Mês: novembro 2012



Rose, a amante de Lula?

Vamos direto ao ponto: essa Rosemary Noronha, a Rose, pivô do escândalo mais recente envolvendo o governo federal, era mera chefe de gabinete da Presidência em São Paulo ou amante do ex-presidente Lula?

Perguntar ofende só os que querem esconder a verdade. Por isso levanto a questão, sabendo que violo um terreno sagrado na política brasileira – a vida privada dos agentes públicos.

Que Lula ou qualquer outro agente público, homem ou mulher, tenha lá seus casos é problema deles.

Mas quando a vida afetiva ou vazão de instintos primevos se mistura à coisa pública – aos bens públicos, enfim – então se torna… de interesse público.

E quando a coisa pública passa a ser manipulada ilegalmente para atender a interesses privados, deixa-se a política para entrar na área policial.

Rose, a madrinha dos chefes da quadrilha especializada em vender pareceres, chegou a Lula por mãos de Zé Dirceu – e até aí, nada demais. Mas ela ganhou espaço, cada vez mais espaço próximo ao presidente da República e foi mantida por Lula no cargo após a saída dele da presidência por razões que a razão esquiva-se de enfrentar.

A relação dos dois ultrapassava as formalidades do cargo. Provam isso a frequência com que mantinham contato, mesmo depois de Lula deixar o cargo, o atendimento que ele dava aos pedidos dela – que, por sua vez, atendia aos pedidos dos quadrilheiros – e, acima de tudo, a quantidade de viagens que ela fez ao lado do então presidente. E, sem que seu nome constasse da lista oficial…

Por que esconder a companheira Rose da entourage presidencial?

 

A eventual infidelidade de Lula não é mais da área privativa de Marisa Letícia, sua esposa. O escândalo a projeta sobre toda a Nação. Lança mais sombra sobre o comportamento ético do ex-presidente e exige o esclarecimento dos fatos e a punição dos responsáveis.

 

Duela a quien duela.

 

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Lewandowski sem a máscara

A sessão de ontem do STF revelou, de vez, a missão de Ricardo Lewandowski: tumultuar o processo para livrar os mensaleiros.

 

Ele agiu desde o início do julgamento para minar o procedimento do relator Joaquim Barbosa:

 

1. descontruiu, sem êxito, a ocorrência do pagamento de propina a deputados para obter a adesão deles ao governo (o mensalão);

 

2. inocentou os principais réus – Dirceu, Genoino e João Paulo dos crimes de corrupção ativa e formação de quadrilha (não livrou a barra de Delúbio porque o dito cujo reconheceu a culpa em cartório);

 

3. aplicou aos condenados, a todos eles, pena menor que a sugerida pelo relator e

 

4. rebelou-se ontem – e aí a máscara caiu de vez – com a redução da pena de Roberto Jefferson, que o relator considerou “réu colaborador”.

 

Ou seja, mão leve para culpados, aqueles que fizeram o jogo do PT e de seu líder máximo, Lula, de quem Lewandoski é amigo; mão pesada para quem os denunciou…

 

Lewandowski faz história. Triste história.

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O inferno astral da estrela branca

Eugenio Bucci (*)

Uma estrela branca, de cinco pontas, sobre fundo vermelho. Vermelho bombeiro. Vermelho Coca-Cola. Vermelho do Boi Garantido. Vermelho bolchevique. Vermelho total. Uma estrela branca emoldurada de vermelho.

 

Convenhamos, não era um símbolo que primasse pela originalidade ou pela ousadia. Não era inusitado, não era inventivo, era apenas óbvio. Mesmo assim, foi ele que vingou. Na falta de um logotipo mais profissional, mais publicitário (a indústria do marketing só chegaria mais tarde àquelas plagas), foi esse o símbolo adotado pelo Partido dos Trabalhadores, o PT, bem no seu início, no começo dos anos 80: uma estrela branca, banal, sobre fundo vermelho.

 

Diz a lenda que quem costurou a primeira bandeira do partido foi dona Marisa Letícia, em pessoa, a mulher do líder metalúrgico de cognome Lula, astro maior do partido da estrela. Desde então, a marca do PT ficou inscrita no DNA da democracia que sobreveio à ditadura militar no Brasil. Não dá para entender o Brasil de hoje sem entender o PT e sua estrela. O PT é um dos construtores, se não o principal, do Estado de Direito em que hoje vivemos por aqui. A começar da derrubada da ditadura.

 

Foram as greves do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo, lideradas por Lula, que puseram contra a parede o aparato repressivo do regime militar, forçando o recuo definitivo. Mais tarde, a campanha por eleições diretas, as Diretas-Já, que levou milhões de cidadãos às ruas em 1984, tinha José Dirceu na organização logística de todo o movimento – revelava-se ali o estrategista e empreendedor arguto, ambicioso e brilhante, o principal articulador da máquina partidária e do que ele gostava de chamar de “arco de alianças” que conduziria Lula à Presidência da República em 2002. Em 1988, a nova Constituição brasileira saiu do Congresso com a inconfundível impressão digital da estrela branca sobre fundo vermelho.

 

A história é conhecida. Está aí para ser vista e reconhecida. Gerações de excelentes quadros políticos se formaram na militância de esquerda e, cedo ou tarde, acabaram passando por organizações clandestinas e pelas instâncias do PT, onde aprenderam quase tudo o que sabem. São gestores públicos, intelectuais, parlamentares, até mesmo jornalistas, veja você, alguns já passados dos 80 anos, outros ainda na casa dos 30, que conheceram o Brasil e seus excluídos desfraldando a bandeira vermelha com a estrela branca. Aprenderam política no PT. Nos movimentos sociais, aprenderam a solidariedade, a justiça, a disciplina, a ousadia. Depois, no exercício de cargos públicos, aprenderam que a competência técnica não pode esperar, conheceram os estilos de governança e o imperativo da conciliação.

 

O PT alcançou o poder, abrandou o sectarismo e, mais maduro, ajudou então a moldar as próprias instituições da República, com acertos notórios. No Supremo Tribunal Federal (STF), hoje tão rigoroso e elogiado, a maioria dos atuais ministros foi indicada por governantes petistas. A Polícia Federal, hoje tão implacável e festejada, cresceu e se fortaleceu sob governos petistas. O Estado brasileiro está melhor, o que também é mérito da estrela branca sobre fundo vermelho.

 

A despeito de um muxoxo aqui, de um nariz torcido acolá, todo mundo sabe disso. Os agentes políticos, os de direita e os de esquerda, têm plena noção de que o protagonista maior da evolução democrática pós-ditadura atende pelo nome de Partido dos Trabalhadores. Só quem parece não estar à altura desse fato histórico é, ironicamente, o próprio PT. Com reações destemperadas, como que regurgitadas de uma adolescência que já passou, mostra que talvez não entenda bem o seu próprio papel e o seu próprio lugar.

 

A pior dessas reações foi a conclamação de uma onda de manifestações públicas em protesto contra decisões do Supremo Tribunal Federal no julgamento do mensalão. É compreensível que muitos petistas se sintam indignados ao ver uma figura pública do porte de José Genoino condenada pelo crime de corrupção, e isso com o voto do ministro Dias Toffoli, o mesmo que, até outro dia, trabalhava para o partido da estrela. É compreensível, mas a indignação não autoriza ninguém a fazer comício contra o Supremo. Há canais legais para pedidos de reconsideração judicial. Se, em lugar de discutir o processo e seus eventuais erros tópicos, o PT ergue palanques para contestar a legitimidade da própria Corte, como se ela não passasse de um instrumento de perseguição partidária, estamos diante da ameaça de ruptura institucional.

 

Nesse ponto, a postura da presidente Dilma Rousseff, de respeito declarado ao STF, contrasta com os arroubos irrefletidos – e serve para enquadrá-los. Dilma leva em conta que a mesma Corte que condenou uns absolveu outros, inclusive alguns militantes do PT. Logo, se devemos aceitar com um sorriso as absolvições, temos de acatar também as condenações e interpor os recursos que o direito processual admite. Fora disso, resta o tumulto.

 

O PT parece não saber como agir. Vive um refluxo amargo, um atordoamento, embora siga acumulando vitórias eleitorais. Esta semana ficou ainda mais tonto. Foi apanhado no contrapé por outro cruzado de esquerda, com novas denúncias de corrupção. Uma investigação da Polícia Federal revelou irregularidades escabrosas comprometendo servidores públicos de alta patente no governo federal. O que fará o PT em seu inferno astral? Atos públicos? Vai acusar os policiais de sanha persecutória? Ou vai exigir mais transparência? Ou vai punir, pelo seu próprio estatuto, os filiados envolvidos?

 

O PT precisa arcar com a responsabilidade de fortalecer a democracia que ajudou a conquistar. Eis o seu lugar e o seu papel. Se não enfrentar e sanar agora, já, os seus próprios desvios, o partido da estrela branca emoldurada de vermelho acabará por queimar sua reputação em praça pública. Será uma pena. A pior de todas as penas.

 

(*) Jornalista e professor universitário. Artigo transcrito da edição de hoje de O Estado de S. Paulo.

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A vendeta de Barbóquio, o zumbi

Homero Barbóquio (vade retro) converteu-se num morto-vivo desde que veio à tona – assim acusa o Gaeco – o envolvimento dele, da primeira-dama e outros agentes públicos no esquema de cobrança de propina de ocips da área de saúde.

Isso foi um ano antes de ele ser cassado, em julho, e a essa denúncia se seguiu um cipoal de outras – uma recorde histórico. Nunca antes visto na história de Londrina..

A condição de zumbi foi sublimada por Barbóquio ao disputar uma eleição que não tinha a mínima chance de vencer e, se vencesse, jamais poderia tomar posse, pois perdera os direitos políticos em consequência da cassação.

E o morto-vivo faz questão de continuar atuando na vida pública, da qual foi expelido com desonra. Um de seus mais atuantes advogados, Mauríco Carneiro, ressurge do além-túmulo para exigir a deposição do prefeito Gerson Araújo.

Araújo era presidente da Câmara e pegou o abacaxi de administrar Londrina após o fragoroso fracasso de Homero Barbóquio e de seu vice, Joaquim Barbosa – outro que foi para o mundo dos mortos-vivos depois de admitir ter recebido propina de fornecedores de uniformes escolares.

Carneiro alega que a Câmara deveria ter promovido uma eleição indireta para ocupar a vaga desonrosamente aberta por Barbóquio e Ribeiro. Seu argumento é amparado na Lei Orgânica do município, que foi descumprida (chamei a atenção para este detalhe; conferir em http://blogs.odiario.com/josepedriali/2012/09/05/londrina-pode-ter-eleicao-indireta/

e também em http://josepedriali.blogspot.com.br/2012/09/voto-vencido.html.)

Era uma mera formalidade, nada mais que uma formalidade: Araújo, na condição de presidente do Legislativo, seria eleito por 18 votos (são 19; ele se absteria, porque é um homem gentil).

A vendeta de Barbóquio está lançada. Vai dar em nada.

Mas o zumbi continua atazanando a cidade que desonrou.

 

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O aparelhamento das agências

Editorial de hoje de O Globo

Logo ao assumir no primeiro mandato, em 2003, o presidente escolheu as agências reguladoras como alvo. Talvez pelo fato de elas terem relação direta com o programa tucano de privatização — tema explorado pelo PT —, não importou que elas fossem um instrumento inspirado nas boas práticas internacionais de modernização da administração pública.Nada mais equivocado do que considerar que as agências “terceirizavam” o poder do Executivo. Ora, elas foram criadas como organismos independentes aos governos para, sem qualquer tipo de interferência, fiscalizar a prestação de serviços de concessionários de áreas em muitas das quais houve transferência de empresas públicas para o setor privado e concessão de exploração de serviços a empresas particulares.

Mas o governo Lula acabou, na prática, com a independência das agências, tratando-as como autarquias menores de ministérios, à disposição do jogo político fisiológico de troca de cargos e verbas por apoio no Congresso e em eleições.O mais novo escândalo patrocinado pelo grupo hegemônico no PT, deflagrado em torno da chefe de gabinete do escritório da Presidência em São Paulo, Rosemary Nóvoa de Noronha, é um caso de corrupção decorrente, entre outras causas, da degradação das agências reguladoras.Se elas não houvessem sido atraídas para a órbita do Palácio, continuassem a ser de fato independentes, dirigidas de forma profissional, Rosemary, ou Rose, desembarcada em Brasília na comitiva do primeiro governo Lula, de quem foi secretária pessoal, não teria montado um esquema de tráfico remunerado de influência a partir de agências reguladoras (ANA, de águas, e Anac, agência de aviação civil).

Um dos sinais do poder do esquema foi a pressão para a aprovação pelo Senado da indicação de Paulo Rodrigues Vieira, apadrinhado de Rosemary, para a ANA. Rejeitado uma vez, o Planalto reapresentou o nome e conseguiu aprová-lo. Na sexta-feira, a Operação Porto Seguro, da Polícia Federal, prendeu Paulo e o irmão, Rubens Carlos Vieira, encaixado na diretoria de infraestrutura portuária da Anac — uma das mais aparelhadas das agências reguladoras.

A demonstração do alcance do esquema é o envolvimento do segundo no organograma da Advocacia-Geral da União (AGU), José Weber Holanda. Dilma agiu com rapidez e demitiu todos, ainda no sábado, como necessário. Mas é preciso se conhecer o mapeamento desta teia de negociação de pareceres e outros “negócios”.

Por ironia, no mensalão, ainda em julgamento, e neste novo escândalo repetem-se dois personagens: José Dirceu, “chefe da quadrilha” do mensalão e de quem Rosemary foi secretária no PT antes de ir trabalhar ao lado de Lula; e o indefectível mensaleiro Waldemar Costa Neto (PR-SP), pilhado em negociações com o esquema. E mais uma vez surge um descuidado Lula, “traído” no mensalão e agora “apunhalado pelas costas” por Rose e protegidos.

 

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E agora, petralhas?

“A questão do procurador e da imprensa são irrelevantes, acessórios. Não são questões centrais no relatório”.

O comentário é do deputado petista Odair Cunha, relator da CPI do Cachoeira – ou CPI do Talião – e se refere ao pedido de indiciamento, contido em seu relatório, de cinco jornalistas, entre eles o editor-chefe da Veja Policarpo Júnior, e do procurador-geral da República Roberto Gurgel.

Cunha diz que poderá retirá-los do relatório, que, após dois adiamentos, será lido amanhã.

E agora, petralhas, como ficarão suas caras e seus bigodes se a intenção do relator se concretizar?

Afinal, como diziam vocês, Policarpo e Veja eram “peças centrais” no esquema criminoso comandado por Cachoeira e Gurgel seu cúmplice…

 

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A notícia que não vai virar manchete

Do globo.om:

O Brasil ficou na penúltima colocação de um ranking de educação que comparou as “habilidades cognitivas e de desempenho escolar” de 40 países. De acordo com o estudo “The Learning Curve” (A curva de aprendizagem), encomendado pela empresa Pearson, que fabrica sistemas de aprendizado, Finlândia e Coreia do Sul estão no topo desse universo. A pesquisa levou em consideração o resultado de testes de matemática, leitura e ciências para alunos dos últimos anos do ensino fundamental 1 e 2, assim como dados educacionais de cada país sobre alfabetização e taxas de conclusão de escolas e universidades.

 

Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/educacao/estudo-coloca-brasil-em-penultimo-lugar-em-ranking-de-desempenho-escolar-6843385#ixzz2DSJgBLYr

 

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