Melhor seria se Dilma tivesse ficado calada na ONU

Os discursos dos chefes de Estado na ONU são utilizados para marcar presença e do país que representam no cenário internacional. Desde a posse de Lula, no entanto, são usados por ele e sua sucessora como instrumento de propaganda oficial. E com o mesmo despudor, desfaçatez e distância da realidade que caracterizam tanto a propaganda de governo quanto a do partido a que pertencem.

No discurso em que abriu hoje a Assembleia Geral da ONU, Dilma atribuiu a crise econômica brasileira à “lenta recuperação da economia mundial e o fim do superciclo das commodities”, mas garantiu o ajuste fiscal e a contenção de gastos decididos por ela permitirão “superar as dificuldades atuais e avançar na trilha do desenvolvimento”. Afinal, “a economia brasileira é mais forte, sólida e resiliente do que há alguns anos”.

Três mentiras em série, pois:

1) a crise pela qual passamos é consequência das desastrosas medidas econômicas que ela herdou de Lula e aprofundou em seu primeiro mandato;

2) o ajuste (leia-se impostaço e tarifaço) ampliou a recessão, e por ora não houve corte de gastos – a gigantesca máquina pública continua intocada – e sim de investimentos; e

3) a economia está muito mais fraca do que “há alguns anos”, já que os dois únicos períodos históricos que os petistas concebem é o antes e o depois da tomada de poder. Dilma se refere, portanto, ao governo FHC, herdeiro, por sua vez, do Real e outras iniciativas adotadas no governo Itamar Franco, do qual foi ministro da Fazenda. O legado de FHC, sim, era “forte, sólido e “resiliente” (capaz de superar obstáculos), poios permitiu o mais longo e estável período de crescimento econômico e estabilidade da moeda. Legado que ela e Lula arrasaram.

Para completar, Dilma veio com essa meia verdade: “O governo e a sociedade brasileira não toleram e não tolerarão a corrupção”. De fato, tanto a sociedade brasileira não tolera a corrupção que se insurgiu contra o governo dela e o seu partido, o PT, que promoveram o maior saque de empresas públicas de que se tem notícia em nossa história.

Que falta faz alguém que se dirija a Dilma, numa ocasião solene como essa, com a mesma propriedade do rei Juan Carlos ao se enfastiar com a cantilena de Hugo Chavez: “Por que non te callas?”

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Um comentário sobre “Melhor seria se Dilma tivesse ficado calada na ONU

  1. Luiz Carlos Della Vecchia 29 de setembro de 2015 10:29

    CONCORDO, como se já não bastasse as mentiras domesticas agora passamos mais vergonha no exterior.

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