Mês: maio 2015



29 de abril: a encenação de uma farsa

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Estas fotos estão entre as que mais atraíram o interesse da imprensa sobre o confronto de 29 de abril no Centro Cívico de Curitiba.

Foto 1: uma mulher se ajoelha diante de um pelotão, coeso e em posição defensiva, da Polícia de Choque, protegido na retaguarda por um blindado. Foto 2: uma mulher corre desesperada na frente de um pelotão de policiais do Choque em movimento (houve quem relacionasse a cena com a das crianças vietnamitas fugindo, em pânico – uma delas nua –, após sua aldeia ser atingida por napalm).

As fotos foram feitas em dois cenários. No primeiro, a jovem se ajoelha na rua e abre os braços em súplica enquanto segura as pontas de seu echarpe. Usa colete vermelho, blusa azul amarrada à cintura e a alça à direita revela que porta uma bolsa. Está a pelo menos cinco metros dos soldados.

No outro, ela corre na frente dos soldados, expressão de horror, braços abertos em sinal de desespero. Está na calçada, a tropa avança – o blindado desapareceu -, mas a distância que impõe lhe dá total segurança.

Os símbolos estampados na frente do colete vermelho revelam sua militância na APP sindicato, que capitaneou os protestos de 29 de abril.

A militante cumpriu sua missão: posar como frágil vítima de policiais que ameaçavam sua integridade física. Condição que não se consumou, mas inspirou a imprensa. Bravo!

(Moral da história: provocar a reação da polícia era o objetivo da APP e sindicatos que se uniram a ela contra a aprovação da mudança da Paranaprevidência. Sindicatos, coincidentemente, controlados pelo PT e partidos aliados. O governo Beto Richa caiu como patinho…)

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29 de abril: para não desprezar jamais

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A repressão da PM aos que protestavam contra a mudança da Paranaprevidência pela Assembleia Legislativa em 29 de abril foi acima do tolerável, e seu custo político – altíssimo – está sendo cobrado dos deputados e do governador Beto Richa (ver postagem abaixo).

O confronto está sendo investigado pelo Ministério Público, que deverá emitir um parecer dentro de 15 dias.

Se a reação da tropa foi desmedida – e foi -, não se deve omitir, no entanto, que ela não passou de uma… reação. A ação foi praticada por manifestantes radicais, que tentaram invadir a Assembleia, cercada pela PM em cumprimento de ordem judicial (a Justiça havia limitado o acesso às galerias para evitar que se repetisse a invasão e cerco do prédio ocorridos em fevereiro).

A APP Sindicato, que liderou os protestos, tem sua parcela de culpa, já que a convocação para a ocupação do Centro Cívico não se limitava – conforme exposto em seu portal – a protestar contra a votação da reforma da Paranaprevidência, mas para “impedir” sua aprovação. E a tentativa de invasão começou quando, do caminhão de som da APP, alguém deu a palavra de ordem, depois de informar que a Justiça reformara sua decisão – que autorizava a entrada de manifestantes desde que limitados à capacidade das galeiras, – para permitir a entrada na Assembleia apenas dos líderes sindicais: “Ou entram todos ou não entra ninguém”.

(Afirmar que não havia black bloc entre os manifestantes é atestado público de má-fé, como mostra uma das fotos acima.)

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29 de abril: para não esquecer jamais

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As cenas da truculência empregada pela Polícia Militar para dispersar os manifestantes que ocupavam o Centro Cívico em 29 de abril, em protesto pela mudança do Paranaprevidência que era votado pela Assembleia Legislativa do Paraná, falam por si.

A repressão foi o epílogo (até então) de uma série de erros captais cometidos pelo governador Beto Richa desde o início de seu segundo mandato. Entre eles, o aumento de seu salário e dos secretários ao mesmo tempo em que enviava para a Assembleia o pacote de ajuste fiscal- o pacotaço -, que previa, entre outros, a fusão do Paranaprevidência ao Fundo Financeiro (perdendo, assim, sua finalidade), o fim dos anuênios e quinquênios dos servidores e a extinção do vale-transporte. Projeto enviado em regime de urgência, e assim correspondido pelos deputados, impedidos, no entanto de efetivar a ordem do Palácio Iguaçu pela ocupação e cerco da Assembleia. A cena mais infame desse episódio foi a entrada dos deputados na Assembleia num veículo blindado – o “camburaço”. O projeto foi retirado de pauta e amenizado. A fusão da Paranaprevidênca com o Fundo Financeiro foi substituída pela autorização de usá-la para pagar aposentados e pensionais com mais de 73 anos.

Essa autorização, dada no fatídico 29 de abril, trouxe um custo político altíssimo, tanto para os deputados da base quanto – e principalmente – para o governador Beto Richa. Sua imagem de conciliador ficou irreversivelmente comprometida, e era o que restava de seu capital político. A capacidade gerencial de Richa foi desmistificada pela ruína das finanças do Estado e a pulcritude de seu governo veio abaixo com a prisão do “parente distante” Luiz Abi Antoun, eminência parda do Palácio Iguaçu e frequentador assíduo do gabinete do governador, acusado pelo Gaeco de fraudar licitação pública.

Richa ressurgirá das cinzas? Lancei esse desafio após o vexame da retirada de pauta do pacotaço, ocorrida às vésperas do Carnaval. O período de recolhimento da Quaresma poderia indicar o procedimento de sua ressurreição. E aí veio o 29 de abril…

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Gleisi, a “fiel soldada”, trai mais uma vez o trabalhador…

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A senadora paranaense Gleisi Hoffmann, que subiu em carro de som em 29 de abril para endossar a manifestação dos servidores públicos contra a reforma do sistema previdenciário – o Paranaprevidência, considerando-o prejudicial à categoria, correspondeu ao título que deu a si mesma de “fiel soldada do Planalto” e voltou a aprovar nova medida provisória que afeta dos direitos trabalhistas e… previdenciários. Informa o Estadão:

BRASÍLIA – O plenário do Senado aprovou nesta quarta-feira, 28, por 50 votos a 18 a Medida Provisória 664, que restringe o acesso à pensão por morte e ao auxílio-doença. Os senadores mantiveram a proposta vinda da Câmara, que também flexibiliza o fator previdenciário. A segunda MP do ajuste fiscal segue para sanção da presidente Dilma Rousseff, que cogita vetar o cálculo de aposentadoria incluído pelo Congresso e apresentar um projeto alternativo, a fim de amenizar o desgaste político.

Editada no fim do ano passado, a MP 664 tinha como objetivo, segundo o governo, evitar “fraudes e distorções” nos pagamentos dos benefícios previdenciários. O plano original previa economia de cerca de R$ 2 bilhões, mas, como texto foi modificado pelo Legislativo, esse valor praticamente caiu à metade.

Por esse motivo, havia no governo quem preferisse que a MP caducasse – a validade da medida provisória cairia na próxima segunda-feira se não houvesse aprovação do Congresso. Assim, o governo não teria o ônus de vetar a fórmula proposta pelos deputados, mais benéfica aos trabalhadores. Prevaleceu a tese pela aprovação da MP.

O líder do governo, Delcídio Amaral (PT-MS), orientou os aliados a votar a favor do texto vindo da Câmara. Tanto PMDB quanto PT foram 100% fiéis ao Planalto.

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… e Requião a acompanha desta vez

Ao contrário da véspera, quando votou contrariamente à MP 665, que dificulta a concessão do seguro-desemprego e do abono salarial, o peemedebista Roberto Requião – crítico contundente do projeto de reforma do Paranaprevidência, de autoria de seu adversário Beto Richa – juntou-se aos que aprovaram a medida provisória que restringe o auxílio-doença e… a pensão por morte!

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O PT se impõe a Cunha e ao bom senso

acO PT saiu vitorioso na votação da proposta de reforma política encerrada nesta madrugada: o distritão – sistema misto para a eleição de deputados – e a proibição de financiamento privado de campanhas eleitorais foram aprovados.

Se O PT venceu, o presidente da Câmara, Eduardo Cunha – defensor de ambas as propostas -, foi derrotado.

E não só ele: o bom senso. A proibição de financiamento privado das campanhas é uma das hipocrisias do PT, que atribui a esse procedimento a origem de todos os pecados da vida pública.

O PT deu demonstrações de sobra de que não se limita a financiar suas campanhas com doações de empresas: transformou propina em doação eleitoral por parte de empreiteiras de obras públicas.

Quem garantir há de que o partido não aperfeiçoará o método atual, o PeTrolão, devassado pelo Ministério Público e Polícia Federal, que é mero aperfeiçoamento do mensalão?

Se o financiamento privado de campanhas eleitorais induzisse ao crime, os Estados Unidos, que possuem a democracia mais modelar, não o adotariam…

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A trajetória do “Bocão” André Vargas: do céu ao inferno. Sem escala

Ele andava todo pomposo, de terno e gravata, celulares à mão (sim, eram vários, adequados ao assunto), carro oficial, motorista à disposição, avião da FAB a seu livre dispor, assessores para tudo – até para carregar seu paletó do saguão do aeroporto ao avião -, verba de representação de fazer corar um parlamentar inglês. Mandava e desmandava, só abaixando a cabeça para o presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves, seu superior imediato. Sentia-se tão poderoso que insultou, repetindo o gesto dos companheiros mensaleiros, o presidente do STF. Joaquim Barbosa, em sessão solene do Congresso, que presidia.

Esse foi o píncaro da glória de André Vargas: vice-presidente da Câmara dos Deputados, função que coroou sua trajetória de político, iniciada como vereador em Londrina eleito em 2000, depois deputado estadual, depois federal por dois mandatos.

Então seu mundo ruiu.

E ruiu por conta e risco dele, ao fazer jus ao apelido que o acompanhou desde que, na condição e presidente da CPI dos Pedágios do Paraná – velha bandeira de seu partido, o PT –, determinou que estava tudo de acordo com a lei e a ordem, decisão que redundou num salto visível de sua condição econômica…

O apelido é “Bocão”.

Pois de bocão em bocão, Vargas aproximou-se – para citar o mais notório dos contraventores – de Alberto Youssef, que lhe abriu as portas do paraíso, do qual teve uma avant-première ao viajar com a família para o Nordeste de férias num jatinho fretado pelo doleiro de mil e uma utilidades para os corruptos de alto escalão.

Da mesma forma como subiu ao paraíso, Vargas desceu ao inferno: réu da Operação Lava Jato por (por enquanto) abocanhar uma fatia generosa da milionária verba publicitária da Caixa Econômica e do Ministério da Saúde, foi preso em 10 de abril e conduzido à carceragem da PF em Curitiba. E de lá transferido hoje para o Complexo Médico-Penal de Pinhais… e depois, sabe-se lá onde irá cumprir a pena que as provas contundentes de suas ações criminosas exigirão do juiz Sérgio Moro.

Sendo transferido hoje da PF para o novo “lar”:
o uniforme laranja o espera

Adeus, ternos feitos sob medida para seu porte GGGG+G. Adeus, moletom e camiseta: a partir de agora, na cela com três camas de concreto, latrina no chão e sem parede, uma pia e ducha servida por água fria, o uniforme de Vargas será um macacão laranja.

Laranja…

Moral da história: quem mandou arreganhar o “Bocão”?

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MP 665: a coerência de Requião

Os senadores Roberto Requião (PR) e Ricardo Ferraço (ES) foram as dissidências do PMDB na votação da MP 665, aprovada ontem à noite (ver postagem abaixo). Fiel ao compromisso com Dilma, apesar das saracoteadas do presidente do Senado, Renan Calheiros, o PMDB fechou questão para aprovar a matéria.

Requião foi coerente. Criticou a mudança na Paranaprevidência pretendida por seu adversário Beto Richa e aprovada pela Assembleia Legislativa em 29 de abril, alegando que ameaça a longo prazo a aposentadoria dos servidores. Não poderia, portanto – como fez, sem nenhum pudor, sua colega de bancada Gleisi Hoffmann – apoiar uma medida provisória que restringe o seguro-desemprego, o abono salarial e seguro ao pescador artesanal.

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Gleisi, o exemplo retumbante do modo de ser petralha

O Senado aprovou ontem à noite, por 39 votos a 32 (ufa!) a Medida Provisória 665, que dificulta a concessão de seguro-desemprego, abono salarial e seguro ao pescador artesanal em tempos de pesca proibida. A expectativa do governo é reduzir em R$ 5 bilhões os gastos com esses benefícios neste ano.

Três senadores do PT se juntaram aos contrários: Lindbergh Farias (RJ), Paulo Paim (RS) e Walter Pinheiro (BA).

Epa, cadê a Gleisi Hoffmann, que em 29 de abril, dia do confronto mais cruento da história do Centro Cívico, se juntou aos manifestantes para protestar contra a reforma da Paranprevidência, considerando-a prejudicial aos interesses do trabalhador?

Como “soldada do Planalto” que é (a definição é dela própria), nada mais natural do que seu alinhamento incondicional a tudo o que ordenar sua chef@ Dilma Rousseff. E nada mais natural do que se opor incondicionalmente a tudo o que pretenda seu opositor no Paraná, o governador tucano Beto Richa – mesmo que, em última instância, seja o mesmo que Dilma.

A incoerência faz parte do modo de ser petralha, compartilhado, aliás, por todos aqueles que criticam, por mais justificada que seja essa crítica, Beto Richa, e se vergam sem pudor a todos os desmandos do PT e seu (des)governo.

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Cerveró: cinco anos no xilindró

aaO juiz Sergio Moro condenou hoje a cinco anos de prisão em regime fechado o ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró por lavagem de dinheiro.

O apartamento em que residia no Rio, avaliado em R$ 7,5 milhões e em nome de uma offshore, foi considerado a prova de que disfarçou as propinas que recebia quando diretor da Petrobras.

Cerveró está preso em caráter preventivo na carceragem da Polícia Federal de Curitiba.

Cerveró, Cerveró
Cinco anos de xilindró!
Ai que dó, ai que dó.
(Dó?)

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