Mês: julho 2012



Réquiem para um defunto fresco

Os mortos requerem respeito, mas como Homero Barbosa Neto não teve esse consideração com seu estado de óbito político, decretado em 30 de julho, às 21h20m, atrevo-me a este réquiem para um defunto fresco.

Todo defunto fresco rebela-se contra a morte e acredita que os que velam seu corpo estão enganados.

Pensa que está na iminência de levantar, sacudir a poeria e dar a volta por cima. E que, recorrendo a  estrebuchos, acordará os assistentes de seu velório da ilusão da sua morte.

Esta foi a tônica de seus xingamentos, coices e tapas orais – seu universo oratório, enfim – que marcaram a cena no picadeiro, o Hotel Bourbon, que ele requisitou hoje para uma “entrevista coletiva”.

Barbosa não admite que fechem a tampa do caixão, e isso é compreensível.

Atacou o Gaeco, Luiz Carlos Hauly, Marcelo Belinati, os vereadores – e disse que mantém sua candidatura.

(Projeto impraticável, pois a cassação impõe a perda dos direitos políticos… e fim ao sonho da reeleição!)

E, por fim, agrediu seu sucessor, José Joaquim Ribeiro, que rompeu com ele por causa das denúncias de corrupção. Disse que, após “dedetizar” a prefeitura, ele – Barbosa, o defunto que acredita estar vivo – vai voltar.

Além de iludir-se sobre a vida que já lhe fugiu, engana-se sobre o paradeiro da ratazana e outros insetos aos quais se referiu

Eles foram espanados da Prefeitura na noite de 30 de julho. Precisamente às 21h20m.

E estavam no Hotel Bourbon na hora em que o finado Barbosa teve a ilusão de conceder uma entrevista.

E estarão onde ele estiver…

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Marcelo e o desafio de vencer no 1º turno

A cassação de Homero Barbosa deixa a periferia como bastião eleitoral exclusivo de Marcelo Belinati, graças à penetração nesses locais de seu tio, Antonio.

A saída desonrosa – e merecida – de Barbosa do páreo amplia a vantagem, que já é enorme, de Marcelo em relação aos demais candidatos.

Mas  ele continua vulnerável junto ao eleitor de classe média e, sobretudo, aos deserdados de Luiz Carlos Hauly, que temem que ele repita o procedimento do tio e de Homero Barbosa, afilhado político do tio – termine o mandato na rua da amargura sob uma montanha de denúncias de corrupção.

Marcelo é menos brilhante que o tio e Barbosa na arte da enrolation, sua oratória nem se equipara à deles, mas ele não demonstrou, nos dois mandatos como vereador, tendência para malfeitos.

Não se destacou na Câmara, tampouco cometeu pecado grave.

E na vida particular é um médico competente e dedicado. É elegante, gentil e culto. E simpático.

Seu perfil técnico se impõe ao político, e isso, além da conduta ética, é a principal diferença dele em relação ao tio e a Barbosa.

Serão essas qualidades e o contexto político suficientes para elegê-lo no primeiro turno, já que seu principal adversário, Barbosa, foi expulso da disputa eleitoral?

É difícil prever. O congestionamento de candidatos que disputam o eleitorado de classe média – Márcia Lopes, Luiz Carlos Cheida e Alexandre Kireeff – embaralha as previsões. Ao mesmo tempo, fragiliza o projeto eleitoral dos três e tornam mais otimistas as perspectivas de Marcelo.

Se nenhum dos três conseguir capitalizar o apoio dessa faixa de eleitor, o caminho estará aberto para uma vitória consagradora de Marcelo.

 

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O cara errado

Se tinha alguém com vocação para ser o cara errado, no lugar errado, na hora errada, ei-lo: chama-se Clóvis Coelho, é engenheiro, presidiu em Londrina a Federação das Indústrias do Estado do Paraná e integrou o saudoso movimento Pés Vermelhos, Mãos Limpas, que contribuiu para a cassação de Antonio Belinati, doze anos atrás.

Pois ele aceitou, negando todo o seu passado de luta pela ética na vida pública, ser o vice da chapa de Homero Barbosa à reeleição.

Barbosa foi cassado, o PDT está num mato sem cachorro ou num beco sem saída, e agora, o que será de Clóvis Coelho?

Seu nome é cogitado para assumir o lugar de Barbosa.

Ele ousará se submeter a mais este vexame?

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Grand finale

De o bonde.com.br:

 

Logo após ser cassado, o prefeito Barbosa Neto (PDT) deixou o prédio do Legislativo acompanhado por cabos eleitorais e assessores. Repórteres e fotógrafos que tentaram acompanhá-lo foram agredidos.

“Fui tentar falar com ele e acabei levando socos nos braços e muitos empurrões”, disse a repórter da rádio CBN Londrina, Lívia de Oliveira. Ela contou que os assessores cercaram os profissionais de imprensa para a agressão. “Eles nos deram joelhadas. Fiquei com os braços todos marcados”, afirmou a jornalista, mostrando as marcas.

O fotógrafo da Folha de Londrina, Marcos Zanutto, também foi recebido a empurradas pelos cabos eleitorais e assessores. “Além de empurrar, eles derrubaram vários profissionais”, contou.

 

Final coerente com o personagem.

 

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Enigma Homericano

Homero Barbosa passou o último dia do mandato em sua casa – uma modesta residência de 700 metros quadrados e quase dois mil de terreno no modestíssimo Jardim Bela Suíça.

 

Enquanto isso, a primeira-dama Ana Laura Lino ocupava o gabinete dele na Prefeitura.

 

Teria sido uma inversão casual de papéis ou cada um resolveu assumir, finalmente, seu verdadeiro lugar?

 

Eis o Enigma Homeriano.

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Indignidade até o fim

O vereador Eloir Valença sepultou com desonra seu presente e futuro político.

Foi indigno até o fim.

Mudou da oposição para a bajulação a Homero Barbosa sem conseguir explicar por quê, foi preso sob a acusação de ter sido subornado para trocar de lado, afrontou decisão do partido, PHS, que fechou questão pela cassação, subiu à tribuna para contestar o parecer da Comissão Processante que pedia a cassação e, ha hora de anunciar seu voto, absteve-se!

 

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Os deFÚntos ambulantes

Jairo Tamura, Eloir Valença e Roberto da Farmácia se omitiram; Roberto Fú e Rodrigo Gouve votaram não à cassação de Homero Barbosa.

Com exceção de Tamura, cuja coligação tem força suficiente para reelegê-lo, embora ele tenha saído muito fragilizado da peleja, os demais assinaram seu próprio atestado de morte política.

Imitaram o gesto do mais emblemático deles, Roberto Fú – cuja chance de reeleição dependia do voto pela cassação – e cometeram um FÚicídio em público.

Não têm força eleitoral própria, pertencem a uma coligação fraquíssima e, como agravante, perderam o titular da chapa, Barbosa, impedido de concorrer à reeleição.

Assim, tornaram-se deFÚntos ambulantes.

Foram jogados às traças, sem dó nem piedade, por aquele a quem serviram com submissão abjeta. E de quem não merecerão sequer um epitáfio.

Observação, que devo a um leitor: o mais omisso de todos foi Sebastião dos Metalúrgicos (PDT), líder de Homero na Câmara, que escafedeu-se amparado numa licença médica.

Observação, que devo a um leitor: o mais omisso de todos foi Sebastião dos Metalúrgicos (PDT), líder de Homero na Câmara, que escafedeu-se amparado numa licença médica.

 

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Por que não me ufano

Não estou feliz com a cassação de Homero Barbosa – devolvo-lhe o sobrenome, porque os mortos exigem respeito -, punição que defendi com veemência.

Fui seu opositor desde o momento em que, em 2008, ele fez falsa denúncia de crime contra seu ex-chefe de gabinete em Brasília, Luciano Lopes, que o acusara de desviar verba de gabinete para financiar despesas pessoais.

Rebelei-me quando ele apoiou Antonio Belinati no segundo turno, a quem chamava de “chefe de quadrilha”.

Expus minha perplexidade a cada denúncia que pesou sobre ele e seus auxiliares desde o início do governo dele. Foram dezenas. Um número incontável.

Classifiquei de “desastre anunciado” a primeira denúncia estrondosa contra ele, em maio do ano passado e referente a desvio de recursos da área de saúde.

Evoquei, para justificar este parecer, o prontuário de irregularidades que ele passou a acumular desde que assumiu o primeiro cargo público. Foi deputado estadual por um mandato, federal por meio mandato – e responde a processos cabeludos na Justiça Federal. Sua grande herança do Legislativo…

Homero Barbosa tem uma inteligência privilegiada, uma força de vontade invejável. Mas se impôs a estas virtudes a ganância, manifestada pela riqueza que acumulou rapidamente e pelo contínuo assédio ao patrimônio público que demonstrou nos três anos e três meses de mandato.

Ele responde a sete ações por improbidade administrativa (como prefeito) e apadrinhou um punhado de atos mais que suspeitos – alguns redundaram em processos por improbidade administrativa – de seus auxiliares de confiança. O principal deles é André Nadai, que teve em suas mãos as licitações mais milionárias – e suspeitas – da sua administração.

Vários deles foram presos.

Barbosa perde, e merecidamente, o seu mandato pelo menos grave dos pecados mortais dos quais é acusado: a manutenção, durante dez meses, de dois seguranças pagos pelo município em sua rádio.

A ganância se impôs à inteligência…

Homero Barbosa perde o mandato, a candidatura à reeleição e os direitos políticos durante oito anos. Responderá a dezenas de processos nesse período, que poderão desaguar em sua condenação em segunda instância – e, nesse caso, a temporada de exílio poderá se prolongar por causa da Lei da Ficha-limpa.

Sua vida pública, portanto, pode ter sido sepultada nesta noite, 30 de julho, 212º dia de 2012. Doze anos depois da cassação de Antonio Belinati. Doze, o número de sua legenda, o número que o sepultou.

Sinto-me recompensado pela decisão da Câmara. Combati o bom combate.

Mas não me ufano.

Londrina sofreu, mais uma vez, na mão de um político acusado de corrupção.

Quanto tempo será necessário para nos darmos conta de quanto perdermos, não apenas em recursos desvidos, mas em investimentos, projetos e, sobretudo, em esperança?

 

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Eles não se curvaram ao poder

A chamada sociedade civil organizada se omitiu diante da enxurrada de denúncias contra Homero Barbosa Neto, EX-PREFEITO de Londrina.

Mas um grupo de rapazes e moças se insurgiu contra a cumplicidade coletiva, criou o Movimento Popular Contra a Corrupção Por Amor a Londrina, vestiu camisetas, pôs máscaras, estirou faixas, fez passeatas e marcação cerrada na Câmara, colheu assinaturas contra a corrupção no serviço público. Estão na capa da edição abaixo da Folha de Londrina.

A luta deles durou três meses. Venceram.

Mostraram que, quando os que têm interesses particulares se calam, os que não se curvam ao poder se insurgem.

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