Mês: janeiro 2012



A imprevisibilidade da vida

Três anos atrás, interrompi a pesquisa que realizava na Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro para me alimentar.

Passava das 13h30. Cruzei a Cinelândia, tendo à direita o Teatro Municipal e à esquerda o rocambolesco edifício da Câmara Municipal e deparei com o trânsito interrompido.

Um homem, do alto do prédio vizinho à Câmara, na Avenida Treze de Maio, ameaçava saltar.

A concentração de pedestres era inevitável. E grande.

Os prédios ao lado do Teatro Municipal, na Treze de Maio, exibiam no térreo uma sequência de restaurantes e lanchonetes.

Saciei a fome num deles, fui até o Convento de Santo Antonio, retornei pelo mesmo caminho – a multidão se dispersava, pois o candidato a suicida tinha sido contido por um bombeiro – e retomei a pesquisa.

Por que esse “nariz de cera”?

Porque a lanchonete que frequentei estava num dos três prédios que desabaram ontem à noite (são os que aparecem ao fundo, tendo em primeiro plano um dos torreões da Câmara).

E daí?

Daí que, em vez de ontem à noite, eles poderiam ter desabado quando eu passava por lá e quando milhares de pessoas se espremiam na rua para ver o homem-que-queria-mas-não-queria-se-suicidar ou se comprimiam nas lanchonetes e restaurantes.

Novamente, e daí?

Daí que, por mais previsíveis que sejam nossos atos, as circunstâncias que os cercam são absolutamente incontroláveis.

Salvei-me, para desapontamento de muitos, mas muitos, para desapontamento de poucos, foram poupados.

A tragédia de ontem à noite tem a atenuante de ter ceifado poucas vidas. Porque, por uma circunstância incontrolável, ela aconteceu quando os prédios e as ruas do entorno estavam praticamente vazios.

E ninguém ameaçava se atirar do alto do prédio em frente.

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Que a senhora ministra siga este exemplo

O deputado federal Rui Palmeira (PSDB-AL) vai devolver aos cofres públicos recursos recebidos do Senado quando fazia um curso no exterior. Naquela ocasião, Palmeira era funcionário do gabinete de Renan Calheiros (PMDB-AL).

A decisão foi publicada hoje no Boletim Administrativo de Pessoal do Senado. A Casa não informou o valor que será ressarcido, mas, segundo cálculos do próprio deputado, o montante deve superar os R$ 30 mil. A devolução é equivalente aos vencimentos recebidos por Palmeira entre 5 de dezembro de 2005 e 30 de março de 2006. Nestas datas, o então servidor fazia um curso de inglês na Austrália, mas continuou recebendo do Senado. (estadao.com.br)

Duas considerações:

1. Tudo bem, tudo bem, tudo bem. Mas a notícia é precipitada. Intenção não é notícia (salvo honrosas exceções); notícia é fato, realização, acontecimento. Mas fica o registro, que talvez ninguém se lembre de cobrar: o tal deputado promete devolver dinheiro embolsando irregularmente.

2. Apesar dessa ressalva, a disposição do deputado deveria inspirar a senhora ministra-chefa da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, a devolver aos cofres públicos os R$ 40 mil que embolsou indevidamente do FTGS quando saiu da Itaipu Binacional.

Ela deixou a empresa de livre e espontânea vontade, há cinco anos mais ou menos, para disputar o Senado (pela primeira vez) e, fiel que é aos princípios éticos que dizia defender e que dizia que seu partido – o PT – defendia, pediu para ser “exonerada”. Assim, pôde sacar os R$ 100 mil do FGTS a que tinha direito, mais a “multa”, os R$ 40 mil.

Pega em flagrante, em agosto do ano passado, ela disse que “consultaria” a Procuradoria Geral da República sobre a eventual  ilicitude de seu ato e que, em caso de ter causado prejuízo ao erário, se dispunha a devolver o dinheiro. Ela, logo ela que se diz “especialista” em gestão pública confessa publicamente que não sabe (sic) se agiu certo ou erradamente, se causou ou não lesão aos cofres públicos…

Cinco meses depois,  nada, nadica de nada de a tal Procuradoria responder o já respondido (Gleisi FGTS Hoffmann agiu com desonestidade a partir de um perjúrio contra financias federais) … e a ministra faz de conta que nada aconteceu!

Devolve, ministra-chefa, devolve o dinheiro que vossa excelência garfou, devolve!

 

 

 

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Algo de novo no front

O Itamaraty informou nesta quarta-feira que a embaixada brasileira concedeu um visto de 90 dias à blogueira cubana Yoani Sánchez. Ela ainda precisa de autorização para deixar a ilha – algo que já tentou 20 vezes sem sucesso -, mas a decisão brasileira deve renovar a pressão sobre Havana.(oglobo.com).

Depois do gelo dado pelo governo brasileiro ao governo do Irã, a concessão do visto à dissidente cubana é mais uma boa novidade no front de nossa política externa.

Saludos, compañeros!

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Uniformes escolares e o despreparo da secretária

Karin, Karin
por que você é assim…
tão ruim?
Volto a evocar este poema infame em homenagem à secretária de Educação de Londrina, Karin Sabec, protagonista da matéria da Folha de Londrina de hoje sobre a abertura da licitação para a compra de uniforme escolar.

Pretende-se comprar 40 mil unidades, seis mil a mais que no ano passado e a um custo quase dobrado. Em 2011 investiram-se R$ 6,3 milhões; este ano, R$ 12 milhões.

Não bastasse o aumento assombroso do preço, a secretária volta a demonstrar o quanto está despreparada para o cargo – ela que foi a peça-chave da compra de milhares de exemplares de um livro racista e, por isso, responde a uma ação por improbidade administrativa.

E, MESMO ASSIM, CONTINUA MERECENDO A CONFIANÇA DO (POR ENQUANTO) PREFEITO HOMERO BARBOSA. QUE NADA FEZ ATÉ O MOMENTO PARA REAVER DA EDITORA OS R$ 621 MIL PAGOS PELOS LIVROS…

Voltando ao tema do despreparo de Karin Sabec.

Duas frases registradas pela Folha comprovam esta avaliação:

1. ‘Foi minha gerência administrativa que fez o pedido. Eu só assino”. É tão infame que não merece comentário.

2. “(…) eu não sei exatamente quantos alunos são: pode (sic) ser 35 mil, 36 mil…”.

A secretária de Educação do município diz desconhecer o total de alunos da rede de ensino municipal? Sim, isto mesmo!

E ela nem disfarça.

O portal da prefeitura apresenta as estatística da pasta “comandada” por ela. O número de alunos da rede municipal é pouco mais de 30 mil

Portanto, a secretária está encomendando 10 mil uniforme mais do que o necessário!

Karin, Karin
Por que…

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Uma imagem e seu significado

Lula desce a rampa interna do Palácio do Planalto para participar da cerimônia de despedida de Fernando Haddad do Ministério da Educação. Ou seria do lançamento oficial de sua candidatura à Prefeitura de São Paulo, tendo como retaguarda toda a máquina do governo federal?

Em qualquer das situações, a imagem expressa a realidade: Lula, padrinho da candidatura de Haddad, está atrás e acima de Dilma.

Para todos os efeitos, em qualquer circunstância!

(A foto é da Agência Brasil)

 

 

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Uma reunião e seu efeito pífio

Vinte anos atrás, quando eu trabalhava para um grande jornal de São Paulo, participei de uma reunião, programada para as 14 horas e iniciada às 23…

Durou cerca de duas horas. Bla, bla, bla daqui, bla bla bla dali, e, de prático, saiu esta resolução: que as fotos (eram ainda em papel) fossem anexadas por clipe de acordo com o tema!

Lembro-me disso motivado pela primeira reunião ministerial do ano. Durou quatro anos e, bla, bla, bla daqui, bla, bla bla, decidiu que, dentro de seis meses, todos os ministérios deverão concluir um sistema de monitoramento online de suas ações.

Das fotos em papel à cibernética: a tecnologia avançou, a mediocridade humana continua…

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Santo de casa faz milagre, sim

A tese de que santo de casa não faz milagre foi renegada hoje pela Gazeta do Povo, ao noticiar a determinação da [email protected] Dilma para que os ministérios desenvolvam, no máximo em seis meses, um sistema de monitoramento interno de programas, ações e gastos.

Informa a Gazeta:

“Desenvolvido pela Casa Civil, o projeto-piloto foi apresentado ontem à noite pela mi­­nistra Gleisi Hoffmann à presidente Dilma Rousseff e ao restante do primeiro escalão du­­ran­­te a primeira reunião ministerial do ano.”

Estadão e Folha de S. Paulo não apontam o autor da ideia, e a Agência Brasil passa batido no assunto.

O Globo é explícito e cita como fonte o porta-voz da Presidência,Thomas Traumann:

O secretário-executivo do Ministério da Previdência, Carlos Gabas, apresentaria o sistema de monitoramento adotado pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), modelo que inspirou a determinação de Dilma.

Um fato, duas versões. Qual seria a correta?

Não importa. Importa é que a Gazeta ofereceu o andor à nossa santinha.

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