidência, viajaria pelo país e, “se tiver uma coisa errada, pegarei o telefone e ligar para a minha presidenta”.

As pesquisas não fizeram Lula mudar de opinião sobre seu papel pós-governo. Ele apenas a manifestou no momento que julgou oportuno. Assim, comprova que estava absolutamente certo ao reconhecer que é a própria “metamorfose ambulante”.

Os argentinos têm o Pinguim, nós o Lula. Mais um elo a nos irmanar.

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Impressões de uma estreia

Sobre a estreia do programa eleitoral na tv dos candidatos a presidente, algumas considerações:

José Serra

Boa e sóbria apresentação, articulação excelente, contato pessoal com pessoas de baixa renda. Aquela favelinha no final, hum… não sei não. A música de abertura é muito boa, o jingle depois do Silva vem o Zé, ou algo assim, está confuso. O candidato se apresentou de frente, sorridente, simpático. A retrospectiva de sua vida abordou seu histórico político e sua experiência administrativa.

Dilma Rousseff
Bom equilíbrio entre a presença de Lula e o testemunhal dela. Mas ela é apresentada somente em grandes concentrações, jamais cara a cara com uma pessoa. A única apresentação individual dela é com um cachorrão no final do programa. A retrospectiva de sua vida omite a participação dela na luta armada – diz apenas que lutou contra a dituradura e por isso foi presa – e, quando ela diz que participou do processo de redemocratização, não informa como. Associar a imagem dela ao de Lula foi o grande trunfo. Falha capital: cadê a filha que ela disse ter criado “com toda a maluquice que passa pela cabeça de uma mãe”? Estaria sendo reservada para a etapa final?

Marina Silva

Acho que a tv trocou o programa dela por um take do National Geographic.

Plinio de Arruda Sampaio

Até Tutancamon se lembraria de se dirigir ao eleitor, o que ele não fez…

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O príncipe e o sapo

Começa hoje o horário eleitoral gratuito no rádio e na tevê, última etapa da campanha eleitoral. José Serra joga todas as fichas nesta fase para reverter seu declínio nas pesquisas de intenção de voto. Os demais candidatos – Marina, a fada madrinha da floresta, está incluída – não têm a menor chance.

Tarefa hercúlea a de Serra. Porque não estão em confronto dois estilos, duas propostas, dois candidatos – o que assistimos, desde o início deste governo, é a um mito em constante evolução, o presidente Lula. Lula, com seu carisma e a fabulosa máquina publicitária criada por seu governo, de um lado, e do outro, o acomodamento da opinião pública aos desvarios do presidente e dos seus companheiros, dos “aloprados” ao exército secreto de informantes e denegridores da reputação alheia, todos petistas, hipnotizou a maior parte da Nação.

Lula, o mito, chegou aonde chegou porque muitos brasileiros veem nele o seu reflexo. Lula não é o que o brasileiro gostaria de ser, mas o que a índole do brasileiro tende a ser – levar vantagem em tudo, da maneira mais rápida possível e com o menor esforço possível. E, para isso, que se danem as leis! Que se danem as regras! Que se danem os escrúpulos!

A maior parte da opinião pública, a se julgar pelas pesquisas, se deixou iludir pela propaganda massiva do presidente, de que ele é o responsável pelo prodigioso período de prosperidade pelo qual passamos. Lula tem parcela de mérito nisso, por ter mantido os programas que herdou. Mas a paternidade dessa pujança dever ser atribuída estruturalmente a seus antecessores – aos quais ele e seu partido combateram tenazmente. E circunstancialmente ao cenário internacional, que, nesses últimos anos, teve apenas um sobressalto, que, providencialmente, poupou os países emergentes.

Essa prosperidade, causa, em grande parte, da popularidade de Lula, é a “herança bendita” dos governos FHC e Itamar. Nesses quase oito anos de governo lulista – porque o PT se apequenou em consequência de seus deslizes e diante da majestade imperial de seu líder -, a propaganda oficial creditou a Lula, o mito, e somente a ele, tudo o que há de bom no Brasil, como “nunca antes na história deste país”.

Uma imagem sintetiza esta distorção: Itamar e FHC herdaram uma casa em ruínas e a reconstruíram, da base ao telhado, deixando para o sucessor a tarefa de pintá-la e mobiliá-la. E o sucessor proclama: sou o único construtor!

Escrevo para um público que sabe do que estou falando, e não preciso me alongar em demonstrar este princípio, que somente os petistas – que frequentam este blog apenas para achincalhar seu autor, sem jamais contestá-lo com argumentos minimamente aceitáveis – são capazes de negar.

Serra apostou em dissociar a imagem de Dilma da de Lula – e as pesquisas mostram que essa tática não está dando resultado. Pois está cristalizado na maior parte do eleitorado que criador e criatura são indivisíveis.

A grande massa do eleitorado está, segundo as pesquisas, hipnotizada pelo grande prestidigitador. Quando acordar, caso as urnas confirmem as pesquisas – muito tempo falta ainda, é bom salientar – se dará conta que votou no príncipe e elegeu o sapo.

E então será tarde demais.

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O lar, doce lar de Dilma

O programa “Minha Casa, minha vida”, eleitoral desde o gênese, foi desqualificado, sem que o exército secreto do PT – muito mais ostensivo que o que age à luz do dia – conseguisse desmentir o ridículo número de moradias entregues e em execução diante do “um milhão” prometido por Lula e sua criatura.

Então, fiel à tática de mudar de assunto e tapar o sol com a peneira, Dilma Rousseff lança agora o programa de mobiliamento (o termo é defigurado para combinar com o peteguês) das moradias habitadas por famílias de baixa renda. Ou seja, já que não puderam entregar as casas, acenam com os móveis…

Quero o meu. Inscrevo-me desde já no programa “Lar Doce Lar. Um sofá, que tal, para esperar sentado?

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Mão à palmatória de Osmar Dias

O senador Osmar Dias (PDT) acertou em cheio o prognóstico de que, depois da passagem de Lula por seu palanque na Boca Maldita, e4m Curitiba, haveria uma “virada” na corrida eleitoral ao governo do Estado.

Até então ele vinha se mantendo empatado, no cômputo geral, com seu adversário Beto Richa, do PSDB. Depois disso, duas pesquisas – Ibope e agora Datafolha – mostram que ele está caindo, tanto no cômputo geral quanto, o que é pior, no interior do Estado, onde residia sua força.

Falta muito tempo para as eleições, mas vai ser bom assim em aposta, vai…

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William Bonner, o “algoz” da Dilminha

O fato político da semana são as entrevistas dos candidatos à presidência ao Jornal Nacional, o programa jornalístico de maior audiência na tevê. Dilma Rousseff foi a primeira – e seu desempenho foi péssimo.

O PT sentiu o golpe e está atribuindo a baixa performance dela à truculência do casal William Bonner-Fátima Bernardes – que, aliás, teve a mesma postura com os dois entrevistados seguntes, Marina Silva e José Serra, na respectiva ordem.

Quem deu a senha para o PT cair de pau no apresentador número 1 da Globo foi o presidente Lula. Em comício em Belo Horizonte na noite seguinte, em mais uma ato casadao do governo com a campanha oficial, ele deu um botão de Rosa a Dilma (por que não um buquê, pão duro?!) e se queixou da “falta de gentileza” de Bonner.

Terça e quarta-feira, o exército secreto do PT na internet enviou uma montanha de emails Brasil afora. Reproduzo alguns deles, todos no mesmo tom. O primeiro ataca Bonner, o segundo afirma que ele maneirou para Serra e o último vai além, parte para cima da “velha imprensa”, profetizando seu “suicídio” por não apoiar a candidatura de Dilma. São peças históricas, que merecem registro – e arquivo. Vamos a elas, resumidas, naturalmente:

1

A maioria dos brasileiros observou o comportamento agressivo de William Bonner contra a candidata Dilma Roussef no Jornal Nacional. Aquela entrevista mereceria mais o nome de cilada, ou armadilha, se surpresa houvesse no caráter do apresentador. Mas não, se o homem é naquilo que ele faz, o âncora deus-nos-acuda há muito é um ser revelado.

Um breve perfil de William Bonner não deixaria de notar, em primeiro lugar, que ele é um jornalista medíocre. Surpresa? Não, ainda não. Em um meio em que a primeira condição de sucesso é não ter muitas ideias, e, de preferência, nenhuma, Bonner seria medíocre por estar na média. (Na mídia, ele diria.) Depois, de passagem, na sua média mediocridade seria notado e anotado que ele possui uma fidelidade, não a do gênero canino, porque os cães, até mesmo eles, sofrem lapsos de confiança quando atacados pelo vírus da raiva. Bonner é um jornalista de fidelidade maquinal, de obediência automática ao comando do nome Marinho. Surpresa? Não, ainda não. Os astros da Globo mantêm isso com o u m distintivo, um crachá que atravessa o peito e atinge a própria alma, como um sinete de qualidade.

2

Começou com uma “levantada de bola” para o personagem “Serrinha Paz e Amor” dizer que “a discussão não é o Lula”. Não, não é o Lula: é o governo Lula e a reversão dos rumos que o governo FHC-Serra deu ao país durante oito anos.

Daí em diante foi uma partida de vôlei, num clima de convescote. “O senhor me permita”, dizia Bonner, ao interromper o candidato tucano, ao contrário das interrupções grosseiras que fez com Dilma. E Serra teve todo o espaço para falar da saúde, da saúde, da saúde, sem sequer ter sido confrontado com os números de sua gestão no ministério.

A escalada para questionar – até porque é uma pessoa mais educada que Bonner – foi Fátima Bernardes, que foi infinitamente mais civilizada que o marido na entrevista de Dilma. Ela o desempenhou moderadamente, é verdade, mas não partilhou dos esparramos carinhoso de Bonner para com Serra.

3

Em 2006 já falava aqui no suicídio da mídia,quando decidiu transformar a queda (ou derrota) de Lula em guerra santa.
O que houve ontem, no Jornal Nacional, mostra que a insensatez não tem limites. A entrevista de Serra não mudará o panorama eleitoral. Dilma continua favorita.

Mas suponhamos que a armação desse resultados, invertesse o jogo e colocasse Serra como favorito. O que ocorreria com a opinião pública? Haveria apenas críticas, a bonomia do governo, Dilma convidando o casal para jantar? Claro que não: haveria comoção popular, uma guerra sem quartel.

Há muito a velha mídia atravessou o Rubicão da prudência.

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