Mês: fevereiro 2011



Dilma e um estilo de ser

Completam-se hoje dois meses de governo Dilma Rousseff e as diferenças entre ela, a criatura, e o antecessor Lula da Silva, o criador, são flagrantes.

A mais evidente e sua falta de evidência. Ela surge raramente em público e quando o faz se pronuncia por meio de discursos escritos, de conteúdo moderado e coerência de raciocínio.

Isso já basta para tornar mais light a atmosfera política. Pois a especialidade de Lula foi, durante oito anos em suas aparições diárias, provocar uma tempestade de impropérios, um triste espetáculo de banalidades e o culto tresloucado a si mesmo de dar inveja aos mais fanáticos e ambicio$o$ pastores neopentecostais.

Dilma age nos bastidores, e seu encolhimento e prudência nas palavras têm contagiado seus ministros que, ao contrário da prática do governo anterior, são também comedidos em suas manifestações públicas.

A discrição da [email protected] não é uma estratégia, mas consequência de sua personalidade e limitações. Ficou claro na sua passagem pelo Ministério das Minas e Energias e depois Casa Civil que ela não possui o dom da oratória e tampouco a capacidade de se expressar com limpidez. É uma executiva, e pronto. A companhia inseparável do notebook, que encantou Lula quando a conheceu, funciona como o depósito de informações que o cérebro dela é incapaz de armazenar.

Sua característica pessoal ajusta-se ao contrato de gaveta que fez com o criador:o de não ofuscá-lo jamais para que ele possa se reapresentar com a imagem intacta a seus eleitores em 2014. Mas essa diferença, elogiada pela mídia a ponto de causar inveja em Lula, sentimento que ele manifestou ao ser empossado presidente de honra do PT, ao invés de fortalecer poderá corroer o projeto de retorno de Lula ao poder.

Duas ações que também a diferenciam do criador. Uma no âmbito interno, que é o ajuste fiscal pretendido, de R$ 50 bilhões. Outra no externo, que é o distanciamento – aleluia! – do Brasil do que há de mais abjeto do cenário internacional: os regimes ditatoriais.

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A Líbia, a ONU e a interpretação de um petralha

O Conselho de Segurança da ONU, integrado pelo Brasil em regime de rodízio, condenou por unanimidade a repressão desencadeada pelo ditador líbio contra os opositores – que dia a dia conquistam mais terreno – e impôs sanções duríssimas.

As medidas tiveram o apoio até do embaixador da Líbia no organismo, Abdurrahman Shalgam, que as considerou necessárias para “pôr fim” ao regime de Kadafi.

Os Estados Unidos e União Europeia já haviam adotado sanções contra o regime da Líbia.

Lula, que considera Khadafi “amigo” e “irmão”, mantém prudente silêncio desde que o ditador deu início à repressão sangrenta, que está adquirindo conotações de um genocídio.

José Dirceu, o ideólogo e queridinho dos petralhas, falou pelo chefe em seu blog. Ontem, a pretexto das medidas adotadas pelos EUA, ele afirmou:

“Não há mais dúvidas: com as medidas unilaterais adotadas, e para as quais preparavam terreno manipulando o noticiário da mídia internacional nos últimos dias, os EUA iniciaram, na prática, uma intervenção branca na Líbia. Agora, vão fazer de tudo para apressar a queda do ditador Muamar Khaddafi e comandar a transição com dois objetivos: controlar as reservas e a produção de petróleo e evitar um governo antiamericano ou pró-palestino ao fim da crise líbia. Evidentemente, que não se pode, também, desconhecer os graves problemas dos direitos humanos e da repressão desencadeada por Khadaffi.”

Somente no fim ele admite, para simular equilíbrio na análise, o morticínio comandado pelo amigo Khadafi.

Conferir essa barbaridade em www.zedirceu.com.br

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A revolução funenária londrinense

O único velório ao qual irei na marra, e se for possível evitá-lo, evitá-lo-ei (alô, Jânio Quadros), será o meu. Procurarei ao menos retardá-lo o máximo possível.

Considero, como muitos, o velório uma das mais agradáveis manifestações de sociabilidade, no qual o defunto, embora ocupe fisicamente o local central e seja o pretexto para ela, é o sujeito mais oculto possível.

A primeira sensação ao se chegar no velório, quando o morto era chegado, é de constrangimento. Emocionamo-nos ao vê-lo tão solenemente esticado no centro da sala, choraramos com os parentes, abraçamo-nos. A garganta parece obstruída por pedras, a voz custa a sair, as lágrimas vêm a qualquer momento.

E então, pouco a pouco, as lágrimas secam, a garganta se libera… e trocamos amenidades com os amigos, falamos de nossas e das vidas deles e bla bla bla daqui, bla bla bla dali, chegamos à parte inevitável, a das amenidades. Voltaremos a chorar no final, quando o caixão se fechar e o distinto defunto for conduzido a sua última moada, mas até lá muita piada passará por baixo, dos lados e sobre seu caixão…

Pois nessa maior parte do tempo em que o morto é esquecido em seu paletó de pinho, comemos e bebemos. É um ritual.

O fornecedor dos alimentos é a familia do pranteado.

Esse encargo para os que ficam está para acabar em Londrina: a administração pós-moderna do senhor Homero Barbosa, que reformou a capela mortuária – aleluia, hosana nas alturas! – e dotou-a do suprassumo da modernidade, uma cabine telefônica ao estilo londrino, quer poupá-los, terceirizando o serviço de fornecimento de lanche.

Acho excelente a ideia: quem estiver disposto a faturar algum dinheiro aproveitando-se do drama alheio, que consulte o portal da prefeitura para se informar sobre o processo de licitação (espero que não seja vetado o comércio de bebida alcoolica, pois isso será um contrasenso).

Que este seja o passo inicial para tornar ainda mais convidativos os velórios de Londrina!

Que o segundo processo licitatório destine-se à constratação de grupos humorísticos, o terceiro para grupos musicais em conformidade com o desejo do morto ou do público – rock para os jovens, sertanejo para os da terceira idade, clássicos para o de meia idade etc -, o quarto para as carpideiras (assim os parentes não precisam chorar mais) e, por que não?, o quinto para o serviço religioso.

Mas este último deverá ser o mais rigoroso de todos. Requisito número 1 para habilitar-se ao concurso: comprovação da eficácia das preces…

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Ato Institucional nº 1

ATO INSTITUCIONAL Nº 1
DO GOVERNO DILMA ROUSSEFF

Fica decretado, a partir desta data, que:

Art. 1º – O Congresso Nacional abre mão de sua prerrogativa constitucional de se manifestar anualmente sobre o índice de reajuste do salário mínimo.

Art. 2º – Revogam-se as disposições em contrário.

Art. 3º – Quem se manifestar contrário a esta determinação é um traidor dos interesses nacionais, sendo, portanto, merecedor de toda e qualquer represália por parte do aparato estatal.

Art. 4º – As centrais sindicais e os trabalhadores que votaram em nossa chapa vitoriosa calem-se para sempre.

Brasília, 23 de fevereiro de 2011

Dilma Vana Rousseff
[email protected] da República

Deputados e senadores do PT, PMDB, PDT, PCdoB & congêneres e a senadora Kátia Abreu (PSDB)
Pelo Congresso Nacional

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Petralhas no país das maracutalhas (2)

Do estadao.com.br:

O Ministério Público Federal no Distrito Federal (MPF/DF) propôs ação de improbidade administrativa contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ex-ministro da Previdência Social, Amir Francisco Lando. Eles são acusados de utilizar a máquina pública para realizar promoção pessoal e favorecer o Banco BMG, envolvido no esquema do mensalão.

Lula e Amir Lando seriam responsáveis pelo envio – custeado com dinheiro público – de mais de 10,6 milhões de cartas de conteúdo propagandístico aos segurados do INSS. As cartas informavam sobre a possibilidade de obtenção de empréstimos consignados com taxas de juros reduzidas. De acordo com o MPF/DF, a manobra custou aos cofres públicos cerca de R$ 9,5 milhões, gastos com a impressão e a postagem das cartas.

Cartas, BMG, mensalão, propaganda, utilização de recursos públicos para finalidades privadas… isso nunca existiu, é um delírio da imprensa golpista, uma conspiração das elites contra os pobres!

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Contradição flagrante

Para pensar:

1.

Do Jornal de Londrina, de hoje:

Joel Garcia é condenado por improbidade administrativa

O vereador Joel Garcia (PTN) foi condenado por improbidade administrativa em primeira instância, pela juíza Telma Regina Magalhães Carvalho, da 7ª Vara Cível de Londrina, num processo em que ele é acusado de ter ameaçado dificultar a tramitação de um projeto de lei para que a filha de um cabo eleitoral fosse contratada como estagiária do Procon. A decisão foi publicada nesta terça-feira (22).

A decisão, em primeira instância e passível de recurso, pede a suspensão dos direitos políticos do vereador por três anos e perda do mandato. Joel Garcia disse que vai recorrer.

 

2

Do Estadão, de 5 de janeiro:

PMDB pressiona PT e ameaça vetar mínimo de R$ 540

Três dias depois do início do governo, o PMDB do vice-presidente Michel Temer tenta encurralar a presidente Dilma Rousseff. Insatisfeito com os avanços do PT sobre os cargos do segundo escalão com orçamentos milionários, antes controlados pelo partido, o PMDB anunciou que iniciará a retaliação pela votação do novo salário mínimo. O governo quer mantê-lo em R$ 540; o PMDB quer mais. O deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) vai apresentar uma emenda na Câmara para elevar o salário mínimo para R$ 560 reais.

 

O leitor que tire suas conclusões a partir do raciocínio básico: o que é normal em Brasília é crime em Londrina. ..

 

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Petralhas no país das maracutalhas

 

Do estadao.com.br:

Mulher de presidente do TCU ganha cargo no PR, que comanda Transportes

Maria Lenir Ávila Zymler, mulher do presidente do Tribunal de Contas da União (TCU), Benjamin Zymler, foi nomeada assessora do PR no Senado, partido de Alfredo Nascimento, ministro dos Transportes – o órgão com o maior número de obras com irregularidades graves apontadas pelo TCU.

A nomeação foi para o cargo de assistente parlamentar 2, informa a edição de segunda-feira do Diário Oficial da União. O posto tem salário bruto mensal de R$ 8.168 e rende líquidos R$ 6.959, já considerado o pagamento do auxílio-alimentação. Ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) consultados pelo Estado classificaram a nomeação da mulher do presidente do TCU para um cargo no Congresso de nepotismo.

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