Mês: janeiro 2014

 

Eles não querem perder a boquinha

Para manter a boquinha no governo, petistas do Rio saem do partido:

estadao.com.br

A saída dos petistas do governo do Estado, depois do rompimento da aliança com o PMDB, não será tão grande quando imaginava a cúpula do PT-RJ. Nesta sexta-feira, 31, enquanto muitos servidores assinavam pedidos de exoneração dos cargos comissionados, nas secretarias onde estão lotados, outros militantes foram à sede do partido solicitar desfiliação do PT, para continuarem empregados no governo. A rebelião à ordem de demissão generalizada aconteceu principalmente na Secretaria de Assistência Social e Direitos Humanos (SASDH), que tem 377 cargos comissionados – pelo menos metade ocupada por petistas.

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http://www.estadao.com.br/noticias/nacional,petistas-desfiliam-se-para-continuar-no-governo-cabral,1125358,0.htm

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Absolutamente inútil

Editorial de O Estado de S.Paulo

Dos 83 parágrafos da declaração final da 2.ª Cúpula da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac), não há rigorosamente nenhum que justifique a realização do encontro – salvo, talvez, o 80.º, em que se anuncia a data do próximo. Poucos documentos resumem com tanta clareza a inutilidade de mais esse ajuntado de letras que representa, no discurso grandiloquente de seus líderes, “o espaço adequado para reafirmar a identidade da América Latina e do Caribe, sua história comum e suas lutas contínuas pela justiça e pela liberdade”.

O caminho até a Celac foi palmilhado, nesta década, por siglas criadas para dar forma à ideia de integração latino-americana sem a presença dos Estados Unidos, o grande inimigo ideológico a ser combatido. Temos, assim, a Comunidade Sul-Americana de Nações (Casa), que foi rebatizada de União de Nações Sul-Americanas (Unasul), e a Alternativa Bolivariana para as Américas, que depois se tornou a Aliança Bolivariana para os Povos de Nossa América (Alba).

A Celac é, ela mesma, uma espécie de antípoda da Organização dos Estados Americanos (OEA), que, na visão dos bolivarianos, é submissa aos interesses dos Estados Unidos. Tanto é assim que o falecido caudilho Hugo Chávez, idealizador da Celac, queria que ela se chamasse Organização dos Estados Latino-Americanos.

Embora a verborragia vazia das declarações oficiais aborde uma ampla série de temas, como o “reconhecimento do papel dos povos indígenas no desenvolvimento econômico” e o “risco do aquecimento global para os países pobres”, a Celac existe apenas para incluir Cuba – que, como se sabe, só poderá voltar à OEA se deixar de ser uma ditadura.

O isolamento cubano, que inspirou a formação da Celac, já nem é tão grande. A aproximação não se resume à relação calorosa de Cuba com a Venezuela, que substituiu a União Soviética como financiadora oficial do regime castrista. Diversos outros países fazem atualmente bons negócios em Cuba, a começar pelo Brasil, e a União Europeia vem há tempos negociando com Havana. O bloqueio americano à ilha, usado como pretexto pela linha-dura cubana para se manter no poder, é, de fato, anacrônico.

Mas o que se pretende com a Celac, e isso ficou claro nessa última cúpula, realizada justamente em Havana, é legitimar a ditadura cubana. Não é à toa que a declaração final principia enfatizando que deve haver respeito “ao direito soberano de cada um de nossos povos para escolher sua forma de organização política e econômica”. É uma clara renúncia à imposição de qualquer forma de cláusula democrática, como a que aparece no conjunto de normas da OEA e que pune países nos quais não vigora o “respeito aos direitos humanos e às liberdades fundamentais” e o “acesso ao poder e seu exercício com sujeição ao Estado de Direito”, além do “regime pluralista de partidos e organizações políticas” e a “separação e independência dos poderes públicos”. É a descrição de tudo o que não há em Cuba – cujo regime mandou prender uma centena de dissidentes às vésperas da realização da cúpula da Celac.

Para não dizer que foi totalmente improdutivo, o desfile das guayaberas teve alguma utilidade ao menos para a Venezuela. O presidente venezuelano, Nicolás Maduro, anunciou que a Celac vai ajudar o país a enfrentar a escassez de diversos produtos, fruto da política econômica suicida praticada pelo chavismo. “Não vão nos chantagear. Estamos rompendo amarras com todos e estamos criando novos fornecedores em países aliados estratégicos”, discursou Maduro.

A presidente Dilma Rousseff prestigiou essa farsa, com direito ao manjado beija-mão com Fidel Castro e a um discurso em que elevou Cuba à categoria de grande parceiro comercial – apesar dos apagões, da infraestrutura arruinada e da escassez de quase tudo. Dá-se preferência, assim, apenas à satisfação de compromissos ideológicos, destituídos de qualquer resultado positivo – enquanto iniciativas regionais com verdadeiro potencial, como o Mercosul, padecem há anos de picuinhas e desinteresse.

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PT de Londrina é condenado por caixa 2

Demorou, mas a sentença não poderia ser outra: o PT praticou caixa 2 na campanha, em 2004, pela reeleição de Nedson Micheleti para a Prefeitura de Londrina.

Jacks Dias, então tesoureiro da campanha – e posteriormente vereador – foi condenado a um ano e cinco meses de prisão em regime semiaberto e a pagamento de multa.

A sentença é do dia 22 e foi proferida pelo juiz da 41ª Zona Eleitoral de Londrina, Alberto Junior Velozo.

A denúncia da existência do caixa 2 foi feita por Soraya Garcia, que trabalhou no comitê financeiro da campanha petista. Soraya mudou-se para Portugal.

O caso não se encerra por aí, porque o advogado do partido promete recorrer.

O ex-prefeito Micheleti foi tirado do processo (não havia fato objetivo contra ele) em troca da proibição, sem autorização da Justiça, de viajar e – crueldade das crueldades – frequentar bar. (Jamais saberemos se ele cumpriu as proibições.)

Por que a sentença não poderia ser outra?

Acompanhei a investigação na condição de correspondente do Estadão e me deparei com indícios e provas ululantes.

E com armações ilimitadas do PT. Uma delas, o roubo – foi essa a versão do partido – do conteúdo de um cofre no apartamento de Jacks Dias.

O advogado do PT terá que saracotear para obter a revogação da sentença.

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Seis anos no ar. Mais de 2 milhões de acessos

O sexto aniversário desde blog estava passando batido, e eis que – dois dias depois da efeméride, 28 de janeiro de 2008 – o subconsciente me alertou sobre ela.

Lá se vão 7.898 postagens e 2.714.000 acessos únicos, computando este e o site de odiario.com, que também me hospeda.

Agradeço aos leitores pela fidelidade – sei que muitos o fazem a contragosto –, e é esta fidelidade que me faz perseverar.

Utilizo o blog para praticar minha vocação jornalística. E exercer minha cidadania.
Por dizer, nestes dias sombrios em que uma seita política pretende o domínio total do Estado, o que desagrada a esses militantes do totalitarismo, desperto ódios.

Mas conquisto cada vez mais os corações daqueles – silenciosos em sua maioria – que não se conformam com o destino que os sectários pretendem dar ao país.
Obrigado, leitores.

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Minha primeira postagem

Minha primeira postagem neste blog (odiario.com ainda não o hospedava, o que passou a acontecer um ano depois), abordou a profecia do então prefeito de Londrina, o petista Nedson Micheleti, sobre o resultado do processo eleitoral que se consumaria no final daquele ano.

A postagem baseia-se em entrevista do prefeito a um jornal financiado pelo PT- que fechou as portas quando acabou a boquinha -, reproduzida em parte pelo jornalista Délio César, que mantinha uma página na internet.

Transcrevo a postagem de estreia e a comento no final.

Vitória por W.O., a estratégia do alcaide

Comentário sobre o comentário de Délio César (deliocesar.jor.br)
de domingo, 27 de janeiro:

Caro Délio,

Desculpe-me por voltar a incomodá-lo, e em tão curto espaço de tempo desde minha última intervenção, mas a culpa é sua. Fui instigado por você a ler a íntegra da mais recente entrevista de nosso alcaide ao jornal oficial do Município, “Folha Norte”, na qual ele faz a estonteante profecia de que a eleição de seu sucessor será definida em primeiro turno por apenas dois contendores: Barbosa Neto e o petista André Vargas.
Esta entrevista evoca outra do mesmo teor e para o mesmo jornal oficial, há poucos meses, quando ele previu a decisão entre os mesmos candidatos de sua preferência, mas em segundo turno!
Naquela ocasião ele considerava o Belinati fora do páreo, por supostos problemas com a Justiça eleitoral; desta vez, e de um só golpe – para cada candidato em potencial ele encontrou um motivo para a renúncia –, o prefeito tirou da raia, além do Belinati, o Hauly, o Bonilha, o Cheida e todo o PMDB e o Alex.
Seguindo esta lógica, na próxima entrevista ao mesmo periódico, ele vai eliminar também o Barbosa Neto, sabe-se lá por que alegação.
Tal exercício de extermínio de rivais leva a uma única conclusão: é o próprio Nedson quem admite subliminarmente que, somente com a desistência ou impedimento de todos – repito – todos os postulantes à chefia do Executivo é que seu candidato André Vargas chegará lá.
Parabenizo nosso alcaide por traçar estratégia tão brilhante: vitória por W.O.!

Atenciosamente
Pedriali

http://josepedriali.blogspot.com.br/2008/01/vitria-por-wo-estratgia-do-alcaide.html

Comentário:

A profecia de Micheleti reflete, mais que uma circunstância, o estado mental dos petistas – o mundo deve se ajustar à visão deles, que é cor de rosa, pois creem piamente que nunca antes alguém fez melhor do que eles. E que, portanto, o povo vai mantê-los no poder pelos séculos dos séculos, amém.

O petista André Vargas, que venceria a eleição em primeiro turno e depois em segundo, na profecia de Micheleti, obteve pouco mais de 5% dos votos.

A eleição foi decidida em três turnos. Belinati – que Micheleti julgava que sequer a disputaria – venceu os dois primeiros. Mas como teve o registro cassado, Luiz Carlos Hauly, que ficara em segundo lugar, disputou o terceiro com Barbosa Neto, e este saiu vitorioso (foi cassado seis meses antes de completar o mandato).

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Precisa-se de um maquiador-geral da República

Josias de Souza/Folha de S. Paulo

Ninguém deseja nenhum mal à presidente da República. Pelo contrário, todo mundo reza —sobretudo seus 39 ministros— para que o humor de Dilma fique cada vez melhor. É preferível pensar que a cara dela naquela foto com o cozinheiro Joachim Koerper, no restaurante Eleven, de Lisboa, fosse de desconforto com um sapato apertado. Do contrário, era a cara de uma gerentona se dando conta de que algo lhe fugira ao controle.

O semblante amarrado de Dilma era de alguém perguntando de si para si: “Onde é que eu fui me meter?” É um tipo de pergunta que costuma preceder decisões drásticas. No caso de Dilma são dois os principais riscos. Ela pode perceber que a Presidência da República ainda vai estragar o seu currículo e desistir da reeleição, devolvendo o abacaxi para o Lula. Ou pode caprichar mais na maquiagem, especialmente ao redor dos olhos.

Grande ideia essa de excluir a escala em Lisboa da agenda oficial da presidenta. Mas parece óbvio que não se deve parar por aí. A experiência não deve ficar só nas viagens internacionais ou na escrituração criativa do orçamento fiscal. Deve ser estendida a todas as ações do governo. Você eu não sei, mas a maioria dos brasileiros não aguenta mais.

Quando parece que está tudo bem —os mensaleiros na cadeia, a barba do Lula de volta, o novo cabelo do Renan aprovado pelo espelho, o Eduardo Cunha em recesso, a reforma ministerial encaminhada, a audiência do Big Brother em declínio, nenhum escândalo novo no Ministério do Trabalho —o país descobre, de sopetão, que Dilma tem olheiras. O sujeito pensa: “hoje, finalmente, vou conseguir dormir em paz.” E não pode. Tem que se preocupar com as olheiras da presidenta.

Diz-se que o Diabo está nos detalhes. Para ir a Roma em março, na missa inaugural do austero papa Francisco, Dilma levou três ministros desnecessários, além do convencional titular do Itamaraty. Numa cidade onde o contribuinte brasileiro mantém uma embaixada —com residência para o embaixador— no belíssimo palácio Doria Pamphili, a doutora e sua comitiva ocuparam 52 suítes do luxuoso hotel Westin Excelsior. Deixaram na caixa registradora da hospedaria R$ 324 mil retirados do bolso do alheio.

Diante de tantos detalhes acumulados, é natural que a assessoria do Planalto tenha tentado ocultar o paradeiro da presidenta nas 36 horas que separaram a decolagem na Suíça da aterrissagem em Cuba. A imprensa, sempre tão malévola, ainda não foi adestrada para compreender que a chefa de um governo democrático e popular e seus auxiliares também merecem o conforto do Ritz e do Tívoli em Lisboa. Se país rico é país sem miséria, o que são os € 8.265 (R$ 27 mil) da suíte presidencial senão um detalhe mal camuflado?

Nada disso tem importância. No Brasil, afinal, o Diabo, Deus e a própria história sempre estiveram nos detalhes. Que nem por isso receberam a atenção devida. Mas tudo tem limites. Se até as contas destoantes podem ser retocadas, por que deixar Dilma sem maquiagem? É intolerável! Dever-se-ia estudar —uma comissão, Mercadante, rápido— a criação de um novo cargo com status de ministro: o maquiador-geral da República. Com um bom programa de camuflagem, o blush correto e os cremes adequados, tudo acaba se integrando à paisagem. Inclusive as olheiras.

Ainda faltam 11 meses para a conclusão do primeiro mandato. Dá tempo de instituir o Bolsa Maquiagem. Com o rosto recoberto de base branca, sobrancelhas pintadas, uma boca cômica bem desenhada e uma bola vermelha no nariz, o brasileiro estará, finalmente, ajustado ao cenário. Cidadão feliz é cidadão colorido.

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Gastos “secretos” de Dilma beiram R$ 15 milhões

Marcelo de Moraes/O Estado de S. Paulo

Criticado por não ter divulgado a escala que a presidente Dilma Rousseff faria em Portugal, o governo também tem aumentado o segredo sobre as despesas feitas pela Secretaria de Administração da Presidência com seus cartões corporativos. Os gastos sigilosos com essa conta – que englobam as despesas da presidente – foram os maiores desde que Dilma assumiu o governo.

Segundo o Portal da Transparência, em 2013, os pagamentos feitos com o cartão pela Secretaria de Administração da Presidência somaram R$ 5,64 milhões, sendo que cerca de R$ 5,60 milhões não tiveram seu conteúdo revelado. O sigilo dos gastos é determinado por uma legislação específica que permite que o pagamento não seja publico para garantia da segurança da sociedade e do Estado.

No ano anterior, os gastos secretos com o cartão da Secretaria tinham somado R$ 4,09 milhões. Em 2011, foram outros R$ 5,1 milhões. Assim, os pagamentos que não tiveram seu conteúdo divulgado já somam cerca de R$ 14,7 milhões na gestão de Dilma.

Como consolo, mesmo sendo recorde na sua gestão, a despesa é inferior ao que foi gasto pela Secretaria, em 2010, no último ano do governo de Luiz Inácio Lula da Silva. Na ocasião, os pagamentos sigilosos feitos com o cartão da Secretaria de Administração da Presidência somaram R$ 6,18 milhões.

Questões de segurança de Estado servem como argumento para justificar a não divulgação dessas despesas. No caso, seriam usados para gastos que envolvem áreas delicadas do governo, como as de investigação e estratégia (Polícia Federal e Abin, por exemplo) e proteção pessoal dos principais dirigentes. Nesse último caso, a presidente e o vice-presidente Michel Temer. Verdade seja dita, o critério valeu sempre para todos os presidentes desde a criação do cartão (Fernando Henrique Cardoso, Lula e Dilma).

De fato, algumas informações precisam realmente ser mantidas em segredo para resguardar os dirigentes da Nação. Difícil é saber qual o critério que regulamenta quais despesas são estratégicas e quais poderiam ter publicidade sem gerar qualquer risco ao governante.

Os cartões já foram alvo de escândalo durante o governo Lula, quando ministros foram flagrados usando o instrumento público para pagar despesas pessoais como compras em free shop e tapioca.

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Era uma vez uma Comissão de Ética

A Comissão de ”Ética” da Presidência da República negou-se a investigar, a pedido da bancada do PSDB na Câmara dos Deputados, a passagem da [email protected] Dilma por Lisboa, alegando que nada pode fazer, já que a [email protected] disse que pagou o restaurante com seu suado dinheirinho.

Para a comissão, a palavra de Dilma é dogma, e ponto final.

E ponto final para a Comissão de Ética, que, com sua nova composição (ou decomposição, conforme o ponto de vista), já dava sinais inequívocos de que a elite do Executivo – a [email protected] e os ministros do PT – estão acima de qualquer conceito de “ética”: são todos serafins.

E ainda hoje, a Comissão absolveu outro petista estrelado, o ministro José Eduardo Cardozo.
Informa o Estadão:

Por unanimidade, a Comissão de Ética Pública da Presidência da República decidiu arquivar processo para apurar a conduta do ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, na investigação de cartel em licitações de transporte público em São Paulo, informou nesta quarta-feira, 29, o presidente do órgão, Américo Lacombe.

“(A denúncia) Foi arquivada porque ele (Cardozo) não fez nada de extraordinário. Como ele (Cardozo) disse claramente, já passou do tempo do engavetador geral da república. Isso não existe mais”, afirmou Lacombe.

Remember: Cardozo vazou para a imprensa parte de uma investigação sigilosa…

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