Mês: setembro 2011



O crime do Padre Roque

Claudio Osti postou em seu blog paçocacomcebola que o vereador José Roque Neto, o Padre Roque, assumirá uma secretaria em troca do apoio ao (por enquanto) prefeito Homero Barbosa, que terá o mandato submetido à prova de fogo de uma possível – a esperança é a última que morre – Comissão Processante na próxima terça-feira.

Com todo o respeito ao Osti, não posso acreditar.

Não posso acreditar que o padre Roque (assim chamado porque um dia vestiu batina), que teve um comportamento exemplar na condição de prefeito interino nos três primeiros meses deste mandato por causa do imbróglio jurídico causado com a cassação de Antonio Belinati, e que tem atuado de maneira edificante como vereador, seja capaz desta estupidez. Ou estultice.

Como é possível trocar um mandato que lhe dá a garantia de estabilidade – salvo acidente de graves proporções – até o final do ano que vem e com a possibilidade de reeleição tranquila, por uma vaga na Casa da Irene, que é o verdadeiro nome do secretariado do (por enquanto) prefeito Homero Barbosa?

La Casa da Irene/è gente que viene/è gente que va. Sim, o secretariado de Homero Barbosa é campeão mundial de entra-sai, é mais dinâmico no rodízio que hotel de quinta categoria na vizinhança de rodoviária, gira mais rápido que as catracas dos ônibus urbanos… São cerca de 40 os defenestrados ou que não suportaram a pressão do chefe e/ou da primeira-dama em pouco mais de dois anos!

E o Padre Roque estaria ambicionando também participar desse rodízio sem fim e engrossar o número dos que nunca foram o que pensaram que era (amigos do rei) e hoje são o que jamais deveriam ter sido?

Se assim for, o Padre Roque estará cometendo um crime contra sua reputação e um pecado mortal na sua (breve) carreira política.

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A secretária de Educação que deseduca ao mentir

Karin Sabec, secretária de Educação de Londrina, mentiu despudoradamente ao Ministério Público, que investiga a compra de 13,5 mil exemplares do livro “Vivenciando a Cultura Afro-brasileira e Indígena”, repudiado por movimentos negros e indígenas e que contém erros grosseiros de ortografia, entre outras barbaridades.

O livro custou R$ 650 mil e foi recolhido.

Karin alegou que a compra foi pedida pela Assessoria Pedagógica e a dispensa de licitação ocorreu por decisão da Secretaria de Gestão. Disse também que a editora – chamada Ética e com sede em Itabuna, Bahia – trocou os títulos. O que se pediu, segundo ela, foi “História e Cultura Afro-brasileira e Indígena”.

Essa é a síntese de seu depoimento.

Pois seu colega Marco Cito, que respondia pela Secretaria de Gestão e hoje ocupa a Secretaria de Governo, a desmentiu. Uma funcionária da Assessoria Pedagógica alega ter sido demitida porque apresentou parecer contrário à compra. Depoimentos à parte, toda a documentação sobre o pedido mostra que o título pretendido é o mesmo e quem o assina é Karin.

Diante da assinatura, ela saiu-se com essa: “assinei sem ler”.

Karin Sabec mente. Este é um pecado mortal para quem ocupa o cargo de secretária de Educação, pois nada deseduca mais do que a prática da mentira, nada é mais aviltante do que uma autoridade da área procedendo assim. E, ao alegar não ter lido o pedido para atenuar sua falta, assina um atestado de incompetência.

Karin e o colega Cito, que a desmentiu, fazem parte da equipe de secretários “incaíveis”, entre os quais o mais “brilhante” é André Nadai, da CMTU. Podem ser flagrados no que for, que o chefe, o (por enquanto) prefeito Homero Barbosa mantêm ao seu lado e os defende publicamente.

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“Festa de arromba” e lei do silêncio

“A prefeitura tem que cuidar da lei do silêncio, tem que evitar exageros, perturbação do sossego, atividades que possam impactar e comprometer a vizinhança, isso é função do prefeito.”

Do (por enquanto) prefeito de Londrina, Homero Barbosa, hoje, em entrevista coletiva, comentado o Plano Diretor aprovado em primeira discussão pelos vereadores, na terça-feira, segundo o portal o diario.com.

O comentário foi feito dez dias depois da festa promovida por Homero Barbosa para comemorar seu aniversário numa chácara próxima á barragem do Lago Igapó, que, segundo o portal Bonde, perturbou a vizinhança por causa do alto volume do som, mantido após as 23 horas apesar da queixa de alguns moradores.

ver em
http://josepedriali.blogspot.com/search?q=festa+de+arromba

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Itimura: fim melancólico (2)

Morreu nesta madrugada, em Londrina, o ex-prefeito de Uraí Sussumo Itimura. Tinha 93 anos.

Repito, em sua homenagem, postagem do dia 22 de junho, dia em que teve o mandato de prefeito cassado. Era o prefeito mais velho do país e recordista de mandatos como prefeito.

Itimura não teve tempo de mostrar se a acusação que motivou sua cassação era ou não procedente. Leva para a eternidade, portanto, essa dúvida.

Eis a postagem:

E termina de maneira melancólica uma das carreiras políticas mais longevas do pais, do também mais longevo político em ação: o prefeito de Uraí, Sussumo Itimura, de 93 anos.

Ele foi cassado na madrugada de hoje, depois de 20 horas de sessão, acusado de ter pago R$ 40 mil a uma empresa de informática que não executou o serviço.

Era o oitavo, nono mandato de Itimura, que é um homem rico e já foi um dos mais ricos do Paraná. Possui fazendas, uma delas no Paraguai, que visita quase todo final de semana (viaja de carro, com motorista). Foi o maior produtor de rami do mundo, abandonando a produção por causa da substituição do produto por fibras sintéticas.

Chegava à Prefeitura às 7 da manhã, tendo antes feito uma hora de caminhada. Não precisava do dinheiro do qual é acusado de ter subtraído. Não faria nem cócegas em seu patrimônio.

Não entro no mérito da acusação por absoluta falta de informação. Se deve, Itimura tem de pagar, mas a Justiça ainda não se manifestou sobre a acusação. A decisão da Câmara foi política.

Itimura vai recorrer, mas tudo indica que sua carreira política foi sepultada na madrugada de 22 de junho de 2011, véspera de Corpus Christi.

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Fruet e o doce (e traiçoeiro) canto da Iara

A Iara, sereia dos nossos rios, está cantando para Gustavo Fruet.

E seu canto é doce.

Fruet foi um dos parlamentares mais brilhantes da legislatura passada, notabilizando-se por sua posição firme na CPI dos Correios, que trouxe à luz do dia a podridão do labirinto montado pelo PT para corromper deputados da base aliada – o mensalão.

A firmeza demonstrada por Fruet era coerente com sua índole e seu passado.

Fruet deixou o PSDB após cometer o maior de seus erros, que foi postular o Senado quando tinha a reeleição certa para a Câmara dos Deputados. O canto da Iara o seduziu.

A disputa para o Senado tinha cartas marcadas: por um lado Requião, com seu eleitorado cativo; por outro Ideli Salvatti, digo Gleisi Salvatti, não, o correto é Ideli Hoffmann; mais uma vez me corrijo: é Gleisi Hottimann… seja lá o que for, pois ambas as ministras atuam numa simbiose perfeita, a então primeira-dama do Planejamento, após afastar seu maior obstáculo, Osmar Dias, tinha tudo para vencer – a força de Lula e o dinheiro das empreiteiras amigas do governo em geral e do maridão em particular. Deu a lógica.

Osmar, que tinha a reeleição garantida para o Senado, também foi seduzido pelo doce canto da Iara, que lhe ofereceu o Palácio das Araucárias e, quando restaurado, o do Iguaçu.

Convenhamos: a adesão de Osmar ao plano traiçoeiro do PT – que era unica e exclusivamente usá-lo para eleger Ideli; digo Gleisi -, ocorreu quando se esgotava o prazo para a formalização das candidaturas e Fruet já havia anunciado seu projeto.

A saída de Fruet do PSDB foi uma grande perda para o partido, tanto regional quanto nacionalmente. Para ele, se foi um ganho ou uma perda, só ó tempo dirá.

Mudar de partido, infelizmente, é um hábito brasileiro. Os partidos estão desmoralizados desde o regime militar, que criou a Arena para apoiá-lo e o MDB para contestá-lo, num arranjo sem similar na história política universal. Desde então, jamais tiveram uma identidade. Os partidos brasileiros não são grupamentos ideológicos, mas um emaranhado de interesses.

O motivo da saída de Fruet do PSDB foi a Prefeitura de Curitiba, que ele legitimamente ambiciona, mas sua disputa está destinada, devido a um arranjo do governador Beto Richa e seu grupo, ao atual prefeito Luciano Ducci, do PSB.

Disputar a Prefeitura é o oxigênio do qual Fruet necessita para manter-se em evidência, já que ele – e qual político suportaria tanto tempo em imersão? – não poderia manter-se quatro anos no ostracismo até tentar o retorno ao Congresso.

Saberemos hoje a qual partido Fruet se filiará. O PDT é o mais cotado.

O canto da Iara é doce. Mas traiçoeiro. Nossa sereia atrai, abraça e leva para o fundo do rio o desafortunado. O mesmo canto, com a mesma toada e o mesmo encanto está sendo soado pelo PT para atrair Fruet para seus braços. O mesmo canto, a mesma toada, o mesmo encanto que levaram para o fundo Osmar Dias, do qual ele não conseguirá emergir tão cedo.

O PT precisa de Fruet para ter alguma chance na disputa pela Prefeitura de Curitiba. A pretensão do partido é conquistá-la por intermédio da ministra Salvatti, digo Hottimann, mas ela e o partido somente poderão desafiar o favoritismo de Richa-Ducci se tiverem um aliado de peso. E o único que o partido considera como tal é Fruet.

Se se deixar seduzir, Fruet corre o risco de trocar o futuro pelo presente – e comprometê-lo severamente. Pois, aliando-se aos adversários de ontem, ele perderá os aliados e eleitores de hoje e poderá ser levado para o fundo, como aconteceu com Osmar, pelos que lhe acenam com vitória. O doce, mas traiçoeiro canto da vitória.

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Homero Barbosa quer cassar a Câmara

A manchete da “Folha de Londrina” de hoje é estarrecedora.

Diz:

MP pode intervir em votação na Câmara

Junto com secretários municipais, o prefeito Barbosa Neto (PDT) procurou ontem a promotora do Meio Ambiente, Solange Vicentin, para solicitar providências quanto ao processo de votação do Plano Diretor na Câmara. A Prefeitura entende que os vereadores não podem alterar os projetos enviados pelo Executivo porque eles foram elaborados com base em conferências públicas.

O estarrecimento é provocado não pela possibilidade de o MP intervir – isso é interpretação do jornal -, mas por quem está mobilizando o MP a intervir.

Homero Barbosa quer cassar o poder do Legislativo de legislar!

O projeto de lei foi feito pelo Executivo e, alega o (por enquanto) prefeito, o Legislativo não pode alterá-lo, porque houve participação pública na elaboração do dito cujo. Pois também houve participação popular nas alterações feitas pela Câmara, que assim procedeu após a realização de audiências públicas, responde Rony Alves, vice-presidente da Câmara.

Esse comportamento do (por enquanto) prefeito pode ser interpretado como? Desvio de conduta social (por não aceitar o contraditório) ou despreparo para o convívio democrático? Ou as duas coisas juntas?

Ooops. Plagiei no parágrafo anterior trecho do pedido de informação protocolado pela advogada do (por enquanto) prefeito na 4º Vara Criminal e dirigido a mim. Oops!

Além do mais, pobre Roberto Fu, líder do (por enquanto) prefeito da Câmara. Mais uma vez o chefe lhe dá uma rasteira..

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