Mês: junho 2012

 

O golpe (de morte) do Mercosul

Os presidentes do Brasil, Argentina e Uruguai decidiram hoje suspender temporariamente o Paraguai das tomadas de posição do bloco e incorporar a Venezuela, a partir de 31 de julho. A suspensão será levantada após a realização das eleições gerais daquele país, previstas para o ano que vem.

A causa alegada da exclusão foi o impeachment de Fernando Lugo da presidência do Paraguai.

Os chefes de Estado invocaram, para justificar a medida, o principal pilar jurídico do Mercosul, que é o respeito à democracia, condição para a inclusão ou permanência de um país neste bloco.

A decisão, no entanto, fere a essência desse princípio porque:

1. Apesar do rito sumário, o impeachment de Lugo seguiu a Constituição e foi referendado pela Suprema Corte de Justiça paraguaia.

2. A Venezuela não foi admitida até hoje no bloco por causa do Senado paraguaio, que alegava – e com justiça – as constantes violações à democracia feitas por Hugo Chávez, o presidente venezuelano.

3. Suspender o país que vetava a inclusão da Venezuela caracteriza um autêntico golpe, pois atropela a decisão soberana de um país e tomada de acordo com as normas do Mercosul, que preveem a ratificação do Congresso da inclusão ou permanência de qualquer membro do bloco.

Como bloco econômico, o Mercosul sempre deixou a desejar – cito, como exemplo, as constantes rugas de Brasil e Argentina.

Como bloco político que se propunha a defender a democracia, perdeu a partir de hoje a razão de ser.

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O Fúrrest Gump londrinense


Forrest Gump, filme de 1994 com Tom Hanks como protagonista, foi um dos maiores sucessos de Hollywood.

Falava de um sujeito para o qual tudo dava certo, apesar das circunstâncias adversas. Ou justamente por causa das circunstâncias adversas.

O vereador Roberto Fú apresentou no ano passado projeto de lei para derrubar a Lei da Muralha, em vigor desde 2005 e que impede a instalação de supermercados e lojas de material de construção acima de 1,5 mil metros quadrados em um amplo perímetro urbano.

Os argumentos de Fú são tênues, superficiais, incapazes, num confronto jurídico, de abalar o sólido edifício da Lei da Muralha.

Sua iniciativa, no entanto, foi de grande utilidade para os ocupantes de cargos públicos defensores da manutenção da lei.

O principal deles é o (cada vez mais por enquanto) prefeito Homero Barbosa, que se fortaleceu junto aos beneficiários da lei por causa da iniciativa de Fú.

Detalhe de extrema relevância: Fú é do mesmo partido de Homero (PDT) e tem votado favoravelmente a todas as leis de interesse dele. Seu voto ou abstenção, ressalte-se, foi vital para evitar a abertura de três comissões processantes do prefeito.

O projeto de Fú, embora frágil no conteúdo, conquistou grande apoio popular e coincidiu com a investida do Ministério Público contra a Muralha. E pressionou Homero a apresentar uma contraproposta.

Sob o manto da “flexibilização”, a proposta de Homero reduzia um pouco o perímetro de vigência da lei, mas incluía nele os shoppings centers.

Coincidentemente, um shopping estava sendo construído no limite da área de exclusão proposta por Homero…

O projeto de Fú foi aprovado em primeira discussão ontem. O resultado era esperado desde que, na semana passada, ele denunciou um empresário que tentava suborná-lo para manter a lei.

Há dois meses, o vereador Amauri Cardoso denunciou que alguns colegas estavam sendo subornados para impedir a derrubada da lei.

O casamento das duas denúncias abalou o ânimo dos vereadores que defendiam a manutenção da Muralha.

Seja qual for o resultado da votação definitiva, prevista para a semana que vem, o vereador Roberto Fú já está consagrado.

É o Fúrrest Gump londrinense.

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O contador de histórias

O vereador Roberto Fú reúne as condições para passar para os anais  do Legislativo londrinense como êmulo do protagonista do filme Forrest Gump e do complemento do seu título em português: “o contador de histórias”.
As histórias de Fú mesclam invocações divinas, autoelogios, ameaça aos críticos e uma profusão de temas que se intrincam e se confundem. E confundem o ouvinte.


Para contar essas histórias – longas, aliás, -, ele não usa o banco que se associa ao título do filme. Para desconsolo dos colegas, utiliza a tribuna da Câmara.
Fúrrest Gump, o “contador de histórias”.

 

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A trombeta da delação

Como Roberto Fú gosta de abordar temas bíblicos em seus discursos na Câmara, arrisco uma analogia entre suas demonstrações de espiritualidade e os acontecimentos que tem protagonizado.
As Muralhas de Jericó, consideradas inexpugnáveis, foram derrubadas pelas trombetas e brados dos “filhos de Israel”, após eles a terem circundado sete vezes.

A Lei da Muralha foi atacada sistematicamente pelos empresários e pelo Ministério Público, e resistiu bravamente até que Roberto Fú abriu a primeira fenda nela, fenda que ameaça pô-la abaixo .

Seu instrumento foi a trombeta da delação.

 

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Vigília contra a corrupção

O Movimento Popular contra a Corrupção Por Amor a Londrina organiza para o final da tarde e noite desta quinta-feira, no estacionamento da Câmara, uma vigília acompanhada de um culto ecumênico contra a corrupção na política.

 

O movimento surgiu como reação à sucessão de denúncias que recai sobre o (cada vez mais por enquanto) prefeito Homero Barbóquio e seus auxiliares de confiança – quatro deles estão presos. E também sobre alguns membros do Legislativo, acusados de aceitar suborno para preservar o mandato de Barbóquio e votar favoravelmente a projetos de interesse dele.

 

A vigília está prevista para acontecer das 17h30 às 22 horas.

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A caminho de Haia

O ex-secretário municipal de Londrina e coordenador da campanha à reeleição de Homero Barbóquio, Marco Cito, está preso desde 24 de abril. Ele é acusado de pertencer á “organização criminosa” que, segundo o Ministério Público, subornava vereadores para preservar o mandato de Barbóquio.

 

Há mais três com ele na Penitenciária Estadual de Londrina.

 

O Tribunal de Justiça negou dois pedidos de habeas corpus para Cito que, anteontem, teve negado o mesmo pedido pelo Superior Tribunal de Justiça.

 

Seu advogado, João Gomes Filho, não se dá por vencido. Anuncia que recorrerá ao Supremo Tribunal Federal.

 

Não quero ser pessimista, mas pelo andar (o melhor seria imobilidade) da carruagem, é bom que Gomes Filho comece a preparar o recurso para apresentar ao Tribunal Internacional de Justiça, em Haia…

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Dilma, do palanque ao palácio

Nesta oportunidade, assumo com vocês, se eleita Presidente da República, o compromisso de apoiar a aprovação de iniciativas legislativas que garantam a jornada de trabalho de 30 horas semanais para os profissionais de enfermagem, como o Projeto de Lei nº. 2295/00 na Câmara dos Deputados, bem como as medidas necessárias para a sua implementação, uma prática que já presente em vários municípios e estados brasileiros.

 

Dilma Rousseff, candidata à presidência da República, em mensagem aos participantes do 62º Congresso Brasileiro de Enfermagem, realizado em Florianópolis, em 11 de outubro de 2010.

 

Lííderes partidários da Câmara ouviram (ontem) um apelo do ministro da Saúde,Alexandre Padilha (…), e da ministra Ideli Salvatti (Relações Institucionais) para que a Casa não votasse o projeto que reduz de 42 horas para 30 horas a jornada dos enfermeiros. A ministra Ideli afirmou que a aprovação da proposta impacta as contas públicas da União, dos estados, dos municípios. A votação acabou não ocorrendo por falta de quórum.

 

Caroline Olilnda, da seção Notas Políticas da Gazeta do Povo (hoje).

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