Mês: maio 2013



Londrina e seu bode cabeceador

O Sindicato dos Empregados no Comércio de Londrina (Sindecolon) e a Havan não estão conseguindo se entender sobre a abertura da loja nos feriados. Nessa quinta-feira (30), o estabelecimento anunciou que abriria, porém foi informado que a Justiça, após ação movida pelo representante dos trabalhadores, havia impedido o expediente.

Em um e-mail enviado à imprensa, a Havan acusa o Sindecolon de intransigência e informa que apenas a loja de Londrina, das 50 espalhadas entre Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, não abriu no feriado de Corpus Christi.

Retiro essa informação do portal odiario.com.

Ela me remete às imagens do bode cabeceador, que de Londrina ganhou o mundo pelo Youtube e foi destaque na imprensa americana.

O bode desferiu cabeçadas em quem invadiu seu território, minúsculo, derrubando até passageiros de uma moto.

O que o bode tem a ver com a Havan?

Nada.

Tem a ver com o comportamento de Londrina nos últimos 30 anos.

As escolhas e decisões políticas e as ações de alguns órgãos de classe induziram a cidade a se comportar como o bodão agora famoso – cabecear e cabecear e cabecear. E ficar no mesmo lugar.

Perdemos o dinamismo de outros tempos. Fomos subjugados pela mediocridade.

O bode tornou-se o nosso símbolo.

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Maduro, o esquizofrênico

Uma das manifestações de esquizofrenia é a mania de perseguição.

Nicolás Maduro, eleito fraudulentamente presidente da Venezuela, tem sido recorrente em demonstrar esta psicose.

Ele acusou os “imperialistas” – quem mais, na linguagem bolivariana, senão os norte-americanos? – de serem os responsáveis pela morte de Hugo Chávez.

Sendo assim, os tais “imperialistas” inocularam alguma substância capaz de desencadear o câncer que vitimou Chávez.

Em plena campanha eleitoral, ele denunciou seu adversário Enrique Capriles de estar tramando com os norte-americanos – neste caso ele foi explícito – seu assassinato.

Mercenários estariam na Venezuela prontos para dar o tiro fatal.

Até agora, não se teve notícia desses mercenários nem se ouviu o tal tiro.

E agora, enquanto Capriles visita a Colômbia, Maduro denuncia: o presidente Alvaro Uribe, que o recepciona, planeja matar “política e fisicamente” o presidente da Assembleia Nacional, Deosdado Cabello, seu rival nas fileiras do chavismo.

Os cubanos, que foram tão eficientes no tratamento de Chávez, não poderiam, para o bem da Venezuela e do mundo civilizado, internar o Maduro?

 

 

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A defesa da classe média

RODRIGO CONSTANTINO

Todos vimos, chocados, uma turba ensandecida invadindo agências da Caixa em diferentes estados, após rumores de suspensão do pagamento do Bolsa Família. Impressionou o fato de que a maioria ali era bem nutrida, em perfeitas condições de trabalho em um país com pleno emprego.

Uma das beneficiadas pelo programa, em entrevista, reclamou que a quantia não era suficiente para comprar uma calça para sua filha de 16 anos. O valor da calça: trezentos reais! Talvez seja parte do conceito de “justiça social” da esquerda progressista garantir que adolescentes tenham roupas de grife para bailes funk.

Não quero, naturalmente, alegar que todos aqueles agraciados pelas benesses estatais não precisam delas. Ainda há muita pobreza no Brasil, ao contrário do que o próprio governo diz, manipulando os dados. Mas essa pobreza tem forte ligação com esse modelo de governo inchado, intervencionista e paternalista.

O melhor programa social que existe chama-se emprego. Ele garante dignidade ao ser humano, ao contrário de esmolas estatais, que criam uma perigosa dependência. Para gerar melhores empregos, precisamos de menos burocracia, menos gastos públicos e impostos, mais flexibilidade nas leis trabalhistas, mais concorrência de livre mercado e um sistema melhor de educação (não confundir com jogar mais dinheiro público nesse modelo atual).

O ex-presidente Lula criticava, quando era oposição, o “voto de cabresto”, a compra de eleitores por meio de migalhas, esquema típico do coronelismo nordestino. Quão diferente é o Bolsa Família, que já contempla dezenas de milhões de pessoas, sem uma estratégia de saída? Um programa que comemora o crescimento do número de dependentes! O leitor vê tanta diferença assim?

A presidente Dilma disse que quem espalhou os boatos era “desumano”, “criminoso”, e garantiu que o programa era “definitivo”, para “sempre”. Isso diz muito. “Nada é tão permanente quanto uma medida temporária de governo”, sabia Milton Friedman. Não custa lembrar que o próprio PT costuma apelar para o “terrorismo eleitoral” em época de eleição, espalhando rumores de que a oposição pode encerrar o programa. Desumano? Criminoso?

Depois que o governo cria privilégios concentrados, com custos dispersos, quem tem coragem de ir contra? Seria suicídio político. Por isso ninguém toca no assunto, ninguém vem a público dizer o óbvio: essas esmolas prejudicam nossa democracia e não tiram essas pessoas da pobreza. As esmolas estimulam a preguiça, a passividade e a informalidade. Por que correr atrás quando o “papai” governo dá mesada?

O agravante disso tudo é que os recursos do governo não caem do céu. Para bancar as esmolas, tanto para os mais pobres como para os grandes empresários favorecidos pelo BNDES, o governo avança sobre a classe média. É esta que paga o preço mais alto desse modelo perverso. Ela tem seu couro esfolado para sustentar um estado paquidérmico e “benevolente”.

Para adicionar insulto à injúria, não recebe nada em troca. Paga impostos escandinavos para serviços africanos. Conta com escolas públicas terríveis, antros de doutrinação marxista. Os hospitais públicos também são péssimos. A infraestrutura e os meios de transporte são caóticos. A insegurança é total. Acabamos tendo que pagar tudo em dobro, fugindo para o setor privado, sempre mais eficiente.

Como se não bastasse tanto descaso, ainda somos obrigados a ver uma das representantes da esquerda, a filósofa Marilena Chauí, soltando sua verborragia em evento de lançamento de livro sobre Lula e Dilma. Chauí, aquela que diz que o mundo se ilumina quando Lula abre a boca, declarou na ocasião: “A classe média é um atraso de vida. A classe média é estupidez, é o que tem de reacionário, conservador, ignorante, petulante, arrogante, terrorista.”

É fácil dizer isso quando ganha um belo salário na USP, pago pela classe média. Chauí não dá nome aos bois, pois é mais fácil tripudiar de uma abstração de classe. Mas não nos enganemos: a classe média que ela odeia somos nós, aqueles que simplesmente pretendem trabalhar e melhorar de vida, ter mais conforto material, em vez de se engajar em luta ideológica em nome dos proletários, representados pelos ricos petistas.

Pergunto: quem vai olhar por nós? Que partido representa a classe média? Com certeza, não é a esquerda das esmolas estatais bancadas com nosso suor, que depois ainda vem declarar todo seu ódio a quem paga a fatura.

Rodrigo Constantino é economista

(Texto reproduzido de O Globo, de 28 de maio)

 

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“Um é ruim, dois é péssimo, três é trágico”

Coloco entre aspas o título deste post devido à sua ostensiva violação gramatical.

Foi o que melhor encontrei para sintetizar uma ostensiva demonstração de inutilidade política.

A [email protected] Dilma, desgostosa com a atuação medíocre, quando não calamitosa, de Ideli Salvatti na condução do trato com o Congresso, botou em campo Gleisi Hoffmann.

Ambas demonstraram o grande talento para tumultuar – cada uma agia a seu modo – a votação da MP dos Portos (aprovada no afogadilho) e bater cabeça, como descreveu o Estado de S. Paulo em editorial, na votação da MP 605. A MP reduz o custo da energia elétrica na conta, que, no final das conta, continuará sendo paga pelo consumidoro, só que por tabela.

A MP foi aprovada na terça-feira, num episódio classificado pelo presidente da Câmara como “vexame”, inviabilizando que o Senado a votasse a tempo – pois Renan Calheiros, depois da humilhação imposta a seus pares na votação da MP dos Portos, condicionou a votação de MPs desde que chegassem ao Senado com sete dias de antecedência.

A MP vence segunda-feira, e já está inviabilizada (o governo encontrou uma maneira mais que criativa – fraudulenta – pra levar adiante seu intento: embutir o conteúdo da MP da Energia na MP que desonera a cesta básica…)

Muito bem. Agora a [email protected] Dilma, desgostosa com Ideli e Gleisi, chamou para vestir a camisa da articulação política o ministro Mercadante. Que se notabilizou pelas trombadas a patuscadas, tanto no Congresso quanto na condução das pastas de Ciência e Tecnologia e Educação.

Como indica o título deste post, “um é pouco, dois é ruim”, e com a entrada em cena de Mercadante, uma tragédia se anuncia no horizonte.

 

 

 

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Chávez, Chávez, por que os abandonaste?

Hugo Chávez produziu um grande milagre logo depois de ter desencarnado, afirmou seu sucessor e ungido Nicolás Maduro: o líder da revolução bolivariana, que fora militar durante toda a vida, mesmo quando na presidência, transmutou-se em diplomata para recomendar a Deus – assim, de igual para igual – que elegesse um papa sul-americano.

E o cardeal argentino Jorge Bergoglio tornou-se o sucessor de Bento 16..

Aleluia!

O espírito bem-aventurado de Chávez transmutou-se num “lindo passarinho”, no primeiro dia de campanha oficial para a presidência da Venezuela, para profetizar – assoviando, no que foi correspondido à altura pelo destinatário da mensagem, Maduro – que ele seria o eleito.

Foi necessária uma fraude grotesca, mas Maduro tornou-se presidente da República Bolivariana da Venezuela.

Aleluia!

Os venezuelanos estão comendo mais, segundo um dos ministros. Por causa disso (o que desmente o apelo de Maduro em sua viagem ao Brasil, para que Dilma enviasse, e logo, grande quantidade de alimentos), a produção local de papel higiênico não está dando conta do serviço.

Nem a importação de 48 milhões de rolos foi capaz de suprir a demanda crescente.

Chávez, Chávez, por que, neste momento de aflição coletiva, abandonaste teus filhos?

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Lucidez tucana

“Não acho que a herança que um pai de família pode deixar pro seu filho é o cartão do Bolsa Família.”

De Aécio Neves, no programa do PSDB exibido ontem à noite, no qual ele aparece visitando moradores do interior de Minas e falando, com um grupo de eleitores, em linguagem coloquial.

Um dos raros – e históricos – momentos de lucidez publicitária  dos tucanos.

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Bolsa Família: o boato e sua moral fabulosa

Reinaldo Azevedo


O ridículo, no caso que envolve a Caixa Econômica Federal e a bagunça gerada pelo pagamento dos benefícios do Bolsa Família, parece não ter fim. Nesta quarta, a presidente Dilma Rousseff, imaginem vocês!, emitiu uma nota oficial para afirmar que nada muda na direção da instituição financeira e que a “a diretoria é formada por técnicos íntegros e comprometidos com as diretrizes da CEF, com seus clientes e com os beneficiários de programas tão importantes para o Brasil, como o Bolsa Família e o Minha Casa, Minha Vida”.

Ah, bom, se é assim…

Façamos, pois, uma síntese da história, à qual Dilma, finalmente, empresta, então, uma moral. E a moral da história é a seguinte: quando não se conhecia a origem da confusão, a ministra Maria do Rosário (Direitos Humanos) houve por bem culpar a oposição, com aquela clarividência que, a gente nota, ela traz, de hábito, estampada na testa. Já o ministro José Eduardo Cardozo, o Garboso, e a presidente Dilma preferiram apontar uma conspirata. Para a governanta, o responsável, além de “desumano”, era também “criminoso”.

Muito bem! Agora já se sabe — embora seja frenética a busca de um bode expiatório — que foi a própria CEF a responsável pela confusão. Menos do que o boato do fim do benefício, o que pegou mesmo foi a informação — e se tratava de um fato parcialmente verdadeiro — de que havia um “dinheiro a mais” na conta… E havia: a antecipação do pagamento de maio.

Com a informação em mãos — apurada pela imprensa (reportagem da Folha), não pelo governo ou pela própria CEF —, os “desumanos” e “criminosos” de antes viram heróis. E não pode haver, convenham, melhor síntese do petismo do que essa. Esse episódio, já que tem uma moral da história, assume mesmo o tom de uma fábula — do subgênero perverso. E sua síntese é esta: “Os inocentes, se nossos inimigos, são criminosos; os culpados, se nossos aliados, são virtuosos”. Ou ainda: “Os adversários são sempre culpados, mesmo quando inocentes; os aliados são sempre inocentes, mesmo quando culpados”.

Quem estranha? Voltemos ao caso do mensalão e dos mensaleiros, que estão por aí, para escândalo do bom senso, atacando o Supremo Tribunal Federal. A impressão que se tem é que o país não foi vítima do maior escândalo da história republicana; os protagonistas dos atos criminosos é que teriam sido vítimas, coitados!, de um tribunal de exceção. Se bem que, convenham, a coisa faz sentido: aqueles que, no fundo, odeiam o processo democrático acabam se sentindo perseguidos por suas regras e por suas leis. É um vexame!

 

Reinaldo Azevedo é blogueiro da veja.com

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Palavra nenhuma

Uma obra-prima sobre o pensamento, a liberdade de opinião e expressão, a importância do jornal – e do silêncio como manifestação da dor ou inconformidade:

 

Eugênio Bucci* – O Estado de S.Paulo

Saiu em branco o primeiro editorial da página aí ao lado, a A3, na edição do dia 22 de maio. Se você viu, há de se lembrar. Ou melhor, se você viu, jamais esquecerá, tamanho o choque visual daquela clareira sem letras. Se você não viu, por favor, vá atrás. Não deixe de encontrar e contemplar aquela “nota 1” – como é chamado, no jargão interno do Estadão, o principal editorial do dia – sem título, sem sílabas, sem nada. Nada, apenas o ex-libris ao centro. A experiência estética é única. Se existe uma aura em jornais – esses calhamaços que ainda servem para forrar o assoalho de apartamentos em reforma, para esquentar as calçadas onde crackeiros passam a noite e para acender churrasqueiras no fim de semana -, essa aura pode ser vista a olho nu na página A3 de 22 de maio.

Na véspera, Ruy Mesquita, aos 88 anos, morrera num hospital em São Paulo. Em outros espaços editoriais, o jornal daquele dia cuidou de noticiar o falecimento. Um caderno especial trouxe artigos diversos – e bons – sobre a biografia do dr. Ruy, como o tratavam na redação. Quanto à página A3, essa preferiu emudecer, numa tirada gráfica de rara inspiração. Ruy Mesquita cuidava pessoalmente dessa página, desde a pauta até a edição dos editoriais. Sob sua orientação a página 3 se firmou como uma das mais estáveis instituições da nossa imprensa. Pode-se dizer que há algumas décadas ela faz as vezes de coluna vertebral da opinião pública brasileira, com textos que informam e debatem. Concorde-se ou não com as teses que sustentam, impõem respeitabilidade e reflexão. Não há como ficar indiferente. Por tudo isso, e por mais do que isso, a falta de Ruy Mesquita era assunto obrigatório no Estadão, mas, na página que ele fazia, não poderia ser simbolizada de outra forma que não fosse a explícita falta de simbolização. Bastou o silêncio.

Um silêncio desse tipo perturba. Tanto que na ditadura militar, quando a censura baixou no Jornal da Tarde e no Estado, a polícia não autorizava que espaços em branco, silenciosos, ocupassem o lugar das reportagens podadas pela tesoura do governo. O vazio era proibido. Era subversivo. Este jornal inventou um jeito de contornar a mordaça com uma solução quase tão desestabilizadora quanto o próprio silêncio: em vez de enfiar bobagens chapa-branca nas clareiras deixadas pelos textos interditados, passou a publicar trechos de Os Lusíadas e receitas de bolo. Denunciou o arbítrio, mas não tinha direito ao silêncio.

Agora, tem. E o primeiro significado estético da nota 1 em branco na edição de 22 de maio é reafirmar o direito ao silêncio. Mas esse não é nem de longe o significado mais forte. O papel despido, com suas nervuras vegetais à mostra, em nu frontal, escancara um significado mais intenso e mais central.

Essa coisa corpórea e estirada, o papel-jornal, tem sido a matéria sobre a qual as nações modernas forjaram sua identidade. Foi por meio de artigos de jornal que os federalistas ganharam a concordância dos cidadãos americanos. Foi também nos diários que os espaços públicos nacionais da Europa se traduziram em comunidades coesas, estruturadas em letras pretas sobre fundo branco. O papel cru que pudemos ver graças às letras ausentes no alto da página A3 é o mesmo papel que constituiu, desde o final do século 18 até pelo menos a metade do século 20, o que podemos definir como a instância da palavra impressa (só muito recentemente substituída, em parte, pela instância da imagem ao vivo). Sem a instância da palavra impressa as sociedades democráticas simplesmente não existiriam.

Portanto, se você não viu e quer ver essa instância cara a cara, procure um exemplar do jornal do dia 22. Existe ali, sim, pelo menos um resíduo de aura. Isso é complicado de explicar, embora dê para sentir (ou pressentir).

“O que é a aura?”, perguntou-se certa vez Walter Benjamin, para responder logo em seguida: “É uma figura singular, composta de elementos espaciais e temporais: a aparição única de uma coisa distante, por mais perto que ela esteja”. Olhe, então, para o papel sem tinta, emoldurado pelas bordas da paginação e ancorado pelo ex-libris. A “coisa distante” que você pressentirá serão as bobinas escorrendo pelas rotativas de imprensa. Esses rios de celulose são como o rio de Heráclito, em cujas águas ninguém nunca se banha duas vezes, pois, embora o rio seja o mesmo, as águas são sempre novas. Nesses rios de papel vão banhar-se as letras que também se renovam diariamente, de tal forma que um jornal nunca é igual ao do dia anterior, embora seja sempre o mesmo.

É mais ou menos essa a “coisa distante” que se insinua ali, naquele vazio, ainda que exista outra coisa, mais distante ainda, que também possa ser vislumbrada. A coisa mais distante ainda nós a chamamos de História. Por meio da superfície grosseira do papel, aqui, nesta página mesmo, debaixo das letras desta linha, você entra em contato com as bobinas escorrendo em alta velocidade. Aí, por trás das corredeiras de celulose, você pode intuir o próprio curso da própria História. Os jornais compuseram diariamente, ao longo de pelo menos dois séculos, o primeiro rascunho da História e, embora esta não seja um fluxo retilíneo, linear e constante, a função dos jornalistas é tentar fixá-la numa cronologia ordenada, embora vã.

Assim fluem as faixas líquidas de ranhuras vegetais devoradas pelo furor das rotativas. A “coisa distante”, enfim, é uma história que fica além do próprio papel, além de qualquer árvore, além das florestas e da natureza. Eis como vemos “a coisa distante”, “por mais próxima que esteja” de nós esta folha de papel aqui (ou a folha nua do dia 22 de maio).

Uma história centenária passou pela página 3, aí do lado, sem que a gente se desse conta. Então vem o vazio e vem também uma pergunta: para onde vai correr o tempo agora?

* Jornalista, é professor da ECA-USP e da ESPM

 

 

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Que vexame, companheiros!

A Justiça de São Paulo marcou data para leiloar a sede da Cooperativa Habitacional dos Bancários de São Paulo (Bancoop): 5 de julho próximo. A decisão, da juíza Fernanda Gomes Camacho, da 19.ª Vara Cível da Capital, foi tomada em ação movida por uma cooperada, Sônia Regina Albert Perez, para declarar a inexigibilidade de débito e condenar a entidade a outorgar a escritura pública definitiva do imóvel que adquiriu.

A Bancoop foi fundada nos anos 1990 por um núcleo do Partido dos Trabalhadores. Ex-dirigentes da cooperativa tornaram-se réus em ação criminal por formação de quadrilha, estelionato, falsidade ideológica e lavagem de dinheiro. A promotoria aponta desvios de R$ 100 milhões. Um dos acusados é o bancário João Vaccari Neto, tesoureiro da campanha presidencial de Dilma Rousseff e secretário de Finanças do PT. Ele presidiu a Bancoop. Por meio de seu advogado, o criminalista Luiz Flávio Borges D’Urso, o petista negou irregularidades na gestão da Bancoop.

A sede da Bancoop ocupa dois andares do Edifício Britânia, na Rua Líbero Badaró, 152. A ação que culminou com a ordem de leilão teve início em 2006. Em 9 de novembro de 2012, a Justiça avaliou o imóvel em R$ 987 mil. O valor da ação de Sonia Perez é R$ 74,7 mil.

 

Leia mais em http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,justica-vai-leiloar-sede-de-cooperativa-ligada-ao-pt-em-julho-,1037137,0.htm

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