Papa se omite, mas Igreja da Venezuela sentencia: Maduro é ditador

A Igreja Católica da Venezuela deu, enfim, um basta à contemporização com o governo de Nicolás Maduro, a que classificou de “ditadura” que se opõe “a todo um povo que clama por liberdade”. A manifestação ocorreu na sexta-feira, um dia depois de os paramilitares a serviço de Maduro, os colectivos, invadirem a Assembleia Nacional, dominada pela oposição, agredir deputados, servidores e jornalistas e manter mais de 300 pessoas em cárcere privado por nove horas.

A tomada de posição da Igreja Católica contrasta com a tibieza demonstrada pelo papa Francisco em relação a Maduro, que, para se manter no poder, dilapidou a economia do país, levou 80% da população à pobreza, tem controle férreo sobre todo os organismos do país, exceto da Assembleia Nacional, e impôs a violência como método de governo. Desde que, há três meses, convocou a “Constituinte popular”, em atropelo à Constituição e com a finalidade clara de estender seu mandato e tirar o poder da Assembleia, milhares de pessoas saem às ruas todos os dias e são dispersados com truculência pelas forças de segurança. Mais de 90 pessoas, a maioria jovens, morreram nesses protestos.

“Essa Assembleia prevista para o final de julho será imposta à força e o resultado serão a constitucionalização de uma ditadura militar, socialista, marxista e comunista”, disse monsenhor Diego Padrón, presidente da Comissão Episcopal Venezuelana, em nota oficial. “Já não há conflito ideológico entre direitas e esquerdas, e sim uma luta entre um governo convertido em ditadura e todo um povo que clama por liberdade.”

A Igreja Católica foi além: dará apoio logístico ao plebiscito simbólico que a oposição fará no dia 16 sobre a “Constituinte popular” e pedindo a convocação imediata de eleições gerais (a de governadores, prevista para o ano passado, foi suspensa por Maduro). Prédios, escolas, todos os imóveis pertencentes à Igreja, exceto os templos, poderão ser usados para a realização do plebiscito

Maduro sentiu o golpe, mandando libertar no dia seguinte, numa tentativa de conter a pressão que se avoluma contra si, do líder opositor Leopoldo López. Acusado de “incitar à violência” por liderar os protestos de três anos atrás, López foi condenado sem provas a 13 anos de prisão – esteve o tempo todo numa solitária. Um dos promotores pediu asilo aos Estados Unidos alegando ter sido pressionado para dar parecer favorável à culpabilidade de López.

A liberação de López é apenas uma agulha no palheiro: mais de 300 opositores estão presos, vários condenados por tribunais servis ao presidente. E as dissidências do regime chavista não cessam: 123 militares (entre eles oficiais) foram presos por se opor à dura repressão de Maduro e a procuradora-geral Luísa Ortega Dias, que rompeu com o ditador após a convocação da “Constituinte popular”. Ela está sob investigação do Tribunal Supremo, composto exclusivamente por apoiadores de Maduro, está proibida de deixar o país e teve parte de suas funções encampadas pela Defensoria do Povo (!), outo órgão subordinado incondicionalmente ao regime.

Rodrigo Janot e procuradores-gerais de seis países latino-americanos manifestaram solidariedade à colega venezuelana.

E a CNBB fará o mesmo em relação a seus colegas venezuelanos? Uma entidade que recebeu há poucos dias o homem apontado como chefe da maior organização criminosa de que se tem notícia – e ele se chama Lula da Silva e é réu em seis processos – para debater a “perda dos direitos dos trabalhadores após a posse do governo Temer” não dá esperança de que venha a proceder assim…

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