Temer e a Abin: “furo” ou “barriga” da Veja? Aposto na alternativa dois

Um dos grandes desafios das revistas semanais é o tema de capa, que, de preferência, deve ir além do assunto predominante da semana – ou, na impossibilidade disso, trazer informações exclusivas sobre ele.

Essa necessidade gerou grandes “furos” da revista Veja (motivo deste comentário, mas de outras também): as interceptações telefônicas no governo FHC durante o processo de privatização da Telebrás, a relação de Carlinhos Cachoeira com os poderosos da República e a revelação de Alberto Youssef de que Lula e Dilma sabiam da roubalheira da Petrobras (esta provocou até uma ação violenta da petralhada em frente à sede da revista, lembram-se?).

Foi motivo também de grandes “barrigas” (de outras revistas também). “Barriga”, no dicionário jornalístico, “é uma informaçção errada. A mais recente delas, a inclusão do ministro Dias Toffoli na lista dos corruptos delatados pela Odebrechet. Critiquei duramente a revista por isso, e o conteúdo da delação me deu razão: não há citação que compromete Toffoli com a bandalheira nacional.

A reportagem de capa desta semana, sobre a mobilização da Abin para levantar informações comprometedoras do ministro Edson Fachin, ordenada pelo presidente Michel Temer, está para mais “barriga” do que para “furo”.

Uma acusação de conteúdo tão explosivo quanto este mereceria mais do que uma fonte para se tornar público. A Veja baseia-se apenas num “auxiliar do presidente Temer” (quem será o traidor?), e a partir desta fonte delineia um labirinto conspiratório que abre uma série crise institucional e torna ainda mais conflitivo o cenário político.

Presidência da República e Abin negam a informação (negativa incluída na reportagem), mas a revista não se dá por vencida e apresenta o fato como verdadeiro.

E é como verdadeira que a informação foi recebida pela presidente do STF Carmen Lúcia, que reagiu indignada. E a oposição, evidentemente, já articula uma CPI para investigar o tema. Não vai dar em nada, como nenhuma outra CPI, mas põe mais lenha na fogueira.

Sou da escola de que uma informação, qualquer que seja, deve ser checada e confrontada com elementos comprobatórios para que possa, então, ser publicada. Jamais basear-se apenas numa fonte, que não apresenta absolutamente nada, nada, que corrobore a acusação.

Pelo visto, minha escola – sem partido, mas com ética – está ultrapassada.

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